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POLÍCIA MILITAR DO DISTRITO FEDERAL

DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO E CULTURA


CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS
CFP - 1 / 2011
ABUSO DE AUTORIDADE
LEI Nº 4.898/65

2º SGT WALQUENIS
2011
Art. 1º O direito de representação
e o processo de responsabilidade
administrativa civil e penal,
contra as autoridades que, no
exercício de suas funções,
cometerem abusos, são
regulados pela presente lei.
• Art. 2º O direito de representação será exercido
por meio de petição:
a) dirigida à autoridade superior que tiver
competência legal para aplicar, à autoridade civil
ou militar culpada, a respectiva sanção;
b) dirigida ao órgão do Ministério Público que tiver
competência para iniciar processo-crime contra a
autoridade culpada.
Parágrafo único. A representação será feita em
duas vias e conterá a exposição do fato
constitutivo do abuso de autoridade, com todas as
suas circunstâncias, a qualificação do acusado e o
rol de testemunhas, no máximo de três, se as
houver.
Art. 3º. Constitui abuso de autoridade
qualquer atentado:
• a) à liberdade de locomoção;
• b) à inviolabilidade do domicílio;
• c) ao sigilo da correspondência;
• d) à liberdade de consciência e de crença;
• e) ao livre exercício do culto religioso;
• f) à liberdade de associação;
• g) aos direitos e garantias legais
assegurados ao exercício do voto;
• h) ao direito de reunião;
• i) à incolumidade física do indivíduo;
• A) LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO

• Art. 5o. XV – é livre a locomoção no território nacional em tempo de


paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar,
permanecer ou dele sair com seus bens;
• Liberdade Restrita: A liberdade não é total, eis que há liberdade de
outros indivíduos;
• Não constitui abuso de autoridade as detenções e recolhimentos de
dementes, ébrios, (não precisam ter cometido crime), pessoas que
causem escândalo;
• A detenção não precisa ser em cela, pode ocorrer em sala, gabinete,
corredor, pátio ou qualquer outro lugar;
• Constitui abuso de autoridade o fato de agentes policiais algemarem
pessoas e saírem de carro pela cidade, sem tê-las prendido em
flagrante e sem portar mandado de condução;
• Também aquele que ordena que alguém se retire de determinado
logradouro público, SEM HAVER FUNDAMENTO LEGAL, para tanto. Se
a vítima for criança ou adolescente – ECA art. 230.
B) Inviolabilidade de Domicílio
• Art. 5o. XI – a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela
podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em
caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou,
durante o dia, por determinação judicial.
• Comete o crime se penetrar no pátio, quintal, jardim, celeiro,
estrebaria, nas dependências da casa;
• Art. 150 § 4º CP- A expressão "casa" compreende: I -
qualquer compartimento habitado; II - aposento ocupado
de habitação coletiva; III - compartimento não aberto ao
público, onde alguém exerce profissão ou atividade.
• Hotéis, hospedarias, estalagem ou habitação coletiva (salvo no
aposento ocupado), nem bares, boates, restaurantes, etc não
constitui domicílio.
• Art. 150 § 5o. CP - Não se compreendem na expressão
"casa": I - hospedaria, estalagem ou qualquer outra
habitação coletiva, enquanto aberta, salvo a restrição do
n.º II do parágrafo anterior; II - taverna, casa de jogo e
outras do mesmo gênero.
• Cumprir um Mandado de
Busca e Apreensão
• LIVRE EXERCICIO DE CULTO RELIGIOSO

• E os cultos imorais ou conforme a ordem pública ? Os


cultos têm que respeitar a ordem pública. Não podem,
por exemplo, ofender outra religião.

