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Sumário
‡ História da civilização ocidental
‡ Fromm e Freud
‡ Necessidades Psicológicas
‡ Mecanismos de Fuga
‡ Desenvolvimento da Personalidade na infância
‡ Neurose
‡ Personalidade: temperamento e carácter
‡ Estudo de Fromm e Maccoby
‡ Observações e Críticas
História da civilização ocidental
‡ Ao ter perdido a maior parte do
equipamento instintivo o Homem
desenvolvera outras capacidades:
± capacidade de pensar
± Imaginar
± auto-percepção

Base para transformar


a natureza e a si próprio
‡ A produção tornou-se um fim ao qual a vida
estava subordinada.

‡ O objectivo tornou-se em ser um sucesso,


vender-se o mais lucrativamente no mercado.
Os valores já não se situam nas suas
qualidades humanas.

‡ A felicidade tornou-se sinónima de consumo de


mercadorias, bens materiais.

‡ Existência da ideia da iniciativa individual


‡ Contudo é devido à burocratização e à
generalização do capitalismo que a
iniciativa individual está a desaparecer.

‡ Cada um é uma mera engrenagem da


máquina e tem de funcionar
perfeitamente.

‡ Segundo a filosofia do Supercapitalismo,


³o egoísmo é a força motriz, que faz da
espécie humana o que ela é´ (Guardo,
1965)
‡ Fromm, critica o sistema referido dado
que este é uma forma aperfeiçoada de
capitalismo, que fomenta o espírito de
competição e de egoísmo em todo o
mundo, comprometendo assim toda uma
nação.

‡ O Socialismo, criticou o capitalismo do


século XIX, pelo seu abandono do bem-
estar dos trabalhadores.
‡ Contudo, segundo o autor, as ideias socialistas
oferecem alguns pontos negativos:
± Embora Marx e Engels tivessem descoberto a
correlação entre desenvolvimento da economia e da
cultura, eles subestimaram a complexidade das
paixões humanas e ignoraram o facto de que se a
estrutura económica molda o indivíduo, este, por sua
vez molda-a também a ela.
± Há uma idealização da classe operária que é
resultado de uma atitude puramente teórica e não da
observação real da dita classe.
± Não reconhecem as forças irracionais que actuam no
ser humano e que lhe fazem ter medo da liberdade e
geram ânsias de poder e destrutividade.
± Esquecem-se do factor moral do homem.
‡ Fromm propôs uma sociedade ideal em que o
amor, a fraternidade e solidariedade
caracterizariam todas as relações humanas

Socialismo Comunitário Humanista


‡ Assim:
± devia desaparecer o uso do homem pelo homem;
± a economia deve tornar-se um meio para o
desenvolvimento do homem;
± O capital deve servir ao trabalho, as coisas devem
servir a vida.
± Todos os arranjos sociais deverão visar a orientação
produtiva.
 
 
‡ Segundo Fromm, podemos distinguir:
‡ Adaptação estática
‡ Adaptação dinâmica

‡ O Homem é o animal que tem o


comportamento menos predestinado e
cuja adaptação se deve maioritariamente
à aprendizagem e à preparação cultural.
Freud e Fromm: Semelhanças
‡ A família funcionava como representante da
sociedade para a criança. É por meio das
interacções familiares que ela adquire carácter e
formas adequadas de se ajustar à sociedade.
‡ Fromm admite as ideias freudianas de:
± determinismo psíquico
± importância de associação livre
± o significado da neurose como produto de conflitos
dinâmicos entre forças que jogam no interior do
sujeito
± existência de mecanismos tais como a repressão, a
protecção, a transferência e a racionalização.
Freud e Fromm: Diferenças
   
‡ A personalidade é ‡ A personalidade é formada
determinada aos 5 anos. mais tarde.
‡ O Homem é por natureza ‡ O problema básico da
antisocial e a sociedade psicologia: relação do ser
deve ³transformar´ os seus com o mundo.
impulsos e domesticá-los - ‡ Admite que os impulsos
a sublimação. que contribuem para as
‡ O Homem buscaria a diferentes características
satisfação das entre os Homens são
necessidades biológicas. resultado do processo
social.
‡ A sociedade não se limita a
cumprir uma função
repressora, exerce também
uma função criadora muito
mais importante.
Necessidades Psicológicas
‡ A representação do mundo e o objecto de
devoção
‡ Relações
‡ Vínculos
‡ Identidade
‡ Unidade
‡ Transcendência
‡ Efectividade
‡ Excitações e as estimulações
Mecanismos de Fuga
‡ São decorrentes da insegurança do indivíduo
isolado:
± Autoritarismo (sado-masoquismo)

‡ procura de vínculos ³secundários´

‡ tendência à submissão e à dominação

‡ formas nítidas deste mecanismo são:


± Masoquismo e Sadismo
Masoquismo
‡ Os indivíduos apresentam ³inconscientemente
uma força em seu intimo que os leva a sentirem-
se inferiores ou insignificantes´ Fromm (1986).

