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Alergia aos AINE

”Se podes curar


com dietas,
evita remédios;
se podes curar com
remédios simples,
evita os complexos.”
(Rhazes – Pérsia – 1865)

Fátima Emerson
Clínica de Alergia da Policlínica do RJ
Câmara Técnica de Alergia do CREMERJ
Dor: impressão penosa produzida por
lesão ou por estado anormal do
organismo; sofrimento físico ou moral;
aflição; mágoa; manifestação de
sentimento.

 Aguda
 Crônica
 “Dor moral”

Sentimento subjetivo, pessoal e


intransferível.
Consumo de Analgésicos
no Brasil

21%

11% 56%
12%

AAS Dipirona Paracetamol Outros

Medicamentos: ameaça ou apoio à saúde?


Marilene Cabral – Editora Vieira e Lent - RJ - 2003
Reportagens publicadas sobre
analgésicos e AINH de 1979 a 2000

4% 7%
34%

55%

Benefícios Riscos
Benefícios e riscos Não se posicionam

Medicamentos: ameaça ou apoio à saúde?


Marilene Cabral – Editora Vieira e Lent - RJ - 2003
O que motiva o consumo?

Venda sem controle,


Proliferação de similares,
Publicidade,
Auto medicação,
Falsa idéia de segurança.
“Geração analgésico”
“Estamos no século XXI.
Não nasci para sentir dor.
Se fico tenso, tomo calmante.
Se tenho insônia, tomo remédio
para dormir.
Se posso ir à Europa de avião,
por que iria remando?”

A.K.Gill, 16 anos
Revista O Globo 26/06/2005
“Geração analgésico”
 Apologia do “aqui” e “agora”,
 Incapacidade de lidar com a dor e de
suportar privações,

Doses de onipotência em pílulas,


gotas ou injeções.

Revista O Globo 26/06/2005


Reações adversas aos AINE

EUA: Mortes por AAS: 16.500/ano em 97


Mortes por AIDS: 16.685 óbitos
Inglaterra: overdose de aspirina mata por
ano 60 pessoas e 5000 são internadas
por intoxicação
no mesmo período.

Marilene Nascimento, 2003


Medicamentos: ameaça ou apoio à saúde?
“Acredito firmemente que se todos
os medicamentos tais como agora
são usados, fossem lançados ao
mar, seria melhor para a
humanidade – e desastroso para os
peixes.”

Oliver Wendell Holmes, 1860


Reações adversas
medicamentosas
Reações adversas Reações
previsíveis: Imprevisíveis:
-Relacionadas à ação -Dose
da droga independentes
-Dose dependentes -Sem relação com a
ação farmacológica
-Ocorrem em ind.
normais -Resposta individual

Características da droga
Características do paciente
Reações adversas aos AINE

AAS - 1899: protótipo

AINE: similaridades na atuação


farmacológica, efeitos terapêuticos
e adversos.
Drogas Analgésicas, Antipiréticas e
Antinflamatórias

Inibidores não seletivos da COX:


Derivados do ácido salicílico: Acido acetil salicílico, Salicilato
de sódio, Trissalicilato de magnésio,Salsalato, Diflunisal,
Sulfassalazina, Olsalazina
Derivados do para-minofenol: Paracetamol (acetoaminofen)
Ác. Indolacético e indenacético: Indometacina, Sulindaco
Ác. Heteroaril acético: Diclofenaco, Tolmetina, Cetorolaco
Ác.arilpropiônico: Ibuprofeno, Naproxeno, Cetoprofeno,
Fenoprofeno, Oxaprozina
Ac. Enólico: Oxicans (piroxicam, meloxicam)
Ac. Antranílico: Ác. Mefenâmico, Ác. Meclofenâmico
Alcanonas: Nabumetone

Goodman e Gilman 10 ed 2003


Drogas Analgésicas, Antipiréticas
e Antinflamatórias
Inibidores seletivos da COX 2

Furanonas diaril substituídas: Rofecoxib


Pirazóis diaril substituídas: Celecoxib,
Etoricoxib
Valdecoxib
Sulfonanilidas: Nimesulida
Ácidos indolacéticos: Etodolaco

Goodman e Gilman 10 Ed 2003


Classificação dos AINE em
relação à inibição da COX
COX1>COX2: Diclofenaco, Nabumetona,
AAS, Piroxicam, Ibuprofeno,Indometacina
Naproxeno, Quetoprofeno, Flurbiprofeno.
COX1<COX2: Salsalato.
COX1<<COX2: Nimesulida, Meloxicam,
Paracetamol

Seletivos COX2: Derivados “Coxibs”


Pinto, 2003 - Lisboa
Principais Reações Adversas
aos AINE

Reações Respiratórias
Reações Cutâneas
Reações Anafilactóides
Reações por Hiperssensibilidade
Reações Adversas aos AINE

Prevalência
Asma: 0 a 28% na infância (acima de 10
anos de idade) e 30 a 40% em adultos
portadores de Asma e Polipose.

