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O fim do regime monárquico não representou a ascensão de profundas

transformações no cenário social brasileiro. Apesar da libertação das


populações escravas, a constituição republicana, de 1891, não buscava
empreender nenhum tipo de projeto de inclusão social e econômica dessa
população historicamente marginalizada. Ao mesmo tempo, a república foi
marcada pelo predomínio das elites agro-exportadoras no poder.
O novo sistema eleitoral havia extinguido o voto censitário como pré-
requisito para o alcance de direitos políticos. Entretanto, a proibição do voto
dos analfabetos se tornou um novo item de exclusão de uma grande maioria
que não tinha condições mínimas de acesso ao ensino. Além disso, a
ausência de leis e um poder exclusivo para legislar sobre as questões
eleitorais fizeram com que as primeiras décadas da República fossem
gravemente atingidas pela fraude eleitoral.
Foi nesse contexto que percebemos que o regime republicano gerou no
interior de seus costumes uma crise de reconhecimento proveniente dessas
populações marginalizadas. Foi a partir desse impasse que observamos o
aparecimento de uma série de revoltas que tomaram conta do país ao longo
de toda República Velha.
ïesde seu inicio, a República já tinha um grande conflito a superar, o que
se sucedia entre os militares e as aristocracias locais. Os primeiros defendiam
um estado centralizado comandado a pulso forte para poder manter as
fronteiras longínquas sob o dilema ´   ´. Já os outros queriam
que a nova república fosse uma cópia dos EUA aqui no Brasil, tanto que o nome
dado ao país foi Estados Unidos do Brasil, o um país descentralizado onde as
províncias teriam sua própria autonomia, uma própria constituição e só se
juntariam para se beneficiar através de impostos internacionais.
A República velha pode ser dividida de duas maneiras: a primeira divida
em República da Espada (enquanto esteve nas mãos dos militares) e em
República Oligárquica (quando passou para a mão dos cafeicultores do sudeste);
e a segunda em Fase da Implantação, Fase da Consolidação e Fase do ïeclínio.
Cangaço
ð Miséria, fome, secas e
injustiças dos coronéis-
fazendeiros produziram no
semi-árido do Nordeste um
cenário favorável à formatação
de grupos armados conhecidos
como cangaceiros. Os
cangaceiros praticavam crimes,
assaltavam fazendas e
matavam pessoas.

ð Os dois mais importantes


bandos do cangaço foi o de
Antônio Silvino e o de Virgulino
Ferreira da Silva, o Lampião, o
´Rei do Cangaçoµ.
ïepois que a polícia massacrou
o ´bando de Lampiãoµ, em
1938, o cangaço praticamente
desapareceu do Nordeste.
Revolta da Vacina
ð A população do Rio estava
descontente com o projeto de
urbanização de Rodrigues Alves,
que destruiu os cortiços do centro
da cidade e deixou a população
com problemas de moradia; além
disso, a reforma sanitária, que
previa a vacinação obrigatória,
exaltou os ânimos da população,
que reagiu ao autoritarismo do
governo. Quem exerceu a
liderança do movimento? Não há.
ð A população saiu às ruas, ergueu
barricadas, saqueou e apedrejou
estabelecimentos comerciais,
espancou policiais, incendiou
prédios públicos e bondes.
Como terminou o movimento? O
governo decretou estado de sítio e
reprimiu o movimento rebelde.
Revolta da Chibata
ð Os marinheiros rebelaram-se
exigindo o fim dos castigos
corporais, então permitidos na
Marinha brasileira, melhorias
na alimentação, aumento dos
soldos e anistia para os
rebeldes.
Liderado por João Cândido
Felisberto, o ³Almirante Negro´.
ð Os marinheiros apoderaram-se
de importantes navios da
Marinha e ameaçaram
bombardear a cidade do Rio de
Janeiro. O governo cedeu à
pressão dos rebeldes, desde
que se encerrasse a rebelião.
ð Apesar do acordo, o governo
não cumpriu o que prometeu;
os participantes foram punidos,
alguns fuzilados e outros
enviados ao Acre.
Revolta de Canudos
ð Foi o confronto entre um
movimento popular de fundo
sócio-religioso e o Exército da
República, que durou de 1896 a
1897, na então comunidade de
Canudos, no interior do estado
da Bahia, no Brasil. O episódio
foi fruto de uma série de fatores
como a grave crise econômica e
social em que encontrava a
região à época, historicamente
caracterizada pela presença de
latifúndios improdutivos, situação
essa agravada pela ocorrência
de secas cíclicas, de
desemprego crônico; pela crença
numa salvação milagrosa que
pouparia os humildes habitantes
do sertão dos flagelos do clima e
da exclusão econômica e social.
Ëuerra do Contestado
ð Ocorreu entre os anos de 1912
a 1916, na fronteira entre
Paraná e Santa Catarina, numa
região contestada (disputada)
pelos dois estados. Nessa área,
era grande o número de
sertanejos sem-terra e famintos
que trabalhavam sob duras
condições para os fazendeiros
locais e duas empresas norte-
americanas que atuavam ali.

ð Os sertanejos de Contestado
começaram a se organizar sob
a liderança de um ³monge´
chamado João Maria. Após sua
morte, surgiu em seu lugar um
outro ³monge´, conhecido como
João Maria (Miguel Lucena
Boaventura).
senentismo
ð O tenentismo foi o movimento político militar que, pela luta armada,
pretendia conquistar o poder e fazer reformas na República Velha. Era
liderado por jovens oficiais das Força Armadas, principalmente
tenentes.
ð Os tenentes queriam a moralização da administração pública e o fim
da corrupção eleitoral. Pregavam a instituição do voto secreto e a
criação de uma justiça eleitoral honesta. Defendiam o nacionalismo
econômico: a defesa do Brasil contra a exploração das empresas e do
capital estrangeiros. Desejavam uma reforma na educação pública
para que o ensino fosse gratuito e obrigatório para os brasileiros.
ð Desiludidos com os políticos civis, os tenentes exigiam
maior participação dos oficiais militares na vida pública. Ou seja,
queriam os militares mandando no país.
ð A maioria das propostas do tenentismo contava com a simpatia de
grande das partes médias urbanas, dos produtores rurais que não
pertenciam à oligarquia dominante e de alguns empresários da
indústria.