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ASSIS BRASIL

Análise do conto “Maria das cinzas”, do livro A


chave do amor e outras histórias piauienses
1. O autor
 Francisco de Assis Almeida Brasil, ou Assis
Brasil é um dos nomes mais importantes na
prosa e na crítica da Literatura Piauiense,
tendo mais de 100 obras publicadas.
 Nascido em Parnaíba em 18 de fevereiro de
1932, é autor de livros bastante significativos
como a famosa Tetralogia Piauiense composta
por Beira rio, beira vida, A filha do meio
quilo, O salto do cavalo cobridor e Pacamão e
O ciclo do terror composto por Os que bebem
como os cães e outros.
1. O autor
 Vale ressaltar que grande parte da obra do
autor é dedicada ao público infanto-juvenil,
somando pelo menos 40 títulos.
 Em seu currículo também há uma grande
propensão para a crônica e a crítica literária,
tendo atuado na imprensa desde meados dos
anos 1950.
 Por fim, na área do conto tem diversos livros
publicados com atenção para Contos do
cotidiano triste e A chave do amor.
2. A chave do amor
 Nesta reunião, o autor decidiu reunir todos os
seus contos anteriormente publicados que se
passam no Piauí.
 Nas diversas narrativas presentes no livro são
explorados aspectos próprios do estado do
Piauí, em diversas referências regionais que
corporificam o aforismo de Tolstói: “retrata a
tua província que serás universal”.
3. Maria das Cinzas
3. Maria das Cinzas
 Situado em Parnaíba na década de 1950, o conto versará sobre
as jovens Leonor e Graça, que após a construção de um
conjunto habitacional para ajudar os mendigos que viviam no
cais da cidade, ajudam uma estranha senhora que atende pela
alcunha de Maria das Cinzas.
 Aos poucos, as duas jovens se afeiçoam à situação em que ela
vivem e tentam de todas as formas “ajudá-la”, mesmo que
pareça um empreendimento sem sentido, já que a idosa não
quer saber de ajuda. O que as jovens não sabem é que para
além disso, existe uma história de amargura e tristeza que
sonda a vida da afetada mendiga.
3. Maria das Cinzas
 A princípio, o conto se alimenta de referências a locais
parnaibanos como é o caso do cais, elemento essencial do
romance Beira rio, beira vida, bem como a Rua do Rosário e a
Praça da Graça, que fica no centro da cidade, próxima a
Catedral e ao Porto das Barcas.
 Além disso, o conto se liga à Parnaíba retratada em Beira rio,
beira vida a partir do momento que introduz a personagem
Luíza, que conta a história misteriosa que envolve Maria das
Cinzas. Além de fazer referência à personagem Mundoca.
3. Maria das Cinzas
 O principal fator presente no conto são as diferenças sociais
entre as personagens principais e àquela que nomeia o conto.

 “As duas moças chegaram devagar, pisando de leve e tentando


se habituar com a pobreza do cais. Não vieram de carro, para
não incomodar a gente do subúrbio. Encontraram-se na Praça
da Graça e caminharam pela rua do Rosário, ainda não calçada,
aqueles charcos dos lados, até atingir a beira do rio” (BRASIL,
2007, p. 47).
3. Maria das Cinzas
 “ Como é que pode uma pessoa viver daquele jeito?
 Aquilo é o que chamam de pobreza absoluta?” (BRASIL,
2007, p. 54).

 “É verdade, você tem razão. Tudo tão perto da gente e a gente


sem se tocar, como se diz, sem se incomodar com... com o
próximo., a despeito da nossa religião, a religião de Cristo, que
deu a chave, nos indicou o caminho” (BRASIL, 2007, p. 58).
3. Maria das Cinzas
 Além disso, o autor explora as futilidades e sentimentos
confusos das moças ricas.

 “As duas ainda não sabiam o que sentiam pela velha, se pena,
se um pouco de amor fraterno, se revolta pela situação de toda
aquela gente desvalida do cais  este último sentimento era
para elas meio confuso, ainda não alcançando as verdadeiras
razões das desigualdades sociais. De uma coisa imediata
estavam certas, no entanto: a velha não queria cooperar com
elas, com o padre, com o próprio desenvolvimento da cidade”
(BRASIL, 2007, p. 60).
3. Maria das Cinzas
 “ Só quem não viveu pode permanecer sem sofrimento.
- Quem não viveu, é porque está morto” (BRASIL, 2007, p. 71)

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