• Não pode o culto abusar na utilização de instrumentos


sonoros e desrespeitar o repouso da coletividade e
normas municipais.
• A polícia pode proibir conferências religiosas na praça
pública que possam trazer desordem e conflito.
• No caso de conferências públicas ou religiosas, é
comum habeas corpus para garantir, devendo a polícia
assegurar a ordem.
• A AUTORIDADE pode dizer as ruas, ou o trajeto que o
cortejo religioso deve passar ? Sim, não constitui
constrangimento ilegal a determinação, feita pela
Polícia, de certas ruas para o itinerário de uma
procissão religiosa.
• DIREITO DE REUNIÃO
• Art. 5o. XVI - todos podem reunir-se pacificamente,
sem armas, em locais abertos ao público,
independentemente de autorização, desde que não
frustrem outra reunião anteriormente convocada para o
mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à
autoridade competente;
• A polícia vigia, mas não pode proibir.
• Há quatro atuações da Polícia:
– a) nega, se for reunião de loucos ou estrangeiros não
residentes, também se houver armas ou o objeto da
reunião for ilícito;
– b) Providências preventivas;
– c) Intervenção para restabelecer a ordem;
– d) Apontar qual o lugar em que a reunião deve
ocorrer.
INCOLUMIDADE FÍSICA
• Se a violência for praticada para obter informação, declaração
ou confissão ?
• Teremos então a incidência da Lei de Tortura 9.455/97 e o art. 5o.
XLIII.
• Lei de Tortura 9.455/97 Art. 1º Constitui crime de tortura:
• I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça,
causando-lhe sofrimento físico ou mental:
• a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da
vítima ou de terceira pessoa;
• b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;
• c) em razão de discriminação racial ou religiosa;
• II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade,
com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico
ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter
preventivo.
• Pena - reclusão, de dois a oito anos.
Art. 4o. Ordenar ou executar medida
privativa da liberdade individual, sem as
formalidades legais ou com abuso de poder
• Art. 5o. LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito
ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade
judiciária competente, salvo nos casos de transgressão
militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;

• LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se


encontre serão comunicados imediatamente ao juiz
competente e à família do preso ou à pessoa por ele
indicada;

• LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os


quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a
assistência da família e de advogado;
• Art. 5o. LXIV - o preso tem direito à identificação dos
responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório
policial;

• LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela


autoridade judiciária;

• LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido,


quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem
fiança;

• LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do


responsável pelo inadimplemento voluntário e
inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário
infiel;

• LXVIII - conceder-se-á "habeas-corpus" sempre que


alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência
ou coação em sua liberdade de locomoção, por
ilegalidade ou abuso de poder;
• ATENÇÃO !!!!

• Não são permitidas prisões para


averiguações, em que também são
detidos temporariamente por sua
aparência;
Art. 4o. Submeter pessoa sob sua guarda ou
custódia a vexame ou a constrangimento não
autorizado em lei
• Art. 5o. XLIX - é assegurado aos presos o respeito à
integridade física e moral;
• Calúnia
• Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato
definido como crime:
• Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
• Difamação
• Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua
reputação:
• Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
• Injúria
• Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o
decoro:
• Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
• Exemplos de fatos que exprimem
constrangimento

• Permitir a exposição pública do preso,


obrigá-lo a realizar trabalho não
previsto e deprimente.
• Permitir que alguém o injurie.
• Impedir-lhe a higiene pessoal.
• Sujeitá-lo a castigos injustificados.
Art. 4o. Deixar de comunicar,
imediatamente, ao juiz competente a prisão
ou detenção de qualquer pessoa;

• Art. 4o. O ato lesivo da honra ou do


patrimônio de pessoa natural ou jurídica,
quando praticado com abuso ou desvio de
poder ou sem competência legal;
–Art. 5o. Considera-se autoridade, para os efeitos
desta lei, quem exerce cargo, emprego ou
função pública, de natureza civil, ou militar,
ainda que transitoriamente e sem remuneração

• Tem que deter algum poder. O autor tem que estar


no exercício de suas funções.

• Jurisprudência: Não se encontrando o acusado no


exercício de sua função, tanto que estava a paisana,
quando agrediu e feriu a vítima, não há que se cogitar
em abuso de poder. A não ser que invoque sua
condição de autoridade.
SANÇÕES
– Art. 6o. O abuso de autoridade sujeitará o
seu autor à sanção administrativa, civil e
penal.
ADMINISTRATIVA
– Advertência
– Repreensão
– Suspensão (05 a 180d)
– Destituição de função
– Demissão
– Demissão, a bem do serviço Público
– Sanção Civil:
• Caso não seja possível fixar o valor do dano,
consistirá no pagamento de uma indenização de
quinhentos a dez mil cruzeiros

– Sanção Penal:
• Será aplicada de acordo com as regras dos
artigos 59 a 76 do Código Penal, podendo ser:
– Multa
– Detenção
– Perda de cargo e a inabilitação para o exercício de
qualquer outra função pública por prazo até 03 anos.
PROCEDIMENTO
• Art. 12. A ação penal será iniciada,
independentemente de inquérito policial ou
justificação por denúncia do Ministério Público,
instruída com a representação da vítima do abuso

