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A tese do social

• Críticas comunitaristas ao liberalismo: não


pela sua descrição do eu e de seus interesses
– negligencia em relação as condições sociais
exigidas para a realização desses interesses;
• Charles Taylor: as teorias liberais da justiça
baseiam-se no “atomismo”, em uma
“psicologia moral simplista”, que diz que, fora
da sociedade, os indivíduos são
autossuficientes;
• Para as teorias atomistas, os indivíduos não
necessitam de um contexto comunal para
desenvolver e exercitar sua capacidade de
autodeterminação;
• Charles Taylor: argumenta a favor da “tese do
social”: a “capacidade de autodeterminação” só
pode ser exercida em certo “tipo de sociedade”,
em certo tipo de “ambiente social”; portanto, o
exercício da autodeterminação fora da
sociedade é absurda.
• Ch. Taylor argumenta que a tese social requer
que abandonemos a neutralidade liberal, pois
um Estado neutro não pode proteger
adequadamente o ambiente social necessário a
autodeterminação;
• A tese social nos diz que a capacidade de
escolher uma concepção do bem/vida boa só
pode ser exercido no interior de um tipo
específico de comunidade; esse tipo de
comunidade deve ser sustentado por uma ideia
de bem comum;
• É preciso impor certos limites à
autodeterminação para as condições sociais
que capacitam a autodeterminação;
• Três versões desta afirmação:
• a) necessidade de sustentar uma estrutura
cultural que forneça às pessoas opções
significativas;
• b) a necessidade de fóruns compartilhados,
no qual sejam avaliados estas opções;
• c) respeito das precondições para a
legitimidade política;
• a) Deveres de proteger a estrutura cultural.
• Escolhas significativas sobre nossos projetos de
vida exigem opções significativas; a tese social
diz que essas opções vêm de nossa cultura;
• A neutralidade liberal é incapaz de assegurar de
assegurar a existência de uma cultura rica e
diversa que forneça opções para a realização de
nossos interesses de vida;
• A autodeterminação requer o pluralismo, no
sentido de uma diversidade de modos de vida
possíveis;
• No âmbito das teorias liberais, um Estado que
intervém no mercado cultural para encorajar e
desencorajar qualquer modo de vida restringe a
autodeterminação das pessoas;
• O Estado não tem o direito de interferir no
movimento do mercado cultural, exceto para
assegurar que cada indivíduo tenha um parcela
justa dos meios necessários disponíveis para
exercerem o seus poderes morais;
• O bem-estar ou o desaparecimento de concepções
específicas do bem e, portanto, o bem-estar ou o
desaparecimento de uniões sociais de um caráter
específico não são da conta do Estado.
• No âmbito das teorias comunitaristas, se o
mercado cultural prosseguir sozinho, sem
limitações por parte do Estado, acabará por minar
a estrutura social que sustenta o pluralismo; sem
a diferença, não há possibilidade de
autodeterminação, de constituição da identidade
de sujeitos e grupos sociais nas esferas públicas de
deliberação;
• Os ideais perfeccionistas exigem ação pública para
serem viáveis;
• [Para os liberais, não cabe ao Estado hierarquizar o
valor das várias opções dentro da cultura].
• a) A neutralidade e as deliberações coletivas.
• Para os comunitaristas, os julgamentos liberais a
respeito do bem só são autônomos quando feitos
por indivíduos isolados, protegidos da pressão
social;
• Os liberais pensam que a autonomia é promovida
quando os julgamentos a respeito do bem são
tirados do domínio político;
• Para os comunitaristas, os julgamentos individuais
requerem o compartilhamento das experiências e
das trocas das deliberações coletivas; os
julgamentos individuais sobre o bem dependem da
avaliação coletiva das práticas compartilhadas;
• A autorrealização e a determinação da identidade
pessoal e de um senso de orientação no mundo
dependem de um empreendimento comunal (de
práticas comunitárias);
• O processo compartilhado é a vida cívica e sua raiz
é o envolvimento com outros (outras gerações,
outros tipos de pessoas etc. – as diferenças são
significativas para a “constituição do eu” e para a
“percepção específica do eu”;
• A interdependência é a noção/núcleo central da
cidadania; daí o dito grego e medieval de que a
comunidade política é ontologicamente anterior ao
indivíduo. A pólis é aquilo que torna o homem
possível como ser humano;
• O Estado é a arena adequada para a
formulação de nossas visões do bem porque
estas visões requerem a investigação
compartilhada (elas não podem ser buscadas
nem conhecidas por indivíduos singulares);
para os comunitários, uma cultura de
liberdade é uma conquista histórica;

• c) a legitimidade política.
• As escolhas individuais requerem um contexto
cultural seguro, que, por sua vez, requerem
um contexto político seguro;
• O Estado só pode proteger do “mercado
cultural” se as instituições públicas forem
estáveis; a estabilidade exige que as instituições
sejam legítimas aos olhos dos cidadãos;
• Para Ch. Taylor, o Estado neutro mina a
percepção compartilhada do bem comum pelos
cidadãos para que aceitem os sacrifícios
exigidos pelo Estado do bem-estar social;
• Os cidadãos identificam-se com o Estado e
aceitam suas exigências como legítimas quando
houver uma “forma de vida comum” que seja
vista como um “bem supremamente
importante”;
• A crise das democracias liberais se deve ao fato
de que se pede aos cidadãos que se
sacrifiquem cada vez mais em nome da justiça,
mas eles compartilham cada vez menos coisas
com aqueles pelos quais estão se sacrificando.