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ESTÉTICA E GOSTO NÃO SÃO

CRITÉRIOS PARA O ARTESANATO


Texto de Ricardo Lima, antropólogo e pesquisador do Museu de Folclore
Edison Carneiro, extraído do livro "Artesanato, produção e mercado - uma via
de mão dupla" publicado pelo Artesol.

Andréa Lima
Carolina Moreira
Dominique Mendes
Edson Lourenço
Felipe Geazi
HÁ UMA DIVERSIDADE IMENSA DE
ARTESANATO
ESTÉTICA, PRODUÇÃO E MERCADO

• Gosto é subjetivo e cada um tem o seu;

• Atualmente o gosto (estética) está ligado a padrões de


fruição e consumo ditados por moda, fortemente
influenciado por momentos.

• O gosto e a moda são criados artificialmente pela indústria


cultural, para o consumo em massa.

• No campo do artesanato popular, modificar a estética em


função do mercado pode trazer sérias implicações.
BRINQUEDOS DE MIRITI – ABAETETUBA CE

• http://www.youtube.com/watch?v=FhBSWlNO68M
BRINQUEDOS DE MIRITI – ABAETETUBA CE

• O Caso do Verniz - Afinal, quem é o mercado?

- Até que ponto direcionar uma produção artesanal, de


cunho tradicional, para atender a um determinado
segmento do mercado não é restringir a produção de um
pólo e de determinada comunidade?

- Até que ponto proteger a estética primeira, limitando-a a


uma única estética de recepção, não é podar as
possibilidades de abertura dos canais da criação e o
surgimento de artistas criativos e inovadores?
CERÂMICAS DE ICAROACI – BELÉM, PARÁ

CERÂMICAS DE MARAGOGIPINHO - BAHIA


Vertente Veredas
VALOR AGREGADO – IDENTIDADE CULTURAL

“O que é artesanal não é só técnica, mas é também valor.


Deve-se ter muita sensibilidade para saber onde mexer sem
perder o valor cultural agregado que esses objetos têm,
porque se há essa perda, eles viram uma mera mercadoria
igual a qualquer mercadoria da indústria, e aí vão ser
piores porque não serão tão bons quanto o objeto industrial
e também já não serão mais tão bons quanto o objeto
artesanal original, aquele que trazia envolto em si mesmo a
marca de uma cultura”
Lima, Ricardo
“Política de Gestão do Artesanato”

• Adequar forma à função


• Qualidade do material para seu uso específico (copos não
devem vazar, colchas não devem soltar pelos...)
• Não alterar estética decorativa, de forma que o produto
perca sua identidade cultural
• O mercado deve ser informado sobre o valor destes
produtos, do bem imaterial presente neles, dos traços
culturais inseridos, de sua identidade.
• Como o gosto é subjetivo, ele pode não nos tocar
diretamente, mas tocar a outro. Não é por isto que ele
perde seu valor.
Octavio Paz diz que os objetos de arte foram feitos para durar no
tempo, para lutar contra o tempo. Esse é o nosso trabalho nos
museus, por exemplo, onde estamos tentando, a todo custo, deter
o craquelê das telas. O destino dessa classe de objetos, portanto,
são as coleções e os museus.

Já o objeto industrial não está correlacionado com a questão do


tempo, pois para ele não há tempo. São objetos que somem com a
mesma rapidez com que apareceram, pois seu tempo de uso se
esgota antes mesmo que seu tempo físico, cronológico se
complete. Então ele é superado pela mudança na moda e seu
destino é o lixo, pois já não se usa mais.

Segundo Octavio Paz, o artesanato “não quer durar milênios nem


está possuído pela pressa de morrer logo. Transcorre com os dias,
flui conosco, desgasta-se pouco a pouco, não busca a morte nem
nega: aceita-a”. Diz ele: “Entre o tempo sem tempo do museu e o
tempo acelerado da técnica, o artesanato é a palpitação do tempo
humano. É um objeto útil, mas também belo; um objeto que dura,
mas que acaba e se resigna a acabar; um objeto parecido mas não
idêntico”.
Vídeo
• Artesanato e Design – SEBRAE
http://www.youtube.com/watch?v=zNR1BEZbJBI

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