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ELEMENTOS DE MÁQUINAS

Professor: Adriano A. Trajano


Curso: Engenharia Mecânica
ELEMENTOS DE MÁQUINAS
ELEMENTOS DE MÁQUINAS
ELEMENTOS DE MÁQUINAS
TENSÕES EM MOLAS HELICOIDAIS

MOLA HELICOIDAL
Considerando que a mola está em condição de equilíbrio estático, sob a ação de
uma força axial F, que provoca uma tensão de cisalhamento direta e um
momento de torção T, temos:

Considerando ser D o diâmetro (mm) médio da espiral da mola.


TENSÕES EM MOLAS HELICOIDAIS

MOLA HELICOIDAL DE COMPRESSÃO


Tensão de cisalhamento máxima no fio pode ser obtida:

R: raio do fio em mm
J : momento polar em mm4
A: área em mm2.
Sabemos que para um fio circular podemos alterar a equação acima:
TENSÕES EM MOLAS HELICOIDAIS

MOLA HELICOIDAL DE COMPRESSÃO


Tensão de cisalhamento máxima no fio pode ser obtida:
*Caso de um fio circular
TENSÕES EM MOLAS HELICOIDAIS

MOLA HELICOIDAL - Índice de mola C


Nos processos de produção de uma mola, devemos ter em conta que a curvatura
da espiral é um fator importante, assim definimos um índice de mola C, e temos,
então
MOLA HELICOIDAL - Índice de mola C

• Foi elaborado de forma experimental;

• Um índice muito pequeno, os equipamentos não conseguem manufaturar a


mola sem provocar deformações indesejadas ;

• Quando o índice é muito grande, a possibilidade de o fio não permanecer na


área destinada ao processo de fabricação é elevada, e, assim, pode provocar
defeitos

• O fio tende a ter muita variação dimensional, podendo sair do processo com
formatos diferentes do necessário.
Recomendação prática: trabalhar em uma faixa de C entre 4 e 12!

(TENSÃO DE CISALHAMENTO MÁXIMA)

Em que o FATOR DE CORREÇÃO DE CISALHAMENTO é dado por:

Índice de mola C
O EFEITO DA CURVATURA E DEFLEXÃO DE MOLAS HELICOIDAIS

As equações que estudamos até o momento foram baseadas em um fio reto.

Quando damos forma à mola, ou seja, a enrolamos para formar a hélice e o


diâmetro médio da espiral, temos um efeito de curvatura que precisamos levar em
consideração.

Carregamento estático: normalmente desprezamos este efeito.

Carregamento dinâmico: avaliar melhor este efeito da curvatura, pois ele afeta na
vida útil da mola, por fadiga.

FATOR BERGSTRÄSSER:
Usado quando a mola for projetada para aplicações que envolvam fadiga:

Índice de mola C
Combinando as correções FATOR BERGSTRÄSSER (KB) e FATOR DE CORREÇÃO DE
CISALHAMENTO (KS) , usando a equação e a equação. Assim, temos um novo fator
que vamos chamar de Kc :

EQUAÇÃO DA TENSÃO DE CISALHAMENTO MÁXIMA EM FUNÇÃO DE Kc :


DEFLEXÃO DA MOLA HELICOIDAL

Com isso, podemos apresentar a equação a seguir, que representa a deflexão de


uma mola de compressão com fio redondo

y (mm): deflexão da mola;


N: número de espiras ativas;
G (MPa): módulo de elasticidade por torção.

Podemos também expressar a constante k da


mola, apresentada na figura, sendo:
ESTABILIDADE
A estabilidade de uma mola de compressão está relacionada com a possibilidade de
ocorrer uma deflexão quando for aplicada uma carga no sentido axial da mola.

Esta deflexão, também chamada de flambagem, é semelhante ao que ocorre a um eixo


quando colocado em uma posição de coluna e aplicamos uma carga excessiva.

Assim, devemos nos preocupar em prevenir isto e, para tal, desenvolvemos a equação
para o que chamamos de deflexão crítica ycr.

Em que ycr é a deflexão crítica, a máxima deflexão admitida para a mola sujeita
a um carregamento axial especificado;

Lo: comprimento inicial da mola;


ESTABILIDADE

λeff: razão efetiva de esbeltez dada


pela equação ao lado;

C1´ e C2´: constantes elásticas dadas


pelas Equações ao lado.
α é a constante de condição de extremidade e E é o módulo de
elasticidade. Na Tabela abaixo, encontramos os valores de α para cada
condição de extremidade.
Agora, para termos uma estabilidade absoluta, precisamos estabelecer um critério,
conforme a equação a seguir:

Podemos simplificar a equação acima quando o material do fio da mola helicoidal de


compressão for de aço, sendo:
OBJETIVO: análise de uma mola helicoidal de compressão, com foco no cálculo
das tensões, nos efeitos da curvatura e na estabilidade.

Consideraremos a análise de tensões para carga estática e dinâmica, fio redondo,


com material de aço, e extremidades em esquadro e retificada. Também considere
uma força de 300N ; Lo = 78mm; d = 2mm; D = 10mm; G = 80GPa; E = 210 GPa.

ANÁLISE (CARGA ESTÁTICA)


Cálculo da tensão máxima:

Cálculo do índice C da mola:


CÁLCULO DO FATOR DE CORREÇÃO DE CISALHAMENTO KS (CARGA ESTÁTICA):

Correção da Tensão máxima :

A nova tensão máxima deve ser corrigida com a equação:


CÁLCULO DO FATOR DE CORREÇÃO DE CISALHAMENTO KS (CARGA DINÂMICA):
Com este resultado, podemos observar que o nível de tensão máxima exigida aumentou e
devemos usá-lo para casos de carga estática. Para o caso de carga dinâmica (fadiga), os
efeitos de curvatura são importantes, usamos, então, o fator Kc, através da equação:
ESTABILIDADE
Precisamos agora verificar a estabilidade (Lo = 78mm ). Da Tabela 1.2, α é 0,5
(mola suportada entre superfícies planas paralelas):

*constante de condição de extremidade


Conclusão: a mola vai flambar. Logo, precisamos aumentar o diâmetro médio
das espiras para a mola não flambar. Podemos levantar uma primeira
aproximação, sendo:

Tenha em mente que isto é uma aproximação e devemos avaliar novamente


todos os cálculos feitos para tensão, curvatura e estabilidade, com este novo
diâmetro.
REAVALIANDO AS CARACTERÍSTICAS DA MOLA PARA ATENDER AO NOVO DIÂMETRO
PROPOSTO

Em uma fábrica que utiliza vários equipamentos de produção, temos um


equipamento que tem quebra constante de uma mola de compressão. Avaliar se a
mola atual atende à aplicação. Como dados iniciais, temos: Considerar a tensão
para carga estática sendo de 3000 MPa, como o mínimo necessário, fio redondo,
com material de aço e extremidades em esquadro e retificada. Também considere
uma força de 300 N e Lo = 78 mm; Ls = 43,4 mm; d = 2,5 mm; D = 14 mm; G = 80
GPa; E = 210 GPa.

Em primeiro lugar vamos definir o índice C da mola:

Agora, vamos calcular Ks:


Em uma fábrica que utiliza vários equipamentos de produção, temos um
equipamento que tem quebra constante de uma mola de compressão. Você como
profissional da área de manutenção foi acionado para avaliar se a mola atual
atende à aplicação. Como dados iniciais, temos: Considerar a tensão para carga
estática sendo de 3000 MPa, como o mínimo necessário, fio redondo, com material
de aço e extremidades em esquadro e retificada. Também considere uma força de
300 N e Lo = 78 mm; d = 2,5 mm; D = 14 mm; G = 80 GPa; E = 210 GPa.

