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BRASIL

Políticas e Sistema de Saúde


Política de Saúde no Brasil
• Até 1988
– Acesso aos serviços públicos de saúde condicionado à
situação de trabalho do usuário (vínculo contributivo)

• Após 1988
– Acesso universal às ações e serviços públicos de saúde,
independentemente da condição sócio-econômica do
usuário

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PLANO BÁSICO Trajetórias e Principais Pontos de Inflexão

IAPI IAPB
MPAS Seguridade
INAMPS Social
CAPS IAPS MS INPS SUS NOB 96 NOAS 01 PACTO
1923 1933 1953 1974 1988 1996 2001 2006

1930 1940 1966 1987 1993 1997 2002


MES AUTOGESTÃO INPS SUDS NOB 01-93 PAB NOAS 02
PSF
Organizações no Sistema de Saúde
Brasileiro
• Imensa variedade organizações pública e privadas
estabelecidas em diferentes momentos históricos
Reforma do Sistema de Saúde Brasileiro

Reforma do setor de saúde brasileiro ocorreu de forma


simultânea ao processo de democratização, tendo sido
liderada por profissionais da saúde e pessoas de movimentos
e organizações da sociedade civil.
Constituição Federal de 1988
• Deslocamento em direção a uma forma mais
universalista e igualitária de organização da proteção

• Adensamento do caráter redistributivo da política social

• Ampliação e extensão dos direitos sociais

• Universalização do acesso e expansão da cobertura

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• Tentativa de reduzir o vínculo contributivo como vínculo
único

• Recuperação e redefinição de patamares mínimos dos


valores dos benefícios sociais

• Maior comprometimento do Estado e da sociedade no


financiamento de todo o sistema

• Noção de seguridade social como forma mais abrangente


de proteção
Fundamentos da Política de Saúde

•“A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido


mediante políticas sociais e econômicas que visem à (i)
redução do risco e da doença e de outros agravos e ao (ii)
acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua
promoção, proteção e recuperação”
(Constituição Federal, Artigo 196)
Fundamentos da Política de Saúde
•“A saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o
Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno
exercício”
(Lei 8080/1990, Artigo 2º)
Fundamentos da Política de Saúde

•“A assistência à saúde é livre à iniciativa privada”


(Constituição Federal, Artigo 199)

• “As instituições privadas poderão participar de forma


complementar do SUS” (CF, Artigo 199)
Fundamentos da Política de Saúde

• “Os serviços privados de assistência à saúde caracterizam-se


pela atuação, por iniciativa própria, de profissionais liberais,
legalmente habilitados, e de pessoas jurídicas de direito
privado na promoção, proteção e recuperação da saúde” (Lei
8080/1990, Artigo 20)
Princípios éticos / doutrinários do SUS

• Universalidade

• Equidade

• Integralidade
Princípios éticos / doutrinários do SUS
• Universalidade
Acesso universal e gratuito a toda a população
Saúde como direito de cidadania e dever do Estado (em seus
três níveis de governo)
• Equidade
Tratamento desigual para situações desiguais (a cada um
segundo suas necessidades)
Política de saúde deve ser redistributiva
• Integralidade
Atendimento integral, por meio de um conjunto articulado de
ações e serviços, em todos os níveis de complexidade do
sistema
Diretrizes de organização do SUS

• Descentralização

• Regionalização / hierarquização

• Participação social
Diretrizes de organização do SUS
• Descentralização
Redistribuição de responsabilidades e recursos para os estados e
municípios. Os três níveis de governo são gestores do SUS
• Regionalização / hierarquização
Distribuição espacial dos serviços, de modo a atender as
necessidades da população em todas as regiões do país e em
todos os níveis de complexidade
Ações articuladas entre União, estados e municípios
• Participação social
Participação dos usuários e demais segmentos da sociedade, por
meio da constituição e funcionamento dos conselhos de saúde nos
três níveis de governo
ESTRUTURA INSTITUCIONAL E DECISÓRIA DO SUS

Gestor Comissão Colégiado


Intergestores Participativo

Ministério da Comissão Conselho


Nacional Saúde Tripartite Nacional

Secretarias Comissão Conselho


Estadual Estaduais Bipartite Estadual

Municipal Secretarias Conselho


Municipais Municipal
Visão geral do sistema de saúde brasileiro
• Federal
Subsistema
público
SUS • Estadual Acesso universal
• Municipal