Urticária: 21 a 30% das Urticárias


Idiopáticas.
AINE: Reações Adversas
Respiratórias
Sintomas nasais: congestão, rinorréia, anosmia,
cefaléia paranasal.
Exame nasal: polipose
Citológico nasal: eosinófilos, polimorfonucleares.
Radiografia dos seios da face: pansinusite

Samter e Beers (1967): Tríade: Asma, Polipose e


Sensibilidade Aspirínica.
Stevenson (1998): Asma crônica e grave,
Polipose, sensibilidade aspirínica e Sinusite.
Asma por AAS e AINE

Mecanismos propostos:

 Inibição da ciclo oxigenase


 Inibição da PGE2
 Alteração da expressão de LTC4 sintetase
 Sensibilidade aumentada das V Aéreas a LT
 Ativação inespecífica de basófilos e mastócitos
 Reação IgE mediada

Leucotrienos cistenínicos: principais mediadores


na asma induzida por AINH

Stevenson, 1998
Asma por AAS e AINE
Diagnóstico

Clínico
 Crises associadas com ingestão de AAS/ AINE
 Congestão nasal crônica e intratável, rinorréia
e testes cutâneos negativos
 Polipose nasal
 Pansinusite
 Asma grave, necessitando cuidados intensivos,

Teste de provocação (VO, inalado ou EV)


Szczeklik e Stevenson,2003
Pneumonite de hiperssensibilidade
por AAS e AINE
Manifestação rara

Clínica: tosse, febre, infiltrado pulmonar


Mecanismo desconhecido

Medicamentos mais implicados:


Naproxen, Sulindac, Ibuprofen,
Indometacina, Piroxicam,
Fenilbutazona, Oxifenilbutazona,
Diclofenaco.
Reaçóes Cutâneas:
Urticária e Angioedema
Mecanismo:alteração do metabolismo
do ácido aracdônico e inibição da COX
Clínica: urticária com ou sem
angioedema relacionada com
ingestão de AAS e AINH
Diagnóstico: provocação voluntária ou
acidental com a droga.
Tratamento: afastamento da droga e
tratamento sintomático.
Dessenbilização não foi satisfatória.
Uso tópico de AINE

Cutâneo, Ocular ou Colutório:

REAÇÕES ADVERSAS
Eritema, prurido, eczema,
Dermatite de contato
Eritema multiforme, Urticária.
Broncoespasmo: +/colírios.
AINE Inibidores
Seletivos da COX 2
 Inibição específica da COX 2,
responsável pela síntese de mediadores
da dor e da inflamação.

 Grau de seletividade diferente entre os


diversos medicamentos pertencentes a
este grupo e portanto com surgimento
de reações adversas variáveis.
Antinflamatórios inibidores
seletivos da COX 2
Alternativa terapêutica para pacientes
sensíveis a AAS e AINE.

 Inibição específica da COX2, não


atuando ou o fazendo de forma mínima
sobre a COX1.
 Maior tolerabilidade GI, menor
interferência na função plaquetária.
 Menores efeitos adversos comparados a
inibidores da COX1.
Antinflamatórios inibidores
seletivos de COX2
Reações adversas mais citadas:

Erupção cutânea, Urticária,


Angioedema, Vasculite, Fotodermatite,
S. Jonhsons, Lyell, Rinite, Sinusite,
Tosse. (Asma <0,1%).
Epigastralgia, RGE, Hepatite,
Pancreatite,
Meningite asséptica.
Outros analgésicos: Dipirona e
Pirazolonas
Reações adversas similares à AAS e AINE
Mecanismos:
1. Farmacológico: similar aos AINE.
2. Participação de IgE, em especial nos casos de
urticária e anafilaxia.

Principais Reações Adversas: erupção máculo


papular,urticária, angioedema, eritema fixo,
vasculite, púrpura, eritema multiforme,
S Johnson, NET, discrasias sanguíneas.
Acetoaminofen: Paracetamol
-Alternativa ao AAS e AINE
-Ação analgésica e antipirética mais fraca

Efeitos adversos dose dependentes


(doses > 1000mg podem induzir
asma, urticária e outras reações adversas)

Principais efeitos adversos: Urticária,


Angioedema, EFixo, Púrpura, DExfoliativa,
Broncoespasmo, Hepatotoxicidade (Hepatite,
Icterícia e Necrose hepática).
Analgésicos de ação central
-Opção terapêutica ao AAS e AINE:

 Derivados Opióides
 Derivados Não Opióides
-Maleato de flupirtina
-Parahidroxibenzoato de viminol
Reflexão:

• 73% de médicos reconhecem que já receitaram


medicamentos sem conhecer sua exata composição.
• 71% esquecem de avisar ao paciente sobre reações
provocadas pelo uso conjunto de remédios.
• 72% dizem que cumprem dupla jornada de trabalho,
o que impede continuar estudando.
• 62,5% não freqüentam congressos médicos
• 40% não lêem publicações médicas ou científicas

Dados: Universidade do Estado de S Paulo,Revista Veja, 2004


Mensagem final:

Cabe ao médico a promoção do uso


racional, consciente e crítico de
medicamentos em favor da saúde,
diminuindo a incidência de reações
adversas e de iatrofarmacogenia.
Para afastar a doença e recuperar a
saúde, os seres humanos em regra acham
mais fácil recorrer aos médicos do que
tentar a empreitada, mais difícil, de viver
sábiamente.
(René Dubos, 1960)

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