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ENQUADRAMENTO LEGAL E

FISCAL DAS ASSOCIAÇÕES

CASO ESPECÍFICO
DOS RANCHOS
FOLCLÓRICOS
ENQUADRAMENTO LEGAL E
FISCAL DAS ASSOCIAÇÕES

 CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA
PORTUGUESA
 CÓDIGO CIVIL
 CÓDIGO DO IRC
 CÓDIGO DO IVA
 ESTATUTO DOS BENEFICIOS FISCAIS
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IRC

Os ranchos folclóricos são sujeitos


passivos de IRC, conforme dispõe a
alínea a) do n.º1 artigo 2º do Código
deste imposto, o que significa que têm
obrigações decorrentes, como obrigações
declarativas, de organização da
contabilidade e eventualmente de
pagamento de imposto
Artigo 2.º
Sujeitos passivos

1 - São sujeitos passivos do IRC:


a) As sociedades comerciais ou civis sob
forma comercial, as cooperativas, as
empresas públicas e as demais pessoas
colectivas de direito público ou privado,
com sede ou direcção efectiva em
território português;
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IRC

Tratando-se de uma entidade que não exerce a


título principal actividades de natureza
comercial, industrial ou agrícola, os
rendimentos obtidos por um rancho folclórico
são agrupados por categoria à semelhança do
que sucede no caso de pessoas singulares em
IRS, incidindo o IRC sobre o rendimento global.
Os rendimentos são assim agrupados em função
da sua natureza: prediais, de capitais,
comerciais, industriais ou agrícolas e mais
valias.
Artigo 3.º
Base do imposto

1- O IRC incide sobre:


b) O rendimento global, correspondente à soma
algébrica dos rendimentos das diversas
categorias consideradas para efeitos de IRS e,
bem assim, dos incrementos patrimoniais
obtidos a título gratuito, das pessoas
colectivas ou entidades referidas nas alíneas a)
e b) do n.º 1 do artigo anterior que não exerçam,
a título principal, uma actividade de natureza
comercial, industrial ou agrícola;
Artigo 48.º
Determinação do rendimento global

1 - O rendimento global sujeito a imposto


das pessoas colectivas e entidades
mencionadas na alínea b) do n.º 1 do
artigo 3.º é formado pela soma algébrica
dos rendimentos líquidos das várias
categorias determinados nos termos do
IRS, incluindo os incrementos
patrimoniais obtidos a título gratuito,
aplicando-se à determinação do lucro
tributável as disposições deste Código.
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IRC

De acordo com o n.º 3 do artigo 49.º do CIRC, não se


consideram sujeitos a IRC:
1 – As quotas pagas pelos associados em conformidade com
os estatutos;
2 – Os subsídios recebidos destinados a financiarem a
realização dos fins estatutários.

Os incrementos patrimoniais obtidos a título gratuito


passaram (em 2007) a deixar de ser rendimentos não
sujeitos, mas são isentos o que significa que têm de ser
declarados – n.º4 do mesmo artigo.
Artigo 49.º
Custos comuns e outros

3 - Consideram-se rendimentos não sujeitos


a IRC as quotas pagas pelos associados
em conformidade com os estatutos, bem
como os subsídios destinados a financiar
a realização dos fins estatutários.
4 - Consideram-se rendimentos isentos os
incrementos patrimoniais obtidos a título
gratuito destinados à directa e imediata
realização dos fins estatutários.
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IRC

Para além da exclusão da sujeição em IRC das


quotas e subsídios recebidos, nas condições
referidas, um rancho folclórico pode ser
enquadrado na isenção prevista no artigo 10.º
do CIRC, desde que detenha o estatuto de
utilidade pública administrativa ou de mera
utilidade pública e que prossiga
predominantemente fins culturais.
Esta isenção tem de ser reconhecida, e definida a
sua amplitude, pelo Ministro das Finanças,
sendo necessário requerimento dos
interessados.
Artigo 10.º
Pessoas colectivas de utilidade pública
e de solidariedade social

1 - Estão isentas de IRC:


a) As pessoas colectivas de utilidade pública administrativa;
b) As instituições particulares de solidariedade social e
entidades anexas, bem como as pessoas colectivas
àquelas legalmente equiparadas;
c) As pessoas colectivas de mera utilidade pública que
prossigam, exclusiva ou predominantemente, fins
científicos ou culturais, de caridade, assistência,
beneficência, solidariedade social ou defesa do meio
ambiente.
Artigo 10.º
Pessoas colectivas de utilidade pública
e de solidariedade social

