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Professor: Francisco

Barroco das Chagas Pereira


Galeno
Barroco no Brasil

O Barroco no Brasil tem início no final do século XVII.

No país, essa tendência artística teve grande destaque na arquitetura,


escultura, pintura e literatura.

Na literatura, o marco inicial do barroco é a publicação da obra


Prosopopeia (1601) de Bento Teixeira.

Na escultura e arquitetura, Aleijadinho foi sem dúvida um dos maiores


artistas barrocos brasileiros.
Contexto histórico
No Brasil este estilo se desenvolveu durante o período colonial no chamado
“Século de Ouro”.

Foi durante o ciclo do ouro que a exploração desse minério foi a principal
atividade econômica desenvolvida no país. Minas Gerais foi o grande foco
onde muitas jazidas foram encontradas.

Nessa época, a primeira capital do Brasil, Salvador, foi transferida para o Rio
de Janeiro.

Diante disso, o número de habitantes no Brasil aumentou consideravelmente


o que propiciou uma época de forte desenvolvimento econômico no país.
Características do Barroco
Linguagem dramática;

Racionalismo;

Exagero e rebuscamento;

Uso de figuras de linguagem;

Jogo de contrastes (bem e mal; belo e feio)

Valorização dos detalhes;

De modo geral, o barroco na literatura é marcado por características


que evidenciam o jogo de palavras e de ideias
Estilos literários

Há dois estilos que marcam o barroco literário:

 Cultismo: caracterizado pelo do “jogo de palavras”, nesse estilo a


linguagem é rebuscada e culta, chegando a ser extravagante. Nele, há a
valorização de detalhes e dos pormenores.

 Conceptismo: identificado pelo “jogo de ideias”, o estilo conceptista


trabalha com a imposição de conceitos e a definição de um raciocínio
lógico. Portanto, tem como características o racionalismo e a retórica
aprimorada.
Principais autores e obras

Os principais autores e obras escritas no Brasil são:

 Bento Teixeira (1561-1618): autor de “Prosopopeia” (1601), poema épico


com 94 estrofes que exalta a obra de Jorge de Albuquerque Coelho, terceiro
donatário da capitania de Pernambuco.

 Gregório de Matos (1633-1696): um dos maiores representantes da literatura


barroco no Brasil, que se destacou com sua poesia lírica, religiosa, amorosa
e satírica. É conhecido como “Boca do Inferno”, uma vez que sua poesia
ironizava diversos aspectos da sociedade.
Principais autores e obras

 Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711): foi o primeiro brasileiro a


publicar versos no estilo barroco. De sua obra destaca-se: “Música do
Parnaso” (1705).

 Frei Vicente de Salvador (1564-1636): historiógrafo e o primeiro prosador


do país. De sua obra destacam-se: “História do Brasil” e “História da
Custódia do Brasil”.

 Frei Manuel da Santa Maria de Itaparica (1704-1768): autor de


“Eustáquios” e “Descrição da Ilha de Itaparica”.
Gregório de Matos
 Gregório de Matos Guerra nasceu em 23 de dezembro de 1636 na
cidade de Salvador, Bahia. Filho de Maria da Guerra e Gregório de
Matos, pertencia a uma família rica cujo pai era um nobre português.

 Gregório estudou no Colégio dos Jesuítas, na Bahia e, em 1691,


formou-se em Direito em Coimbra, Portugal.
Gregório de Matos

 Trabalhou como juiz, no entanto, sua grande paixão era a literatura.

 Retornou ao Brasil, exercendo os cargos de vigário-geral e tesoureiro-mor,


entretanto, foi afastado por se recusar a usar batina.

 Faleceu com 59 anos dia 26 de novembro de 1696, na cidade de Recife. O


motivo de sua morte está associado a uma febre que contraiu quando foi
condenado ao degredo em Angola.
Obras e características
A obra de Gregório de Matos reúne mais de 700 textos de poemas líricos,
satíricos, amorosos e religiosos.

Faz jogos de palavras, variedade de rimas, além de uma linguagem popular e


termos da língua tupi e outras línguas africanas.

No entanto, Gregório não publicou seus poemas em vida, tendo muita
controvérsia sobre a autoria de alguns escritos.

Inicialmente, alguns de seus poemas foram publicados pelo historiador


Francisco Adolfo de Varnhagen, visconde de Porto-Seguro, no livro
"Florilégio da Poesia Brasileira" (1850) editado em Lisboa.
Descreve o que era realmente naquele tempo
A sátira a cidade da Bahia

A cada canto um grande conselheiro,


 Gregório de Matos tinha Que nos quer governar cabana, e vinha,
extraordinário talento satírico, Não sabem governar sua cozinha,
pois tinha um senso crítico além E podem governar o mundo inteiro.

de uma capacidade genial de Em cada porta um frequentado olheiro,


manipular a palavra. Que a vida do vizinho, e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,
Para a levar à Praça, e ao Terreiro.
 Políticos, clérigos, o português
colonizador, negros e mulatos, Muitos Mulatos desavergonhados,
gente do povo, nada nem Trazidos pelos pés os homens nobres,
ninguém escapou a sua escrita. Posta nas palmas toda a picardia.

Estupendas usuras nos mercados,


Todos, os que não furtam, muito pobres,
E eis aqui a cidade da Bahia.
A poesia lírica divide-se em três tipos: amorosa, religiosa, filosófica.
Anjo no nome, Angélica na cara,
Isso é ser flor, e Anjo juntamente,
a) Poesia lírica ou amorosa Ser Angélica flor, e Anjo florente,
Em quem, senão em vós se uniformara?
 Os encantos da mulher amada,
sua indiferença ou paixão, o Quem veria uma flor, que a não cortara
duelo entre o desejo e a De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente,
imaginação estão presentes
Que por seu Deus, o não idolatrara?
nesse tipo de poesia.
Se como Anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu custódio, e minha guarda
Livrara eu de diabólicos azares.
Mas vejo, que tão bela, e tão galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda
Ao mesmo assunto e na mesma ocasião

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,


Da vossa alta clemência me despido,
 b) Poesia religiosa Porque quanto mais tenho delinquido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.
 Nesse tipo de poema, Gregório
Se basta a vos irar tanto um pecado,
conta a angústia entre a culpa A abrandar-vos sobeja um só gemido,
pelo pecado e a esperança de Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
salvação. Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma orelha perdida e já cobrada,


Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na Sacra História,

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,


Cobrai-a; e não queirais, Pastor divino,
Moraliza o poeta nos ocidentes do sol a inconstância
dos bens do mundo

Nasce o sol e não dura mais que um dia.


 c) Poesia filosófica Depois da luz, se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
 Nessa lírica, o poeta faz considerações
sobre a condição humana diante da Porém, se acaba o sol, porque nascia?
instabilidade do mundo e das Se é tão formosa a luz, porque não dura?
incertezas da vida. Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no sol e na luz falta a firmeza;


Na formosura, não se dê constância
E, na alegria, sinta-se tristeza.

Começa o mundo, enfim pela ignorância,


E tem qualquer dos bens por natureza:
A firmeza somente na inconstância.
OBRIGADO