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FACULDADE MAURICIO DE NASSAU

INSTITUTO CAMPINENSE DE ENSINO SUPERIOR

GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
DISCIPLINA: ECONOMIA e GESTÃO
SEMESTRE: 2012.2
CARGA HORÁRIA: 40 HS/ AULA

PROFESSOR: CARLOS AUGUSTO COUTO XAVIER


3ª AULA
Relembrando a aula passada...

 Transição demográfica em 30 anos;


 A população urbana passa a ser maior do que a rural em meados de 1970;
 O risco de explosão demográfica foi superado
 População deixa de ser predominantemente jovem para a partir de 1990 ter
tendência ao envelhecimento;
 Tendência a pressões sobre a previdência, geriatria, etc...

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OBJETIVOS DA AULA

Parte I: Conceito de espaço e Região

Parte II: Noções de sustentabilidade

Parte III: Desigualdades regionais no Brasil (renda e


social) – Indice de Gini e IDH

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NOÇÕES ESPAÇO E REGIÃO

Região é um espaço contínuo, enquanto que o espaço pode


apresentar descontinuidade (espaço econômico de um
país).

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NOÇÕES ESPAÇO E REGIÃO
NOÇÃO DE REGIÃO
Supõem-se que a região seja um subsistema do sistema nacional. O espaço
regional deve, entretanto, ser contínuo e todo o espaço nacional deve ficar
contido em uma ou em outra região.
A definição etimológica da palavra Região significa governar e vem do
latim regere.
Classificação:
i. Do ponto de vista geográfico, a região é uma entidade natural e
humana elementar;
ii. Do ponto de vista sociológico, é um conjunto de traços culturais
semelhantes;
iii. Do ponto de vista econômico há várias definições de região, a mais
conhecida: Região homogênea, Região polarizada e Região de
planejamento.

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NOÇÕES ESPAÇO E REGIÃO

Divisão do conceito de região, do ponto de vista econômico...

i. Na concepção de região homogênea, as unidades espaciais são reunidas


quando mostram características tão uniformes quanto possíveis. As
características de homogeneidade podem ser estruturas de produção e de
consumo semelhantes, uniformidade da renda per capita, espécie de
recursos naturais existentes, tipo predominante de agricultura, topografia,
clima e traços culturais semelhantes.
Nota: Os centros urbanos e a aglomeração industrial introduzem
heterogeneidade no sistema espacial.

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NOÇÕES ESPAÇO E REGIÃO

Divisão do conceito de região, do ponto de vista econômico...

ii. Na concepção de região polarizada, por suas características de


heterogeneidade, a ênfase é colocada na dependência ou
interdependência dos diferentes componentes dentro da região.

Ex.: Uma cidade será incluída ou excluída de uma região em função de seus
vínculos de interdependência; se ela possuir um grau maior de relações
com o centro dominante de uma região vizinha do que com o centro que
polariza a região em questão, ela será incluída na outra região.

Nota: As transações dentro da região são mais intensas no interior do nódulo


central, decrescendo para a periferia.

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NOÇÕES DE REGIÃO

Divisão do conceito de região, do ponto de vista econômico...

iii. A terceira concepção de região, região de planejamento, como uma área


administrativa e política, constitui uma unidade no sentido dos
instrumentos políticos e tributários. A vantagem desse método deriva da
disponibilidade de dados que se poderá contar; a desvantagem consiste na
possível incompatibilidade entre os limites administrativos e os limites
econômicos.

O conceito de região como uma unidade natural, capaz de ser definida com
precisão no espaço, tende a ser abandonado. A região de planejamento é
definida em termos de coerência e unidade do processo decisório.

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Conceitos de Crescimento e
Desenvolvimento Econômico
 Conceito de crescimento econômico de um país é
tradicionalmente medido pelo crescimento de seu PIB.
Entende-se que há uma relação direta entre o nível
de investimentos (formação bruta de capital fixo - FBKF) de
um país e o ritmo de crescimento de seu PIB.
 Conceito de desenvolvimento econômico é mais amplo
envolvendo tanto o crescimento do PIB como mudanças
qualitativas, englobando melhorias das condições de vida da
população e no meio ambiente. Boas ou más condições de vida
é algo relativo, varia de cultura para cultura e ao longo do
tempo.

