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Filtração

Preliminares
Triagem
Sólidos Tamisação
Principais Levigação
Acessórias Decantação
Separação
Sólido/Líquido ou Centrifugação
líquidos imiscíveis Clarificação
Propriamente
Mecânicas Filtração
ditas Divisão grosseira
Sólidos Pulverização
Divisão
Líquidos Emulsificação
Secagem
Liofilização
C/ alteração T Destilação
Físicas Fusão
Cristalização
C/ intervenção de líquido Dissolução
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Conceito

Filtração de
Soluções

 Consiste na separação das partículas sólidas em suspensão num liquido por efeito de uma
pressão sobre uma superfície porosa, ficando o sólido retido e passando o liquido através das
aberturas do septo filtrante.

 As soluções devem apresentar-se perfeitamente límpidas, pelo que terão que ser filtradas.

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Filtração de Soluções

Resíduo Diferença
de
pressão!
Filtrado

 os sólidos retidos pelo septo filtrante constituem o resíduo;

 o liquido que o atravessa representa o filtrado

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Filtração de Soluções
 Unidade filtrante
◦ Septo poroso
◦ Camada filtrante

 Base ou Suporte

 Condições para executar uma filtração


◦ existir um septo filtrante;
◦ durante a operação, existir uma diferença de pressão nos dois lados do septo filtrante

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Filtração de Soluções

Isolar e aproveitar os sólidos Obter filtrados límpidos e


Objectivos
em suspensão num líquido altamente clarificados

Isolamento de precipitados e de cristais Mais importante para a Tecnologia


formados do decurso de uma cristalização, Farmacêutica, pois permite a
remoção de líquidos aderentes a sólidos, obtenção de soluções límpidas e
obtenção de precipitados com fins transparentes
analíticos, etc.

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Filtração de Soluções

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Filtração : mecanismos
 Efeito CRIVO
◦ Fenómeno mecânico
◦ Retêm partículas maiores do que os poros
◦ Colmatação previsível
◦ Recurso a pré-filtros, adjuvantes ou aumento de área de filtração

 Efeito ELECTROCINÉTICO
◦ Fenómeno físico
◦ Retêm partículas menores do que os poros

 Efeito MISTO

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Tipos de Filtração

OSMOSE INVERSA ULTRAFILTRAÇÃO MICROFILTRAÇÃO FILTRAÇÃO

0,002 a 0,0003 µm 0,2 a 0,002 µm 10 a 0,2 µm Até 10 µm

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Filtrabilidade

 Maior ou menor facilidade com que os produtos podem ser filtrados, depende da natureza dos
mesmos.

 Depende de:
 forma das partículas em suspensão
 falta de resistência à compressão
 grau de hidratação
 viscosidade do líquido

velocidade de
filtração
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Filtrabilidade

Classificação de partículas que constituem os materiais:

 Rígidas: cristalinas e granuladas:


 pouco sujeitas a deformações nas condições em que se realiza a maioria dos processos
de filtração

 originam sobre o filtro uma camada filtrante dotada de elevada porosidade e


permeabilidade, sendo de esperar que não venham a entupir os septos filtrantes, dada
a pouca tendência que apresentam para serem forçadas a penetrar nos orifícios
daqueles.

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Filtrabilidade

 Semi-compressíveis

 Compressíveis (substâncias coloidais e altamente hidratadas):


 sofrem apreciável deformação quando sujeitas a uma pressão
 tendência para se encostarem umas às outras
 pode ocorrer a formação de uma película que dificulta a passagem do líquido através
dos respectivos poros ou penetram neles, acabando por obstrui-los

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Teoria da Filtração

Quando se verte uma suspensão constituída por partículas sólidas de diferentes tamanhos, o sistema
sólido-líquido entra em contacto com o filtro e devido à diferença de pressão nos dois lados do septo
filtrante, o líquido passa através dele , ficando retidas as partículas maiores

 Centra-se na resistência ao escoamento, ignorando a qualidade do filtrado;


 Não é possível prever a resistência no final do processo (sólidos retidos);
 Modelos matemáticos ajudam na selecção dos equipamentos e técnicas de filtração;
 A perda de energia durante o processo é proporcional à velocidade de escoamento por unidade
de área.