Privado • Lucrativo
contratado • Não lucrativo / filantrópico

Tipo de Operadora
Subsistema Saúde
suplementar
Autogestão Rede de Serviços
privado
Medicina
Planos de saúde de grupo Própria
Desembolso
direto
Cooperativa Contratada
Acesso condicionado a:
• capacidade de pagamento Seguradora
• inserção no mercado de trabalho

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A implementação do SUS foi complicada pelo
apoio ao setor privado, pela concentração de
serviços de saúde nas regiões mais
desenvolvidas e pelo subfinanciamento crônico
Conquistas do SUS
• Aumento do acesso à AB e a urgência
• Cobertura universal de vacinação e assistência pré-natal
• Expansão dos recursos humanos
• Expansão de tecnologia, incluindo grandes esforços para
fabricar os produtos farmacêuticos mais essenciais ao país
Evolução cobertura vacinação
Cobertura da APS/AB no Brasil
• 72% da população coberta por equipes de atenção básica
(saúde da família e equivalentes)

• 62% coberta pela EqSF

• 39.000 EqSF

• 40.000 Unidades Básicas de Saúde


DESCENTRALIZAÇÃO
• DESCENTRALIZAÇÃO
• PREMISSAS DA DESCENTRALIZAÇÃO
• MS – Cabe a proposição de políticas, participação no co-
financiamento, cooperação técnica, avaliação, controle,
regulação e fiscalização;

• CIB – instâncias de pactuação e deliberação para a


realização dos pactos intraestaduais e a definição de modelos
organizacionais;

• Deliberações das CIB e CIT por consenso;


Períodos da descentralização

• Foco no município • Foco na região


Munícipio
Principais
Relações e acordos
Período portarias em Modelos de Atenção
federativos
vigor
Negociações em âmbito
nacional por meio
1990 a 1992 NOB 91/92 Ausente
dosCONASS,
CONASEMS e CIT
Negociações em âmbito
Definição de responsabilidade nacional e estadua (CIB)
sobre algumas ações
programáticas e de vigilância Formalização de acordos
1993 a 1995 NOB 93
(sanitária e epidemiológica) intergovernamentais por
para a condição de gestão mais meio do processo de
avançada vigente (semiplena) habilitação às condições
de gestão do SUS
Munícipio
Principais
Relações e acordos
Período portarias Modelos de Atenção
federativos
em vigor
Negociações em âmbito
nacional e estadual e
PACS/PSF experiências de negociação
regional isoladas (ex: CIB
regionais)
Programas e projetos prioritários
para controle de doenças e
agravos (carências nutricionais,
Iniciativas isoladas de
1996 a 2000 NOB 96 catarata, varizes, atenção de
consórcios
urgência/emergência, doenças
infecciosas, vigilância sanitária,
atenção á população indígena.)
Formalização de acordos
intergovernamentais por
meio do processo de
habilitação às condições de
gestão do SUS e da PPI
Resultados do modelo de
descentralização implantado no SUS
“sistemas locais isolados”

• Problemas relativos à desintegração territorial de instituições,


serviços e práticas.

• Dificuldades para a conformação de arranjos cooperativos entre os


governos que garantam o acesso integral à saúde

 A regionalização é fundamental para obtenção de maiores avanços


na implantação do sistema público de saúde.
Principais portarias
Período Modelos de Atenção Relações e acordos federativos
em vigor

Negociações em âmbito nacional e


Manutenção dos dispositivos estadual e experiências de
anteriores e: negociação regional isoladas (ex:
CIB regionais)

Definição das responsabilidades


mínimas e conteúdos para a Iniciativas isoladas de consórcios
atenção básica

Formalização de acordos
2001 a 2005 NOAS 2001/ 2002
intergovernamentais por meio do
Redefinição de procedimentos
processo de habilitação às condições
da atenção de média
de gestão do SUS, da PPI e de
complexidade
experiências de contrato de gestão
isoladas

Implantação de mecanismos de
avaliação de resultados (Agenda da
Saúde, Pacto da Atenção Básica)
Principais
Período portarias em Modelos de Atenção Relações e acordos federativos
vigor
Negociações em âmbito nacional, estadual e
regional, por meio da conformação dos
Colegiados de Gestão Regional (CGR)

Formalização de acordos entre gestores por


Definição de responsabilidades meio da PPI, da assinatura de termos de
2006 a 2010 Pacto pela Saúde em todos os níveis e campos de compromissos entre os gestores no âmbito do
atenção Pacto de Gestão e do Pacto pela Vida.

