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Pacientes com

desordem endócrina
Farmacologia
DIABETES
• Diabetes melito (DM) representa um grupo de
doenças caracterizadas por hiperglicemia
(excesso de glicose no sangue).
• Estima-se que 3 a 4% dos pacientes adultos que
se submetem a tratamento odontológico são
diabéticos.
• Uma parte significante desconhece ter a doença.
Controle da hiperglicemia:
NÃO TEM Dieta, atividade física, educação,
CURA apoio psicossocial e medicamentos.
Diabetes tipo 1
• O sistema imunológico ataca equivocadamente
as células beta (produtoras de insulina) .
• Assim, pouco ou nenhuma insulina é liberada
para o corpo.
• A glicose fica no sangue, em vez de ser usada
como energia.
• Acomete 5 e 10% do total de pessoas com a
doença.
• Aparece na infância ou adolescência, e em
adultos também.
• Pacientes insulinodependentes.
Diabetes tipo 2
• o organismo não consegue usar
adequadamente a insulina que produz; ou
não produz insulina suficiente para controlar a
taxa de glicemia.
• Cerca de 90% das pessoas com diabetes têm o
Tipo 2.
• Mais frequentemente em adultos, mas
crianças também podem apresentar.
Diabetes tipo 1 e 2
Diagnóstico
• Glicemia em jejum
Diabetes tipo 1 e 2
Manifestações Clássicas
DIABETES 1 DIABETES 2
• Poliúria (aumento do • Muitas pessoas com DM2 não
volume urinário, devido à
diurese osmótica, causada apresentam sintomas. Isso
pelo excesso de glicose) faz com que o diagnóstico seja
• Polidipsia (aumento da tardio e assim apresentem
sede para compensar a perda complicações.
de água pela urina) • Geralmente é associada à
• Polifagia (aumento da fome, obesidade, hipertensão e
para compensar o estado dislipidemia (anomalias de
catabólico resultante da lipídeos no sangue).
deficiência de insulina)
• Perda de peso
Diabetes tipo 1 e 2
Manifestações Orais
• Xerostomia
• Hiposalivação
• Síndrome de ardência bucal (glossodinia)
• Distúrbios da gustação
• Infecções
• Ulcerações na mucosa bucal
• Hipocalcificação do esmalte
• Perda precoce de dentes
• Dificuldade de cicatrização
• Doença periodontal
• Hálito cetônico
• Líquen plano
Diabetes tipo 1 e 2
Tratamento
• Hipoglicemiantes orais, como sulfonilureias
(clorpropamida e glibenclamida) Diabéticos tipo 2
não obesos
Metformina Obesos
Diabéticos tipo 2
ou com sobrepeso

• Hipoglicemiantes orais inibidores de α-glicosidase,


Associados com
como as metiglinidas e glitazonas outros antidiabéticos

• Insulina Diabéticos tipo 1


Mais empregado

O Cirurgião-Dentista NUNCA deve propor alterações


na dosagem dos hipoglicemiantes, em especial a
insulina, NEM MESMO em situações de emergência.
Diabetes tipo 1 e 2
Atendimento Odontológico
• É necessário fazer uma boa anamnese, suspeitando dos casos
não diagnosticados:
Sintomatologia oral candidíase, xerostomia
Sistêmica DM1 poliúria, polidispsia, polifagia, perda de peso
Sistêmica DM2 obesidade, dislipidemia, hipertensão

• Nos pacientes com diagnóstico prévio, o dentista deve se


informar sobre o tipo da doença (DM1, DM2).
Diabetes tipo 1 e 2
Cuidados AO PRESCREVER rémedios
• AINES: Potencializa o efeito dos
hipoglicemiantes orais INTERAÇÃO COM REMÉDIO
PARA DIABÉTICO

• Corticosteróides: efeito hiperglicemiante.

É necessário entrar em contato com o médico


responsável, ao prescrever esses dois
remédios, para ajustar sua posologia.
Diabetes tipo 1 e 2
Indicações
• Dor: controlar dores leves com analgésicos
simples (dipirona ou paracetamol).

• Inflamação: a inflamação pode ser controlada


com AINES (com muito cuidado). NÃO
INDICADO: DICLOFENACO E ASPIRINA
(CORTAM O EFEITO DO REMEDIO DE UM
PACIENTE COMPENSADO). Evitar corticóides
pelo risco de hiperglicemia.
• Profilaxia antibiótica: Depende do tipo de
diabete e deve ser analisado com o médico.
▫ Se for indicada, utilizar amoxilina 1g 1 hora antes do
inicio.