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Teoria da Filtração

Regra que rege o escoamento de um líquido através de um meio que ofereça resistência:

Diferencial de
Pressões
Força Motriz
Volume de filtrado/ unidade Velocidade =
tempo Resistência

Varia ao longo do
processo

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Características dos filtros

 POROSIDADE: diâmetro médio dos poros

O diâmetro dos poros está relacionado com a


4α pressão necessária para os atravessar
d= K
p

K – constante
α - Tensão superficial do líquido à temperatura de trabalho
p – pressão
d – diâmetro dos poros

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Fatores que influenciam a filtração

 Aumento da pressão
Leva ao aumento da velocidade de filtração
(excepto partículas compressíveis).

POSITIVA VÁCUO

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Fatores que influenciam a filtração

 Aumento da área filtrante


Aumenta a velocidade de escoamento
(também diminui a espessura da camada filtrante ↔ diminui a sua resistência)

PREGAS

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Fatores que influenciam a filtração

 Velocidade de filtração é inversamente proporcional à sua viscosidade

Filtrar enquanto quente

Pré aquecer o funil com a


solução quente
AQUECIMENTO

Manter o frasco
aquecido

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Fatores que influenciam a filtração

 A resistência do resíduo é uma função da sua espessura ↔ escoamento inversamente


proporcional à quantidade de resíduo depositado.

 Tamanho das partículas do resíduo mais elevado ↔ velocidades de filtração menores


porque aumenta a resistência específica do resíduo

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Meios de filtração

 Superfície sobre a qual os sólidos se depositam;


 Devem permitir a retenção dos sólidos sem oclusão do septo;
 Resistência mínima ao fluxo do fluído;
 Resistência química aos produtos a filtrar;
 Facilidade de separação da camada filtrante;
 Os materiais são normalmente redes de fibras naturais (ex: algodão), sintéticas ou em vidro,
entre outros;
 Precisam de um suporte que lhes confira resistência mecânica.

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Materiais Filtrantes

 Devem obedecer a determinadas condições:


◦ Ser inertes;
◦ Sofrer um mínimo de alterações de ordem física;
◦ Não inchar, distorcer ou engelhar.

A superfície filtrante a empregar deverá deixar passar o máximo de líquido e reter,


convenientemente, os sólidos em suspensão.

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Material Filtrante - Papel

 Superfície filtrante mais utilizada em todos os laboratórios químico-farmacêuticos;

 Papel não gomado de modo especial, para que as fibras permitam um escoamento rápido
do liquido;

 Existe no mercado sob várias formas (mais comuns: variedades circular e folha quase
quadrada);

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Material Filtrante - Papel

 A textura do papel condiciona as suas propriedades filtrantes;

 Pode ser do tipo:


◦ mole
◦ duro
◦ extra duro, passando por vários graus intermédios de porosidade

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Material Filtrante - Papel

 A sua pureza varia bastante, podendo ser representada pelas seguintes qualidades: crua,
refinada, isenta de cinzas, de gordura, de amido ...

 Podem ser fabricados com variadas espessuras, tendo os papéis mais grossos poros mais
largos do que os papéis finos.

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Material Filtrante - Papel

 Económico
 Porosidade controlada
 Pequena absorção característica
 Preço reduzido
 Descartáveis
 Simples ou com pregas
 Necessidade de suporte para evitar rutura

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Material Filtrante - Papel

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Material Filtrante – Polpa de papel

 Polpa de papel ou de celulose podem ser empregues em:


◦ Filtração por gravidade
◦ Camadas filtrantes na filtração por sucção
◦ como adjuvantes na filtração de produtos dificilmente filtráveis adicionando-se aos
líquidos sob agitação

 Existem vários produtos industrializados sob a forma de pó ou de pastilhas.

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Material Filtrante - Tecido

 Os tecidos são feitos de diversas fibras e podem ser utilizados como:


◦ suportes de superfícies filtrantes
◦ filtros

 Raramente são usados na prática laboratorial corrente, estando o seu uso quase
exclusivamente reservado às técnicas de filtração em larga escala;

 Excetua-se, o seu emprego na filtração de xaropes.

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Material Filtrante - Tecido

 Em principio, qualquer tecido poderá ser empregue na filtração desde que seja compatível
com o liquido a filtrar;

 Dependendo as suas características de filtração das fibras de que é feito, do seu peso,
trama, etc.