Podemos então calcular a tensão máxima para carga estática, usando a equação:

Assim, como temos a necessidade de uma carga de trabalho de 3000 MPa e a mola
existente tem uma carga máxima de trabalho de 1865,25 MPa então, esta mola não
atende à aplicação e deverá ser redimensionada para a condição de uso.
ENTREGAR PRÓXIMA AULA
3-A questão de estabilidade de uma mola helicoidal de compressão está relacionada
com a possibilidade da mola flambar quando o comprimento for muito grande em
relação à carga. Então, quando a deflexão for muito grande, teremos o problema de
flambagem. Assim, devemos nos preocupar em prevenir este efeito. Para aplicações
em que temos fio redondo e o material de construção for o aço, podemos usar a
equação a seguir:

Analisando o projeto uma mola helicoidal de compressão, encontramos o comprimento Lo com


150mm, e na comparação com a equação mencionada no texto-base, temos o seguinte
resultado: 150 < 148. Com este resultado, qual alternativa representa o resultado correto?

a) Este resultado é conclusivo, mas não está relacionado com a estabilidade da mola helicoidal.
b) Este resultado não é conclusivo e os cálculos estão apresentados de forma incorreta.
c) Este resultado significa que teremos uma deflexão e a mola terá um regime estável.
d) Este resultado significa que não teremos uma deformação linear, mas a mola é estável.
e) Este resultado significa que teremos uma flambagem e a mola não será estável.
ENTREGAR PRÓXIMA AULA
3-A questão de estabilidade de uma mola helicoidal de compressão está relacionada
com a possibilidade da mola flambar quando o comprimento for muito grande em
relação à carga. Então, quando a deflexão for muito grande, teremos o problema de
flambagem. Assim, devemos nos preocupar em prevenir este efeito. Para aplicações
em que temos fio redondo e o material de construção for o aço, podemos usar a
equação a seguir:

Analisando o projeto uma mola helicoidal de compressão, encontramos o comprimento Lo com


150mm, e na comparação com a equação mencionada no texto-base, temos o seguinte
resultado: 150 < 148. Com este resultado, qual alternativa representa o resultado correto?

Alternativa E.

Dado o resultado apresentado, fica evidente que a condição não está atendida, logo
teremos uma situação de flambagem da mola e ela não será estável.
As molas podem ser manufaturadas por processos a quente ou a frio, lembrando
que para ser considerado processo a quente, o material deve estar acima da
temperatura de recristalização.
A escolha do tipo de processo é uma função:

• Do tipo de material;
• Do índice da mola (índice C);
• Das propriedades desejadas.

Deste modo, precisamos saber qual será a aplicação da mola, para sabermos
qual material e qual processo de fabricação utilizar.
TIPO DE MATERIAL

Tabela 1.3 - Aços de mola de liga e alto carbono.


Tabela 1.4 - Obtenção de A e m, obtidas a partir da e d (diâmetro do fio).
Tabela 1.5 | Propriedades mecânicas de alguns fios de molas
OPERAÇÃO DE ASSENTAMENTO
Consiste em aplicar uma carga axial na mola, e esta carga aumenta a
porcentagem máxima de resistência de tração, mas a um custo maior de
processo, como mostra a Tabela 1.6. Assim, o valor encontrado na coluna “antes
da remoção de assentamento” tem um custo menor, e o valor encontrado na
coluna “após da remoção de assentamento” tem um custo maior. O valor
apresentado na Tabela 1.6 deve ser dividido por 100 (está expresso em
porcentagem e.g. 45%) e aplicado na equação abaixo na variável denominada x,
sendo:

Tabela 1.6 | Porcentagem máxima de resistência de tração


PROJETO DE MOLAS HELICOIDAIS PARA COMPRESSÃO
ESTÁTICA EM SERVIÇO

Força de fechamento (Fs ): Na análise da compressão estática de molas, devemos


ter em consideração que no momento em que a mola está chegando ao seu final
de curso, ou seja, está próxima ao fechamento das espiras, devemos determinar o
que chamamos de força de fechamento (Fs ).

Em que ξ é o percurso fracionário até o fechamento percurso significa que nesta


região, até o fechamento, a mola não deve trabalhar, sob risco de quebra do fio).
Além das considerações que até o momento realizamos para o material de molas,
devemos considerar em um projeto de molas, as seguintes condições:

C : índice de mola;

Na : número de espiras ativas;

ξ : percurso fracionário até o fechamento;

ns : fator de segurança no fechamento.

Caso tenhamos a necessidade de projetar uma mola em alto volume de


produção, existe um termo chamado fom, que é uma equação relacionada
à obtenção de um menor custo. Assim, uma fom pode ser estabelecida com
a equação:
Fom (figure of method)

γ = peso específico ( kg/mm3 );


d = diâmetro do arame (mm);
Nt = número total de espiras
D = diâmetro das espiras (mm).

Com este procedimento temos um ótimo projeto de mola, associando as


características técnicas e de custo.

O projeto de uma mola é um processo com muitas possibilidades de soluções, exigindo


assim, um grande número de decisões a serem tomadas. Deste modo, temos que
estabelecer uma estratégia de projeto, conforme podemos ver na Figura. A estratégia
consiste em elaborarmos uma tabela com as dimensões e os dados principais, alterando os
materiais e alguns incrementos do diâmetro do fio. Depois disto, podemos avaliar os
resultados e escolher os que se enquadram nas características das equações citadas.
Diagrama de fluxo de projeto de mola de compressão helicoidal para carregamento estático
PROGRAMAS DE CÁLCULO DE MOLA HELICOIDAL DE COMPRESSÃO
FREQUÊNCIA CRÍTICA DE MOLAS HELICOIDAIS

• A frequência crítica de molas é um fator de análise importante em


aplicações, caracterizado por um movimento alternativo rápido, por
exemplo, em molas para válvulas de motores de ciclo Otto.

• Nestas condições, a mola helicoidal pode sofrer quebra de forma


antecipada e se romper a qualquer momento, em função de ondas de
ressonância.
FREQUÊNCIA CRÍTICA DE MOLAS HELICOIDAIS

Para prevenir isto, durante o projeto precisamos determinar a frequência


fundamental da mola [f]. Para calcularmos k, devemos utilizar a equação citada
anteriormente, apresentada na Seção 1.1,

k = razão de mola;
g = aceleração da gravidade;
W = peso da mola.

Para o cálculo de W, usamos as equações a seguir:

d = diâmetro do fio em mm;


D = diâmetro das espiras em mm;
γ = peso específico ( kg/mm3 );
Na = número de espiras ativas.
CARREGAMENTO DE FADIGA EM MOLAS HELICOIDAIS DE COMPRESSÃO

Temos várias situações industriais, em que os ciclos de operação são muito


altos, como em compressores alternativos para ar comprimido.

Tem-se que a fadiga é algo que queremos evitar a todo custo, para não termos
quebras prematuras. Deste modo, buscamos o que chamamos de vida infinita
para o projeto de molas helicoidais de compressão.
CARREGAMENTO DE FADIGA EM MOLAS HELICOIDAIS DE COMPRESSÃO

Para isto, não podemos ultrapassar o limite de resistência mecânica do material


(por exemplo: resistência à tração, resistência à compressão etc.), utilizando um
fator de segurança, embutido neste valor de resistência mecânica.

Temos vários métodos de cálculo para o limite de resistência do material , mas


vamos usar um método chamado de critério de falha de Sines em fadiga
torcional, pois as molas são livres de entalhes e as superfícies de contato são
frequentemente bem lisas.
CARREGAMENTO DE FADIGA EM MOLAS HELICOIDAIS DE COMPRESSÃO

Critério de Falha de Sines em Fadiga Torcional

Este método é baseado em um estudo que demonstra que temos os seguintes


limites de resistência (Ssa = Limite de resistência à fadiga) em função do tipo de
acabamento aplicado no processo de fabricação, sendo:

• sem jateamento de granalha, Ssa = 241 MPa,


• com jateamento de granalha, Ssa = 398 MPa.

