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CRASE

KRÁSIS = MISTURA, FUSÃO


A palavra crase designa, em gramática
normativa, a contração da preposição a com

• O artigo feminino a ou as
Fomos à cidade e assistimos às festas.

• O pronome demonstrativo a ou as
Chamou as filhas e entregou a chave à mais velha.

• O a inicial dos pronomes aquele(s), aquela(s),


aquilo
Refiro-me àquele fato. Poucos vão àquela ilha.
CRASE DA PREPOSIÇÃO A COM
OS ARTIGOS A, AS
Considerem-se estes exemplos:

Irei à cidade. [Irei a a cidade.]


Apresentei-me à diretora. [Apresentei-me a a diretora.]
Dedico-me às artes. [Dedico-me a as artes.]
Obedeço às leis de Deus. [Obedeço a as leis de Deus.]

A crase, como se vê dos exemplos citados, resulta da


contração da preposição a (exigida por um termo
subordinante) com o artigo feminino a ou as (reclamado
por um termo dependente).
Outros exemplos:
preposição artigo

Fomos a a praia.
Estavam junto a a porta.
Compareci a as reuniões.

Se não houver a presença da preposição ou do


artigo, não haverá crase e, consequentemente, não
se acentuará o a ou as:
preposição artigo

Os turistas visitaram a cidade.


A concórdia une as nações.
Não digas isto a ninguém.
Ele parecia entregue a tristes cogitações.
Lançaram-se a nova ofensiva.
REGRA GERAL
O acento indicador de crase só tem cabimento diante de palavras femininas
determinadas pelo artigo definido a ou as e subordinadas a termos que exigem
a preposição a.
Veja mais exemplos:

As crianças voltaram à piscina. [Voltar a a piscina]


Ninguém é insensível à dor.
Exige-se a assistência às aulas.
Atribuiu o insucesso à má sorte.
Procedeu-se à apuração dos votos.
Devemos aliar a teoria à prática.
Avançamos rente à parede.
O trem chegou à estação às 18 horas.
Os garimpeiros assistiam à cena em silêncio, entreolhando-se à luz das candeias.
Fez uma excursão à cidade de Santos.
Refiro-me às duas meninas de nariz arrebatado.
A desnutrição abre caminho às doenças.
Plantou videiras no pomar, às quais dedica muito carinho.
Observação:

Os termos diante dos quais ocorre a


crase exercem a funções sintáticas de
complementos ou de adjuntos adverbiais.
CASOS EM QUE NÃO HÁ CRASE
• Diante de palavras masculinas
Não assisto a filmes de guerra ou de violência.
Isto cheira a vinho.

• Diante de substantivos femininos usados em sentido


geral e indeterminado
Não vai a festas nem a reuniões.
Não dê atenção a pessoas suspeitas.

• Diante de nomes de parentesco, precedidos de pronome


possessivo
Recorri a minha mãe.
Peça desculpa a sua irmã.
• Diante de nomes próprios que não admitem o artigo
Dedicaram templos a Minerva e a Júpiter.
O guerreiro branco falou a Iracema.
Iremos a Curitiba e depois a Londrina.

Observação:
Haverá crase quando o nome próprio admitir o artigo ou
vier acompanhado de adjetivo ou locução adjetiva.

• Diante da palavra casa, no sentido de lar, domicílio,


quando não acompanhada de adjetivo ou locução
adjetiva
Voltamos a casa tristes.
Chegou Basílio a casa, e atirou-se a chorar sobre a cama.
• Nas locuções formadas com a repetição da mesma
palavra
Tomou o remédio gota a gota.
Estavam frente a frente.

• Diante do substantivo terra, em oposição a bordo, a


mar
Os marinheiros tinham descido a terra para visitar a cidade.
Vendo o tubarão, o nadador voltou logo a terra.