 Tecidos de fibras naturais são mais apertados que tecidos de fibras sintéticas ou de vidro.

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Material Filtrante – Material Fibroso

 As fibras naturais têm pouco ou nenhum uso como materiais filtrantes, excepção feita para
o algodão;

 Pode utilizar-se na filtração certas soluções através de algodão hidrófilo adaptado a um


funil;

 Originam líquidos bem clarificados, desde que o filtro seja previamente lavado para se
arrastarem as fibras soltas

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Materiais Filtrantes Rígidos

 Sílica (sílica, amianto, outros)

 Caulino e porcelana
◦ preparados de diversos materiais de natureza argilosa
◦ os quais os mais conhecidos estão os filtros ou velas de Chamberland
◦ na sua constituição entram caulino e quartzo aglutinados por aquecimento a
temperaturas controladas

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Materiais Filtrantes - Caulino e porcelana

 São usados, principalmente, na filtração bacteriológica, sendo fabricados


com várias porosidades, as quais dependem da finura dos grãos dos
materiais usados na sua preparação e, ainda, da temperatura a que foram
submetidos;

 São classificados por uma letra e um número: LI, L2, L3..., L7, L11;

 As velas L7 e L11 utilizam-se na filtração esterilizante;

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Materiais Filtrantes - Vidro Poroso

 Entre os septos filtrantes rígidos, os filtros de vidro poroso representam, certamente, os


de maior interesse e utilização na filtração laboratorial;

 Utilizam-se vidros de pirex ou quartzo;

 Dadas as diferentes porosidades que estas placas filtrantes podem apresentar, tornou-se
necessário estabelecer uma classificação para estes filtros que facilite o seu
reconhecimento de modo fácil e seguro e permita escolher o filtro mais recomendável ao
fim em vista ( classificados na farmacopeia);

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Materiais Filtrantes - Placas e discos Filtrantes

 As placas filtrantes são geralmente feitas de substâncias fibrosas, tais como polpa de papel
e amianto;

 Utilizadas separadamente ou misturadas e submetidas a uma compressão conveniente até


se obterem produtos com a densidade requerida;

 Destinam-se a clarificar ou esterilizar líquidos.

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Adjuvantes de Filtração - função

 formar uma estrutura em forma de rede, que:


. seja rígida;
. porosa;
. permeável, a qual retenha as partículas em suspensão, deixando fluir livremente o liquido
através dos seus canalículos

 Na prática, adicionam-se os adjuvantes ao próprio liquido a filtrar, o que origina uma


camada filtrante complexa constituída pelas partículas do adjuvante e dos sólidos pré-
existentes na suspensão a clarificar

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Adjuvantes de Filtração - propriedades

 possuir uma estrutura física tal que permita a formação de uma rede porosa
indeformável
 apresentar um grau de divisão suficiente para reter as partículas sólidas a filtrar
 ter aptidão para se manter em suspensão no liquido
 estar livre de impurezas
 não reagir com o liquido
 ser anidro

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Adjuvantes de Filtração
sílica de diatomáceas:
-forma resíduo rígido e incompressível;

CARVÃO:
-↑ poder de adsorção
-Partículas de elevadas dimensões
-Bom para bases fortes

CARBONATOS DE CÁLCIO E MAGNÉSIO


-Podem originar precipitações por reacção com ácidos

TALCO
-Os de maior tenuidade dão filtrados turvos
-Não é adsorvente, quimicamente inerte

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Técnicas de Filtração
1. Filtração por gravidade
 filtração a quente
 filtração a frio
 filtração de líquidos voláteis
 filtros de lã ou algodão
 filtração contínua
2. Filtração por sucção
3. Filtração sob pressão
4. Ultra-filtração

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Filtração por Gravidade
1. Nunca vincar as dobras junto do ápex;
2. Forçar a extremidade do filtro de pregas, de forma a que penetre na haste do funil;
3. Humedecer o filtro com o líquido a filtrar;
4. Filtro duplo ou um pouco de algodão humedecido envolvido em gaze no gargalo do funil,
quando se pretende filtrar um grande volume de líquido;
5. Verter o líquido dirigindo-o contra as paredes do filtro;
6. Papel deve ser cortado de acordo com as dimensões precisas;
7. Filtração para um frasco de gargalo estreito, é necessário deixar um espaço entre o funil e o
frasco, para permitir a saída do ar.

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