Paulo Tigre IE-UFRJ


Desenvolvimento sustentável
• Conceito sistêmico que incorpora os aspectos de
desenvolvimento ambiental . Foi usado pela primeira vez
em 1987 em um relatório elaborado pela Comissão Mundial
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU.
• O desenvolvimento sustentável procura satisfazer as
necessidades da geração atual, sem comprometer a
capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas
próprias necessidades.
• O campo do desenvolvimento sustentável pode ser
conceitualmente dividido em três componentes:
sustentabilidade ambiental, econômica e sócio-política.

Paulo Tigre I-UFRJ


Paulo Tigre IE-UFRJ
Condições para o desenvolvimento

i. Equidade: acesso a iguais oportunidades


ii. Sustentabilidade: para atender as necessidades presentes
não se deve comprometer as gerações futuras. Meio
ambiente, exploração mineral
iii. Participativo: decisões que agreguem toda a comunidade
(político)

Paulo Tigre IE-UFRJ


NOÇÕES DE DESENVOLVIMENTO
REGIONAL

Perspectiva Histórica no Brasil


Formação Econômica (Celso Furtado):
• Declínio do ciclo do açúcar, ciclo da mineração e deslocamento do eixo
econômico para o Sudeste (Minas Gerais e Rio de Janeiro).
• Ciclo do Café (RJ e SP) e primeira fase da industrialização.
Wilson Cano:
• Raízes da Concentração Industrial em SP.
• Movimento das desigualdades ao longo do século XX:
Fase 1930-1970: acentuação das desigualdades
Fase 1970-1990: redução das disparidades
Fase pós 1990: ainda não está clara, porém há uma paralisação da redução das
desigualdades.

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NOÇÕES DE DESENVOLVIMENTO
REGIONAL

Cenário da concentração da Renda Nacional – Meados


século XX.
- 1950 divulgação das Contas Nacionais
- Havia um contraste na evolução do crescimento entre as
regiões, motivando as discussões sobre o regionalismo
brasileiro, tendo a questão regional maior atenção do Estado
(Cano, 1998).
- O panorama apresentava o Centro-Sul em rápido processo
de expansão e o Nordeste estagnado, tendo essa região um
quadro econômico desfavorável a qualquer perspectiva de
crescimento
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NOÇÕES DE DESENVOLVIMENTO
REGIONAL
População, Renda Total, Renda Per Capita e nível de participação
das regiões: Norte, Nordeste e Centro-sul e Brasil (1948-1956)

REGIÃO Ano População Renda Total Renda Per Participaçã


(mil habitantes) (Milhões de Capita o na Renda
cruzeiros) (em Total (%)
cruzeiros)
Norte 1948 3.268 5.766 1.764 3.50
1956 3.958 25.023 6.322 3.27
Nordeste 1948 15.687 25.523 1.627 15.49
1956 18.714 102.000 5.450 13.35
Centro-sul 1948 30.607 133.387 4.358 80.99
1956 37.135 637.005 17.153 83.37
Brasil 1948 49,556 164.676 3.323 100
1956 60.080 764.028 12.716 100
Fonte: GTDN.

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NOÇÕES DE DESENVOLVIMENTO
REGIONAL
• No período em foco, o Nordeste brasileiro constituía na mais extensa área de
baixo nível de desenvolvimento do continente americano. Com renda per
capita similar na América do Sul, encontra-se Bolívia e Paraguai; na América
Central, Honduras e no Caribe, o Haiti. Entretanto, a população de todos estes
países, somadas, não alcança a metade da nordestina (GTDN, 1978).
• A conjugação das fragilidades socioeconômicas citadas com avanço do
processo de industrialização no Sudeste modifica o quadro político-
institucional, contribuindo para uma efervescência social e política no
Nordeste.
• Entre os vários fatores políticos, destacam-se as Ligas Camponesas; a pressão
da Igreja Católica por medidas Reformistas e a Revoluções Chinesa e Cubana.
Isto motivou as autoridades governamentais a entender a região, naquele
momento, como um problema de segurança nacional (Almeida; Bezerra, 2004).

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NOÇÕES DE DESENVOLVIMENTO
REGIONAL\
Participação das Regiões no Produto Interno Industrial 1950-75

Fonte: FGV — IBGE apud Guimarães Neto (1997).