± incapazes de experimentar o sentimento de ³eu sou´


e ³eu quero´.
± chegam a castigar-se e a infligir-se.
Sadismo
‡ varia de intensidade;

‡ mais ou menos consciente, mas nunca estão


ausentes.

± Três tendências fundamentais:


‡ tornar os outros dependentes da pessoa;
‡ explorar os outros para incorporar algo assimilável deles;
‡ e desejo de fazer os outros sofrer ou vê-los sofrer (tanto
física como mentalmente), onde o objectivo é humilhar.
Sadismo & Masoquismo
‡ As tendências sádicas são mais racionalizadas
que as masoquistas.

± A essência é alcançar prazer através do domínio


sobre outras pessoas.

‡ Dependência
± Evidente no masoquismo
± Existente também no sadismo
Origem Comum
‡ Ambas resultam de uma necessidade básica
comum; ³da incapacidade de suportar a
fraqueza e solidão do próprio eu´;

‡ Relação de p  p
± é a união de um eu individual com outro eu
de maneira a que cada um perca a
integridade do próprio eu.
Sadomasoquismo
‡ Quando os impulsos masoquistas e sádicos são
dominantes no indivíduo:
± o amor significa dependência simbiótica, e não uma
união baseada na igualdade.
± sacrifício significa a subordinação absoluta do eu
individual a algo, e não a reclamação do eu mental
de todos os sujeitos.
± a diferença significa diferença de poder, e não a
concretização da individualidade baseada na
igualdade.
‡ Fromm, (1986), prefere utilizar o termo carácter
autoritário em vez de sadomasoquista;
± O carácter autoritário admira a autoridade e
deseja submeter-se a esta, mas ao mesmo
tempo, deseja ser ele mesmo uma autoridade
e fazer com que os outros se submetam.
± A vida é determinada por forças extrínsecas
ao ego e aos desejos.
Destrutivismo
‡ Tende à eliminação do objecto;
± Os impulsos destrutivos, têm como causa, a evasão
da solidão e da importância.
± O destrutivo trata de superar os seus sentimentos de
debilidade suprimindo a competência, coisas e
pessoas.
± Não é um impulso consciente, é sim racionalizado de
diversas maneiras.
‡ Surge sob duas formas:
± Espontânea
± Enraízada na estrutura do carácter.
Conformismo Autómato
‡ O indivíduo cessa de ser ele mesmo;
± ³adopta inteiramente o tipo de personalidade
que é oferecido pelos padrões culturais e, por
conseguinte, torna-se exactamente como
todos os demais são e como estes esperam
que ele seja. A discrepância entre o eu e o
mundo desaparece, e com ela o temor à
solidão e impotência´ (Fromm, 1974).
‡ A pessoa desiste do seu próprio ego,
perde a sua individualidade.

‡ Perda do eu original por substituição por um


pseudo-eu, ³que representa o papel que se
espera que a pessoa represente, mas que o faz
sob o nome do eu´.
O Desenvolvimento da
Personalidade na Infância
‡ À medida que as crianças crescem elas vão obtendo uma liberdade
e independência cada vez maior de seus pais.

‡ Padrões de comportamento semelhante aos mecanismos:

± Relação simbiótica ± mecanismo da infância para reaver a


segurança na qual as crianças continuam intimas e
dependentes dos pais.

± Afastamento-destrutividade. ± mecanismo da infância para


reaver a segurança na qual as crianças se distanciam dos pais.

± Amor ± Para Fromm uma forma de interacção entre pais e filhos


na qual os pais mostram respeito e oferecem equilíbrio entre
segurança e responsabilidade.
Neurose
‡ As neuroses são um tipo de adaptação
dinâmica; um sintoma de um fracasso moral.
± resultado de esforços inconscientes que tendem a
anular o desenvolvimento da pessoa.