Podemos observar que no ato de aplicarmos um jato de granalha (um tipo de


esfera de metal), temos um aumento deste tipo de resistência mecânica.
CARREGAMENTO DE FADIGA EM MOLAS HELICOIDAIS DE COMPRESSÃO

Para esses valores de Ssa, temos que aplicar o fator de segurança que é determinado
pelas equações abaixo, sendo que Kb (fator Bergsträsser) foi mostrado
anteriormente.

ns = fator de segurança;

τa = tensão de cisalhamento em [MPa];

Fmax = força máxima em [N];


Fmin = força mínima em [N];
Fa = Amplitude da força alternante em [N].
EXERCÍCIO
Em uma empresa fabricante de molas, você precisa avaliar se uma determinada
mola existente em seu estoque atende a uma aplicação solicitada por um cliente. A
principal característica solicitada é ter um alto nível de frequência durante a
utilização, chegando a 50 Hz. Assim, devemos focar no cálculo da frequência
fundamental da mola existente e comparar com a necessidade deste cliente. Então,
faça os cálculos e verifique a possibilidade de aplicação desta mola. Vamos utilizar
uma mola com os seguintes dados:

d = 2,6 mm;
D = 30 mm;
Material: fio cromo-vanádio ASTM A232;
G = 77,2 x 103 MPa; γ= 76,5 10−6 N/mm3;
Na = 12 voltas;
Frequência atual = 50 Hz; g = 9,81 m/s2.
Precisamos somente nos preocupar em obter a frequência fundamental e comparar
com a frequência de trabalho que o cliente deseja

Precisamos encontrar o peso das espiras ativas W

Agora, usaremos a equação abaixo para calcularmos a frequência fundamental f:

A frequência fundamental é menor do que a frequência de trabalho, logo esta mola


não está adequada para esta aplicação. Uma sugestão para o aluno seria a
determinação um novo k ou W, afim de atender à frequência de trabalho.
EXERCÍCIO
2. Na análise da compressão estática de molas, devemos ter em consideração que
no momento em que a mola está chegando ao seu final de curso, ou seja, está
próxima ao fechamento das espiras, devemos determinar o que chamamos de força
de fechamento (Fs). Assim temos a equação a seguir:

Em que ξ é o percurso fracionário até o fechamento (este percurso significa que nesta
região até o fechamento a mola não deve trabalhar, sob risco de quebra do fio). Além das
considerações que até o momento realizamos para o material de molas, devemos
considerar em um projeto de molas, as seguintes condições:

Considerando um projeto de uma mola de compressão, em que temos uma Força


máxima de 150 N, determine qual é a única alternativa em que atende aos fatores
a) Fs = 172,5 N; C = 11; Na = 14; ξ = 0,15; ns = 1,2.
b) Fs = 172,0 N; C = 12; Na = 15; ξ = 0,12; ns = 1,2.
c) Fs = 172,1 N; C = 12; Na = 13; ξ = 0,15; ns = 1,4.
d) Fs = 172,2 N; C = 14; Na = 12; ξ = 0,15; ns = 1,2.
e) Fs = 172,5 N; C = 11; Na = 16; ξ = 0,15; ns = 1,2.
EXERCÍCIO
3. A frequência crítica de molas é um fator de análise importante em aplicações, requerendo
um movimento alternativo rápido, por exemplo, em molas para válvulas de motores de ciclo
Otto. Nestas condições, a mola helicoidal pode sofrer quebra de forma antecipada e se
romper a qualquer momento em função de ondas de ressonância. Para prevenir isto,
durante o projeto precisamos determinar a frequência fundamental da mola [f]. Para casos
em que a frequência de trabalho é maior que f, devemos redimensionar a mola até que a
frequência de trabalho seja menor que a frequência fundamental. Assim, temos a equação:

Em que k = razão de mola; g = aceleração da gravidade; W = peso da mola. Para um projeto de


uma mola de compressão, temos uma frequência de trabalho de 15 Hz. Para uma mola com
k= 3200 N/m ; W = 0,25N, e utilizando a constante da gravidade como sendo g = 9, 81 m/s 2 ,
qual das alternativas apresenta a frequência fundamental?

a) 15,00 Hz.
b) 08,55 Hz.
c) 09,22 Hz.
d) 08,82 Hz.
e) 08,86 Hz.
EXERCÍCIOS
1. Uma das características iniciais, quando trabalhamos com materiais para mola é a
sua capacidade de resistência à tração [Sut] e neste momento precisamos escolher um
diâmetro para o fio, sem o qual não conseguimos estipular a resistência à tração. Para
o cálculo da capacidade de resistência à tração, temos a seguinte equação:

Tabela 1.4 - Obtenção de A e m, obtidas a partir da e d (diâmetro do fio).


Tabela 1.3 - Propriedades mecânicas de alguns fios de molas

Utilizando a Tabela acima e o texto, precisamos escolher a alternativa que


corresponda ao material que pode ser utilizado em um fio com diâmetro d
de 1,2 mm e G = 80 GPa.

a) Fio musical A228, Sut = 1722,29 MPa.


b) Mola de fio duro estirado A227, Stu = 1722,29 MPa.
c) Cromo-vanádio A231, Sut = 1777,82 MPa.
d) Cromo-silício A401, Sut = 1777,82 MPa.
e) Mola de válvula A230, Sut = 1722,29 MPa.
Observar que na tabela 1.3 temos dois valores para G = 80 GPa, mas somente uma
alternativa tem o valor dentro da faixa de diâmetro escolhido. Também com o uso da
equação e da Tabela 1.4,
Molas de extensão
• Também podem ser chamadas de molas de tração.

• Nas molas de extensão, quando aplicamos uma força de tração em seus laços ou
ganchos e, ao removermos esta força, a mola volta ao seu estado original de
repouso.

Mola de extensão: características construtivas principais


Molas de extensão

• Com relação às extremidades, as principais são mostradas na figura .

• Temos dois tipos: o gancho, na qual sua principal característica é a de termos


uma folga para se poder acoplar no equipamento de uso e os laços que não
contêm esta folga.

Tipos de extremidades usadas em molas de extensão


Molas de extensão - enrolamento fechado e enrolamento aberto.
As molas de extensão com enrolamento fechado apresentam uma maior precisão
dimensional, comparadas com as molas de enrolamento aberto. Isto porque os fabricantes
aplicam uma tensão durante a fabricação, para que as espiras fiquem em contato umas com
as outras.

Mola de extensão com Mola de extensão com


enrolamento fechado enrolamento aberto

As molas de extensão são fabricadas normalmente com enrolamento fechado, ou seja, com
as espirais em contato, umas com as outras.
Molas de extensão - tensões no corpo da mola de extensão

• O gancho tem alta solicitação devido às tensões de flexão e torção. Podemos


visualizar os pontos destas tensões na figura , sendo que a tensão em A é devida
à força axial e ao momento fletor, e a tensão no ponto B é decorrente da torção.

Características dos ganchos – Ponto A e B, e os raios r1 e r2


Molas de extensão - tensões no corpo da mola de extensão

• Coeficientes de curvatura do gancho C1 e C2:Estes coeficientes são determinados


pelas equações a seguir, em que r1 e r2 são dados em [mm] e d = diâmetro do
fio, dado em [mm].

Coeficientes de curvatura do gancho C1 e C2.


Molas de extensão - tensões no corpo da mola de extensão

• Em função dos coeficientes C1 e C2 , temos os respectivos fatores de correção Ka e


Kb , sendo:
Molas de extensão - tensões no corpo da mola de extensão

A tensão máxima de tração no ponto A, devido à flexão, em [MPa] e a tensão


máxima torcional no ponto B, em [MPa] são dadas por:

F: força aplicada no gancho (N),


D: diâmetro médio (D = diâmetro externo – diâmetro do arame) em [mm],
d: diâmetro do arame em [mm].
Molas helicoidal de torção - Características

Para os casos em que as molas helicoidais estão sujeitas à torção em suas


extremidades, podemos chamá-las de molas helicoidais de torção. Usualmente, elas
são manufaturadas com enrolamento fechado, como uma mola de extensão, mas
com um tensionamento inicial desprezível.
Molas helicoidal de torção - Características

As extremidades são configuradas para aplicar torção ao corpo da mola, de uma


maneira a atender uma determinada situação de utilização.
Molas helicoidal de torção - Características

Uma característica das molas helicoidais de torção é a necessidade de se especificar


a localização das extremidades, uma em relação à outra, caracterizadas pelos
ângulos α, β e θ, mostrados na figura.

