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QUI-01-009 Química Fundamental A

Prof. Alexandre de Jesus

Coloides
Coloides

kólla: cola eidos: forma

A palavra coloide foi introduzida por Thomas Graham (1861).


Coloides
Definição: são sistemas onde não é possível uma clara distinção se são uma
mistura homogênea ou heterogênea. Estes sistemas são chamados intermediários.
São conhecidos como dispersão coloidal, sistema coloidal ou coloide.

Em um sistema coloidal pelo menos um dos componentes tem pelo menos uma
dimensão entre 1 a 1000 nm.

Exemplos: Agregados de íons ou moléculas (micelas), proteínas e polímeros.

As dispersões coloidais situam-se intermediariamente entre as SOLUÇÕES


(mistura homogênea) e as SUSPENSÕES (mistura heterogênea).
Propriedades dos sistemas dispersos
 Nos coloides as partículas são suficientemente grandes para que exista uma
superfície de separação definida entre elas e o meio onde estão dispersas.

 Dispersões coloidais simples são sistemas de duas fases.

 Fases:
- Fase dispersa ou disperso: é o agregado de partículas ou macromolécula
de dimensões coloidais;
- Dispersante: é o meio, constituído de partículas menores (íons ou
moléculas), onde se encontram as partículas coloidais;

 Os sistemas coloidais existem nas células vivas, proteínas, ácidos nucleicos,


polissacarídeos, sangue e seiva vegetal.

 Areias, argilas, ácidos húmicos constituintes do solo e nos materiais sintéticos


como plásticos, borrachas, detergentes, corantes e lubrificantes.

 Processos: Detergência, tratamento de esgoto, troca iônica, condicionamento


de solos.
Classificação de Sistemas Coloidais

1) Quanto ao estado físico do disperso e do dispersante


 Sol: sistema coloidal onde o disperso é sólido e o dispersante é líquido, sem
forma definida, predominando o estado líquido.
Ex.: tintas, gomas.

 Gel: sistema coloidal de um disperso sólido em um dispersante líquido, de


forma definida, predominando o estado sólido. Um gel é um tipo incomum de
coloide no qual o líquido contém um sólido disposto em um fino retículo que se
estende através do sistema.
Ex.: gelatinas, sílica gel, precipitado de Al(OH)3.

 A transformação de sol em gel pode ocorrer por evaporação do dispersante.


2) Quanto à afinidade disperso-dispersante

 Coloides liófilos: são coloides cujas partículas dispersas apresentam


grande afinidade pelo dispersante. Quando o dispersante é a água, o coloide
chama-se hidrófilo.

Ex.: amido em água, proteína em água, gomas.

 Coloides liófobos: são coloides cujas partículas dispersas apresentam


pequena afinidade pelo dispersante. Se o meio de dispersão for a água, usa-
se o termo hidrófobo.

Ex.: enxofre em água, cloreto de prata.


3) Quanto à natureza das partículas dispersas

 Coloides micelares: quando as partículas coloidais são agregados de


moléculas, íons ou átomos.
Ex.: hidróxido férrico, enxofre em água.

 Coloides moleculares: quando as partículas coloidais são macromoléculas.


Ex.: amido em água, borracha em benzeno.

Formação de Partículas Coloidais

 Métodos de dispersão: a substância se desagrega em partículas cada vez


menores até que atinja o tamanho coloidal.
- Moinhos coloidais (Ex.: pulverização de pigmentos para tintas ou para
maquiagem)
- Agitação mecânica (Ex.: maionese e nata batida)

 Métodos de condensação: agrupamento de moléculas (Ex.: formação de


neblina)
Estabilidade das Dispersões Coloidais

 Autoestabilização

 Estabilização por um componente adicional


Estabilidade das Dispersões Coloidais

Autoestabilização: Quando algumas substâncias são colocadas em água seus


grupos polares, presentes em cadeias apolares de átomos de carbono, tendem a
formar interações fortes com a água, isto é favorecem a formação de uma solução.
Já a parte orgânica da molécula, que é repelida pela água, desfavorece a
formação da solução.
Essas forças opostas, a favor e contra a solução, tendem a organizar as moléculas
em partículas, de tal forma que as forças semelhantes entre os diferentes tipos de
grupos dentro da molécula sejam estabilizados por meio de um delicado equilíbrio
em que intervêm as forças atrativas de moléculas diferentes (por exemplo sabão-
água) e as forças atrativas entre moléculas semelhantes (por exemplo sabão-
sabão e água-água).
Ex.: gelatina, amido, cola, sabão.
Estabilização por adição de um componente:
 Estabilização por um coloide protetor:
- O sabão atua como coloide protetor quando é utilizado para lavar objetos
engordurados.
- A gelatina é um coloide protetor na fabricação de dispersão de brometo de prata
para películas e papéis fotográficos.
- A gelatina também é utilizada na preparação de sorvetes para evitar a formação de
partículas grandes de açúcar ou gelo.
- Os coloides protetores para emulsões são chamados agentes emulsificantes.

