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Processos de Usinagem com ferramentas de

Geometria não definida


É um processo de usinagem em que a remoção é realizada pela ação de
grãos, mais ou menos disformes, de materiais duros que são postos em
interferência com o material da peça.
Na verdade, os processos de usinagem com ferramentas não definidas são
processos de acabamento utilizados na:

• melhoria da exatidão dimensional

• melhoria da exatidão geométrica

• melhoria da qualidade superficial de peças

• alteração das características superficiais


A impossibilidade de definir geometricamente as arestas das
ferramentas abrasivas levou ao nome de usinagem com gumes
de geometria não-definida.
Princípio de Ação
Principais processos de usinagem com ferramentas de geometria não definida
Etapas da usinagem com grão abrasivo

➔ I – região de deformação elástica atrito grão/material da peça

➔ II – região de deformação elástica e plástica, atrito grão/material da peça, atrito


interno do material

➔ III – deformação elástica e plástica + remoção de cavaco, atrito grão/material da


peça, atrito interno do material

➔ hcu = epessura de usinagem

➔ hcu eff = espessura de corte efetiva

➔ Tµ = penetração de início de corte


Forças na usinagem com ferramentas de geometria Não definida

Fts = força de corte Fc=Ʃ∗F ts i, t


Fns = força normal a Fts Fn= Ʃ ∗Fns i, t
Onde: i ,t representa cada grão atuante no mesmo instante de tempo t
Materiais Abrasivos
Requisitos dos materiais abrasivos
➔ Elevada dureza
➔ Estabilidade térmica
➔ Estabilidade química

 Materiais podem ser naturais ou sintéticos

 Materiais abrasivos naturais têm importância secundária (em geral tem pouca
resistência)
Tamanho do Grão Abrasivo

➔ O rebolo vem indicado por um número que significa o tamanho do grão,


classificado em uma peneira (polegadas lineares).

➔ Quanto mais fino é o grão, maior é seu número na escala de granulometria.

➔ Os grãos grandes são empregados para trabalhos de desbaste, os finos para


acabamentos.
PROCESSO DE RETIFICAÇÃO
- Caracteriza-se pela remoção de material da peça pela ação conjunta de
grãos abrasivos ativos;

- Muitas peças usinadas têm a retificação como a última operação de uma


ou várias de suas superfícies;

- algumas vezes também é utilizada como operação intermediária, para


gerar superfícies de referência para outras operações.
Características do processo

 É o processo de usinagem abrasiva com maior emprego na indústria;

 Possibilidade de obtenção de tolerâncias apertadas (tolerância dimensional


entre IT4 e IT6 e tolerância geométrica compatível);

 Baixa rugosidade (Ra de 0,2 a 1,6 µm);

 Baixa capacidade de remoção de cavaco;

 Cavacos com seção variável.


Ferramentas para retificação
REBOLO

- É um corpo, geralmente cilíndrico, formado pelo material aglomerante, cuja


função é reunir os inúmeros grãos abrasivos, que vão entrar em contato com a
peça e realizar a usinagem;

- Cada grão abrasivo retira uma quantidade minúscula de material da peça, o


que permite a obtenção de tolerâncias bem apertadas.
Ligantes

➔ Tem a função de manter grãos ligados, podem ser orgânicos ou inorgânicos;


➔ Devem ser suficientemente resistentes;
➔ Devem formar pontes suficientemente grandes entre os grãos;
➔ A energia de ligação com os grãos deve ser grande.
Ligantes inorgânicos

Cerâmicos ou vitrificados

➔ correspondem a mais de 50% dos rebolos;


➔ compostos por misturas vitrificantes (caulin, argila, quartzo, feldspato,
fundentes,...);
➔ frágeis, com alto módulo de elasticidade, resistentes à temperatura;
➔ resistentes quimicamente a água e óleo.
Minerais

➔ silicatos e magnesita (rebolos macios);

➔ retificação a seco de materiais finos (cutelaria);

➔ apresentam desgaste rápido.


