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Aula 09

Imunodiagnóstico da
Sífilis

Novembro de 2018
Sífilis

•Treponema pallidum.
• Doença importante devido:
1. Caráter cosmopolita
2. Elevada virulência e capacidade de invasão do microrganismo.
3. Forma congênita grave
4. Evolução crônica de forma inaparente (períodos de atividade com características
clínicas, imunológicas e histopatológicas distintas, intercalados por períodos de
latência, durante os quais não se observa a presença de sinais ou sintomas).
5. Aumenta significativamente o risco de se contrair a infecção pelo HIV e acelera a
evolução da infecção pelo HIV para a AIDS.
Agente etiológico – Treponema pallidum

• O Treponema pallidum caracteriza-se por ser um microrganismo espiralado, fino, que


gira em torno do seu maior eixo e que faz movimentos característicos para frente e para
trás, os quais facilitam a sua penetração nos tecidos do organismo hospedeiro
• A motilidade, a habilidade de aderir às células e a quimiotaxia contribuem para a
virulência desse patógeno, resultando em sua extrema capacidade de invasão.
• Possui baixa resistência ao meio ambiente, ressecando-se rapidamente.
• O T. pallidum pode sobreviver por até 10 horas em superfícies úmidas; no entanto, é
muito sensível à ação do sabão e de outros desinfetantes.
Sífilis – Treponema pallidum

•A capacidade invasiva do T. pallidum e a facilidade de aderência à fibronectina, resultam


no tropismo bacteriano por tecido placentário.
• Lesões sifilíticas visíveis na placenta já foram relatadas.
• A invasão do tecido fetal ocorre com facilidade.
• Quanto mais inicial for o período gestacional, maiores os riscos para o feto.
• O tratamento precoce da gestante ajuda a reduzir ou mesmo evitar seqüelas mais
graves.
Transmissão

•Via sexual - O contágio é maior nos estágios iniciais da infecção, sendo


reduzido gradativamente à medida que ocorre a progressão da doença.
• Via placentária
• Contato do recém-nascido com lesões genitais no momento do parto
(menos frequente).
• Parenteral – transfusão sanguínea (rara)
• O contato anterior não gera imunidade protetora.
Manifestações Clínicas

• A sífilis é uma infecção de múltiplos estágios.


• O curso da sífilis não tratada consiste em fases sintomáticas entremeadas
por períodos assintomáticos (latência).
• Classicamente, os estágios da sífilis não tratada são classificados como:
sífilis primária, sífilis secundária, sífilis latente (recente até um ano após
exposição e tardia com mais de um ano de evolução) e sífilis terciária.
• Quando não tratadas, cerca de 35% das pessoas irão progredir para a cura
espontânea, cerca de 35% permanecerão em estado de latência por toda
vida e as restantes progredirão para sífilis terciária.
Sífilis Primária

•Após o período de incubação de 10 a 90 dias (média de 21 dias), pode ser


observado o protossifiloma ou lesão primária, no local da inoculação.
• Ulceração geralmente única, indolor, com bordas salientes, firmes e
endurecidas.
• Cicatriza completamente, dentro de 4 a 6 semanas.
Sífilis Secundária

•Assim que o T. pallidum, invade a corrente sanguínea e linfática, ocorre uma


disseminação para todos os tecidos e órgãos. As lesões se repetem, mas
agora, de forma mais generalizada.
• As lesões cicatrizam espontaneamente, e podem reaparece na etapa
seguinte, fase latente, a intervalos não definidos.
Sífilis Latente

•Nos primeiros anos após o secundarismo, acontece a fase latente precoce,


caracterizada pela presença de anticorpos em alta concentração e pela
ausência de sintomas. Essa fase é muito infectante, e a transmissão vertical é
altamente provável.

• Na ausência de tratamento, a fase latente prossegue para a etapa tardia,


de duração variável, que termina quando os sintomas da fase terciária
aparecem.
Sífilis Terciária

•Fase pouco infectante, devido ao menor número de treponemas


circulantes.
• Lesões em tecido nervoso e vascular.
• Forma cardiovascular: vasculites e aneurisma grave.
• Neurossífilis: demência, psicose, distúrbios neurológicos periféricos,
acidentes vasculares cerebrais e meningites.
Sífilis Congênita

•Pode manifestar-se de forma precoce ao nascimento, semelhante à fase


secundária, com lesões mucocutâneas, linfadenopatia difusa,
hepatoesplenomegalia, lesões oculares, comprometimento renal e do SNC.

• Alguns sintomas podem se manifestar de forma mais tardia, com surdez,


malformações ósseas, comprometimento vascular.
Diagnóstico

• Testes Diretos e Exames Imunológicos

•Anticorpos não treponêmicos: VDRL


• Anticorpos treponêmicos: FTA-Abs, hemoaglutinação, ELISA e Testes
Rápidos.
Testes Não-treponêmicos

•Existem 4 tipos de testes que utilizam a metodologia de floculação.