 Estabilização mediante adsorção de íons:


- A estabilização é obtida pela adsorção. A adsorção é um fenômeno no qual as
moléculas, átomos e íons se aderem à superfície de sólidos ou líquidos (forças de Van
der Waals ou mediante ligações de valência).
Ex.: A extração de ouro de ácido cloroaúrico utilizando cloreto de ferro (II).

HAuCl4 + FeCl2  Au + FeCl3 + HCl

 Estabilização por pó finamente dividido:


- Ex: emulsões de óleo em água se estabilizam pela adição de argila, cal, carbonato
de cálcio, vidro moído e piritas. Já as emulsões de água e óleo se estabilizam por
carbono.
Propriedades dos coloides

 1) Movimento Browniano – é o movimento lento e desordenado das partículas


coloidais devido ao constante choque com as moléculas do dispersante. Este
movimento é responsável, em parte, pela estabilidade do coloide.

 2) Efeito Tyndall – é a reflexão da luz pelas partículas coloidais.


 3) Adsorção - é a retenção superficial de substâncias presentes no meio pelas
partículas coloidais.

 4) Eletroforese – é o movimento das partículas coloidais em direção ao polo


positivo ou negativo quando submetidas à passagem da corrente elétrica.
Conforme o sentido da migração para um ou outro eletrodo, identifica-se a carga
como negativa ou positiva da partícula coloidal.
Diálise
-A diálise baseia-se na propriedade que tem as membranas semipermeáveis de se
deixarem atravessar pelos íons e moléculas e não deixarem atravessar as
partículas coloidais.

- Quando uma dispersão coloidal contendo eletrólitos é separada do solvente puro


por meio de uma membrana semipermeável, somente os eletrólitos passam para o
solvente.
Floculação ou Coagulação
-Floculação ou coagulação é a agregação das partículas coloidais por efeito da
adição de substâncias ou de outros fatores externos (por exemplo: agitação,
aquecimento ou resfriamento).
Ex.: floculação do coloide de Fe(OH)3.
- As partículas coloidais de Fe(OH)3 floculam por adição de eletrólitos que
neutralizem as cargas positivas, uma vez que o coloide de Fe(OH)3 adquire carga
positiva devido à adsorção do íon comum Fe+3.

- A facilidade com que um coloide flocula pode ser prevista pela regra de Schulze-
Hardy: “a concentração do eletrólito capaz de causar floculação depende da carga
elétrica do íon de carga oposta a do coloide”.
O coloide de Fe(OH)3, sendo positivo, flocula mais facilmente em função da carga
negativa dos íons adicionados, conforme a tabela abaixo:

A tabela mostra que o efeito floculante do íon −3 é mil vezes maior do que o efeito
floculante do íon −1.
Emulsão
 É a dispersão de um líquido em outro, sendo os dois imiscíveis. Emulsão contém
gotículas de diâmetro que variam entre 0,001 a 0,050 mm, são sistemas
dispersos com gotículas “grandes”. Mas com o uso de máquinas especiais para
emulsificação e homogeneizadores é possível preparar emulsões com gotículas
“pequenas” que possuem diâmetro em faixa coloidal.
 As emulsões são muito importantes do ponto de vista industrial. Às vezes o
objetivo é a obtenção e estabilização de uma emulsão, enquanto em outros
casos deseja-se a sua quebra, ou seja a sua destruição.

Óleo Óleo + Água Emulsão


Tipos de emulsão
- Óleo em água (O/A): que conduz a corrente elétrica, já que a fase contínua é a
água. Pode ser diluída com água e colorida por corantes solúveis em água.

- Água em óleo (A/O): que não conduz a corrente elétrica, já que a fase contínua
é o óleo. Só pode ser diluída por óleo ou líquidos lipofílicos e podem ser coloridas
por corantes solúveis em óleo.

Ex: Leite in natura, maionese, emulsão de asfalto, petróleo natural.

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