Ângulo de posicionamento θ: é
o ângulo que define o curso da
mola de torção, ou seja, do
ponto inicial até o máximo
permissível. Pode ser definido
como = 180 − (β+α)

Mola de torção - Ângulo de posicionamento θ


Molas helicoidal de torção - tensão de flexão máxima em [MPa]

Para as molas helicoidais de torção, temos também um fator de correção de tensão


específico, sendo que a equação para o fio redondo, que é o fio de maior utilização,
é dada por:

Em que C é o índice da mola obtido através da equação:

Finalizando, temos a equação abaixo da tensão de flexão máxima em [MPa] para


uma mola helicoidal de torção:

F: força em (N),
l : distância do centro da mola até o local de aplicação da força em [mm],
d: diâmetro do fio em (mm).
Molas Belleville - Características
• Também chamadas de molas prato.

• Tais molas apresentam, como característica, uma relação não linear entre a força e a
sua deflexão.

• Este tipo de mola é largamente aplicado quando temos uma carga elevada com uma
pequena deflexão.
Molas Belleville - Características
• Quando a distância h, for igual a zero, a mola
ficou plana e a deflexão y também se torna
igual a zero.

• Com este raciocínio, podemos dizer que


temos uma força máxima de deflexão quando
y = h = 0.

• Estas molas são peças de precisão e suas


propriedades elásticas permitem trabalhar
tanto em aplicações dinâmicas como
estáticas.

Molas Belleville
Molas Belleville - Características
Assim, a força na posição plana (y=h=0), dada em (N), pode ser determinada pela
equação:
E = módulo de elasticidade em [MPa],
t = espessura da mola em [mm],
D0 = diâmetro externo em [mm],
ν = coeficiente de Poisson.

K1 é coeficiente definido pelas equações a seguir, em que Rd é a razão entre os


diâmetros D0 e Di .
EXERCÍCIOS
Comparar as características construtivas de cada tipo de mola, apresentado com
imagens e pequenos resumos.

Vamos começar pelas molas de extensão, apresentando a tensão máxima de tração


do ponto A e a tensão máxima da torção no ponto B, para os seguintes dados:
diâmetro externo= 10 mm, diâmetro do fio= 1,4 mm, r1 =5mm, r2 =3mm, F = 80 N.

Molas de Extensão

Os coeficientes C1 eC2 e o Diâmetro D, são calculados por

(Coeficientes de curvatura do gancho C1 e C2)


Após, calculamos o fator Ka e Kb :

Agora, podemos calcular a tensão máxima de tração no ponto A:


Finalizando, calculamos a tensão máxima de torção no ponto B:

Molas de Torção
Para as molas de torção, determinamos a tensão de flexão máxima, para os
seguintes dados: diâmetro do fio 1,4 mm(d), diâmetro médio 12 mm(D), Força 70
N, comprimento l = 15 mm. Calculamos em primeiro lugar o índice de mola:

Após, determinamos o fator de correção Ki :

Finalmente, calculamos a tensão máxima de flexão:


• Nesta unidade, vamos conhecer os tipos de mancais rolantes, o
relacionamento entre carga, vida e confiabilidade e, finalmente, a
seleção de mancais de contato rolantes.

• Estes mancais são utilizados para reduzirmos o nível de atrito e


com isto conseguirmos melhorar o nível de eficiência de um projeto
mecânico.
• Mancais de contato rolante também podem ser chamados de mancais de
rolamento, que é o termo mais utilizado nos meios industriais.

• Eles caracterizam-se na classe de mancal, quando a carga principal é


transferida por elementos que estão em contato rolante ao invés de contato
deslizante (estes serão tema de outra unidade de ensino desta disciplina).

• Os mancais são fabricados para receberem cargas radiais, axiais ou a


combinação destes dois tipos. A nomenclatura básica de um mancal de
rolamento está indicada na Figura 2.1, em que podemos destacar quatro
partes principais: o anel externo, o anel interno, os elementos rolantes e o
separador.
PARTES DE UM ROLAMENTO – ROLAMENTO DE ESFERAS

Anel Externo Pistas de Rolagem

Anel Interno
Gaiola

Elemento
rolante
PARTES DE UM ROLAMENTO – ROLAMENTO DE ESFERAS
Tipos de Rolamento de Esferas - Representação Esquemática
MANCAIS DE CONTATO ROLANTE ESFÉRICOS - APLICAÇÕES
MANCAIS DE CONTATO ROLANTE ESFÉRICOS - APLICAÇÕES
PARTES DE UM ROLAMENTO – ROLAMENTO DE ROLOS
Tipos de Rolamento de Rolos - Representação Esquemática
Tipos de Rolamento de Rolos - Representação Esquemática
Classificação dos rolamentos segundo o tipo de elemento rolante

Esferas Agulhas Rolos


Cônicos
Rolos Autocompensador
Cilíndricos de Rolos
ROLAMENTO DE ESFERAS X ROLAMENTO DE ROLOS

• Os rolamentos de esfera transmitem a carga através de uma


pequena área de contato, definida como um contato puntiforme
com a pista.

• Já os rolamentos de rolos transmitem a carga através de um


contato linear.
IMPORTANTE

• Cada tipo de rolamento tem propriedades características que o tornam


particularmente apropriado para certas aplicações.

• Na maioria dos casos, vários fatores devem ser considerados para a escolha
do tipo de rolamento, sendo que não temos uma regra geral que possa ser
estabelecida.

• Há alguns pontos importantes a serem considerados para optarmos por um


tipo específico de rolamento:

• O espaço disponível,
• As cargas,
• Os desalinhamentos,
• A precisão,
• A velocidade,
• O ruído,
• A rigidez,
• A montagem e a desmontagem e a vida do mancal.
ESFORÇÕES ATUANTES NO MANCAL DE ROLAMENTO
VIDA DO MANCAL DE CONTATO ROLANTE

• Quando a esfera ou rolo do mancal de contato tem um movimento relativo,


então teremos tensões de contato no anel interno, no elemento rolante e no
anel externo.

• Estas tensões de contato irão provocar fadiga nos materiais após um certo
número de ciclos. Se o mancal for montado de forma adequada, lubrificado e
livre de impurezas, esta fadiga será a única causa de falha no rolamento.

• Agora, para ocorrer esta fadiga serão necessárias milhares de tensões


aplicadas de forma efetiva, e necessitamos de uma medida quantitativa de
tempo de duração do mancal.
DESTE MODO, O TERMO MAIS UTILIZADO PARA NOMEAR ESTA FADIGA
É A VIDA DO MANCAL.

Temos duas medidas comuns de vida:


• número de rotações do anel interno com o anel externo estacionário, até a
primeira evidência perceptível de fadiga;
• número de horas de uso a uma velocidade angular padrão até a primeira
evidência perceptível de fadiga.

A medida de vida de um mancal é definida como o número total de rotações ou


horas de uso a uma velocidade constante de operação do mancal até que a falha
ocorra, determinando o critério de falha.
VIDA NOMINAL DO MANCAL DE CONTATO ROLANTE

• A maioria dos fabricantes, baseados em vários experimentos sobre fadiga,


utiliza um termo chamado vida nominal.

“A vida nominal de rolamentos é definida como o número de rotações ou horas


em uma velocidade constante, que 90% de um grupo de mancais irá atingir ou
exceder antes que a falha ocorra. Também podemos chamar a vida
nominal de vida mínima, ou vida L10.”

• O valor da vida nominal é


determinado pelo fabricante, em
função das suas características
particulares de manufatura. A
maioria adota a vida L10 com o
valor de 106 rotações.
VIDA DO MANCAL SOB CARGA NA CONFIABILIDADE INDICADA

Analisando grupos de tipos de rolamentos com dimensões nominais iguais, cada


grupo é testado pelo critério vida-falha com diferentes cargas.