Estrutura dos rebolos

➔ São os poros ou vazios da estrutura de um rebolo que criam condições de


remoção rápida dos cavacos da face do rebolo.
Função dos poros na estrutura do rebolo
TRANSFERÊNCIA DE CALOR NO GRÃO
Classificação e descrição dos processos de retificação

Os processos de retificação podem ser classificados em:

 Segundo a dureza da peça usinada:

a) Retificação mole ou verde: realizada antes do tratamento térmico, com


a peça ainda mole, para gerar superfícies precisas que sirvam de
referência para outras operações de usinagem;

b) Retificação dura: realizada depois do tratamento térmico, com a peça já


endurecida, com o fim de conferir as dimensões finais à peça usinada.
 Segundo a superfície a ser usinada

Retificação cilíndrica Retificação plana Retificação de perfis

Externa Interna Tangencial Frontal

Entre Sem
pontas centros

Longitudinal (ou
De mergulho
De Longitudinal (ou de passagem
mergulho de passagem)
Retificação cilíndrica externa entre pontas

- Pode ser de mergulho ou longitudinal;


- A peça é fixada pelos seus dois extremos, em geral, utilizando-se de
contrapontos;
- Nos dois casos tanto a peça
quanto o rebolo possuem
movimento de rotação.

Retificação cilíndrica externa longitudinal entre pontas


- Na retificação longitudinal (de passagem), o avanço paralelo ao eixo da
peça pode ser feito através do movimento da mesa retificadora ou através
do movimento do rebolo;
- O avanço em profundidade é discreto e realizado ao fim de cada avanço
longitudinal (quando o rebolo chega ao fim da peça), para propiciar nova
retirada de material na próxima passada do rebolo durante o avanço
longitudinal.
- Na retificação de mergulho (avanço com penetração), o rebolo executa
movimento de avanço numa direção perpendicular à superfície retificada;

- Em geral, a peça possui somente movimento de rotação, podendo apresentar


um pequeno movimento longitudinal;
- O rebolo, em geral, é mais largo que o comprimento da superfície retificada e
o processo é mais rápido e econômico.

Retificação cilíndrica externa de mergulho entre pontas.


- Pode-se retificar várias superfícies simultaneamente, com diversos rebolos
montados um ao lado do outro, separados por anéis (em máquinas retificadoras
convencionais de alta produção), ou uma superfície de cada vez;

- Permite a usinagem de perfis variados, bastando dar a forma adequada ao


rebolo.
Retificação cilíndrica externa sem centros

Processo desenvolvido para casos específicos aonde a retificação entre


pontas fosse de difícil execução.

EX:

a) Uma peça cilíndrica comprida e com pequeno diâmetro fixada entre centros
em uma retificadora cilíndrica entre pontas tende a fletir devido a pressão
exercida pelo rebolo durante o passe de trabalho.

b) Uma peça cilíndrica curta dificulta a retificação entre pontas, devido a


proximidade dos contra pontos, o que dificulta a aproximação e movimento
do rebolo.
 A retificação é mais fácil e mais rápida ( não se perde tempo com colocação e
retirada da peça da máquina e com aproximação e afastamento do rebolo);

 menos precisão (não pode ser feita em peças que apresentem muitos
escalonamentos);

Retificação cilíndrica externa sem centros


Retificação Cilíndrica Interna
A peça fica presa ao cabeçote da máquina com movimento de rotação. O
avanço pode ser feito pelo cabeçote ou pelo rebolo.
O movimento é axial de ida e volta, sendo que no retorno do rebolo, quando
este saí da peça ocorre um pequeno movimento de penetração radial para que a
nova camada de material seja retirada no próximo passe da ferramenta.
Retificação Plana

A retificação tangencial tem o eixo do rebolo paralelo a superfície retificada. A


mesa executa um movimento de avanço alternativo e um avanço transversal
enquanto o rebolo executa a profundidade. É um tipo mais lento muito usado para
retificação de peças grandes de baixa produção.

Tangencial
A retificação plana frontal o eixo do rebolo é perpendicular a superfície a ser
retificada. Em geral o rebolo é bem maior que a peça, dispensando avanço
transversal e possibilita retificar diversas peças simultaneamente, aumentando em
muito a produtividade do processo.

