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DAS PÁGINAS ÀS TELAS: O MUTUM CINEMATOGRÁFICO

DE SANDRA KOGUT
Leticia Rayane Pereira de Oliveira (PPGL/UFPA)
Orientador: Silvio Augusto de Oliveira Holanda (CNPQ/UFPA)
MUTUM (2007)

Dir: Sandra Kogut;


Roteiro: Ana Luísa Martins Costa e
Sandra Kogut.
Objetivos
GERAL:
• Analisar a transposição cinematográfica de “Campo geral”.

ESPECÍFICOS:
• Analisar a recepção crítica da novela “Campo geral”, sobretudo
no que diz respeito aos trabalhos que trataram de sua
transposição cinematográfica, o filme Mutum;
• Levantar e analisar textos teóricos e críticos acerca de obras
literárias transpostas para o cinema, tendo em vista as
particularidades técnicas deste modelo performativo;
• Analisar a importância da ressiginifição da obra para o modelo
performativo do cinema.
Objetivos
O caminho sensorial adotado pelo Mutum afasta-o
completamente daquelas adaptações cinematográficas
de obras literárias centradas na linguagem verbal, que se
pretendem fiéis ao texto apenas por reproduzi-lo
declamado no filme. Não só não resolvem o inevitável
déficit em relação à narrativa escrita, mas acabam por
distanciar ao extremo o espectador. Enchem a tela com
diálogos e pensamentos em off que explicam ou
descrevem o sentimento de cada cena, o que acaba
enfraquecendo tanto o texto quanto a imagem,
banalizando-os, tornando-os pomposos e enfadonhos
(COSTA, 2013, p. 3).
Metodologia
Com base na pesquisa de caráter bibliográfico, buscar-se-á
examinar os textos críticos e literários do corpus segundo o método
estético-recepcional formulado por Jauss em A História da
Literatura como provocação à Teoria Literária (1994) e em “El lector
como instancia de una nueva historia de la literatura” (1987). Por
meio de um trabalho analítico e interpretativo, traçar-se-á as
principais orientações crítico-teóricas relacionadas ao corpus
apresentado e verificar até que ponto a crítica rosiana estudou
tranposições cinematográficas baseadas em textos de João
Guimarães Rosa, além de examinar em que aspectos houve avanço
na interpretação do texto “Campo geral” desde os trabalhos
pioneiros até os mais recentes.
Hans Robert Jauss (1921-1997)
Teoria
Neste sentido, o pensamento de Linda Hutcheon contribui para a
formulação da ideia de que transpor visualmente uma obra literária
não significa a casta lealdade à obra original. Além disso, o conceito
de fidelidade não deve ser um parâmetro de julgamento ou foco de
análise para as obras transpostas, haja vista que, historicamente,
nos estudos ou análises de obras adaptadas, a fidelidade é um pré-
requisito que já se desgastou. A teórica assegura que transpor o
texto pode também significar mudança: mudança de linguagem, de
meio, de forma narrativa, ajustes, alterações e possibilidades
diversas de produção.
Linda Hutcheon (1947)

Tenho defendido que a adaptação — isto


é, a adaptação como um produto — tem
um tipo de estrutura formal de “tema e
variação”, ou de repetição com diferença.
Isso significa não apenas que a mudança
é inevitável, mas que haverá também
diferentes causas possíveis para essa
mudança durante o processo de
adaptação, resultantes, entre outros, das
exigências da forma, do indivíduo que
adapta, do público em particular e,
agora, dos contextos de recepção e
criação (HUTCHEON, 2011, p. 194)
Teoria
Ressignificar uma história, segundo Linda Hutcheon, passa por três
modos de engajamento possíveis antes de tornar-se um novo
produto formal. O contar, o mostrar e o interagir. Buscaremos
analisar, com o passar do projeto, como será possível ressignificar a
novela “Campo geral” (1956) de João Guimarães Rosa e como a
motivação sugerida pela obra, permitiu à diretora Sandra Kogut a
concepção de uma configuração distinta da obra rosiana para
proporcionar ao espectador novas interpretações literárias.
Referências
• COSTA, Ana L. Martins. Miguilim no cinema: da novela “Campo
Geral” ao filme “Mutum”. Revista de Ciências Sociais, Fortaleza,
v.44, n. 2, p. 31-52, jul.-dez, 2013.
• FILIZOLA, Marcela. Incerto Miguilim: do impensado ao
inventado. Garrafa. v. 15, n. 43, p. 55-68,2017. Florianópolis:
UFSC, 2011.
• GOUVEIA, Juliana Chagas. Paisagem e blocos de sensações no
filme Mutum. Associação de investigadores da Imagem em
movimento. Porto, v. 4, p. 491-501. 2015.
• HUTCHEON, Linda. Uma teoria da adaptação. Tradução André
Cechinel. 1. ed.
• KOGUT, Sandra. Mutum. Tambellini Filmes: DVD (90 min.), 2007.
• KOGUT, Sandra. Mutum: notas de filmagem. Uma poética da
miopia. Entrevista concedida a Paulo de Andrade. Suplemento
Literário de Minas Gerais. Belo Horizonte, junho de 2008, 10 p.
Referências
• ROSA, João Guimarães. Corpo de baile: sete novelas. Rio de
Janeiro: José Olympio, 1956a, 2 v.
• ROSA, João Guimarães. Manuelzão e Miguilim. 3. ed. Rio de
Janeiro: José Olympio, 1964. 202 p.
• SANTINI, Juliana. Miguilim, Thiago e a estrada. Cadernos de
Semiótica Aplicada. v. 10, n. 2, 2012.
• STAM, Robert. A Literatura Através do Cinema: realismo, magia e
a arte da adaptação. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2008. 510 p.
• XAVIER, Ismail Norberto. O discurso cinematográfico: a
opacidade e a transparência. 3. Ed.São Paulo: Paz e Terra, 2005.
V. 1. 213 p.