Implantação de mecanismos de monitoramento


e avaliação dos compromissos pactuados
(conjunto de metas atreladas a indicadores)
REGIONALIZAÇÃO SOLIDÁRIA
E COOPERATIVA
• REGIONALIZAÇÃO
OBJETIVOS
Garantir:
• Acesso, resolutividade e qualidade às ações e
serviços de saúde de âmbito regional
• Direito à saúde, reduzir desigualdades sociais e
territoriais e promover a equidade
• A integralidade na atenção à saúde
Racionalizar os gastos e otimizar os recursos,
possibilitando ganho de escala nas ações e serviços
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O Decreto 7508/2011

 Expressa o modo como a regionalização se incorporou


na política nacional de saúde:
 papel central do Executivo Federal da Saúde na
regulamentação da regionalização.
importância dos governos estaduais na condução do
processo de planejamento regional.
preponderância da lógica organizativa e setorial
enquanto objeto central da regionalização.
Acesso qualidade

• Foco no paciente
• Fragmentação dos sistemas de saúde
Pirâmide do Sistema de Saúde

Esferas de Atendimento Locais de Atendimento

Hospitais Especializados
Terciário

Hospitais Gerais e
Secundário Ambulatórios
Especializados

Centros de Saúde,
UBS e Consultórios

Primário

Domicilio
Proposta Organização Lord Dawson – Londres 1920
• Regiões de Saúde • Distintos Níveis de
conformando redes complexidade
assistenciais
Entrada no sistema

• Serviços de Atenção Primária

• Serviços de urgência e emergência


• Serviços de atenção psicossocial
• Serviços especiais de acesso aberto
Estratégia das redes de atenção

Atenção Primária à Saúde • Norteador


(APS)
Funções primeiro nível de atenção

As funções do primeiro nível de atenção à saúde podem ser


definidas
com base em três eixos principais:

• valores
• produção de ações e serviços de distintas naturezas
• ordenamento do sistema.
Funções primeiro nível de atenção- Valores

atenção,
acolhimento,
pertencimento,
confiança
responsabilização;


Funções primeiro nível de atenção- Ações

Produção de ações e serviços de distintas naturezas:


promoção
Prevenção
diagnóstico
tratamento
acompanhamento;
Funções primeiro nível de atenção - Ações

• Ordenamento do sistema
• A questão central em relação ao primeiro nível de atenção é
que, para cumprir estas funções, ele também precisa ser
“dotado de complexidade”.

• Complexidade que não se expressa necessariamente em


equipamentos, mas na qualidade dos recursos humanos e
pelas articulações

• Garantir acesso aos demais níveis do sistema.


cuidado ambulatorial de especialidades
• Novo papel dentro do
• Hospitais
sistema
• Existencia de serviços por si só não é suficiente.

• É necessário que este conjunto de unidades trabalhe de forma


articulada, responsabilizando-se pela atenção integral à
população de sua região nos seus diversos recortes territoriais
(distrito, microrregião, macrorregião).
• Resolutividade do sistema • Atenção Primária
• Uma rede de atenção à saúde constitui-se de um
conjunto de unidades, de diferentes funções e perfis
de atendimento, que operam de forma ordenada e
articulada no território, de modo a atender às
necessidades de saúde de uma população.
Os diversos equipamentos e serviços que compõem uma rede
de saúde, na prática, funcionam como pontos de atenção ou
lugares onde o cuidado à saúde é oferecido
• Tradicionalmente, quando se fala em montagem de redes de saúde,
pensa-se em mecanismos de referência e contrarreferência,
compreendidos como as formas pelas quais um paciente “caminha” pelos
serviços. No entanto, pela descrição do funcionamento dos serviços em
rede aqui estabelecida, fica claro que esses mecanismos não são apenas
meras fichas de encaminhamento ou de solicitação de exames que são
distribuídas aos pacientes para que estes busquem resolver, por sua
própria conta e risco, de que forma serão operacionalizados.
• Os mecanismos de referência e contrarreferência só têm sentido e

funcionam como tal na medida em que expressam o compromisso da rede


de atenção à saúde com os pacientes, garantindo o acesso ao conjunto de
tecnologias necessárias de acordo com os problemas apresentados.
• Expressam, portanto, a definição e um acordo prévio acerca do que cabe
a cada unidade de saúde tratar e cuidar, incluindo o número e tipos de
casos a serem atendidos, traduzidos em seu perfil assistência