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Oficina de leitura e produção

textual
MARIA FLOR DE MAIO BARBOSA BENFICA
Neiva Costa Toneli
CEALE-FAE-UFMG/PUCMINAS
A INTERAÇÃO-AUTOR-TEXTO-LEITOR

• LEITURA: atividade de produção de sentido.


• A LEITURA É UM PROCESSO no qual o leitor realiza
um trabalho ativo de compreensão e interpretação
do texto, a partir de seus objetivos, de seus
conhecimentos sobre o assunto, sobre o autor, de
tudo que sabe sobre a linguagem etc. Não se trata de
extrair informações, decodificando letra por letra,
palavra por palavra. Trata-se de uma atividade que
implica estratégias de seleção, antecipação,
inferência e verificação, sem as quais não é possível
proficiência. É o uso desses procedimentos que
possibilita controlar o que vai sendo lido,
permitindo tomar decisões diante de uma
dificuldade de compreensão, avançar na busca de
esclarecimentos, validar no texto suposições feitas.
• (Parâmetros curriculares Nacionais-1998-p. 69-70)
O PAPEL DO LEITOR
• ESTRATÉGIAS :

seleção
antecipação
inferência
verificação
Nós, os leitores, recorremos a uma série de estratégias no
trabalho de construção de sentido.

EXEMPLIFICAÇÃO:

A ATIVIDADE: pausa protocolada

O TEXTO: A lenda do gachorro


A LENDA DO GACHORRO

O que esse título sugere?

O que chama atenção nesse título?


O título
elemento constitutivo do texto cuja função é,
geralmente, chamar a atenção do leitor e orientá-lo
na produção de sentido.

Focalizando o título, atentemos para as


palavras gachorro:
gachorro: que sentidos podem ser construído
para essa palavra?
Essa palavra é encontrada em dicionários?
 O autor: GUTO LINS – é escritor e ilustrador

 O suporte textual : jornal Folha de São Paulo –


caderno Folhinha

 Qual é o provável leitor do caderno Folhinha do


jornal?
Com previsões motivadas pelo título, podemos iniciar a leitura
do texto, prosseguindo a atividade de leitura e produção de
sentido.
Um caminhão desavisado derrapou no chão
ensaboado, de orvalho e barro esburacado, e
acabou virado de lado.

O que a leitura desse trecho nos apresenta ?

Podemos estabelecer alguma relação entre ele e o título do texto?

As previsões e hipóteses levantadas inicialmente podem ser confirmadas?


O que poderia conter nesse caminhão?

Será que alguém ficou ferido?

Que hipóteses podem ser levantadas para a continuidade do texto?

Vamos ler mais um trecho do texto.


Nenhum ferido ou machucado, e o caminhão só um
pouquinho amassado. Mas, da carga, não sobrou
nada, dúzias de ovos espalhados pela estrada. Os
que não se quebraram abasteceram a vizinhança de
omeletes variados e gemada pras crianças.
Mas teve um ovo ainda novo, que escapou com
casca e tudo. Caiu na grama o sortudo, rolou
ribanceira abaixo e aterrissou bem embaixo de um
sono quentinho e peludo.
No trecho em destaque, o que chama a nossa
atenção?
 Que hipóteses levantadas para a continuidade do texto se confirmaram?
 Alguém ficou ferido?
 O que o caminhão levava?

Observe estes trechos :


“ Mas teve um ovo ainda novo, que escapou com
casca e tudo. “
 O que significa “escapar com casca e tudo”?
Caiu na grama o sortudo, rolou ribanceira abaixo e

aterrissou bem embaixo de um sono quentinho e
peludo.”
 Por que o ovo foi sortudo?
 Embaixo de quem o ovo aterrissou?
• Então, o que acontecerá desse trecho para
frente?
• Que hipóteses podem ser levantadas para o
sequência do texto?
E o dono do sono
dormiu pra cachorro,  O que a leitura do
quer dizer, pra cadela. E trecho acrescenta?
teria ficado na dela,  Alguma hipótese se
preguiçosa sem mais confirmou? Qual?
tamanho, se não fosse  Como podemos
esse caroço estranho ... compreender a
Caroço ?!? expressão “dormir pra
cachorro”?
 Qual será a atitude da
cadela?
Vamos ler mais um trecho da texto:
 O que acontecerá?