• Diante de artigos indefinidos e de pronomes pessoais


(inclusive de tratamento, com exceção de senhora e
senhorita) e interrogativos
Chegamos à cidade a uma hora morta.
Recorreram a mim (a nós, a ela, a você, a dona Maria,
etc.).
• Antes de outros pronomes que rejeitam o artigo, o que
ocorre com a maioria dos indefinidos e relativos e boa
parte dos demonstrativos
Escrevi a todas (ou a algumas, a várias, a muitas) colegas.
Não ligo a essas coisas.
Foi o vício que o levou a tamanha degradação.
O letreiro pode despencar a qualquer hora.
Esta é a vida a que aspiramos.
A tia gostava de Jacinta, a quem sempre ajudava.
Ali havia uma árvore, a cuja sombra descansamos.
Estamos a pouca (ou a certa) distância da fronteira.

Observação:
Há, no entanto, pronomes que admitem o artigo, dando
ensejo à crase:
Não fale nada às outras colegas.
Assistimos sempre às mesmas cenas.
• Diante de numerais cardinais referentes a substantivos
não determinados pelo artigo, usados em sentido
genérico
Chanceler inicia visita a oito países africanos.
Assisti a duas sessões.
A fazenda ficava a três léguas da cidade.
Daqui a quatro semanas muita coisa terá mudado.
Foi isto a 16 de agosto de 1959.

Usa-se, porém, a crase nas locuções adverbiais que


exprimem hora determinada e nos casos em que o
numeral estiver precedido de artigo:
Chegamos às oito horas da noite.
Assisti às duas sessões de ontem.
Entregaram-se os prêmios às três alunas vencedoras.
• Diante de verbos

Estamos dispostos a trabalhar pela paz no mundo.


Quando me dispunha a sair, começou a chover.
Puseram-se a discutir em voz alta.
CASOS ESPECIAIS
O uso do artigo antes dos pronomes possessivos, salvo em
alguns casos, fica ao arbítrio de quem escreve. Daí a
possibilidade de haver, ou não, a crase antes desses
pronomes:

A minha viagem é certa.  Referiu-se à minha viagem.


Minha viagem é certa.  Referiu-se a minha viagem.
As minhas colegas vêm.  Fiz um apelo às minhas colegas.
Minhas colegas vêm.  Fiz um apelo a minhas colegas.
Observações:

• Seguindo-se a atual tendência, é preferível usar o artigo, e,


portanto, a crase, diante dos possessivos que não se
referem a nomes de parentesco.

• Ocorrendo a elipse do substantivo, o a será acentuado:

Ele referia-se à desgraça do amigo e não à sua.


Eu fui à formatura dele, mas ele não compareceu à minha.
• Opcional é também, na linguagem familiar, o uso do
artigo diante de nomes próprios personativos. A crase,
portanto, dependerá da preferência do escritor.
Escrevi à (ou a) Lúcia.

• Na língua formal, sobretudo quando se faz referência a


mulheres célebres, não se usa artigo e, portanto, não se
acentua o a:
Por que os ingleses tinham ódio a Joana D’Arc?

• Em um e outro caso, o acento indicativo de crase será de


rigor, se o nome vier acompanhado de um adjunto:
Refiro-me à Beatriz do Dr. Vieira.
À querida Estela (nas dedicatórias).
O professor referiu-se à intrépida Joana D’Arc.
• Coloca-se o acento grave sobre a da expressão à distância
de, seja a distância determinada, precisa ou não:
Achava-me à distância de cem metros da fronteira.
Paramos à distância de alguns metros do riacho.

• Se antes de distância ocorrer adjetivo ou palavra que não


admite o artigo definido, não se acentuará o a:
O trem passava a pouca distância da casa.
Só o João conservava-se a respeitável distância da água.