2 - A isenção prevista na alínea c) do número


anterior carece de reconhecimento pelo Ministro
das Finanças, a requerimento dos interessados,
mediante despacho publicado em Diário da
República, que define a respectiva amplitude, de
harmonia com os fins prosseguidos e as
actividades desenvolvidas para a sua
realização, pelas entidades em causa e as
informações dos serviços competentes da
Direcção-Geral dos Impostos e outras julgadas
necessárias.
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IRC

Sendo uma associação cultural, um


rancho folclórico pode ainda beneficiar
da isenção do artigo 11.º do CIRC, desde
que preencha as condições do n.º 2 do
mesmo artigo.
Artigo 11.º
Actividades culturais, recreativas e
desportivas

1 - Estão isentos de IRC os rendimentos directamente


derivados do exercício de actividades culturais,
recreativas e desportivas.
2 - A isenção prevista no número anterior só pode beneficiar
associações legalmente constituídas para o exercício
dessas actividades e desde que se verifiquem
cumulativamente as seguintes condições:
a) Em caso algum distribuam resultados e os membros dos
seus órgãos sociais não tenham, por si ou interposta
pessoa, algum interesse directo ou indirecto nos
resultados de exploração das actividades prosseguidas;
b) Disponham de contabilidade ou escrituração que abranja
todas as suas actividades e a ponham à disposição dos
serviços fiscais, designadamente para comprovação do
referido nas alíneas anteriores.
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IRC

A isenção do artigo 11.º apenas abrange os


rendimentos derivados do exercício de
actividades culturais, recreativas e desportivas,
ficando excluídos da isenção os rendimentos de
natureza comercial, industrial ou agrícola ainda
que obtidos em ligação com a actividade
desportiva, recreativa ou cultural exercida.
São exemplos desses rendimentos os obtidos na
exploração de um bar, de publicidade, etc.
Artigo 11.º
Actividades culturais, recreativas e
desportivas

3 - Não se consideram rendimentos directamente


derivados do exercício das actividades indicadas no
n.º 1, para efeitos da isenção aí prevista, os
provenientes de qualquer actividade comercial,
industrial ou agrícola exercida, ainda que a título
acessório, em ligação com essas actividades e,
nomeadamente, os provenientes de publicidade,
direitos respeitantes a qualquer forma de
transmissão, bens imóveis, aplicações financeiras e
jogo do bingo.
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IRC

Se no fim das contas existirem


rendimentos sujeitos e não isentos eles
ainda poderão usufruir da isenção do
Artigo 52.º do Estatuto dos Benefício
Fiscais até ao montante de € 7.481,97.
ESTATUTO DOS BENEFÍCIOS
FISCAIS

Artigo 52.º
Colectividades desportivas, de cultura e
recreio
Ficam isentos de IRC os rendimentos das
colectividades desportivas, de cultura e recreio,
abrangidas pelo artigo 11.º do Código do IRC,
desde que a totalidade dos seus rendimentos
brutos sujeitos a tributação e não isentos nos
termos do Código não exceda o montante de 1
500 000$ (€7.481,97)
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IRC

De acordo com o n.º 1 do artigo 15.º do CIRC, a


matéria colectável de entidades que não
exerçam, a título principal, uma actividade de
natureza comercial, industrial ou agrícola,
obtém-se pela dedução ao rendimento global,
apurado nos termos do artigo 48.º do CIRC, dos
custos comuns e outros imputáveis aos
rendimentos sujeitos a imposto e não isentos,
nos termos do artigo 49.º, bem como dos
benefícios fiscais eventualmente existentes que
consistam em deduções àquele rendimento.
Artigo 15.º
Definição da matéria colectável

1 - Para efeitos deste Código:


b) Relativamente às pessoas colectivas e entidades
referidas na alínea b) do n.º 1 do artigo 3.º, a matéria
colectável obtém-se pela dedução ao rendimento global,
incluindo os incrementos patrimoniais obtidos a título
gratuito, determinados nos termos do artigo 48.º, dos
seguintes montantes: (Redacção dada pelo Decreto-Lei n.º
287/2003, de 12 de Novembro)
1) Custos comuns e outros imputáveis aos
rendimentos sujeitos a imposto e não isentos, nos termos
do artigo 49.º;
2) Benefícios fiscais eventualmente existentes que
consistam em deduções naquele rendimento;
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IRC