Assim, por meio de vários testes e gráficos conseguimos estabelecer uma


confiabilidade de 0,90, ou seja, de 90%. Podemos obter destas análises com
confiabilidade de 0,90, a seguinte equação:

F: carga aplicada em [N];


L10: vida nominal em rpm;
a = 3 para mancais com elementos tipo esfera; *
a = 10/3 para mancais de elementos tipo rolos; *
*a variável a é apenas uma variável da equação utilizada para diferenciarmos o
uso de rolamento de esfera ou rolamento de rolos.
CAPACIDADE DE CARGA DE CATÁLOGO

• Os catálogos dos fabricantes de rolamentos apresentam um valor


denominado capacidade de carga de catálogo, que é definida pela carga
radial que causa a falha de 10% do conjunto do tipo de rolamento avaliado
durante uma vida nominal.

• Esta capacidade de carga pode ser representada como C10 .


• Esta capacidade catalogada é referida como capacidade básica de carga, se a
vida nominal dada pelo fabricante é de 106 rotações.
CAPACIDADE DE CARGA DE CATÁLOGO

• Esta capacidade de carga deve ser vista como um valor de referência e não
como a carga real a ser suportada pelo rolamento. Ao selecionar um
rolamento para uma determinada aplicação, é necessário relacionar a carga
desejada e a carga apresentada no catálogo do fabricante.

• Assim, podemos elaborar uma relação entre o que desejamos no projeto e o


que os catálogos de fabricante nos oferecem. A equação apresenta uma
primeira relação.

FR = carga nominal ou carga do “catálogo” em kN;


LR = vida nominal em rpm;
a = índice de vida (a = 3 para mancais com elementos tipo esfera);
(a = 10/3 para mancais de elementos tipo rolos);
FD = carga desejada em kN;
LD = vida desejada em rpm.
Podemos escrever a equação acima para expressar a vida em horas a uma
determinada velocidade, segundo a relação L = 60 . L . n , em que L = vida em
horas; n= rev/min ou rpm e 60 é o fator de conversão (60 min/h) . Assim, temos a
equação abaixo, sendo:

Lembrando que o índice R é obtido a partir do catálogo, e o índice D é o que


desejamos. Finalmente, podemos ter uma equação que está relacionada à carga
C10 , sendo:
EXERCÍCIO
Vamos supor que uma empresa fabricante de rolamentos classifica seus mancais
a um milhão de rotações (106). Desejamos selecionar um rolamento com
elementos tipo esfera, com uma vida útil de 6000 horas a 2500 rpm, com uma
carga de 5kN com a confiabilidade de 90%. Para isso, precisamos, então,
descobrir qual o valor de C10 , para depois procurar no catálogo deste fabricante
o rolamento que tem o valor igual ou superior mais próximo. Assim, a partir dos
dados apresentados, podemos resolver usando a equação:

Observe que usamos em L R ⋅ nR ⋅ 60 , o valor de LR =106 , e a = 3, porque o


rolamento tem elementos tipo esfera. Assim, o valor C10 encontrado será o valor
mínimo a ser usado e localizado no catálogo do fabricante.
MANCAL DE CONTATO ROLANTE
CONFIABILIDADE VERSUS VIDA – A DISTRIBUIÇÃO DE WEIBULL

• Utilizando uma confiabilidade indicada de 90%, como vimos no tópico


anterior, temos uma forma robusta e segura para selecionar um rolamento,
baseado em sua vida nominal.

• Agora, temos também uma outra forma de estimar a vida do rolamento


utilizando uma ferramenta estatística, envolvendo a probabilidade de a falha
acontecer por fadiga. O melhor método para isto é por meio da distribuição de
Weibull.
CONFIABILIDADE VERSUS VIDA – A DISTRIBUIÇÃO DE WEIBULL

• Quando utilizamos a análise estatística da distribuição de Weibull, podemos


melhorar o nível de confiabilidade e assim ampliar os valores de vida, ou seja,
por meio da estatística, melhoramos a confiabilidade da vida do rolamento.

• Podemos apresentar as equações principais que envolvem a distribuição de


Weibull já ajustadas para atender a esta aplicação em rolamentos. Então:

R = confiabilidade pela distribuição Weibull, ou vida adimensional mediana;


X = L/Lo : a vida medida (valor encontrado durante os experimentos) ;
x0 = valor garantido, ou “mínimo”, da variante ;
θ= parâmetro específico (para mancais de rolamento por contato, corresponde
ao valor de 63,2121% da amostra de vida medida x);
b = parâmetro de forma. Para mancais de contato rolante b = 1,5.
• Em um projeto mecânico no qual se utilizam os mancais de rolamentos, tem-se
que a carga desejada não é a mesma da carga em que o rolamento foi testado
pelo fabricante ou da carga de entrada do catálogo.
• Tem-se também que as velocidades desejadas são diferentes das de teste do
fabricante e, geralmente, a expectativa de confiabilidade é maior do que os
90% estabelecidos pelos fabricantes de rolamentos.
• A figura abaixo ilustra a comparação dos dados desejados de projeto e do
catálogo do fabricante, através das linhas de contorno de confiabilidade.
Podemos notar que temos uma linha chamada de linha de contorno – catálogo, com
confiabilidade R = 0,90 (90%). Veja que o ponto A incluído nesta linha é obtido da
informação da carga C10 e vida xL .

Agora, para a linha de contorno desejado, temos uma confiabilidade R = RD , em que RD é


a confiabilidade desejada. Nesta linha, temos o ponto D, que é obtido da carga desejada
FD e da vida desejada xD.

Como o catálogo nos apresenta a informação de carga C10 , devemos então nos mover do
ponto D, na linha de contorno desejado RD , até o ponto B apresentado no gráfico.

Desta maneira, podemos deduzir as próximas equações, com o objetivo de obtermos


uma carga C10 equivalente à carga, vida e confiabilidade desejada de projeto.

C10=FB R : confiabilidade catálogo

RD : confiabilidade desejada
FB = carga no ponto B, em N;
FD = carga no ponto D, ou carga desejada, em N;
xD = vida do rolamento no ponto D, ou vida desejada expressa de forma adimensional;
xB = vida do rolamento no ponto B, expressa de forma adimensional;
a = 3 para mancais com elementos tipo esfera e
a = 10/3 para mancais de elementos tipo rolos;

Observe que podemos concluir que C10=FB . A vida do rolamento no ponto B é dada por:

Em que x0 = valor garantido, obtido da distribuição Weibull;


θ=parâmetro específico, também obtido da distribuição de Weibull;
b = parâmetro de forma, fornecido pela distribuição de Weibull.
CARREGAMENTO COMBINADO: RADIAL E AXIAL

No carregamento combinado, existente em várias aplicações de mancais,


podemos ter simultaneamente uma carga radial e outra axial atuando nos
mancais.
CARREGAMENTO COMBINADO: RADIAL E AXIAL

FATOR 1
• Vamos adotar Fa e Fr para carga axial e radial, respectivamente e Fe para carga radial
equivalente, a qual produz o mesmo efeito que a carga radial e a carga axial
combinadas.
FATOR 2
• Também precisamos definir um fator de rotação que chamaremos de V. Este fator de
rotação terá um valor igual a um (V = 1), quando o anel interno gira e o anel externo
permanece estático, e terá um valor igual a 1,2 (V = 1,2), quando o anel interno está
estático e o anel externo gira.

FATOR 3
• Cargas combinadas fixas: provocam uma alteração da vida do mancal, diferentemente
das aplicações em que temos apenas uma carga no rolamento. Assim, vamos explorar
como isto afeta a vida dos mancais com cargas combinadas através de dois grupos
adimensionais relativos à carga radial e carga axial, sendo:
CARREGAMENTO COMBINADO: RADIAL E AXIAL

• Quando trabalhamos em aplicações de cargas combinadas fixas, ou seja,


permanentes, devemos ter em mente que isto vai provocar uma alteração da vida
do mancal, diferente das aplicações em que temos apenas uma carga no rolamento.