• Art. 13. Apresentada ao Ministério Público a
representação da vítima, aquele, no prazo de
quarenta e oito horas, denunciará o réu, desde
que o fato narrado constitua abuso de
autoridade, e requererá ao Juiz a sua citação, e,
bem assim, a designação de audiência de
instrução e julgamento.
• Art. 14. Se a ato ou fato constitutivo do
abuso de autoridade houver deixado
vestígios o ofendido ou o acusado poderá:
• a) promover a comprovação da existência
de tais vestígios, por meio de duas
testemunhas qualificadas;
• b) requerer ao Juiz, até setenta e duas
horas antes da audiência de instrução e
julgamento, a designação de um perito
para fazer as verificações necessárias
• Art. 16. Se o órgão do Ministério Público
não oferecer a denúncia no prazo fixado
nesta lei, será admitida ação privada. O
órgão do Ministério Público poderá, porém,
aditar a queixa, repudiá-la e oferecer
denúncia substitutiva e intervir em todos os
termos do processo, interpor recursos e, a
todo tempo, no caso de negligência do
querelante, retomar a ação como parte
principal.
JURISPRUDÊNCIAS
• Classe do Processo : APELAÇÃO CRIMINAL NO JUIZADO ESPECIAL 20050510091104APJ DF
• Data de Julgamento : 05/09/2006
• Órgão Julgador : Segunda Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais do D.F.
• Ementa
PENAL. ABUSO DE AUTORIDADE MEDIANTE ATENTADO À INCOLUMIDADE FÍSICA DA
VÍTIMA E PRÁTICA DE ATO LESIVO À HONRA. AUTORIA E MATERIALIDADE
DEMONSTRADAS. ACERVO PROBATÓRIO HARMONIZADO, HÁBIL A SUSTENTAR A
CONDENAÇÃO. NÃO CABIMENTO DA PRETENDIDA APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO "IN DUBIO
PRO REO". VERSÃO DO ACUSADO DESTOANTE DO CONJUNTO PROBATÓRIO. DOSIMETRIA
DA PENA NOS LIMITES DO ART. 59 C/C ART. 68, DO CPB. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS
DESFAVORÁVEIS. MAJORAÇÃO DA PENA. IRRESIGNAÇÃO QUE NÃO SE SUSTENTA.
SENTENÇA CONDENATÓRIA MANTIDA. UNÂNIME. 1. A PALAVRA DA VÍTIMA, QUANDO EM
HARMONIA COM OS DEMAIS ELEMENTOS DE PROVA, REVESTE-SE DE EXTREMA
IMPORTÂNCIA NO ESCLARECIMENTO DO CRIME E, EM ESPECIAL, QUANDO O ACUSADO
APRESENTA VERSÃO DEFENSIVA DE TODO CONCILIÁVEL COM O SUPORTE PROBATÓRIO.
2. SE DAS REFERÊNCIAS DA R. SENTENÇA SE INFERE INDUVIDOSAMENTE QUE FOI O
ACUSADO-RECORRENTE QUEM QUIS IMPOR SUA AUTORIDADE DE POLICIAL MILITAR E
ATENTOU CONTRA A INCOLUMIDADE FÍSICA DA VÍTIMA, AO DESFERIR-LHE EMPURRÕES,
EXCEDENDO-SE COM PALAVRAS DESONROSAS E DE BAIXO CALÃO, INEXISTE FALAR-SE
EM DÚVIDA QUANTO A AUTORIA E A MATERIALIDADE DESTE DELITO, CUJOS VESTÍGIOS
DE EVENTUAIS MARCAS SÃO DESNECESSÁRIAS, BASTANDO A SEGURA CONFIRMAÇÃO DA
PROVA ORAL. 3. DOSIMETRIA DA PENA QUE OBSERVOU, ATENTAMENTE, AS
CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS, MAJORANDO A PENA COM
RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE, ATENTA AOS LIMITES LEGAIS DO ART. 59 C/C
ART. 68, DO CPB. 4. APELAÇÃO CONHECIDA E IMPROVIDA, PARA O FIM DE MANTER
ÍNTEGRA A CONDENAÇÃO PROLATADA NO JUÍZO MONOCRÁTICO. UNÂNIME.
• Classe do Processo : APELAÇÃO CRIMINAL NO JUIZADO ESPECIAL
20050510024709APJ DF
• Data de Julgamento : 13/03/2007
• Órgão Julgador : Segunda Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais
do D.F.
• Ementa
PENAL. PROCESSO PENAL. CRIME DE ABUSO DE AUTORIDADE.
DEPOIMENTOS COESOS DAS TESTEMUNHAS DE ACUSAÇÃO. LAUDO
QUE COMPROVA LESÃO CAUSADA À VÍTIMA. CONSUMAÇÃO DO
DELITO CAPITULADO PELO ARTIGO 3º, ALÍNEA "I", DA LEI
4.898/1965. REJEITADA PRELIMINAR DE INCOMPETÊNCIA DO
JUÍZO. CONDENAÇÃO MANTIDA. RECURSO NÃO PROVIDO. 1-
"COMPETE A JUSTIÇA COMUM PROCESSAR E JULGAR MILITAR POR
ABUSO DE AUTORIDADE, AINDA QUE PRATICADO EM SERVIÇO",
NOS TERMOS DA SÚMULA 172, DO STJ. 2- CONSIDERANDO A
COESÃO DOS DEPOIMENTOS DAS TESTEMUNHAS DE ACUSAÇÃO
QUANTO À LESÃO INJUSTA CAUSADA À VÍTIMA POR POLICIAIS
MILITARES, BEM COMO O LAUDO DE EXAME DE CORPO DE DELITO
PRODUZIDO NOS AUTOS, A CONDENAÇÃO ÀS PENAS NO CRIME
CAPITULADO NO ARTIGO 3º, ALÍNEA "I", DA LEI FEDERAL Nº 4.898,
DE 1965, É MEDIDA QUE SE IMPÕE. 3- RECURSO NÃO PROVIDO,
SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS.
• Classe do Processo : 20080020062823HBC DF
• Órgão Julgador : 2ª Turma Criminal