• O VDRL (do inglês Venereal Disease Research Laboratory). O RPR (do inglês, Rapid Test
Reagin), o USR (do inglês Unheated Serum Reagin) e o TRUST (do inglês Toluidine Red
Unheated Serum Test)
• Todos são modificações do VDRL que visam aumentar a estabilidade da suspensão
antigênica, possibilitar a utilização de plasma (RPR e TRUST) e permitir a leitura do
resultado a olho nu (RPR e TRUST).
Testes Não-treponêmicos

•Nos testes de floculacão, são detectados anticorpos IgM e IgG contra o material lipidico
liberado pelas células danificadas em decorrência da sífilis, e possivelmente contra a
cardiolipina liberada pelos treponemas.

• Podem ocorrer falsos negativos (sífilis secundária – altos títulos de anticorpos) –


prozona.

• Os testes não treponemicos estão amplamente disponíveis nos laboratórios, são de


baixo custo e possibilitam o monitoramento da resposta ao tratamento.

• Como desvantagens, possuem baixa sensibilidade na sífilis primaria e também na sífilis


latente tardia, alem de produzirem resultados falso-positivos, devido a ocorrência de
outras enfermidades que causam degeneração celular. (Títulos menores 1:8)
Testes Não-treponêmicos
Testes Treponêmicos

•Utilizam lisados completos de T. pallidum ou antígenos treponêmicos recombinantes e


detectam anticorpos específicos (geralmente IgM e IgG).

• São os primeiros a apresentar resultado reagente após a infecção, sendo comuns na


sífilis primaria resultados reagentes em um teste treponêmico (o FTA-Abs pode tornar-se
reativo aproximadamente três semanas apos a infecção) e não reagentes em um teste
não treponêmico.

• São úteis nos casos em que os testes não treponêmicos apresentam pouca sensibilidade
(sífilis tardia).

• Em aproximadamente 85% dos casos, os testes treponêmicos permanecem reagentes


durante toda a vida nas pessoas que contraem sífilis, independentemente de tratamento
Testes Treponêmicos

•FTA-Abs – Imunofluorescência Indireta.

• Elisa

• Quimioluminescência e suas derivações.

• Hemoaglutinação – TPHA

• Testes Rápidos - Imunocromatografia


Desempenho dos Testes Imunológicos
Diagnóstico

Recém-nascido
A) Nos recém-nascidos de mães com sífilis não tratada ou inadequadamente
tratada, independentemente do resultado do VDRL do recém-nascido,
realizar:
• raio X de ossos longos,
• punção lombar (na impossibilidade de realizar este exame, tratar o caso como
neurossífilis), e outros exames quando clinicamente indicados.
Diagnóstico

Recém-nascido
B) Nos recém-nascidos de mães adequadamente tratadas:
• realizar o VDRL em amostra de sangue periférico do recém-nascido;
• se este for reagente ou na presença de alterações clínicas, realizar raio X de
ossos longos e punção lombar.
Fluxogramas para Diagnóstico da Sífilis
CASO CLÍNICO

Paciente do sexo masculino, 26 anos, de cor preta, solteiro, procedente do Rio de Janeiro - Brasil,
internado na Sétima Enfermaria do Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro
(SCMRJ) para investigação de lesões cutâneas nos pés e nas mãos, alopecia, febre não aferida,
artralgia e perda ponderal de 8 Kg no último ano. O paciente referiu diagnóstico de hepatite B e
infecção pelo HIV há três anos, além de história pregressa de gonorréia tratada há quatro anos.

Há seis meses foi investigado no ambulatório de dermatologia para síflis e hanseníase. Foi
submetido aos testes de VDRL e FTA-Abs, ambos negativos, baciloscopia para hanseníase negativa
e contagem de linfócitos T CD4 de 600 células/mm .

O exame físico da internação mostrava um paciente emagrecido, hipocorado, febril, com alopecia,
lesão exulcerada na narina esquerda e lesões ertitemato-descamativas nas regiões palmo-
plantares. Apresentava também máculas eritematosas com descamação na fronte e nariz, lesões
em placas eczematosas, nos cotovelos, punhos, joelhos, tornozelos; ulcerações de bordas rasas e
fundo limpo no corpo do pênis. Linfonodos palpáveis nas cadeias pré-auriculares e retroauriculares,
submandibular, submentoniana, cervicais posterior, anterior e profunda, todos de até 1 cm de
diâmetro, com consistência fbroelástica, móveis e indolores.
CASO CLÍNICO

Os exames laboratoriais realizados na internação mostraram hemoglobina 7,7g%,


hematócrito 22,8%, leucócitos 4400/mm (47,1% de granulócitos, 46,6% de linfócitos e
6,3% de monócitos), proteína C reativa 24mg/dL; FAN, látex e fator reumatóide negativos;
VDRL 1:1024 e FTA-Abs positivo.

O paciente foi submetido à punção lombar e a análise do líquor mostrou 18 células/mm


(85% de mononucleares), proteína 260mg/dl, glicose 49mg/dl, BAAR negativo e VDRL 1:64.

O paciente foi tratado com penicilina G cristalina 20 milhões UI/dia, intravenosa, por duas
semanas, seguido por três doses de penicilina

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