‡ Génesis das neuroses:


± O factor genético das neuroses é o temor da solidão.
‡ ³as neuroses produzem-se porque o indivíduo
não se pode adaptar constructivamente a um
sistema de vida; as neuroses devem ser
entendidas, pois, como um tipo especial,
pernicioso, de adaptação dinâmica´.
O   :
  
temperamento e carácter

O   

³Totalidade de qualidades psíquicas herdadas


e adquiridas que caracterizam o indivíduo e o
tornam original´
Temperamento
‡ Inato;

‡ Imutável;

‡ Constituído pelas qualidades herdadas;


Carácter
‡ Formado por experiências pessoais;
‡ Modificável (insights, novas experiências);
‡ ³Forma específica imposta à natureza humana
pela adaptação dinâmica das necessidades dos
Homens, ao modo de existência particular de
determinada sociedade´.

³O carácter é a forma relativamente permanente


em que a energia humana é canalizada nos
processos de assimilação e socialização.´
(Fromm, 1948)
    

‡ O carácter determina o pensamento, a acção e


a vida emocional;

‡ Fromm atribui ao carácter duas funções:

Subjectiva leva o sujeito a actuar em conformidade com o que é


necessário de um ponto de vista prático;

Social internalização das necessidades externas e enfoque da energia


humana em tarefas requeridas pela sociedade;
Adaptação:
assimilação e socialização
‡ Carácter deve ser relacionado com os processos de
adaptação (assimilação e socialização);

‡ Modo de vida pré-determinado pela sociedade


correspondente, pelas particularidades do sistema social
económico.

‡ Formas de adaptação

  
‡ Autoritarismo receptividade
‡ Destrutividade exploração
‡ Conformação automática acumulativa
‡ Amor marketing
produtiva
Carácter 
‡ Conjunto de estruturas comuns à maior parte
dos indivíduos de determinado grupo;

‡ Intermediário entre a estrutura socio-económica


e os ideais que prevalecem numa sociedade
(humanismo social);

‡ A educação tem função de moldar o carácter,


para que este se aproximo do carácter social;
Carácter   
‡ Constituído pelas características do grupo e,
pelas particularidades que diferenciam um
sujeito de outro;

‡ Determinado pelo impacto de experiências


(individuais e oriundas da cultura) sobre o seu
temperamento;
Orientações de carácter:
‡ u 
   ± eu vivo a experiência como
sujeito da minha actividade; a minha actividade
é uma manifestação dos meus poderes;
‡ Eu, a minha actividade e seus resultados somos
um;
‡ Ex: um hipnotizado desenvolve acção mas não actua. Quem actua
é o hipnotizador

‡ O   ±
   eu não vivo a experiência como
sujeito da minha actividade, experimento o
resultado desta;
Carácter 

‡ A ³fonte de todo o bem´
encontra-se no exterior,
recebendo então o
esperado de tal fonte.

‡ Pessoas que necessitam


ser amadas e não amar;

‡ Extremamente sensíveis;
Carácter 
  
‡ Utilizam e exploram
qualquer coisa ou pessoa
de que possam tirar
proveito;

‡ Subestimam as suas
posses e invejam o que
os outros possuem

‡ Não esperam receber as


coisas como dádivas,
mas tomá-las por meio
da força;
Carácter  
‡ Pouca fé no que pode vir
a obter do exterior;

‡ Segurança baseada na
acumulação (gasto é tido
como ameaça);

‡ Avareza referente a
objectos, sentimentos e
pensamentos;

‡ Possessivas no amor;
intimidade é tida como
ameaça;
Carácter de Ú 
‡ Personalidade e conhecimento
tornam-se numa mercadoria;

‡ Ausência de qualquer
qualidade específica que não
seja susceptível de
modificação;

‡ Sujeitos sem objectivos, a não


ser agir;

³Eles têm os seus grandes egos sempre


a mudar, mas nenhum tem um p,
um centro, um sentido de unidade´
(Fromm 2002)
     
‡ Orientação receptiva ± sociedades onde está
consagrado o direito de explorar os outros;

‡ Orientação exploradora ± mercado livre do


século XVIII e XIX criou esse tipo de pessoas;

‡ Orientação acumulativa ± aconteceu


simultaneamente com a anterior;