Não exercendo a título principal uma


actividade comercial, industrial ou
agrícola, se existirem rendimentos
sujeitos e não isentos de IRC a taxa a
aplicar à associação, é de 20%, conforme
o n.º 4 do artigo 80.º do CIRC.
Artigo 80.º
Taxas

4 - Relativamente ao rendimento global


de entidades com sede ou direcção
efectiva em território português que
não exerçam, a título principal,
actividades de natureza comercial,
industrial ou agrícola, a taxa é de
20%.
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IRC

No que concerne às obrigações declarativas, de acordo


com o n.º 6 do artigo 109.º do CIRC, não há lugar à
entrega da declaração modelo 22, nas seguintes
condições, excepto se estiverem sujeitas a qualquer
tributação autónoma:
- não obtenham rendimentos no período de tributação;
- obtendo rendimentos beneficiem de isenção definitiva,
ainda que a mesma não inclua os rendimentos de
capitais;
- apenas aufiram rendimentos de capitais cuja taxa de
retenção na fonte, com natureza de pagamento por
conta, seja igual à prevista no n.º 4 do artigo 80.º do
CIRC;
Artigo 109.º
Obrigações declarativas

1 - Os sujeitos passivos de IRC, ou os seus representantes, são obrigados a apresentar:


a) Declaração de inscrição, de alterações ou de cessação, nos termos dos artigos
110.º e 111.º;
b) Declaração periódica de rendimentos, nos termos do artigo 112.º;
c) Declaração anual de informação contabilística e fiscal, nos termos do artigo 113.º

6 - A obrigação a que se refere a alínea b) do n.º 1 não abrange, excepto quando


estejam sujeitas a uma qualquer tributação autónoma, as entidades que, não
exercendo a título principal uma actividade comercial, industrial ou agrícola:
a) Não obtenham rendimentos no período de tributação;
b) Obtendo rendimentos, beneficiem de isenção definitiva, ainda que a mesma não
inclua os rendimentos de capitais;
c) Apenas aufiram rendimentos de capitais cuja taxa de retenção na fonte, com
natureza de pagamento por conta, seja igual à prevista no n.º 4 do artigo 80.º.
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IRC

Conforme dispõe a alínea c) do n.º 1 do


artigo 109.º, conjugado com o artigo
113.º, ambos do CIRC, todos os sujeitos
passivos de IRC (mesmos os isentos
deste imposto) devem entregar, até ao
último dia útil do mês de Junho, a
declaração anual de informação
contabilística e fiscal.
Artigo 113.º
Declaração anual de informação
contabilística e fiscal

1 - A declaração anual de informação contabilística e fiscal a


que se refere a alínea c) do n.º 1 do artigo 109.º deve ser
apresentada nos termos e com os anexos que para o efeito
sejam mencionados no respectivo modelo.
2 - A declaração deve ser enviada, por transmissão
electrónica de dados, até ao final do mês de Junho.
6 - Os elementos constantes das declarações devem, sempre
que se justificar, concordar exactamente com os obtidos na
contabilidade ou registos de escrituração, consoante o
caso.
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IRC

No que respeita aos aspectos contabilísticos, a associação, por


não exercer a título principal uma actividade comercial,
industrial ou agrícola pode dispor apenas de um regime de
escrituração simplificado, conforme o preceituado no n.º 1 do
artigo 116.º do CIRC. Para o efeito deve possuir os seguintes
livros:
- Registo de rendimentos, organizado segundo as várias
categorias de rendimentos considerados para efeitos de IRS;
- Registos de encargos, organizado de modo a
distinguirem-se os encargos específicos de cada categoria de
rendimentos sujeitos a imposto e os demais encargos a deduzir,
no todo ou em parte, ao rendimento global;
- Registo de inventário, em 31 de Dezembro, dos bens
susceptíveis de gerarem ganhos tributáveis na categoria de
mais-valias.
Artigo 116.º
Regime simplificado de escrituração

1 - As entidades com sede ou direcção efectiva em território


português que não exerçam, a título principal, uma actividade
comercial, industrial ou agrícola e que não disponham de
contabilidade organizada nos termos do artigo anterior devem
possuir obrigatoriamente os seguintes registos:
a) Registo de rendimentos, organizado segundo as várias
categorias de rendimentos considerados para efeitos de IRS;
b) Registo de encargos, organizado de modo a distinguirem-se os
encargos específicos de cada categoria de rendimentos sujeitos a
imposto e os demais encargos a deduzir, no todo ou em parte, ao
rendimento global;
c) Registo de inventário, em 31 de Dezembro, dos bens
susceptíveis de gerarem ganhos tributáveis na categoria de
mais-valias.
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IRC

