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UNIVERSIDADE DO OESTE DE SANTA CATARINA

CAMPUS DE SÃO MIGUEL DO OESTE


CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA

PRINCÍPIOS DO
TREINAMENTO ESPORTIVO
Fundamentos do treinamento esportivo
PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO
ESPORTIVO
O treinamento, já aceito a algum tempo como ciência, tem a sua posição
científica reforçada com referências consideradas essenciais para todos os
que buscarem um alto rendimento atlético.

Essas referências são expressas em forma de PRINCÍPIOS DO


TREINAMENTO ESPORTIVO.

É importante lembrar, que mesmo apresentados e estudados de forma


isolada, os mesmos se inter-relacionam em todas as suas aplicações.

(TUBINO, 2003)
PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO
ESPORTIVO

(TUBINO, 2003)
INDIVIDUALIDADE BIOLÓGICA

“Chama-se de individualidade biológica o fenômeno que


explica a variabilidade entre elementos da mesma
espécie, o que faz que com que não existam pessoas
iguais entre si (TUBINO, 2003).”
INDIVIDUALIDADE BIOLÓGICA

GENÓTIPO + FENÓTIPO = INDIVÍDUO

Carga genética Fatores externos

composição corporal, capacidades ou


altura, força, tipos de habilidades físicas
fibras musculares....

(HERNANDES JUNIOR, 2000)


INDIVIDUALIDADE BIOLÓGICA

Cada ser humano possui uma estrutura e formação física e


psíquica própria, neste sentido, o treinamento individual tem
melhores resultados, pois obedeceria as características e
necessidades do indivíduo.

Grupos homogêneos também facilitam o treinamento


desportivo.
INDIVIDUALIDADE BIOLÓGICA

Cabe ao treinador verificar as potencialidades, necessidades


e fraquezas de seu atleta para o treinamento ter um real
desenvolvimento. Há vários meios para isso, além da
experiência do treinador, que conta muito, os testes
específicos são primordiais.

Determinação dos pontos fortes e fracos.


ADAPTAÇÃO
Podemos dizer que a adaptação é um dos princípios da natureza. Não
fosse a capacidade de adaptação, que se mostra de diferentes modos
e intensidades, várias espécies de vida não teriam sobrevivido ou
conseguido sobreviver por longos tempos e em diferentes ambientes.
O próprio homem conseguiu prevalecer no planeta, como espécie,
devido à sua capacidade de adaptação.

Sob “adaptações biológicas no esporte”, entendem-se as alterações


dos órgãos e sistemas funcionais, que aparecem em decorrência das
atividades psicofísicas e esportivas.

(TUBINO, 2003)
ADAPTAÇÃO
O objetivo do treinamento é, através do exercício físico, quebrar a homeostase
do organismo.

Homeostase é o equilíbrio estável do organismo humano em relação ao meio


ambiente, e sabendo-se que esta estabilidade modifica-se por qualquer
alteração ambiental, isto é, para cada estímulo há uma resposta, e, ainda,
entendendo-se por estímulos o calor, os EXERCÍCIOS FÍSICOS, as emoções,
as infecções, etc.

• ESTÍMULO – REAÇÃO – RESPOSTA

(BOMPA, 2002)
ADAPTAÇÃO

(TUBINO, 2003)
ADAPTAÇÃO

(TUBINO, 2003)
ADAPTAÇÃO
Quando o organismo é estimulado, imediatamente aparecem
mecanismos de compensação para responder a um aumento de
necessidades fisiológicas. Assim, constata-se que existe uma relação
entre a adaptação de estímulos de treinamento e o fenômeno de
stress, o que é explicado pelo princípio científico da adaptação.

“Stress ou Síndrome de Adaptação Geral (SAG) é a reação do


organismo aos estímulos que provocam adaptações ou danos ao
mesmo, sendo que esses estímulos são denominados agentes
stressores ou stressantes.”

(TUBINO, 2003)
SÍNDROME DE ADAPTAÇÃO GERAL
Fase de aplicação das sobrecargas no
excitação
/alarme organismo

Fase de busca a adaptação para resistir às


resistência
demandas impostas pelo estímulo

caso o estímulo persista além da


Fase de capacidade de recuperação do
exaustão
organismo, o mesmo terá suas
reservas dimínuidas – overtraining
(strain)
(BOMPA, 2002)
RELAÇÃO CORRETA
ESTÍMULO/RECUPERAÇÃO

Supercompensação

Anabolismo
Catabolismo
SOBRECARGA
Aplicação de um esforço específico visando estimular uma resposta
adaptativa desejada, sem produzir um processo de desgaste físico exagerado.