‡ Orientação mercantil ± era moderna


  e  
teoria de carácter
  
 
‡ Traços de carácter servem de ‡ A base fundamental do carácter não é
base ao comportamento e dele vista nos vários tipos de organização
devem ser inferidos; da líbido, porém em tipos específicos
de relacionamento da pessoa com o
‡ Identidade fundamental do mundo;
carácter não é o traço de
carácter isolado, mas sim a ‡ Formas de relacionamento do
organização total deste; homem com o mundo são abertas, e
não condicionadas pelos instintos;

‡ Orientações através das quais o


indivíduo se relaciona com o mundo,
constituem o seu carácter;
   
  
‡    
   ± ³A produtividade é
a realização, pelo homem, das
potencialidades que o caracterizam, é o
uso de seus ³poderes´´ (Fromm, 1983).
‡ Assim, quando se fala de orientação
produtiva da personalidade refere-se mais
a uma atitude.
‡ É um modo de relacionamento em todos
os sectores da experiência humana.
‡ O carácter produtivo é resultado de uma
orientação produtiva, que por abarcar
todos os campos, permite a Fromm
estabelecer uma série de deduções:
± Orientação produtiva, a arte e os ofícios
± Orientação produtiva e a percepção do
mundo
± O amor produtivo
Fromm mais tarde adicionou outros
tipos de caracteres.
‡    u  ± Necrofilia pode
descrever-se como  
  
(Fromm, 1979). Podem considerar-se dois
tipos de necrofilia: a) necrofilia sexual:
existe no homem o desejo de estabelecer
contacto sexual com uma mulher morta; b)
necrofilia não-sexual: desejo de
aproximação e manipulação a cadáveres,
desmembramento e destrutividade.
A necrofilia pode ser expressa
através
‡ dos pp  p (normalmente de
temática pútrida, mecanicista ou de
destrutividade);
‡ através de p   p    pe
p    p;
‡   p
 p;
‡ convicção de que todos os  pp
p  p p     e
destruição;
‡ grande interesse pela   (não
como o encontrado nos idosos, em que a
doença é a única emoção);
‡  p   p 
 p (conversadores aborrecidos,
entediantes, etc.);
‡   pp  
(ter sobre o ser, passado, sobre o presente,
morto sobre o vivo);
‡ p p (gosto por cores escuras,
como o preto e o castanho);
‡ especial   p   p
 pp;
‡ e finalmente a  pp  (quase não se
riem, riso falso e pedante, etc.);
‡ Quanto à linguagem, o necrófilo caracteriza-se
pelo uso frequente de vocabulário associado a
fezes, destruição e WCs (ex.: utilização
desproporcionada e recorrente da palavra
³merda´).
‡ A necrofilia estabelece relações com o culto da
técnica e com o homem industrial
contemporâneo (que ama o seu carro, tira
fotografias em vez de ³ver´) considerando
Fromm (1979) que o caso se torna grave
quando estes actos mecânicos substituem o
amor à vida.
‡ Juntamente com o amor à máquina, chega a
tecnologia da destruição, que lhe retira o
reconhecimento afectivo e lhe dá uma
racionalização adulterada.
‡ Fromm, mostra que um desenvolvimento
provável para a necrofilia seria ter origem
num carácter anal normal, que se
transformaria num carácter sádico e, por
último, necrófilo. Este desenvolvimento é
demarcado pelo narcisismo, falta de
relacionamento e pela destrutividade.
‡ Fromm, afirma também que este carácter não
tem relação com as antigas categorias de
Freud(tal como a anal e a oral), e confronta-a
com o seu carácter   , contemporâneo.

‡ Esta forma de necrofilia transforma em  pp


tudo o que o cerca, incluindo a  
  !: o Homem faz parte das
máquinas que controla e que o controlam. Os
símbolos da morte passam de cadáveres e
cheiros desagradáveis a máquinas reluzentes.
‡ A vinculação à mãe e sua relação com ela,
conduziu Fromm à hipótese de que um tipo de
ligação maligna incestuosa possa ser uma das
raízes da necrofilia. A figura materna, em vez de
denotar a vida e o amor, é um fantasma,
imagem do caos e da morte.