• Infecções bucais devem ser tratadas de forma


agressiva, pois o diabetes favorece a infecção
tornando mais difícil o controle.
• Antibioticoterapia: o mesmo pra pacientes normais.
Mas com monitoração nos tratamentos longos.
Diabetes tipo 1 e 2
Indicações
• Anestésicos: Alguns autores recomendam
evitar uso de soluções com vasoconstritores à
base de adrenalina e noradrenalina, pois
promovem a quebra de glicogênio em glicose,
aumentando ainda mais os níveis de glicose
circulante.
Anestésicos Locais usados em pacientes com DM:
Lidocaina 2%
Mepivacaína 2%
Articaína 4% associados à adrenalina 1:100.000
Prilocaína 3% com felipressina a 0,03 UI/mL
Mepivacaína 3% (sem vasoconstritor)
Diabetes tipo 1 e 2
Contraindicações
• Diabéticos com insuficiência renal: não
administrar drogas excretadas por via renal
(gentamicina, amicacina). Os antibióticos,
analgésicos ou antiinflamatórios de escolha são
os metabolizados pelo fígado.

• AINES devem ser usados com cautela, porque


podem promover retenção de sódio e água e
provocar sangramento gástrico.
Diabetes tipo 1 e 2
Cuidados PRÉ atendimento Odontológico
• Pacientes com diagnóstico prévio de DM deverão ter
sua glicemia capilar avaliada antes do inicio do
procedimento.
• Pacientes com descompensação metabólica e (ou)
múltiplas complicações, o tratamento odontológico
será paliativo e indicado em situações de urgência
(como presença de dor e infecções). A terapia
definitiva será adiada até estabilização das condições
metabólicas.
• Os pacientes com nefropatia diabética ou hipertensão
arterial devem ter sua pressão arterial aferida antes do
inicio dos procedimentos odontológicos.
Diabetes tipo 1 e 2
Cuidados DURANTE atendimento
odontológico
• Ansiedade e medo: esses sintomas devem ser
controlados, pois levam à liberação de
adrenalina, causando aumento na glicemia.
• Recomenda-se utilizar técnicas de sedação
quando apropriado.
• Pode ser utilizado Benzodiazepínico antes de
operações para evitar o aumento da glicemia, na
mesma dosagem de pacientes normais.
Diabetes tipo 1 e 2

Cuidados PÓS atendimento odontológico

• A glicemia capilar deverá ser checada mais


frequentemente nos primeiros dias após a
realização de procedimentos dentários
demorados, traumáticos ou estressantes, ou
quando for necessário uso de antibióticos,
AINES, corticóides ou restrição alimentar.
Disfunção da Tireoide
Disfunção da tireoide
• A tireoide é uma glândula localizada na base do
pescoço, à frente da traqueia.
• Produz os hormônios T3 (tri-iodotironina) e o
T4 (tiroxina).
• Esses hormônios são importantes ao
crescimento, produção de calor,
desenvolvimento e metabolismo celular.
Disfunção da tireoide

• Liberação de hormônios tireoidianos em


excesso: HIPERtireoidismo
• Quantidades insuficientes ou ausência de
hormônios tireoidianos: HIPOtireoidismo

Tireotoxicose: qualquer estado caracterizado por


excesso de hormônio tireoidiano, seja produzido pela
glândula tireoide ou não.
Disfunção da tireoide
Manifestações Clássicas

Bócio:
deficiência de iodo
na dieta
Disfunção da tireoide
Manifestações Orais
HIPERtireoidismo: HIPOtireoidismo:
• Alterações nos tecidos ósseos • hipoplasia condilar
da face (osteoporose do osso • atresia maxilar ou mandibular
alveolar) • prognatismo maxilar maloclusão
• Os dentes e maxilares se • hipoplasia de esmalte e dentina
desenvolvem rapidamente • retardo na erupção dentária e no
• Perda prematura dos dentes desenvolvimento radicular
decíduos • hipossalivação
• Erupção precoce dos dentes • macroglossia
permanentes • demora maior na reparação dos
• Cáries dentárias tecidos
• Doença periodontal • cicatrização de úlceras em boca
Disfunção da tireoide
Remédios utilizados

• Hipotireoidismo: repor hormônios (levotiroxina)

• Hipertireoidismo: inibir a síntese de hormônios


(propiltiouracila).
Disfunção da tireoide
Cuidados
• Pacientes com HIPOtireoidismo (que
fazem reposição hormonal): Toleram
menos os analgésicos opióides

• Pacientes com HIPERtireoidismo (que


fazem reposição hormonal): podem se
queixar de parotidites e úlceras bucais e
apresentar quadros de agranulocitose.
Disfunção da tireoide
Contraindicações
• Os pacientes com hipertireoidismo não
controlado: anestésicos locais com adrenalina é
formalmente contraindicado devido ao risco de
surgimento de crise tireotóxica.

São altamente sensíveis à adrenalina


Referências:
• Alves C, Brandão M, Andion J, Menezes R, Carvalho
F. Atendimento odontológico do paciente com
diabetes melito: recomendações para a prática
clínica. R. Ci. méd. biol. 2006; 5(2): 97-110.
• Perondi T, Pegoraro G, Benedetti M, Guaragni NS,
Weronka PS. Disfunções da glândula tireoide e
odontologia.
• Andrade ED. Terapêutica medicamentosa em
odontologia. 3. ed. São Paulo: Artes Médicas; 2014.