Contudo, pelo n.º 2 do artigo 116.º do CIRC, se


a associação auferir rendimentos de actividades
comerciais, industriais ou agrícolas, mesmo
que exercidas a título acessório, deve, para
essas actividades, dispor de contabilidade
organizada, segundo o POC e portanto dispor
de Técnico Oficial de Contas, conforme
estabelece o artigo 3.º do Decreto-Lei n.º
452/1999, de 5 de Novembro que aprovou o
Estatuto da CTOC.
Artigo 116.º
Regime simplificado de escrituração

2 - Os registos referidos no número anterior não abrangem os


rendimentos das actividades comerciais, industriais ou agrícolas
eventualmente exercidas, a título acessório, pelas entidades aí
mencionadas, devendo, caso existam esses rendimentos, ser
também organizada uma contabilidade que, nos termos do artigo
anterior, permita o controlo do lucro apurado.
3 - O disposto no número anterior não se aplica quando os
rendimentos brutos resultantes das actividades aí referidas,
obtidos no exercício imediatamente anterior, não excedam o
montante de € 75.000.
4 - Se, em dois exercícios consecutivos, for ultrapassado o montante
referido no número anterior, a entidade é obrigada, a partir do
exercício seguinte, inclusive, a dispor de contabilidade
organizada.
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IRC

De acordo com o n.º 5 do artigo 116º as


associações abrangidas pelo regime
simplificado de tributação ou pela
contabilidade organizada nos termos do
n.º2 têm de obedecer às regras básicas
de contabilidade dispostas nos números
3, 4, 5, 6 e 7 do artigo 115º.
Artigo 115.º
Obrigações contabilísticas das
empresas

3 - Na execução da contabilidade deve observar-se em especial o seguinte:


a) Todos os lançamentos devem estar apoiados em documentos justificativos,
datados e susceptíveis de serem apresentados sempre que necessário;
b) As operações devem ser registadas cronologicamente, sem emendas ou
rasuras, devendo quaisquer erros ser objecto de regularização contabilística
logo que descobertos.
4 - Não são permitidos atrasos na execução da contabilidade superiores a 90 dias,
contados do último dia do mês a que as operações respeitam.
5 - Os livros de contabilidade, registos auxiliares e respectivos documentos de
suporte devem ser conservados em boa ordem durante o prazo de 10 anos.
6 - Quando a contabilidade for estabelecida por meios informáticos, a obrigação
de conservação referida no número anterior é extensiva à documentação
relativa à análise, programação e execução dos tratamentos informáticos.
ESTATUTO DOS BENEFÍCIOS
FISCAIS

Com o Orçamento de Estado para 2007


(Lei n.º 53-A/2006, de 29 de Dezembro),
o Estatuto do Mecenato foi revogado e foi
introduzido no Estatuto dos Benefícios
Fiscais (E.B.F.) com alterações
significativas (artigos 56.º-C a H).
Artigo 56.º-C
Noção de donativo

Para efeitos fiscais, os donativos constituem


entregas em dinheiro ou em espécie concedidos
sem contrapartidas que configurem obrigações
de carácter pecuniário ou comercial às entidades
públicas ou privadas previstas nos artigos
seguintes, cuja actividade consista
predominantemente na realização de iniciativas
nas áreas social, cultural, ambiental, desportiva
ou educacional.
ESTATUTO DOS BENEFÍCIOS
FISCAIS

As entidades referidas nas alienas a), e) e g) do


n.º 6 artigo 56.º-D do E.B.F., devem obter junto
do ministro da respectiva tutela, previamente à
obtenção dos donativos, a declaração do seu
enquadramento no presente capítulo e do
respectivo interesse cultural, ambiental,
desportivo ou educacional das actividades
prosseguidas ou das acções a desenvolver, de
acordo com o n.º 10 do mesmo artigo.
Artigo 56.º-D
Dedução para efeitos da determinação
do lucro tributável das empresas

6 - São considerados custos ou perdas do exercício, até ao limite de


6/1000 do volume de vendas ou dos serviços prestados, os
donativos atribuídos às seguintes entidades:
a) Cooperativas culturais, institutos, fundações e associações que
prossigam actividades de investigação, excepto as de natureza
científica, de cultura e de defesa do património histórico-cultural
e do ambiente, e bem assim outras entidades sem fins lucrativos
que desenvolvam acções no âmbito do teatro, do bailado, da
música, da organização de festivais e outras manifestações
artísticas e da produção cinematográfica, áudio-visual e literária;
f) Centros de cultura e desporto organizados nos termos dos
Estatutos do INATEL, com excepção dos donativos abrangidos
pela alínea c) do n.º 3;
ESTATUTO DOS BENEFÍCIOS
FISCAIS