‡ Não sendo possível uma relação afectuosa com


a sua mãe, (a solidão, acentuada pelo
narcisismo, é insuportável) daí, o
relacionamento com a mãe e com o mundo,
tornar-se doentio.
‡ Com tudo isto, Fromm refere que:

± A existência de uma/duas características não é bastante para


diagnosticar o carácter necrófilo;
± Não são precisos todos os traços necrófilos em conjunto para se
estabelecer um diagnóstico;
± Somente uma minoria extremamente pequena da população é
necrófila. A necrofilia estabelece-se com a biofília ao longo de
um   , onde as duas tendências se completam. Não
existe, de facto, um limite bem definido entre a biofília e a
necrofília;
± Para demonstrar a necrofilia, recorreu-se à observação do
comportamento, análise de sonhos e fantasias e aos testes
projectivos.
± Pessoas intensamente necrófilas são muito ³perigosas´.
‡     O termo biofília foi
criado por oposição ao de necrofilia, é
definido como o amor pela vida, por tudo o
que é vivo e é a essência da ética
humana. Apresenta o desejo de moldar e
influenciar pelo amor e pela razão e pelo
exemplo, manifesta-se por uma sede de
construção e de querer ser mais em vez
de ter mais e também pela admiração da
estrutura como um todo, preferindo a
novidade (Fromm, 1979).
‡ De enfatizar que, enquanto para Freud, as
tendências de morte (] p) e de vida
(" p) são biologicamente determinadas,
para Fromm, só a biofília é um impulso
biológico normal, a necrofília é vista como
um fenómeno psicopatológico.
‡       A definição e o significado da
vida de uma pessoa estão nos bens que possui,
mas não são só bens materiais. Adquirir, possuir
e lucrar são os direitos e inalienáveis do
indivíduo e da sociedade industrial. Não importa
quais são as origens da propriedade nem a sua
posse impõe quaisquer obrigações aos seus
possuidores.

‡ O ego é o objecto mais importante de todo o


nosso sentido de propriedade.

‡ Semelhante à personalidade retentora proposta


por Freud
‡      As pessoas definem-se pelo o
que são, a sua definição de autovalor vem de
dentro e não da comparação. Compartilhar em
vez de lutar para supera-los aumenta a sua
alegria de viver. São participantes da vida que
se concentram no presente e estão sintonizados
com o self e com a sociedade.
‡ ³Ser requer libertar-nos do nosso egocentrismo
e egoísmo. (...) Para muitas pessoas abandonar
a linha de orientação do ter é muito difícil:
qualquer tentativa nesse sentido provoca-lhes
uma enorme ansiedade e sentem-se como se
desistissem de toda a segurança´ (Fromm,
2002)
!  " # 
‡ É o primeiro autor a importar-se com a formação da
personalidade.
‡ Deu-nos uma interpretação singular de interacção
entre pessoas e sua sociedade e confirmou que a
personalidade não é um produto de um único
conjunto de factores.
‡ É o primeiro a abordar a importância dos factores
sociológicos.
‡ A teoria de Fromm demonstra a função social do
carácter. Abarca o social, o económico e o político e
considera este conjunto como o ponto a partir do
qual se geram as neuroses e a ³doenças´ do
carácter;
‡ Rejeita a ideias de Fromm ou interpreta-as de
forma diferente (p.e. o complexo de Édipo não
é visto como uma forma de amor mas como
uma forma de alcançar a liberdade não
respeitando a autoridade parental).

‡ Fromm propôs uma sociedade ideal com a


denominação de socialismo comunitário
humanista, na qual o amor, a fraternidade e
solidariedade caracterizariam todas as relações
humanas. Existiria a orientação produtiva
(predominava).
‡ Método:
± Fromm escreveu pouco sobre técnicas de
avaliação, não apresentou resultados
analíticos ou estudos de casos específicos.
± Utilizava associação livre e análise de
sonhos. A teoria baseia-se em
generalizações e especulações de
interpretações de eventos históricos,
culturais, religiosos, económicos, etc.
‡ Lacunas:
± É uma teoria filosófica e não científica.
± Falhou porque não acompanhava as evoluções
da psicanálise As necessidades e o carácter não
se unem num todo coerente.
± A generalização abusiva dos caracteres (a
maioria partilha o mesmo carácter ± marketing).
Não afirma que existem outros caracteres numa
mesma cultura.
± Não há provas científicas. Faltam dados
empíricos para afirma-la.
± É difícil tornar os conceitos desta teoria em
objecto de abordagem científica. Os conceitos
foram definidos de forma imprecisa e em termos
que geralmente são contraditórios, tornando
difícil testar experimentalmente.