“Levantou mais que  O que é ficar chocada à


depressa e ficou beça?
chocada à beça. “
Vamos prosseguir a leitura para verificação e
confirmação(ou não) das hipóteses

“Já estava fazendo um  A leitura do texto nos


ninho com folhas secas e confirma que a cadela
carinho, quando viu a vida aceitou e chocou o ovo!
rachando de nova, abrindo
caminho bem na frente do  Mas, o que acontecerá
seu focinho e piando: quando ela vir um pintinho
"Mamãe!" piando?
E agora? Como uma cadela vai criar
um pintinho?
O filhote virou um frangote,  É possível um frangote
que não parava o tempo enterrar comida no terreiro,
inteiro. Quando não ciscava correr atrás dos carros,
no terreiro, corria atrás dos enterrar comida no canteiro
carros, enterrava comida no ou tentar morder os pés do
canteiro ou tentava morder carteiro?
os pés do carteiro. Sem  Que relação podemos
pena. estabelecer entre esses
Quando virou um galo fatos e o gênero textual
formoso, cismou cantar de “conto”?
galo e virar cantor famoso.  Que hipóteses podemos
levantar para a
continuidade do conto?
Mais um trecho do conto:

 “abriu o bico e...”


Estufou o peito penudo
preparou a voz de  O que aconteceu? O
veludo e, com o galo conseguiu cantar?
coração a mil, abriu o
bico e...
 Virou cantor famoso?

 Terá a história um final


feliz?
O final do conto:
“ abriu o bico e ... latiu. Isso  Temos que confessar que por
mesmo: au-au em alto e essa ninguém esperava, não
é?
bom tom. Embora contra
a natureza, não foi  Por que o galo latiu?
nenhuma surpresa. Observe “Embora contra a
natureza, não foi nenhuma
A partir daquele dia, toda surpresa.”
noite ele latia.  Como podemos compreender
Varando a madrugada e esse trecho do texto?
acordando a  Podemos dizer que a história
cachorrada.” teve um final feliz? Por quê?
 Por que o título do texto é a
lenda do gachorro?
Sistematizando...
 Na atividade de leitores ativos, estabelecemos
relações entre os nossos conhecimentos
anteriormente constituídos e as novas informações
contidas no texto, fazemos inferências, comparações,
formulamos perguntas relacionadas com o seu
conteúdo.
 Mais ainda, processamos, criticamos, contrastamos e
avaliamos as informações que nos são apresentados,
produzindo sentido para o que lemos.
IV - Atividades de produção de texto

Após a leitura do miniconto “A lenda do gachorro” e sua


exploração, tanto oral quanto escrita, pode-se sugerir que as
crianças produzam novas histórias de animais que foram
criados por “pais adotivos”. A proposta será a montagem de
uma coletânea, ou portfólio, em que essas histórias serão
colecionadas e lidas pelos outros alunos da escola. A
produção dos textos poderá ser feita de 2 maneiras:

1ª) caso as crianças ainda não estejam escrevendo com


desenvoltura, a professora discutirá com eles a nova
proposta, escolhendo os novos personagens e será a escriba
dos alunos, escrevendo a história no quadro; posteriormente,
os alunos copiarão o texto ditado por eles e escrito pela
professora.
Atividades de produção de texto

• 2ª) caso os alunos já estejam escrevendo


(mesmo que com problemas ortográficos),
cada um escolherá novo personagem e
produzirá a sua história que será
posteriormente, corrigida pela professora
e devolvida ao autor, com comentários
sobre os problemas encontrados nela.
Correção dos textos dos aprendizes
Na correção dos textos produzidos pelos alunos, o professor
deverá considerar duas dimensões: a dimensão discursiva
e a dimensão linguística. Na dimensão discursiva, avalia-se
se o aluno entendeu a proposta feita no que se refere ao
gênero proposto (história de animais), aos destinatários
(colegas da escola) e ao tema e propósito (produzir uma
história, parecida com o texto lido mudando os
personagens).
Na dimensão linguística, são observados os
seguintes aspectos: ortografia, o uso de letras maiúsculas
(especialmente em início de frase e em nomes próprios),
pontuação (em especial o ponto final da frase), a acentuação
gráfica e alguns casos de concordância verbal e nominal.
Correção dos textos dos aprendizes

Essa forma de correção permite à professora saber se a


criança domina as duas dimensões, se domina apenas uma
delas ou se não domina nenhuma. Os dados obtidos, após a
correção dos textos dos alunos, terão grande validade se a
professora os utilizar como diagnóstico, possibilitando que
ela perceba o que seus alunos já dominam e o que precisa
ser ainda trabalhado. Além de diagnosticarem a escrita,
esses dados mostram à alfabetizadora em que ponto do
processo os aprendizes se encontram, permitindo a ela
buscar estratégias para que eles avancem.