Frontal
Fluidos de corte na retificação
Os fluidos de corte na retificação tem a função de reduzir o atrito entre o
rebolo e a peça e resfriamento da peça. Também tem como objetivo secundário
a limpeza do rebolo e da peça, o transporte do cavaco da zona de trabalho e a
proteção contra corrosão da máquina e da peça.
A escolha do tipo de fluido mais adequado para determinado processo
depende do tipo de abrasivo e do material da peça.
Principais tipos:
- Óleos;
- Emulsões (mistura de óleo em água).

EX: CBN - Fluidos não miscíveis em água são mais adequados.


BRUNIMENTO
- Processo de fabricação com remoção de cavaco a partir de ferramenta
abrasiva (em contato com a peça);

- As ferramentas são constituídas de grãos ligados para a melhoria da forma,


medida e superfície da peça usinada;

- É normalmente empregado após um processo de fabricação fino anterior.


Ferramenta de Brunimento - Brunidores
LAPIDAÇÃO
Descrição do processo

- Processo de remoção ocorre a partir do deslizamento entre as superfícies da


peça e da ferramenta;

- Antes da lapidação, coloca-se um líquido, água ou óleo, sobre uma placa


metálica;

- Em seguida, espalha-se pó abrasivo sobre o líquido, que sofre remoção


através da rolagem entre a ferramenta e a peça;

- A profundidade de impressão depende da carga aplicada (5 a 10% do


diâmetro dos grãos);

- A trajetória dos grãos permite que todos eles trabalhem de forma cíclica.
Generalidades

 Possibilidade de obtenção de superfícies de excelente qualidade;

 A superfície usinada contém ranhuras aleatórias, brilho opaco, e desgaste


extremamente pequeno;

 Pode-se obter superfícies de formas geométricas e dimensões variadas;

 Processo compete com a usinagem de ultra precisão e com o brunimento em


vista da qualidade da superfície usinada obtida;

 Aplicações na indústria: hidráulica, pneumática, eletrônica, mecânica fina,


relógios, indústria de joias, aeroespacial, naval, de construção de máquinas,
de aparelhos de medição, automobilística etc.
Vantagens e peculiaridades

 Materiais lapidáveis: todo material que não se deforme com o próprio peso
(metais, cerâmicas, grafite, vidro etc.);

 As peças são trabalhadas sem o emprego de fixação;

 Usinagens fina e ultrafina podem ser executadas em uma só etapa, garantindo


tolerâncias extremamente estreitas;

 Tempos de preparação de máquina muito curtos;

 Pressões de contato pequenas;


 Peças finas e frágeis (> 0,1 mm) podem ser trabalhadas com precisão extrema;

 Remoção regular de cavacos mesmo para materiais compostos;

 Influência térmica pode ser desprezada;

 Ausência de tensões residuais na superfície usinada.


POLIMENTO
- Processo mecânico de acabamento de uma peça que visa tornar sua superfície
lisa e de aparência espelhada;
- O polimento propicia boa qualidade de acabamento de um produto final;
- Numa superfície cortada com ferramenta podemos perceber as marcas de
usinagem sob a forma de estrias;
- Essas estrias, que são formadas pela ferramenta de corte, convencional ou por
rebolo, recebem o nome de rugosidades que podem ser medidas e consideradas
em termos de qualidade de acabamento;
A operação de polir tem as seguintes finalidades:

 dar, a qualquer superfície, acabamento de boa apresentação, espelhado, sem


que a superfície precise ter precisão de formas e de medidas;
 criar uma camada superficial de proteção da peça, impedindo a ação corrosiva
de ácido, de certos sais químicos, ferrugem etc.;
 preparar peças a serem submetidas a operações de revestimento superficial
por galvanoplastia, como niquelagem e cromagem;
 Depois dessas operações, melhorar o aspecto da superfície, dando às peças
niqueladas ou cromadas um brilho mais vivo.
- Geralmente, o polimento é feito por uma ferramenta na forma de um disco ou
conjunto de discos, revestidos com substâncias abrasivas;
- Podem também ser utilizadas lixas ou bastões abrasivos;
- O disco abrasivo pode ser de madeira, feltro ou tecido;
- Estes materiais impregnados de pasta ou pó abrasivo agem como o rebolo, por
meio de suas superfícies cilíndricas ou planas;
- Os discos abrasivos são feitos de material semi-rígido (feltro aglomerado) ou
muito flexível (flanela);
- O abrasivo que os recobre é colado ou fixado com adesivo.
O polimento pode ser radial e axial.
No polimento radial o disco abrasivo é apoiado sobre a peça a ser polida e o
disco gira em grande velocidade: aproximadamente, 45 a 50 m/s ou 2700 a 3000
m/min. Nesse contato, a superfície da peça vai se desgastando até ficar
homogênea e lisa.
No polimento axial, o disco abrasivo gira sobre um eixo, em contato com a
superfície a ser polida. Neste caso, o disco abrasivo acompanha a superfície da
peça por movimentos de plasticidade ou elasticidade.
- Durante o contato da ferramenta com a peça, a superfície desta é
desgastada
e vai sendo polida pela ferramenta, de acordo com a granulação
abrasiva;
- Outra aplicação do polimento é na confecção de moldes plásticos.
Também pode ser polida qualquer superfície que não necessite de
exatidão dimensional. Por exemplo: punho de manivela, volante de
comando, que posteriormente são cromados.
Polimento Manual

- O polimento manual é realizado com lixas, pó ou bastão abrasivos


que possuem granulação finíssima;
- Este processo é muito empregado na confecção de moldes plásticos;
- Os moldes plásticos têm cavidades que moldam a peça que se
deseja produzir.
TAMBOREAMENTO

- Processo ocorre dentro de um recipiente de trabalho, onde se encontram os


corpos abrasivos, as peças e uma solução aquosa;
- A remoção de material acontece devido ao movimento relativo entre os corpos
abrasivos e as peças.
Objetivos:
Rebarbar, arredondar cantos vivos,
limpar, polir, retirar carepa,
retirar ferrugem, etc.
JATEAMENTO
- Processo abrasivo de remoção de cavacos com auxílio de jatos;

- A energia cinética realiza o trabalho, e o jato empregado é acionado por um


meio líquido ou gasoso;

- A ação do jateamento está baseada no fato de que os grãos abrasivos com alta
velocidade incidem sobre a superfície da peça a ser trabalhada, sendo frenados
sobre a mesma;
- A superfície pronta apresenta uma série de mini-crateras, devido ao impacto
dos diversos grãos;

- A eficiência do processo é determinada por: tipo do meio abrasivo, velocidade


do jato, vazão de abrasivo, recobrimento do jato sobre a superfície, ângulo de
ação, duração do jato, dureza da peça jateada.
Objetivos do Jateamento

 O processo é empregado para tratamento de superfície;

 Subdivisões do processo em termos de aplicação:

 Jateamento de alisamento

 Jateamento de desbaste

 Jateamento de lapidação

 Jateamento de polimento
LIXAMENTO
- Processo de acabamento que tem grande importância na indústria,
principalmente madeireira, siderúrgica e de estampagem (rebarbação);
- É dos processos, o mais comum as pessoas em geral e apresenta fácil
manuseio, grande adaptabilidade a formas complicadas, pequeno perigo de
acidentes por ruptura;
- Devido as suas qualidades, compete em algumas aplicações com a
retificação por rebolos.
Vida da ferramenta

Durante o uso da fita ocorre o cegamento dos grãos abrasivos, e há uma


redução da rugosidade das peças fabricadas.
O fim de vida pode ser alcançado quando a força de usinagem ultrapassa o
valor admissível, ou o atrito gera uma temperatura acima da suportada pelo
processo.
O fim de vida também ocorre quando o desgaste do grão abrasivo atinge a
altura do ligante, ou pelo entupimento dos poros da fita por partículas da peça.
Fluidos de corte

Tem as mesmas funções que na retificação por rebolos (refrigeração,


lavação, não permitir a formação de pós abrasivos nocivos à saúde).
Com a aplicação de fluido de corte têm-se temperaturas de trabalho
menores e produção de cavacos menos espessos. Em vista disso, a qualidade
da superfície usinada é melhor, e a vida da ferramenta é maior do que na
remoção a seco. Existem lixas que não aceitam o uso de fluido de corte.

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