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CIÊNCIAS

A ciência moderna caracteriza-se por:

1. possuir um objeto de estudo

2. possuir um método.
OBJETO DE ESTUDO

É o pedaço, o fragmento da realidade sobre o qual a ciência se


debruça. É um recorte (analítico) que o cientista faz na
realidade ao observá-la. Portanto, cada ciência particular tem o
compromisso de estudar um aspecto específico da realidade.
MÉTODO

O método “é um conjunto de concepções sobre o homem, a


natureza e o próprio conhecimento, que sustentam um
conjunto de regras de ação, de procedimentos, prescritos
para se construir conhecimento científico” (ANDERY...et a,
2001, p. 14 – grifo nosso), passíveis de serem reproduzidos.
TIPOS DE CIÊNCIA
NATURAIS: dedicam-se ao estudo dos fenômenos naturais (Física,
Química, Biologia etc.); dimensão da realidade sobre a qual o ser
humano busca explicar, a partir de leis universais, como funciona a
natureza.
SOCIAIS: dedicam-se ao estudo dos fenômenos produzidos pelo
próprio ser humano (Ciência Política, Sociologia, Antropologia
etc.). Preocupam-se em compreender a dimensão cultural da
realidade.
Ciência Política: preocupa-se com a origem, o exercício
e as relações de poder, com as organizações políticas e
com as formas de governo. Estuda os mecanismos de
dominação dos seres humanos uns sobre os outros e os
processos de legitimação e manutenção do poder.
CIÊNCIAS SOCIAIS

• Sociologia: estuda os mecanismos e processos que permitem,


garantem e impõem a socialização entre os indivíduos,
representados pelas instituições sociais. Foca a
interdependência entre os membros de uma sociedade e o
conformismo, os conflitos e as contradições daí advindos,
materializados nas questões sociais.
Antropologia: divida em três grandes ramos, temos a
Antropologia Física (preocupa-se com a evolução biológica da
espécie humana e com caracteres específicos de diferentes
grupos humanos); temos a Arqueologia (preocupa-se em
compreender as civilizações passadas, apoiando-se nos
elementos materiais deixados por elas), e temos a Antropologia
Social. Esta última dedica-se ao estudo da diversidade cultural;
buscando compreender a forma particular que cada sociedade (e
cada grupo social) expressa, através de sua cultura, a sua
humanidade. A cultura de cada povo é sua forma particular de
reafirmar o seu pertencimento a humanidade.
O Surgimento das ciências sociais