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• Políticas de desenvolvimento regional:
Instituição do GTDN (1956): intuito de elaborar um estudo capaz de
identificar as principais fontes do atraso nordestino, frente a outras regiões
brasileiras. E depois, propor diretrizes ao Governo Federal a fim de superá-
las.
Propôs quatro diretrizes básicas: I) intensificação dos investimentos
industriais, no intuito de criar um centro autônomo de expansão
manufatureira; II)transformação da economia agrícola da faixa úmida,
ampliando a oferta de alimentos nos centros urbanos; III) transformação da
economia das zonas semi-áridas, elevando sua produtividade e torná-la
mais resistente as secas; IV) deslocamento da fronteira agrícola do
Nordeste, buscando incorporar as terras úmidas maranhense, capazes de
receber os excedentes populacionais criados pela reorganização das zonas
semi-áridas (Almeida; Araújo, 2004).

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NOÇÕES DE DESENVOLVIMENTO
REGIONAL
Taxa Média Anual de Crescimento do PIB Real
do Brasil e Região Nordeste – 1960-90

Período Nordeste Brasil Taxa


Taxa (%) (%)
1960-70 3,5 6,1
1970-80 8,7 8,6
1980-90 3,3 1,6
Fonte: FGV/DCS; IBGE/DPE/DCNA – Brasil SUDENE/Contas
Regionais - Nordeste Lima (2005:22)

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NOÇÕES DE DESENVOLVIMENTO
REGIONAL

Participação do PIB Setorial no PIB Global da Região


Nordeste – 1960-1980
Ano Agropecuá Indústria Serviço Total
ria
1960 30,5 22,1 47,4 100,0

1980 17,3 29,3 53,4 100,0

Fonte: Sudene/Contas Regionais Lima ( 2005: 22)

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NOÇÕES DE DESENVOLVIMENTO
REGIONAL\
Participação das Regiões no Produto Interno Industrial 1975-85
(período de desconcentração).

Fonte: IBGE apud Guimarães Neto (1997)

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NOÇÕES DE DESENVOLVIMENTO
REGIONAL

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PIB per capita, segundo as Grandes Regiões e as
Unidades da Federação 2008 (Em R$)

Regiões Produto Interno Bruto per capita

Norte 10.216,43
Nordeste 7.487,55
Sudeste 21.182,66
Sul 18.257,79

Centro
20.372,10
oeste

Brasil 15.989,75
Fonte: IBGE, em parceria com os Órgãos Estaduais de Estatística, Secretarias Estaduais de Governo e
Superintendência da Zona Franca de Manaus - SUFRAMA; e Coordenação de População e Indicadores
Sociais.
Distribuição do pessoal ocupado, segundo regiões do
Brasil - 1990-2005
Regiões 1990 1995 1998 2002 2005

Brasil 100 100 100 100 100


Centro – Oeste 7,3 7,0 7,4 7,3 7,0

Norte 3,3 4,2 4,5 5,3 7,4


Nordeste 27,2 28,2 28,5 27,4 27,0
Sul 17,3 17,4 17,1 17,1 15,0
Sudeste 44,8 43,3 42,4 42,9 43,5

Fonte: PNAD/IBGE
Índice de Gini: Utilizado para calcular a desigualdade de distribuição de renda.
Consiste em um número entre 0 e 1, onde 0 corresponde à completa igualdade
de renda (onde todos têm a mesma renda) e 1 corresponde à completa
desigualdade (onde uma pessoa tem toda a renda, e as demais nada têm). O
índice de Gini é o coeficiente expresso em pontos percentuais.

Índice de desenvolvimento humano: é uma medida comparativa usada para


classificar os países pelo seu grau de “desenvolvimento humano”. A estatística
é composta a partir de dados de expectativa de vida ao nascer, educação e PIB
Per Capita.
O IDH varia de zero (nenhum desenvolvimento humano) até 1
(desenvolvimento humano total. Um índice até 0,499 significa um baixo
desenvolvimento humano. De 0,5 a 0,799 representa um desenvolvimento
médio e, quando ultrapassa 0,8, o desenvolvimento é considerado alto.
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Índice de Gini - Brasil
1991 0,500
2000 0,540

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IDH - Brasil

Fonte: PNUD

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