Você está na página 1de 8

HABITAÇÃO

SOCIAL
Europa - França
HISTÓRIA
H.I.S. na Europa
A questão habitacional constitui um problema antigo na história das cidades europeias. Entretanto, foi com a revolução industrial e o processo
de urbanização que essa problemática adquiriu contornos quantitativos nunca antes delineados. Os baixos salários e a lógica de mercado aplicada
à produção imobiliária urbana foram responsáveis pela constituição de um quadro de grande precariedade das condições habitacionais, num
contexto de urbanização acelerada.
• A maior parte da população de baixa renda das cidades industriais europeias do capitalismo nascente abrigava-se em precárias moradias
produzidas ou adaptadas pelo pequeno capital rentista.
• As primeiras intervenções físicas por parte do Estado em relação à questão habitacional caracterizaram-se principalmente pelas ações de
erradicação dos cortiços e de outros territórios indesejáveis.

Na Grã-Bretanha:
• Os programas tiveram início com uma lei aprovada em 1890, que num primeiro momento foram concentrados na região de Londres.
• Em 1909 uma nova lei viabilizou parcerias do poder público com construtores privados.

• A falta de controle das tarifas de transporte inviabilizou a ocupação das novas unidades pela população mais carente que continuava a ocupar
os cortiços

Alemanha:
• Apresentava de longa data, o que se poderia chamar de uma tradição, não só de gestão urbanística, vide o papel pioneiro do zoneamento
alemão, quanto do próprio tratamento da questão habitacional.
• O conceito dos Mietkasernen, “casernas de aluguel”, envolvia a ideia de promover uma integração social instalando, num mesmo bloco de
edifícios, ricos e pobres.
• Nesse país, desde a segunda década do século XX, havia uma formulação bastante clara da necessidade de uma política de socialização dos
terrenos e da indústria da construção como forma de garantir um controle sobre os processos de especulação imobiliária.
H.I.S. na Europa: caso França
Desde a Revolução Francesa, o Direito de Propriedade é um dos mais importantes do Direito francês.

História
Em 1894 a habitação social foi criada com o nome de Habitation à bom marché (HBM), o atual habitation à loyer modéré (HLM). Nesse ano, Siegfried
fez a “sociedade francesa das HBM” e regularizou as empresas para produção de habitação social. As HBM seriam empresas privadas com lucro
limitado e reguladas pelo governo, que receberiam redução de impostos e empréstimos controlados para produzirem habitação social.

Foi na Primeira Guerra Mundial que houve uma determinante intervenção pública francesa na habitação. Devido ao alto número de famílias com
dificuldades de pagar o aluguel e, inúmeras destruições causadas pela guerra

É com o fim da Segunda Guerra mundial e alta demanda habitacional, causada não apenas pelas destruições da guerra, mas também pelo grande
processo de migração e crescimento populacional, que a intervenção estatal no financiamento de habitação se intensificou.

A partir de 1982 a provisão habitacional começou a se descentralizar.

Atualmente a regulação da política habitacional é atribuição nacional, mas é de responsabilidade dos governos locais: o planejamento urbano; a
implantação da política; e a garantia de terra disponível para construção.

Na década de 50 o Estado Francês fortemente pressionado deu inicio a uma política nacional de moradia, criando um sistema de
subsídios, empréstimos e incentivos fiscais coerentes com a política do Estado.

Durante a década de 60 o Estado Francês assume posição intervencionista, tanto em relação a moradia pública e privada.

Década de 70 - Início da Política de Reabilitação Urbana na França, criação da ANAH (agência Nacional para Melhoria da Habitação) e
foram instituídos os Fundos de Tratamento Urbano para financiar as Operações Programadas para melhoria do Habitat (OPAH)

Década de 80 – aconteceu um intenso processo de descentralização na estrutura administrativa e institucional do governo francês.
Atualmente
A França é um importante exemplo no estudo das habitações sociais, devido ao seu expressivo número
habitacional.

Em 2015 a França possuía 5,5 milhões de unidades, representando, nesta época, o maior número de habitação social na Europa.

Princípios da política de reabilitação urbana


Atores da moradia social
• Direito à moradia digna
• Os organismos de HLM (Habitation à Loyer Modere)
• Moradia de qualidade
• Os governos locais
• O nível de auxílio
• As associações sem fins lucrativos
• Oferta suficiente de habitação
• ANAH (Agence Nationale pour l'Amélioration de l'Habitat)
• Oferta qualitativa de moradia

COMO FUNCIONA?
A habitação social na França funciona com a classificação de acordo com a classificação da classe social que se destina e o financiamento fornecido: muito
social (PLAI), padrão (PLUS), média (PLS) e média alta (PLI), sendo este ultimo não considerado habitação social.

GRÁFICO 2: DISTRIBUIÇÃO DE HML POR


GRÁFICO 1: DIVISÃO DAS MORADIAS NA
CATEGORIA
FRANÇA 2%
4%
24% 4%

58%
18% Aluguel de Mercado

90%
Aluguel Social
PLS PLAI

Casa Própria PLI PLUS


Atualmente
O acesso a moradia social na França para cada categoria é limitado de acordo com a renda do usuário. Mas, os limites de renda do beneficiário são bem
generosos: em 2006, 89% da população era elegível para a categoria média alta; 80% para média, 71% para padrão e 35% para habitação muito social.