“Podemos entender a sociologia [extensivo às ciências


sociais] como uma das manifestações do pensamento
moderno. A evolução do pensamento científico, que vinha
se constituindo desde Copérnico, passa a cobrir, com a
sociologia, uma nova área do conhecimento ainda não
incorporada ao saber científico, ou seja, o mundo
social.” (Carlos Benedito Martins. O que é Sociologia?
São Paulo: Brasiliense, 1990, p, 10).
“A sua formação constitui um acontecimento complexo para o
qual concorrem uma constelação de circunstâncias, históricas e
intelectuais, e determinadas intenções práticas. O surgimento
ocorre num contexto histórico específico, que coincide com os
derradeiros momentos da desagregação da sociedade feudal e da
consolidação da civilização capitalista. A sua criação não é obra
de um único filósofo ou cientista, mas representa o resultado da
elaboração de um conjunto de pensadores que se empenharam
em compreender as novas situações de existência que estavam
em curso”. (Carlos Benedito Martins. O que é Sociologia? São
Paulo: Brasiliense, 1990, p, 10/11).
Circunstâncias Históricas. A dupla revolução (Industrial e Francesa) –
que iniciadas no final do século XVIII, estenderam suas influências ao
longo de toda a metade do século XIX – desencadeiam um conjunto de
acontecimentos que precipitam o surgimento da Sociologia. Em um
período de aproximadamente 80 anos (1770-1850) a Inglaterra, berço da
Revolução Industrial, transformou completamente a sua fisionomia.
“A formação de uma sociedade que se industrializava e urbanizava
em ritmo crescente implicava a reordenação da sociedade rural, a
destruição da servidão, o desmantelamento da família patriarcal etc.
A transformação da atividade artesanal em manufatura e, por último, em
atividade fabril, desencadeou uma maciça emigração do campo para a
cidade, assim como engajou mulheres e crianças em jornadas de
trabalho de pelo menos doze horas, sem férias e feriados, ganhando
um salário de subsistência. Em alguns setores da indústria inglesa, mais
da metade dos trabalhadores era constituída por mulheres e crianças,
que ganhavam salários inferiores dos homens.” (Carlos Benedito Martins. O
que é Sociologia? p. 12/13).
A sociedade capitalista que se consolidava, ao mesmo tempo que produzia
riqueza, exaltada pelos economistas, produzia insustentáveis situações de
miséria (prostituição, suicídio, alcoolismo, infanticídio, criminalidade,
violência, epidemias, desemprego). Esta era a face visível de “um processo
histórico em curso que, enquanto levava a burguesia à condição de classe
dominante, expropriava dos trabalhadores manuais seus instrumentos de
produção e seus saberes, transmitidos com zelo de geração para geração
através de séculos, ao tempo da velha ordem feudal.”* Processo que colocava
sob as mesmas condições crescentes massas de trabalhadores
despossuídos, cuja única propriedade era a sua força de trabalho. A
Revolução Industrial engendrava o proletariado, uma nova classe social.
(*Alberto Tosi Rodrigues. Sociologia da Educação. Rio de Janeiro, 2011, p.
33). Todas estas transformações colocaram a nova estrutura social em
formação – a sociedade capitalista – como um problema a ser
investigado. A Sociologia, em certa medida, é uma resposta intelectual
aos abalos provocados pela Revolução Industrial, pelas novas condições
de existência criadas por ela. Contribuíram também as modificações que
vinham ocorrendo nas formas dos homens refletirem sobre a realidade.
Circunstâncias Intelectuais. Desde o século XV, a visão
sobrenatural de explicação da realidade vai sendo substituída
pela indagação racional, com o emprego cada vez maior do
método científico para explicar os fenômenos naturais. Isto
permitiu libertar, paulatinamente, o conhecimento do controle
teológico, do controle da tradição e do senso comum – cada
vez mais identificados, desde então, às “pré-noções”, aos “pré-
conceitos” e aos “pré-juízos”. Na passagem do século XVII
para o XVIII, com Vico (1668-1744), a sociedade passa a ser
interpretada como produto das ações humanas, portanto,
passível de ser investigada e compreendida. Mas, são os
iluministas que levarão a racionalidade ao extremo, rompendo e
atacando a visão teológica do mundo, considerando-a
irracional e, nesse sentido, incapaz de produzir
conhecimento verdadeiro; conferindo clara dimensão crítica e
negadora ao conhecimento.
OS ILUMINISTAS, ao estudar as instituições sociais de sua época, objetivavam
“demonstrar que elas eram irracionais e injustas, que atentavam contra a
natureza dos indivíduos e, nesse sentido, impediam a liberdade do homem.
Concebiam o indivíduo como dotado de razão, possuindo uma perfeição inata e
destinado à liberdade e à igualdade social. Ora, se as instituições existentes
constituíam um obstáculo à liberdade do indivíduo e à sua plena realização, elas,
segundo eles deveriam ser eliminadas. Dessa forma reivindicavam a libertação
dos indivíduos de todos os laços sociais tradicionais, tais como as
corporações, a autoridade feudal etc.” (Carlos Benedito Martins. O que é
Sociologia? p. 21/22). A filosofia torna-se nas mãos dos iluministas um
“instrumento prático” de crítica à sociedade presente, vislumbrando outras
possibilidades de existência social diferente da existente. Estas novas formas de
pensar, “fruto das novas maneiras de produzir e viver”, aprofundavam o
processo de racionalização da vida social, expresso no estudo científico da
sociedade, e, consequentemente, negavam as interpretações da vida social
apoiadas em crenças e superstições, dessacralizando as instituições sociais,
percebendo-as como produto da atividade humana, historicamente produzidas,
passíveis de transformação. A crítica devastadora dos iluministas as classes que
sustentavam a dominação feudal demonstra a virulência da luta da burguesia em
defesa de uma nova sociedade. Está posto o combustível para a Revolução
Francesa.
A França representava o modelo típico da monarquia absoluta, assegurando
consideráveis privilégios a uma reduzida minoria: 500 mil pessoas
aproximadamente, em um universo populacional de 23 milhões de indivíduos. Como
nos fala Carlos Benedito Martins: “esta camada privilegiada não apenas gozava de
isenção de impostos e possuía direitos para receber tributos feudais, mas impedia
ao mesmo tempo a constituição da livre-empresa, a exploração eficiente da terra
e demonstrava-se incapaz de criar uma administração padronizada através de uma
política tributária racional e imparcial” (O que é Sociologia? p. 23). A burguesia
revolucionária toma o poder. “O objetivo da revolução de 1789 não era apenas
mudar a estrutura do Estado, mas abolir radicalmente a antiga forma de
sociedade, com suas instituições tradicionais, seus costumes e hábitos arraigados,
e ao mesmo tempo promover profundas inovações na economia, na política, na
vida cultural etc. É dentro desse contexto que se situam a abolição dos grêmios e
das corporações e a promulgação de uma legislação que limitava os poderes
patriarcais na família, coibindo os abusos da autoridade do pai, forçando-o a uma
divisão igualitária da propriedade. A revolução desferiu também golpes contra a
Igreja, confiscando suas propriedades, suprimindo os votos monásticos e
transferindo para o Estado as funções da educação, tradicionalmente
controladas pela Igreja. Investiu contra e destruiu os antigos privilégios de classe,
amparou e incentivou o empresário”. (o que é Sociologia, p. 24)
As consequências da Revolução Francesa:

A julgar pelos pensadores franceses da época (Le Play,


Saint-Simon, Comte etc.), ela provocou o caos social; a
nova (des) ordem era comparada por eles à anarquia, à
perturbação, à crise, à desordem. Ao mesmo tempo, a
sociedade francesa intensificava o processo de
industrialização, repetindo em território francês as
situações sociais vividas pela Inglaterra, com o
aparecimento do proletariado. Ou seja, a França, ao
mesmo tempo, progredia economicamente (produzia
riqueza – progresso) e encontrava-se socialmente
desorganizada (necessidade da ordem).
COMO ANALISAR ESTA REALIDADE? (A
GÊNESE DA TEORIA SOCIAL)
A REAÇÃO: os reacionários exigem o retorno à sociedade do Antigo Regime: restituir
os direitos à religião católica, restaurar os sistemas comunitários, limitar e controlar o
mercado etc. Meios capazes de remontar os diluídos vínculos sociais. O intelectual de
proa desta perspectiva da filosofia social é o inglês Edmund Burke (1729-1797). Além
dele, dois nobres franceses se destacam: Joseph de Maistre (1753-1821) e Luís Bonald
(1754-1840). Defendiam as ideias de que a Revolução Francesa pretendeu reconstruir
artificialmente a sociedade a partir de uma abstração, os direitos do homem, criando a
figura do indivíduo, que é a negação da sociabilidade do homem, e de que o fundamento e
a estabilidade de uma sociedade repousam sobre a tradição e sobre a comunidade,
jamais sobre o indivíduo.
OS SOCIALISTAS UTÓPICOS: presentes particularmente na Inglaterra e na França, estes
críticos sociais defendiam a reconstrução da sociedade, destruída pela economia de
mercado, subordinando-a a uma sociedade democrática e igualitária. Convencidos de
que o que propunham era evidente, acreditavam que apenas a força persuasiva de
suas ideias era suficiente para convencer os grupos dirigentes a adotá-las. Mas, não
cruzaram os braços esperando a implantação do socialismo, desenvolveram experiências
socialistas em pequenas comunidades isoladas e acreditavam que a partir delas, aos
poucos, contaminariam a totalidade do corpo social. Os principais defensores dessa
filosofia social são: Robert Owen (1771-1858), Charles Fourier (1772-1837), Conde de
Saint-Simon (1760-1825) e algumas correntes anarquistas.
POSITIVISMO: a principal figura foi Augusto Comte (1798-1857). As mutações das sociedades
europeias na primeira metade do século XIX são percebidas por ele como a passagem de uma
sociedade militar e teocrática para uma sociedade industrial e científica, sob o controle dos
industriais e banqueiros. Este movimento teria gerado uma profunda crise na sociedade
ocidental. Discordando tanto dos reacionários quanto dos socialistas, Comte defende o
consolidação de uma ordem social baseada na conquista da filosofia positiva (ciência),
alicerçada em duas regras básicas: observar os fatos sem emitir qualquer juízo de valor
(objetividade e neutralidade científica) e enunciar leis (cabe a ciência enunciar as leis de
funcionamento da realidade). À Sociologia caberia desvendar as leis que regem os fenômenos
sociais. Em outras palavras, desvendar as leis que regem os fenômenos sociais é utilizar o
conhecimento científico para conhecer o funcionamento da ordem social. Nada melhor para a
burguesia, que precisava controlar o ímpeto revolucionário. Pois, “a interpretação crítica e
negadora da realidade, que constituiu um dos traços marcantes do pensamento iluminista e
alimentou o projeto revolucionário da burguesia, deveria de agora em diante ser ‘superada’ por
uma outra que conduzisse não mais à revolução, mas à ‘organização’, ao ‘aperfeiçoamento’
da sociedade. [...]. A tarefa que os fundadores da sociologia assumem é, portanto, a de
estabilização da nova ordem. Comte também é muito claro quanto a essa questão. Para ele, a
nova teoria da sociedade, que ele denominava de ‘positiva’, deveria ensinar os homens a
aceitar a ordem existente, deixando de lado a negação”. (o que é Sociologia, p. 28).