• Ementa
HABEAS CORPUS. CRIMES DE ABUSO DE AUTORIDADE (ARTIGO 3º, ALÍNEAS "A" E "I", DA LEI N.º
4.898/65) E DE LESÕES CORPORAIS (ARTIGO 209, CAPUT, DO CÓDIGO PENAL MILITAR) COMETIDOS POR
MILITARES EM SERVIÇO CONTRA CIVIL. CRIMES AUTÔNOMOS. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR PARA
O CRIME DE LESÕES CORPORAIS. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM PARA O CRIME DE ABUSO DE
AUTORIDADE. CONEXÃO. VEDAÇÃO À REUNIÃO DOS PROCESSOS. ARTIGO 79, INCISO I, DO CPP. ORDEM
DENEGADA.
1. OS CRIMES DE ABUSO DE AUTORIDADE (ARTIGO 3º, ALÍNEAS "A" E "I", DA LEI N.º 4.898/65) E DE
LESÃO CORPORAL (ARTIGO 209 DO CÓDIGO PENAL MILITAR) CONSTITUEM DELITOS AUTÔNOMOS, EM
RAZÃO DA DIVERSIDADE DE DOLOS, NÃO HAVENDO QUE SE FALAR EM APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA
ESPECIALIDADE OU DA CONSUNÇÃO.
2. A COMPETÊNCIA PARA PROCESSAR E JULGAR O CRIME DE LESÃO CORPORAL É DA JUSTIÇA MILITAR,
UMA VEZ QUE SE TRATA DE CRIME PREVISTO NO CÓDIGO PENAL MILITAR (ARTIGO 209, CAPUT), EMBORA
TAMBÉM PREVISTO NA LEI PENAL COMUM, MAS COMETIDO POR MILITAR EM SERVIÇO CONTRA CIVIL
(ARTIGO 9º, INCISO II, ALÍNEA "C", DO CÓDIGO PENAL MILITAR).
3. O CRIME DE ABUSO DE AUTORIDADE NÃO ESTÁ PREVISTO NO CÓDIGO PENAL MILITAR, MAS APENAS
NA LEGISLAÇÃO PENAL COMUM, A SABER, NO ARTIGO 3º, ALÍNEAS "A" E "I", DA LEI N.º 4.898/65. DESSA
FORMA, ESCAPA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR, DEVENDO SER PROCESSADO E JULGADO
PERANTE A JUSTIÇA COMUM, NOS TERMOS DO VERBETE N.º 172 DA SÚMULA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE
JUSTIÇA: "COMPETE À JUSTIÇA COMUM PROCESSAR E JULGAR MILITAR POR CRIME DE ABUSO DE
AUTORIDADE, AINDA QUE PRATICADO EM SERVIÇO".
4. NÃO OBSTANTE A OCORRÊNCIA DA CONEXÃO ENTRE AS CAUSAS, NÃO SE PROCEDE À REUNIÃO DOS
PROCESSOS, DIANTE DE EXPRESSA VEDAÇÃO LEGAL, CONSTANTE NO ARTIGO 79, INCISO I, DO CÓDIGO
DE PROCESSO PENAL.
5. ORDEM CONHECIDA E DENEGADA, PARA MANTER A COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE DIREITO DA
AUDITORIA MILITAR DO DISTRITO FEDERAL PARA PROCESSAR E JULGAR O CRIME DE LESÃO CORPORAL
(ARTIGO 209, CAPUT, DO CÓDIGO PENAL MILITAR), BEM COMO PARA DECLARAR A COMPETÊNCIA DA
JUSTIÇA COMUM QUANTO AO CRIME DE ABUSO DE AUTORIDADE.