A carga deve ser aumentada progressivamente


( volume ou intensidade)

Ex:. 1ª sem: 3 x 10 / 20 kg
2ª sem: 4 x 10 / 20 kg ou 3 x 10 / 25 kg

1ª sem: 1800m / 12 min


2ª sem: 1800 / 11 min ou 1850m / 12 min

(BOMPA, 2002)
SOBRECARGA
Os diferentes estímulos produzem diversos desgastes, que são repostos após o
término do trabalho, e nisso podemos reconhecer a primeira reação de adaptação,
pois o organismo é capaz de restituir sozinho as energias perdidas pelos diversos
desgastes, e ainda preparar-se para uma carga de trabalho mais forte, chamando-
se este fenômeno de assimilação compensatória.
Assim, sabe-se que não só são reconduzidas as energias perdidas como também
são criadas maiores reservas de energia de trabalho. A primeira fase, isto é, a que
recompões as energias perdidas, chama-se período de restauração, o qual
permite a chegada a um mesmo nível de energia anterior ao estímulo. A segunda
fase é chamada de período de restauração ampliada, após o qual o organismo
possuirá uma maior fonte de energia para novos estímulos”

(BOMPA, 2002)
SOBRECARGA
Estímulos mais fortes devem sempre ser aplicados por
ocasião do final da assimilação compensatória, justamente na maior
amplitude do período de restauração ampliada para que seja elevado
o limite de adaptação do atleta. Este é o princípio da sobrecarga,
também chamado princípio da progressão gradual, e será sempre
fundamental para qualquer processo de evolução desportiva.

(BOMPA, 2002)
SOBRECARGA

(TUBINO, 2003)
TEORIA DA RECUPERAÇÃO

A recuperação é o processo que resulta na restauração dos


músculos e processos fisiológicos.

Os atletas podem treinar mais, caso se recuperem da forma


adequada, acelerando o processo em que eles atingem níveis
máximos de desempenho.

Recuperação ativa, passiva, criterapia, massagem…

(BOMPA, 2002)
INTERDEPENDÊNCIA
VOLUME/INTENSIDADE

Este princípio está intimamente ligado ao da sobrecarga, pois


o aumento das cargas de trabalho é um dos fatores que
melhora a performance. Este aumento ocorrerá por conta do
volume e devido à intensidade.

(BOMPA, 2002)
INTERDEPENDÊNCIA
VOLUME/INTENSIDADE

VOLUME INTENSIDADE

Significa a quantidade Refere-se ao


total da atividade componente qualitativo
realizada no do trabalho.
treinamento.
Quilagem utilizada
- quilometragem (carga), velocidade,
percorrida, número de ritmo, redução de
repetições e séries, intervalos entre as
séries, etc ...
duração do exercício,
horas de treinamento,
etc...

(HERNANDES JUNIOR, 2000)


INTERDEPENDÊNCIA
VOLUME/INTENSIDADE

O aumento do volume leva a diminuição da


intensidade e vice-versa

EX:.
100 m velocidade EX:.
Musculação: carga repetição
42 Km velocidade

(HERNANDES JUNIOR, 2000)


INTERDEPENDÊNCIA
VOLUME/INTENSIDADE
Em um treinamento, a ênfase no volume (quantidade) de cargas
desempenha um papel de base para resultados futuros, enquanto
que o incremento na intensidade (qualidade) tem como propósito
levar a condição dos atletas ao “peak” da forma desportiva e a
assimilação do volume total de preparação realizada.

(TUBINO, 2003)
ESPECIFICIDADE DO
TREINAMENTO
Seleção de esforços para o treinamento deve ser feita com
base no SISTEMA ENERGÉTICO PREDOMINANTE e na AÇÃO
MOTORA REQUISITADA.

Verificar qual CAPACIDADE FÍSICA é mais utilizada no esporte


escolhido e treiná-la.

Ex. treinamento de hipertrofia muscular para um maratonista ???

(HERNANDES JUNIOR, 2000)


CONTINUIDADE
O treinamento baseia-se na aplicação de cargas
crescentes, progressivamente assimiladas pelo organismo.

O fator que assegura essa melhora de rendimento é a


continuidade do processo de treinamento, caracterizado pela
alternância entre os estímulos e os períodos de recuperação.

(HERNANDES JUNIOR, 2000)


TREINABILIDADE

Quanto mais treinado o individuo, mais difícil a


obtenção de novos resultados (TUBINO, 2003).
MULTILATERALIDADE
Os estímulos recebidos por um atleta, principalmente em sua infância,
estão diretamente ligados ao sucesso de sua performance.

O estímulo de crianças e jovens à prática de diversas modalidades


acarreta uma maior cultura esportiva.

Evitar a especificidade do treinamento na infância

Seguir um treinamento multilateral nos primeiro anos de


desenvolvimento atlético evita lesões, stress, supertreinamento
(diversidade técnica e funcional)

(HERNANDES JUNIOR, 2000; BOMPA, 2002)


INTER-RELAÇÃO DOS PRINCÍPIOS
Cada princípio, considerado individualmente, possui
seu valor e função próprios, entretanto, a integração entre
esses princípios adquire inestimável importância. “o todo é
sempre maior do que a soma de suas partes.”

Assim cada Princípio assume uma importância maior,


um papel mais destacado quando associado aos outros
princípios.

(TUBINO, 2003)
REFERÊNCIAS
• BOMPA, T. O. A periodização no treinamento desportivo.
Manole: São Paulo, 2002.

• HERNANDES JUNIOR. B. D. O. Treinamento desportivo. Sprint:


Rio de Janeiro, 2000.

• PASTRE, C. M. Métodos de Recuperacão Pós-exercício: uma


Revisão Sistemática. Rev Bras Med Esporte, v.15, n. 2, Mar./Abr.,
2009.

• TUBINO, M. J. G. Metodologia científica do treinamento


desportivo. 13ª edição. São Paulo: Ibrasa, 2003.

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