• Quando se trata da locução adverbial a distância, é


opcional o uso do acento grave sobre o a. Renomados
escritores modernos ora acentuam, ora não acentuam.
É necessário vê-los a distância. (Graciliano Ramos)
Pedras de gamão estalavam à distância. (Graciliano Ramos)
A crase nas locuções
Acentua-se, geralmente, o a ou as de locuções formadas de
substantivos femininos

• Locuções adverbiais
à direita, à esquerda, à força, à farta, à milanesa, à oriental, à
mesa, à noite, à risca, à solta, à vontade, à saída, à uma hora,
às sete horas, à zero hora, às vezes, à toa, às claras, às pressas,
etc.

• Locuções prepositivas
à custa de, à espera de, à força de, à procura de, à vista de, etc.

• Locuções conjuntivas
à medida que, à proporção que
O uso do acento grave é opcional nas locuções adverbiais
que indicam meio ou instrumento:
barco a (ou à) vela; escrever a (ou à) máquina; escrever a (ou à)
mão; fechar o cofre a (ou à) chave; repelir o invasor a (ou à)
bala, etc.

Observação:
Não há consenso, entre os gramáticos, quanto ao emprego do
acento grave nesse último caso. Uns invocam, em favor dele, a
tradição da língua, ou melhor, o uso tradicional entre os
portugueses, que pronunciam o à (contração) um pouco mais
fortemente do que o a simples. Outros entendem ser descabido o
acento, porquanto nas ditas locuções não ocorre crase, o a é
simples preposição, como em a lápis, a giz, a óleo, a facão, etc.
Além disso, argumentam, os brasileiros pronunciam a e à de
igual modo. São válidas e boas ambas as opiniões. Quem
escreve escolherá a que achar melhor e mais adequada.
• Não se acentua locução constituída de a + substantivo plural
a expensas de, a duras penas, a marteladas, a desoras, a duas
mãos, etc.

• É descabido e vetado o acento grave em locução formada


com substantivo masculino. Grafa-se, portanto:
a cavalo, a pé, a gás, a nado, a mando de, a pedido de, etc.

• É desnecessário o acento grave no a ou as, depois de até, a


não ser que sua falta possa gerar ambiguidade (duplo
sentido):
Chegou até a praia. Andei até a igreja. Fomos até as dunas.
Os garimpeiros danificaram todo o rito até à nascente. [Sem o
acento grave, poder-se-ia entender que os garimpeiros
danificaram inclusive a nascente do rio.]
Há, portanto, casos em que o acento grave, nas
locuções, não assinala crase; emprega-se,
simplesmente, para deixar bem claro que se trata
de um adjunto adverbial. Comparem-se, por
exemplo, as expressões seguintes, em que a
ausência do acento grave torna o sentido dúbio:

ver a distância e ver à distância


matar a fome e matar à fome
cheirar a gasolina e cheirar à gasolina
enfrentar-se a espada e enfrentar-se à espada
receber a bala e receber à bala
CRASE DA PREPOSIÇÃO A COM OS
PRONOMES DEMONSTRATIVOS

A crase pode também resultar da contração da


preposição a com os pronomes demonstrativos
aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo, a, as:
Não irás àquela festa.
Vou àquele cinema.
Não dei importância àquilo.
Não estou falando de todas as jovens; refiro-me à
que você namora.
Assinale a alternativa em que não deve haver o sinal
de crase.

A. O sonho do marinheiro é voltar a Terra.


B. O astronauta ansiava por tornar a Terra.
C. As vezes, não sabemos como agir.
D. Alegro-me a medida que me realizo.
A crase designa, em gramática normativa, a
contração da preposição a com o artigo a ou as; o
pronome demonstrativo a ou as, também com o a
inicial dos pronomes aquele(s), aquela(s) e aquilo.
Nos trechos citados abaixo, o emprego da crase se
deu de forma INCORRETA em:

A. “O Papa levou um tiro à queima-roupa”.


B. A questão salarial será resolvida à nível federal.
C. O ônibus passa à porta de casa.
D. Encontrará a resposta à folha 15, do livro.