• Assim, vamos explorar agora como isto afeta a vida dos mancais com cargas
combinadas. Podemos formar dois grupos adimensionais, ou seja, cada grupo
adimensional está relacionado com carga equivalente, fator de rotação e carga
radial e carga axial, sendo:

Relação de grupos adimensionais de cargas radiais


equivalentes, carga radial e carga axial, e o fator de rotação.
CARREGAMENTO COMBINADO: RADIAL E AXIAL
CARREGAMENTO COMBINADO: RADIAL E AXIAL

0,209 0,354 1,253


ALGORITMO CARREGAMENTO COMBINADO

C0 = carga estática nominal básica


(catálogo do fabricante)
CARREGAMENTO COMBINADO: RADIAL E AXIAL

Um mancal de esferas possui uma carga axial de 2300 N e uma carga radial de
3100 N, aplicado na situação em que o anel externo gira. A carga básica estática
C0 é de 11000 N e a carga básica C10 é de 2300 N. Calcule a carga radial
equivalente.
V = 1,2, em função do anel externo girar.

(Interpolação)

(maior do que o valor de e = 0,354)


CARREGAMENTO COMBINADO: RADIAL E AXIAL

0,209 0,354 1,253


CARREGAMENTO VARIÁVEL
• As cargas em rolamentos são geralmente variáveis e ocorrem em algum padrão
identificável.

• Entende-se que carregamento variável significa que temos alteração do nível


de carga radial, de carga axial, ou mesmo da carga combinada equivalente.

• Esta alteração pode ser estimada ou calculada, conforme a aplicação. Assim,


podemos estabelecer uma equação para obtermos uma carga equivalente
(Feq), que corresponda a um determinado carregamento variável:

Feq = carga equivalente em N;


fi = fração de rotação sustentada sob a carga Fei ;
afi = fator de segurança que pode ser especificado para cada Fei ;
Fei = carga parcial em N;
a = 3 para mancais com elementos tipo esfera
a = 10/3 para mancais de elementos tipo rolos.
CARREGAMENTO VARIÁVEL

Um rolamento de esferas é submetido a duas cargas fixas combinadas por


partes, sendo 4500 N por 0,4 fração de volta e 3200 N por 0,6 fração de
volta. (Entenda fração de volta como o período em que a carga parcial
atua em uma rotação do rolamento). Aplicamos também um fator de
segurança de 1,2. Determine a carga equivalente Feq .

Solução:
LUBRIFICAÇÃO

• As superfícies de contato dos rolamentos possuem movimento relativo, em


que temos movimento de rolamento e movimento de deslizamento.

• Quando temos em alguns momentos o movimento de deslizamento, temos


uma lubrificação hidrodinâmica, mas o movimento preponderante é o de
rolamento, em que temos uma lubrificação elasto-hidrodinâmica.

• Podemos visualizar a aplicação de um lubrificante permanente em um


rolamento de rolos cilíndricos, como mostra a seguir.

Lubrificante permanente aplicado em um rolamento


Esta condição de lubrificação elasto-hidrodinâmica (EHD) é obtida em superfícies de
contato fortemente carregadas (elásticas), isto é, superfícies que mudam sua forma sob
uma carga elevada e voltam à sua forma original quando cessa esta carga.

Quando uma esfera rola sob ação de uma carga, sobre a pista de rolamento montado,
atingem-se pressões muito altas nos pontos de contato. As superfícies são, então,
pressionadas e se deformam ligeiramente por um momento (deformação elástica).

Quando a esfera rola, a viscosidade do lubrificante aumenta enormemente. Depois que a


esfera passou, a viscosidade do lubrificante é novamente reduzida.

Formação da película de óleo em um rolamento de esfera


• Depois que a esfera passou, a viscosidade do lubrificante é novamente reduzida.
Quando temos a carga aplicada em um ponto do rolamento, ocorre uma deformação
elástica da esfera e da pista do rolamento.

• Esta deformação ocorre em apenas uma região do rolamento (em que se suporta a
carga) e como temos uma película de lubrificante entre as duas partes, o fluido que é
considerado incompressível, recebe toda a tensão destas deformações elásticas do
rolamento, e por uma propriedade física do óleo, quanto maior for esta tensão maior
será a viscosidade em reação a esta tensão.

Formação da película de óleo em um rolamento de esfera


• A função do lubrificante em rolamentos é a de formar uma película entre os
componentes do rolamento, de modo a evitar o contato metálico. A película deve ser
suficientemente espessa para proporcionar uma lubrificação satisfatória, inclusive sob
altas cargas, grandes variações de temperatura e vibrações.

• Assim, com esta película, temos uma redução do atrito, uma proteção contra corrosão.
Para o caso de lubrificação com graxa, temos também uma proteção contra impurezas
(pó, umidade, água etc.).

• Como regra básica, devemos usar graxa no rolamento quando: a temperatura de


trabalho não exceder 90 °C, quando temos uma velocidade baixa e em aplicações nas
quais tem-se longos períodos sem intervenção.
Seleção de mancais de esfera e de rolos cilíndricos

A fim de selecionarmos um mancal de esferas ou de rolos cilíndricos


adequado para um determinado tipo de equipamento, torna-se necessário a
tomada de decisões de projeto sobre as variáveis, tais como:

• Tamanho,
• Alocação de espaço,
• Método de montagem,
• Outros detalhes que possam aparecer em aplicações específicas.
A experiência do projetista conta muito neste momento, bem como as consultas a
catálogos de fabricantes de rolamento também ajudam a escolher o melhor tipo de
mancal para cada aplicação. Podemos nos orientar de forma geral por meio da
Tabela abaixo.
SELEÇÃO PRELIMINAR SELEÇÃO TÉCNICA
ROLAMENTOS CÔNICOS

Composto por quatro elementos principais:


• cone (anel interno);
• capa de rolamento (anel externo);
• rolos cônicos;
• gaiola (espaçador-retentor).

Composto duas partes:


(1) a montagem do cone: o cone, os rolos e a gaiola;
(2) capa do rolamento.

Esse tipo de rolamento tem outra característica, um


local específico chamado ponto G, por meio do qual
atuam as cargas radiais e axiais da força.

Nomenclatura de um mancal de rolos cônicos


CARGAS RADIAIS E AXIAIS

• Um mancal de rolos cônicos pode suportar cargas radiais e axiais, isoladamente ou


de forma combinada.

• Devido ao formato cônico, mesmo que tenhamos somente carga radial, esse
carregamento irá induzir uma carga axial. Deste modo, para evitarmos a separação
dos conjuntos (1) e (2) do rolamento, precisamos ter uma força igual e oposta.
CARGAS RADIAIS E AXIAIS
CARGAS RADIAIS E AXIAIS

• Uma maneira de conseguirmos esta força igual e oposta é sempre utilizarmos no


mínimo dois rolamentos cônicos em um mesmo eixo.

• Dois mancais podem ser montados com as costas do cone colocados frente a
frente, em que chamamos de montagem direta (b).

• Também podem ser montados com as frentes dos cones frente a frente, em que
podemos chamar de montagem indireta (a).
CARGAS RADIAIS E AXIAIS

A diferença principal entre estes


dois tipos de montagem está na
distância ocupada, ou a distância
geométrica efetiva, que chamamos
de ag, em que notamos que ag é
maior na montagem direta.

Como a carga radial induz uma


carga axial, adotando Fi para carga
axial, temos:
CARGAS RADIAIS E AXIAIS

Fi: carga axial induzida;


Fr: a carga radial em kN;
K : fator específico da geometria*.

*Na fase inicial da seleção do rolamento, devemos usar uma aproximação de K = 1,5
, e após a identificação de um possível rolamento, devemos usar um valor do fator K
exato, obtido do catálogo do fabricante.
CARGAS RADIAIS E AXIAIS

Temos as seguintes cargas:


FrA: cargas radiais aplicadas na direção radial do mancal A [N];
FrB: cargas radiais aplicadas na direção radial do mancal B [N];
FiA: cargas axiais induzidas, aplicadas na direção axial do mancal A[N];
FiB: cargas axiais induzidas, aplicadas na direção axial do mancal B[N];
Fae: carga axial externa ao conjunto de rolamento, em [N].

Podemos aplicar uma equação para obtermos uma carga equivalente, que chamamos
de Fe , em [N]. Assim, temos:
CARGAS RADIAIS E AXIAIS

Fa = carga axial líquida suportada pelo rolamento devido à combinação da carga axial induzida
pelo outro rolamento e pela carga axial externa (se houver), em [N].