 Foram introduzidas novas obrigações declarativas neste


âmbito que constam do artigo 56.º-H do E.B.F.
 Os donativos em dinheiro de valor superior a € 200 devem ser
efectuados através de meio de pagamento que permita a
identificação do mecenas, designadamente transferência
bancária, cheque nominativo ou débito directo, de acordo com
o n.º 2 do mesmo artigo.
 Os donativos não tendo quaisquer contrapartidas subjacentes
não se encontram sujeitos a IVA, face às normas de incidência
deste imposto. A mera associação do nome do mecenas à
iniciativa promovida pela Associação não é considerada
publicidade.
Artigo 56.º-H
Obrigações acessórias das entidades
beneficiárias

As entidades beneficiárias dos donativos são obrigadas a:


a) Emitir documento comprovativo dos montantes dos donativos
recebidos dos seus mecenas, com a indicação do seu
enquadramento no âmbito do presente capítulo, e bem assim
com a menção de que o donativo é concedido sem
contrapartidas, de acordo com o previsto no artigo 56.º-C;
b) Possuir registo actualizado das entidades mecenas, do qual
constem, nomeadamente, o nome, o número de identificação
fiscal, bem como a data e o valor de cada donativo que lhes
tenha sido atribuído nos termos do presente capítulo;
c) Entregar à Direcção-Geral dos Impostos, até ao final do mês de
Fevereiro de cada ano, uma declaração de modelo oficial,
referente aos donativos recebidos no ano anterior.
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IVA

Em sede de IVA, estão previstas algumas


isenções em operações realizadas por
entidades sem fins lucrativos.
Para efeitos de aplicação dessa isenção,
apenas são considerados organismos sem
finalidade lucrativa, os que preencham as
condições do artigo 10.º do CIVA.
Artigo 10.º
Organismos sem finalidade lucrativa

Para efeitos de isenção apenas serão considerados como organismos


sem finalidade lucrativa os que, simultaneamente:
a) Em caso algum distribuam lucros e os seus corpos gerentes não
tenham, por si ou interposta pessoa, algum interesse directo ou
indirecto nos resultados da exploração;
b) Disponham de escrituração que abranja todas as suas actividades
e a ponham à disposição dos serviços fiscais, designadamente para
comprovação do referido na alínea anterior;
c) Pratiquem preços homologados pelas autoridades públicas ou,
para as operações não susceptíveis de homologação, preços
inferiores aos exigidos para análogas operações pelas empresas
comerciais sujeitas de imposto;
d) Não entrem em concorrência directa com sujeitos passivos do
imposto.
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IVA

As isenções consagradas no artigo 9.º do Código do IVA, para entidades do


género dos ranchos folclóricos, são as seguintes:

- as prestações de serviços e as transmissões de bens com elas conexas efectuadas


no interesse colectivo dos seus associados, quando a única contraprestação seja
uma quota fixada nos termos dos estatutos (n.º 21 do artigo 9.º);
- a organização de cursos, conferências, colóquios, seminários, congressos e
outras manifestações de natureza científica, cultural, educativa ou técnica. (n.º
15 do artigo 9.º);
- a exploração de instalações destinadas à prática de actividades artísticas,
desportivas, recreativas e de educação física (n.º 9 do artigo 9.º);
- locação de livros e outras publicações, partituras musicais, discos, bandas
magnéticas e outros suportes de cultura, e as prestações de serviços e
transmissões de bens com aquelas estreitamente conexas. (n.º 13 do artigo 9.º);
- manifestações ocasionais destinadas à angariação de fundos (n.º 22 do artigo
9.º);
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IVA

Se a associação desenvolver simultaneamente


uma actividade acessória tributável, poderá
enquadrar-se no regime especial de isenção
previsto no artigo 53.º do CIVA (não dispondo
de contabilidade organizada), relevando para
efeito do cálculo do volume de negócios apenas
os resultados relativos à actividade acessória,
nos termos do artigo 73.º do CIVA.
Artigo 53.º
Regime especial de isenção