Na politica francesa a locação do imóvel é por tempo ilimitado, mas caso o rendimento da família beneficiada, em algum momento, ultrapasse em duas
vezes o limite determinado para o benefício, os contratos de locação são alterados para contratos de três anos, sendo estes não renováveis. O perfil dos
moradores de habitação social que mais se destacam das demais formas de moradias são os pais solteiros (17%) e famílias com responsáveis menores
de 39 anos (31%)

No geral, os moradores de Habitação Social possuem renda média mensal inferior a outros moradores locatários ou proprietários. Estudos recentes
também mostram que a concentração de moradores pobres na habitação social tem crescido na última década.

GRÁFICO 3: PERFIL DOS MORADORES QUE MAIS SE DESTACAM GRÁFICO 4: RENDA MÉDIA FAMILIAR / MÊS

3000
17%
31% 2000

Valores em Euro 1000


69%
83% Pais 0
1984 1988 1992 1996 2001 2006 2011
Menores
Solteiros
de 39 TOTAL 2330 2430 2580 2480 2600 2780 2780
Outros
anos
HLM 1950 1950 1950 1900 1900 1850 1850

TOTAL HLM
Atualmente
FINANCIAMENTO
A habitação para locação social é financiada principalmente através de empréstimos a longo prazo, com taxas inferiores às de mercado, subsídios
estatais e de autoridades locais, impostos pagos pelos trabalhadores e uma pequena contribuição de capital próprio das organizações de HML.

Os empréstimos para financiar moradias de aluguel social (PLUS) são fornecidos por uma instituição financeira do Estado – Classe des Dépôts et
Consignations (CDC) e são:
 De longo prazo (35 anos para a construção e 50 anos para a compra de terras)
 Garantida por autoridades locais ou pelo fundo mútuo para garantias de habitação social
 Fornecidos em taxa inferior à do mercado (4,2% em 2003) à organizações HLM ou outros organismos aprovados.

GRÁFICO 5:EXEMPLO DE FINANCIAMENTO


Locação
PLUS
11%
5% Empréstimo
SETOR
SOCIAL
SETOR
PRIVADO

13% Subsídio
Governo PLAI PLUS PLS PLI
58% 1% Imposto
para Habitação
HLM SUBSÍDIO +
EMPRÉSTIMO EMPRÉSTIMO
Atualmente
AS OPERAÇÕES DE REABILITAÇÃO E OS INSTRUMENTOS URBANÍSTICOS
O Estado, como forte interventor, atribui às operações de melhoria das moradias sociais objetivos muito mais ambiciosos do que a mera
reabilitação da construção: ele espera que todo este movimento restaure também o tecido social.

Em 1977, foi lançada a primeira Opération Programmée d'Amélioration de l'Habitat (OPAH), Operação Programada para Melhoria do Habitat,
principal instrumento de reabilitação urbana, com uma concepção totalmente diferente. A ideia era responder à necessidade de intervir nos
bairros antigos mantendo os moradores no local e melhorando as condições de habitabilidade das moradias.

Os resultados das operações de reabilitação mostram que houve um grande interesse dos proprietários em investir nas áreas porque as subvenções
foram significativas. Porém, essas operações, com fortes incentivos, também mostraram ser necessário utilizar instrumentos de direito público de
caráter coercitivo, como as desapropriações e a declaração de utilidade pública.
PERSPECTIVAS E DESAFIOS
Em 2008, o setor de construção civil sofreu com a crise, e com ela a produção de habitação social. Entre 2011 e 2015, o número de habitações HLM
estagnou-se. Essa questão levantou uma preocupação com escassez habitacional nas grandes cidades da França, segundo especialistas, estimada
em 450.000 unidades.
Em 2014 foi lançado um plano emergencial para a habitação que reduziu o imposto do valor agregado para novas construções de habitação social
em 5%. Com o plano, espera-se que 500.000 novas habitações sejam construídas por ano, dentre elas 150.000 habitações sociais
Afim de suprir a falta de mobilidade entre os moradores do setor da locação social para o setor da propriedade privada, tem havido tentativas de
estimular a compra da moradia. Isto tem o duplo objetivo de permitir que as famílias se tornem proprietárias e liberar espaço no estoque social. Há
uma preocupação, no entanto, que tais empréstimos possam acarretar o aumento dos preços das moradias, uma vez que esse subsídio incentiva o
crescimento da demanda por moradia própria, mas não se associa à nenhum aumento da oferta.
Garantir que os moradores permaneçam nos bairros reabilitados com aluguéis que sejam compatíveis com suas rendas é, ainda, considerado um
problema, pois é reconhecida a mudança do tecido social em muitas das operações de reabilitação. Isso, apesar dos aluguéis serem
subvencionados, se os proprietários recebem recursos da ANAH.
GRÁFICO 6: NÚMERO DE HABITAÇÕES HLM

4.5

3.5

2.5
Milhões

1.5

0.5

0
1955 1961 1963 1967 1970 1973 1978 1984 1988 1992 1996 2002 2006 2011 2012 2013
Anos

Você também pode gostar