Precisamos, então, determinar como iremos calcular a carga axial líquida.

• Ela será a soma da carga axial induzida e da


carga axial externa, se as duas estiverem no
mesmo sentido.

• Ela será a diferença se a carga axial induzida e


a carga axial externa estiverem em sentidos
opostos
CARGAS RADIAIS E AXIAIS
FOLGA EM MONTAGEM DE CAIXA DE MANCAL

• Existe uma infinidade de soluções possíveis para o projeto de montagem e


caixa de mancal, mas podemos nos ater a alguns pontos gerais e importantes.

• Um dos pontos centrais na questão de montagem é a folga. Ela se faz


necessária para que o conjunto consiga trabalhar em condições definidas
em projeto.
FOLGA EM MONTAGEM DE CAIXA DE MANCAL

• Todo rolamento tem duas situações sobre a folga: antes da montagem e depois da
montagem.

• Desta maneira, precisamos nos ater durante a montagem com interferência (entenda
interferência como uma montagem em que o diâmetro do eixo é maior do que o
diâmetro do furo do rolamento) para não afetarmos a folga mínima estabelecida em
catálogo, pois, caso contrário, iremos comprometer a vida do rolamento.
FOLGA EM MONTAGEM DE CAIXA DE MANCAL

De forma geral, o projetista deve seguir as recomendações


de folgas e tolerâncias determinadas pelo fabricante
do rolamento.

Podemos estabelecer como regra geral:

• O anel rotativo deve ter um ajuste por interferência


com o seu componente de montagem (eixo ou carcaça).

• O anel não rotativo deve ter um ajuste com folga


próximo de zero com o seu componente de montagem.
• Os ajustes por interferência normalmente não garantem um posicionamento
axial. Por isso, procuramos adicionar formas de encosto, luvas espaçadoras etc.

Anel externo apoiado


por um anel roscado
Rolamento em uma Rolamento em bucha de
bucha de fixação fixação, posicionado por um
anel espaçador

Colar espaçador projetado para não entrar em contato com o eixo


• Quanto à caixa de mancais, podemos definir como o local projetado para se
excluir as sujeiras e partículas estranhas e reter o lubrificante.

• Assim, a montagem de um mancal deve incluir uma vedação. A figura abaixo


nos apresenta alguns tipos de vedação.
Na montagem de um rolamento de qualquer tipo, precisamos nos ater às folgas.
Por que a atenção às folgas de montagem é importante? Assinale a alternativa
correta.

a)Com folga em excesso teremos vibrações e movimentos indesejados, sem folga


teremos principalmente desgaste prematuro e superaquecimento.

b) Com folga em excesso não teremos alteração no rolamento, sem folga teremos
principalmente desgaste prematuro e superaquecimento.

c) Com folga em excesso teremos vibrações e movimentos indesejados, sem folga


não teremos alteração no rolamento.

d) Com folga em excesso não teremos alteração no rolamento, sem folga também
não teremos alteração no rolamento.

e) Com folga em excesso teremos variação na rotação, sem folga teremos falha na
lubrificação.
A figura nos apresenta um par de rolamentos cônicos montados de forma direta.

Avaliando a figura, o que é uma carga axial induzida? Assinale a alternativa correta.

a) É uma carga axial originada por mecanismos externos.


b) É uma carga axial originada durante a rotação do conjunto.
c) É uma decomposição da carga radial externa no sentido axial devido à conicidade
apresentada no rolamento.
d) É uma decomposição da carga axial externa.
e) É uma decomposição da carga radial em função da carga axial externa.
• Viscosidade é a propriedade física que caracteriza a resistência de um fluido
ao escoamento. Em outras palavras, é a propriedade associada à resistência
que um fluido oferece à deformação por cisalhamento.

• Uma força F aplicada sobre uma superfície A, pode ser decomposta segundo
a direção normal (vertical) à superfície e segundo a direção tangente
(horizontal), dando origem a um componente normal e a outro tangencial.

• Assim, conseguimos definir a tensão de cisalhamento τ média como:


Como a espessura da película é considerada muito pequena, podemos então
adotar uma simplificação na equação :
A viscosidade medida por um viscosímetro de Saybolt é chamada de viscosidade
cinemática, e podemos então defini-la por:
Modelo de mancal de Petroff
Então, considerando a nomenclatura usada na Figura e o experimento de Petroff, temos:

[1]
NÚMERO DE SOMMERFELD
Da equação de Petroff, também podemos deduzir o número característico do
mancal, ou número de Sommerfeld. Este número é muito utilizado no projeto
do mancal de deslizamento, sendo encontrado em um grande número de
tabelas comparativas. Assim, podemos apresentar:
NÚMERO DE SOMMERFELD
EXERCÍCIO
Determine o coeficiente de atrito no mancal e o número de Sommerfeld, conforme
as seguintes características: temos um eixo de 120 mm de diâmetro suportado por
um mancal com 100 mm de comprimento com uma folga radial de 0,06 mm. O
lubrificante é um óleo cuja viscosidade é 60 mPa.s. O eixo tem uma rotação de 700
rpm, e finalmente é aplicada neste mancal uma carga de 4500 N.
EXERCÍCIO
Determine o coeficiente de atrito no mancal e o número de Sommerfeld, conforme
as seguintes características: temos um eixo de 120 mm de diâmetro suportado por
um mancal com 100 mm de comprimento com uma folga diametral de 0,12 mm. O
lubrificante é um óleo cuja viscosidade é 60 mPa.s. O eixo tem uma rotação de 700
rpm, e finalmente é aplicada neste mancal uma carga de 4500 N.
O foco do estudo da lubrificação estável é a
estabilidade da película de óleo lubrificante
durante as condições de trabalho, ou seja, a
manutenção da película durante o uso.

A região instável e a região estável, são


baseadas no coeficiente de atrito f e na
característica do mancal μ N/P.

Deste modo, se mantermos a restrição


acima e utilizarmos um valor de f adequado,
teremos uma condição de película estável
do lado direito da linha AB, e uma condição
de instabilidade do lado esquerdo.
Da figura, temos que
e = distância entre os centros, que chamamos de excentricidade, dada em mm;
c = folga radial, dada em mm;
h0 = a espessura mínima da película.

Assim, podemos definir a taxa de excentricidade como:


EXERCICIO
Vamos analisar um mancal de deslizamento cilíndrico com as seguintes
características: espessura mínima de película h0 = 0,015 mm; carga W = 6000 N;
óleo com viscosidade absoluta (µ) de 0,05 Pa . s; rotação do eixo (N) em 500 rpm;
largura do mancal (l ) em 50 mm; raio do eixo (r) de 100 mm; folga diametral de 0,2
mm. Devemos, então, para esta análise, determinar qual é o tipo de lubrificação,
qual o torque de atrito envolvido, qual o coeficiente de atrito e se a lubrificação é
estável ou não (SI).

Lubrificação do tipo hidrodinâmica: 0,008 mm <h0 < 0,020 mm


Para o exemplo proposto, temos uma película com espessura mínima h0 = 0,015 mm,
portanto, podemos dizer que teremos uma lubrificação hidrodinâmica.

Para calcularmos o torque, usamos:


folga RADIAL
• A lubrificação hidrodinâmica tem as superfícies de carregamento de carga do
mancal separadas por uma película de óleo, para que não haja o contato
metal-metal.

• Nosso objetivo nesta seção é estabelecermos uma teoria sobre lubrificação


hidrodinâmica que demonstre essa formação de película e como ela se
comporta.
Pressão e forças viscosas atuantes em um elemento de lubrificante

Uma primeira expressão que podemos apresentar é com relação à


velocidade:
u = velocidade em uma altura y, entre as superfícies;
μ = viscosidade absoluta;
y = altura;
h = espessura da película;
dp/dx = variação da pressão pela variação de x (x é direção no sentido tangencial)
U = velocidade da superfície.
Podemos ainda reduzir a equação acima,
quando a pressão é máxima, temos
dp/dx= 0, então:

Gradiente de velocidade do lubrificante


Volume de fluido na direção “x” por unidade de tempo (vazão Q)
EQUAÇÃO RE REYNOLDS

• Lembrar que x é a direção longitudinal, onde seria o local de vazamento


lateral do mancal.

