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1.7.

Movimentos retilíneos
em planos horizontais
e inclinados
1.7. Movimentos retilíneos em planos horizontais e inclinados

As expressões analíticas, x = f(t) e v = f(t), para um movimento uniforme


podem ser deduzidas a partir das expressões do movimento uniformemente
variado, considerando a componente escalar da aceleração nula (a = 0).
Pela Segunda Lei de Newton, 𝑭𝐑 = 𝒎 𝒂, tem-se:

FR  0  a  0  a  0  v  constante

Assim:
As expressões analíticas para um movimento retilíneo uniforme (𝑎 = 0)
são:
• Equação da posições: x  x0  v0 t
• Equação das velocidades: v  v0  constante
Gráficos x = f (t)de movimentos retilíneos uniformes, com
condições iniciais diferentes, e gráficos v = f (t) correspondentes
aos gráficos x = f (t) considerados
Movimentos retilíneos em planos inclinados

As forças que atuam num corpo apoiado num plano inclinado, não existindo atrito, são:

• O peso do corpo, 𝑷, com direção vertical e


sentido de cima para baixo;
• A força de reação normal do plano, 𝑵, que é
a força que o plano exerce no corpo.

Para determinarmos a aceleração do movimento do corpo ao longo do plano inclinado,
recorre-se à Segunda Lei de Newton:

FR  m a  P  N  m a
Decompondo 𝑷 em duas componentes
segundo as direções dos eixos dos xx e
dos yy, verifica-se que:

Px  m a  P sin   m a 
 m g sin   m a  a  g sin 

Esta expressão leva-nos a concluir que a componente escalar da aceleração do


movimento depende do valor da aceleração da gravidade no local onde o corpo se
encontra e da inclinação do plano. É tanto maior quanto mais inclinado for o plano.

Com base nesta expressão, podemos também concluir que o movimento de um corpo
abandonado num plano inclinado, que faz um ângulo  com a horizontal e sem atrito,
é um movimento retilíneo uniformemente acelerado (o corpo desce ao longo do
plano inclinado), sendo a componente escalar da aceleração do movimento:

a  g sin 
Questões resolvidas

1. Um automóvel desloca-se ao longo de uma estrada retilínea partindo do repouso


em t = 0 s, acelera durante 20,0 s, com uma aceleração de módulo igual a
1,0 m s-2, após o que se desloca com movimento retilíneo e uniforme, durante
10 minutos, iniciando então o processo de travagem até voltar a parar. A travagem
faz-se com aceleração de módulo 0,5 m s-2.
1.1. Determine o tempo que decorre desde o início até que o automóvel se imobiliza.
1.2. Calcule o espaço total percorrido pelo automóvel.
Resolução
1.
1.1. Nos primeiros 20,0 s de movimento o automóvel desloca-se com movimento
retilíneo uniformemente acelerado, sendo a lei das velocidades dada por:
v  1, 0 t (m s 1 )
Assim, após 20,0 s, o valor da velocidade do automóvel é:
v  1, 0  20, 0  v  20, 0 m s 1
Durante os 600 s seguintes, o movimento é retilíneo e uniforme; após este
tempo, o automóvel desloca-se com movimento retilíneo uniformemente
retardado, sendo válida a equação das velocidades:
v  20, 0  0, 5 t (m s 1 )
Desde o instante em que o automóvel inicia a travagem até parar decorreram:
20, 0
0  20, 0  0, 5 t  t   t  40, 0 s
0, 5
Assim, o tempo total gasto é de:
ttotal  20, 0  600  40, 0  ttotal  660 s
Resolução
1.2. O deslocamento é dado pela área entre a linha do gráfico e o eixo das abcissas.
25

20
Velocidade (m s-1)

15

10

0
0 100 200 300 400 500 600 700
Tempo (s)

Calculando a área debaixo da curva:

Bb 660  600


área   h  x   20  x  12 600 m
2 2
O espaço total percorrido pelo automóvel é, portanto, de 12 600 m.
2. Um bloco de massa 50,0 g, inicia, com velocidade
inicial de módulo 4,0 m s-1 a subida de um plano
inclinado ( = 30), onde a intensidade da força de
atrito que sobre ele atua é de 0,15 N.
2.1. Calcule a componente escalar da aceleração na subida.
Mostre que o movimento de subida é um movimento uniformemente retardado.
2.2. A partir da equação das posições e da equação da velocidade, calcule o tempo
que decorre até inverter o sentido do movimento e a distância percorrida na
subida, ∆𝑥.
2.3. Verifique que o valor encontrado para ∆𝑥 pode também ser obtido por:
2.3.1. Aplicação da equação 𝑣 2 = 𝑣02 + 2 𝑎 ∆𝑥.
2.3.2. Partindo de princípios energéticos.
2.4. Calcule a componente escalar da aceleração na descida. Mostre que o
movimento do bloco na descida é uniformemente acelerado.
2.5. Calcule o intervalo de tempo que decorre desde o instante em que inicia a
descida e o instante em que atinge a base do plano.
2.6. Represente o gráfico velocidade-tempo para o movimento de subida e de
descida do bloco no plano inclinado.
2.7. Calcule a partir do gráfico a distância percorrida pelo bloco na subida e confirme
que é igual à distância percorrida na descida.
Resolução
2.
2.1. Cálculo da força resultante que atua sobre o bloco:
FR  P  N  Fa  FR   Px  Fa  m a   m g sin   Fa
 m g sin   Fa F
a  a   g sin   a  a   8, 0 m s 2
m m
Como a direção da aceleração é igual à direção do movimento do bloco, o
sentido é contrário a este e o módulo é constante, o movimento de subida é
retilíneo e uniformemente retardado.
2.2. Como o movimento do bloco é retilíneo uniformemente retardado, são
válidas as equações:
1 x  4, 0 t  4, 0 t 2 (m)
x  x0  v 0 t  a t 2
2  v  4, 0  8, 0 t (m s 1 )
v  v0  a t
Quando a velocidade se anula, o bloco inverte o sentido do movimento, o que
ocorre no instante:
0  4, 0  8, 0 t  t  0, 50 s
E, para t  0, 50 s,obtém-se para x : x  4, 0  0, 50  4, 0  0, 502  x  1, 0 m  x  1, 0 m
Resolução
2.3.
2.3.1. Substituindo na equação os valores de velocidade inicial e da aceleração,
obtém-se:
02  4, 02  2  (  8, 0) x  x  d  1, 0 m
2.3.2. Pelo Teorema da Energia Cinética obtém-se:
WF  Ec  FR d cos   Ecf  Eci
R

e sendo FR   Px  Fa  FR   m g sin   Fa

Substituindo os valores irá obter-se:


FR   50, 0  103  10  sin 30  0,15  FR  0, 40 N

Usando o Teorema da Energia Cinética obtém-se para d:


1
0, 40  d  cos180    50, 0  103  4, 0 2  d  1, 0 m
2
Resolução
2.4. Cálculo da força resultante que atua sobre o bloco durante a descida:

FR  P  N  Fa  FR   Px  Fa  m a   m g sin   Fa
 m g sin   Fa F
a  a   g sin   a  a   2, 0 m s 2
m m
Como a direção e o sentido da aceleração é igual à direção e sentido do
movimento do bloco, e o módulo desta é constante, o movimento de descida é
retilíneo e uniformemente acelerado.
1 2
2.5. x  x0  v0 t  at x  1, 0  1, 0 t 2 (m)
2 
v  v0  a t v   2, 0 t (m s 1 )

Quando o bloco atinge a base do plano inclinado, obtém-se:


xf  0 m
Substituindo na equação das posições, obtém-se:
0  1, 0  1, 0  t 2  t  1, 0 s
Resolução
2.6. 5
4
3
Velocidade (m s-1 )

2
1
0
0 0.2 0.4 0.6 0.8 1 1.2 1.4 1.6
-1
-2
-3
Tempo (s)

2.7. O deslocamento é dado pela área entre a linha do gráfico e o eixo das abcissas.
Calculando a área debaixo da curva nos primeiros 0,50 s do movimento:
1 4, 0  0, 50
área  base  altura  d   d  1, 0 m
2 2
Calculando a área debaixo da curva na descida:

1 1, 0  2, 0
área  base  altura  d   d  1, 0 m
2 2

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