1 - Beneficiam da isenção do imposto os sujeitos


passivos que, não possuindo nem sendo
obrigados a possuir contabilidade organizada
para efeitos de IRS ou IRC, nem praticando
operações de importação, exportação ou
actividades conexas, nem exercendo actividade
que consista na transmissão dos bens ou
prestação dos serviços mencionados no anexo E
ao presente Código, não tenham atingido, no
ano civil anterior, um volume de negócios
superior a € 10.000.
Artigo 73.º
Volume de negócios (cálculo)

Os sujeitos passivos que pratiquem operações


isentas, sem direito a dedução, e desenvolvam
simultaneamente uma actividade acessória
tributável poderão calcular o seu volume de
negócios, para efeitos do disposto nos artigos
41.º e 53.º, tomando em conta apenas os
resultados relativos à actividade acessória.
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IVA

Estão obrigadas à entrega da declaração


de início de actividade, nos termos do n.º
1 do artigo 30.º do CIVA, as pessoas
singulares ou colectivas que exerçam
uma actividade sujeita a IVA. Essa
entrega deve ser efectuada antes de
iniciada a actividade.
Artigo 30.º
Declaração de início de actividade

1 - Sem prejuízo do disposto no número seguinte, as pessoas singulares


ou colectivas que exerçam uma actividade sujeita a IVA devem
apresentar, em qualquer serviço de finanças ou noutro local legalmente
autorizado, antes de iniciado o exercício da actividade, a respectiva
declaração.
2 - As pessoas colectivas que estejam sujeitas a registo comercial e
exerçam uma actividade sujeita a IVA devem apresentar a declaração
de início de actividade, em qualquer serviço de finanças ou noutro local
legalmente autorizado, no prazo de 15 dias a partir da data da
apresentação a registo na conservatória do registo comercial.
3 - Não há lugar à entrega da declaração referida nos números anteriores
quando se trate de pessoas sujeitas a IVA pela prática de uma só
operação tributável nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo 2.º,
excepto se a mesma exceder o limite previsto nas alíneas e) e f) do n.º 1
do artigo 28.º
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IVA

Concluindo, se não exercer actividades comerciais, o


sujeito passivo não estará obrigado a possuir
contabilidade organizada, mas de referir que a venda de
certos bens é uma actividade comercial. Todavia, mesmo
assim em sede de IVA poderá ser abrangido pela a
isenção do artigo 9.º n.º 22 do CIVA, se:
- Essas transmissões de bens ou prestações de serviços
efectuados por essas entidades sem fins lucrativos forem
consideradas manifestações ocasionais destinadas à
angariação de fundos em seu proveito exclusivo, desde
que não provoque distorções de concorrência.
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IVA

O Despacho Normativo n.º 118/85, de 31 de Dezembro, no seu n.º 2,


fixa em 8 número anual de manifestações ocasionais, salvo se, a título
excepcional, e mediante requerimento devidamente fundamentado, a
Direcção-Geral das Contribuições e Impostos autorizar que o limite seja
ultrapassado, conforme n.º 5 do referido despacho.

Por sua vez o n.º 3 do despacho supra citado dispõe que a isenção incidirá
"...não só sobre o direito de acesso às manifestações e aos espectáculos
realizados, mas também sobre o conjunto das receitas recebidas pelas
entidades beneficiárias relativamente às diversas operações efectuadas
nessa ocasião, como, por exemplo, bufete, bar, aluguer de stands,
venda de programas, lembranças, receitas publicitárias, etc.“

As manifestações ocasionais deverão ser participadas previamente à


repartição de finanças da área da sede, indicando, nomeadamente, o
local, a data e o género de manifestação a realizar, por força do n.º 4 do
Despacho Normativo n.º 118/85.
ENQUADRAMENTO DAS
ASSOCIAÇÕES EM SEDE DE IVA

Sendo assim, o sujeito passivo, se não ficar abrangido pelo


despacho normativo, e praticar simultaneamente operações
sujeitas a IVA e operações isentas, que não conferem direito a
dedução, passará a ser um sujeito misto, devendo escolher um
dos dois métodos previstos no artigo 23.º do CIVA.
A declaração anual de informação contabilística e fiscal deve ser
entregue obrigatoriamente até final do mês de Junho. Quanto
aos anexos a entregar, referimos a título de exemplo, os
seguintes:
ANEXO D - quando existirem rendimentos tributáveis de uma
dada actividade acessória;
ANEXO F - caso usufruam de benefícios fiscais ou rendimentos
isentos;
ANEXO J - caso tenham efectuado pagamentos de rendimentos
objecto de retenção na fonte.