(vazão Q)

• Esta equação é chamada de equação clássica de Reynolds para escoamento


unidimensional.

• Hipóteses foram adotadas nessa formulação: o fluido é newtoniano (óleo),


incompressível, com viscosidade constante, sendo que o fluido apresenta
escoamento laminar.

• A película é fina o suficiente para considerarmos que a variação de pressão ao


longo da sua espessura seja desprezível.
Gráfico para a variável de espessura mínima
Espessura mínima de película (h0/c) (c = folga radial, h0 = espessura mínima da película)
pode ser relacionada graficamente com o número de Sommerfeld, com a taxa de
excentricidade ε = e/c (e = distância entre os centros ), e com contornos de diversos
valores da razão ι /d (ι=comprimento da bucha, diâmetro do eixo/munhão).
Gráfico para a variável do coeficiente de atrito
Para a variável de atrito (r/d) . f (r=raio do eixo/munhão, d=diâmetro do eixo/munhão,
coeficiente de atrito f) podemos relacionar em um gráfico com o número de Sommerfeld e
com contornos para vários valores a razão ι/d (ι=comprimento da bucha, d=diâmetro do
eixo/munhão).
Gráfico para determinação da pressão máxima de película
A pressão máxima da película pode ser estimada pela determinação da taxa de pressão
P/pmax , com relação ao número de Sommerfeld e vários valores a razão ι/d
(ι=comprimento da bucha, diâmetro do eixo/munhão).
Precisamos elaborar um relatório com as características de projeto, para um mancal
deslizante. Deste modo, vamos aplicar as seguintes considerações de projeto: o eixo
existente na retífica tem um diâmetro de 320 mm, portanto um raio (r) de 160 mm, temos
30 rotações por segundo, uma carga de 350.000 N, um espaço para um comprimento (l ) do
mancal de 160 mm. Vamos adotar como folga c = 0,04 mm, e um óleo com viscosidade (µ)
de 0,02756 Pa.s. Agora, precisamos avaliar se estas condições iniciais são possíveis de
serem aplicadas no projeto, utilizando as equações e os diagramas obtidos por Raimondi--
Boyd (1958).

Começamos a resolução pelo cálculo da pressão nominal no mancal, utilizando a equação [3.8]:

Com isto, determinamos o número de Sommerfeld:


Cálculo da relação ι/d

Com estes dados, podemos utilizar o gráfico da Figura 3.10

Como temos c = 0,04 mm, podemos encontrar a excentricidade do eixo (e) e a espessura
mínima da película (h0), sendo:
Condições de estado estável em mancais autocontidos
Condições de estado estável em mancais autocontidos
Nesta condição de mancal autocontido, nossa maior preocupação é determinar
qual será o nível de calor dissipado, para que o sistema não tenha
superaquecimento, ou valores de temperaturas acima do calculado para o
lubrificante do mancal. Assim, temos a seguinte equação:

Hperda = calor dissipado, em J/s ;


ħCR = coeficiente de transferência de calor por convecção e radiação, em W/(m2 . oC);
A = área superficial do compartimento de mancal em m2;
Tb = temperatura superficial do compartimento, em °C;
Tꚙ = temperatura ambiente, em °C.

Para o coeficiente ħCR :


Para o ar parado: 11,4 W/(m2 . oC),
Para o ar movimentado por uma hélice no eixo: 15,3 W/(m2 . oC) .
Mancais com lubrificação forçada
• Foi desenvolvido um sistema com circulação forçada, através de
bombeamento do óleo, utilizado no resfriamento do sistema.
• Como o lubrificante é fornecido ao mancal sob pressão, tais mancais são
chamados de mancais com lubrificação forçada, ou mancais hidrostáticos.

• Podemos observar na figura um sistema completo de lubrificação forçada, que


vamos usar para deduzirmos as equações que envolvem a energia térmica.
EXERCÍCIO SEÇÃO 3.3
Um determinado mancal, tem as seguintes características: mancal com canal, furo de alimentação,
sistema de bombeamento com pressão de PS = 200 kPa, reservatório externo mantido a 55 °C,
suporta uma carga de 5 kN, utiliza um óleo de viscosidade de μ = 0,01125 Pa.s; um raio do eixo (r)
de 22 mm, uma folga (c) de 0,05 mm, um comprimento l = 22 mm, e rotação 100 rps. Assim, para
determinarmos se a aplicação está correta, precisamos avaliar qual é o tipo de lubrificação deste
mancal e se ele está adequado para uma temperatura máxima de saída do óleo lubrificante de
120 °C (este valor de temperatura foi determinado pelo cliente em função do equipamento
existente).
EXERCÍCIO SEÇÃO 3.3
Para a identificação do tipo, observamos que o sistema contém bombeamento, então a
lubrificação será forçada e, portanto, temos pressão de lubrificante e um sistema de lubrificação
hidrostática. Outras duas informações também nos conduzem a esta conclusão, sendo que o
mancal possui canal e furo de alimentação. Para avaliarmos se ele está adequado à condição de
temperatura, devemos, então, determinar a variação de temperatura do mancal, sendo:

usamos o gráfico da Figura 3.11, apresentada na Seção 3.2


Para obter a Variável do coeficiente de atrito

Obtemos o valor de

Usamos o gráfico da Figura 3.10 e obtemos o valor de ε = 0,82.


EXERCÍCIO SEÇÃO 3.3
Gráficos de Raimond e Boyd

Figura 3.11 | Gráfico para a variável do coeficiente de atrito


EXERCÍCIO SEÇÃO 3.3

Gráficos de Raimond e Boyd

Figura 3.10 | Gráfico para a variável de espessura mínima


EXERCÍCIO SEÇÃO 3.3

Agora, podemos determinar a variação da temperatura, sendo:

Como o óleo é mantido com a temperatura de 55 °C no reservatório, então:

Concluindo, temos um mancal tipo lubrificação hidrostática que não atende ao limite de
120 °C solicitado pelo cliente. Uma solução mais simples seria reduzir o nível de
temperatura do reservatório o suficiente para atender à temperatura máxima de 120 °C.
CARACTERÍSTICAS PARA AS CORREIAS PLANAS, REDONDAS E EM V
• As correias são elementos elásticos ou flexíveis utilizados em sistemas de
transporte e na transmissão de potência sobre distâncias comparativamente
grandes.

• Em muitos casos, o uso de correias simplifica o projeto de uma máquina e


reduz muito o custo.

• Podem ser utilizadas em grandes e curtas distâncias;


CARACTERÍSTICAS PARA AS CORREIAS PLANAS, REDONDAS E EM V
CARACTERÍSTICAS PARA AS CORREIAS PLANAS, REDONDAS E EM V
TIPOS DE CORREIAS
Transmissão por correia com e sem reversão

característica de montagem das correias que permita uma configuração com ou


sem reversão do sentido de giro das polias.

montagem sem reversão no sentido de giro,(a) ou seja, a polia movida tem o


mesmo sentido da polia motora.

montagem com reversão no sentido de giro, ou seja, a polia movida tem sentido
contrário ao da polia motora.

(a) (b)

Transmissão por correia plana ou redonda com e sem reversão


Correia na disposição de montagem aberta

θd = ângulo de contato da polia menor em (rad);


θD = ângulo de contato da polia maior em (rad);
D = diâmetro da polia maior em (mm);
d = diâmetro da polia menor em (mm);
C = distância entre centros em (mm).
Correia na disposição de montagem aberta
Correia na disposição de montagem cruzada

θ = ângulo de contato da polia em (rad);


D = diâmetro da polia maior em (mm);
d = diâmetro da polia menor em (mm);
C = distância entre centros em (mm).
Correia na disposição de montagem cruzada
ACIONAMENTO POR CORREIA PLANA
• Assim, para obtermos as equações seguintes, estabeleceremos um modelo que
admitirá que a força de atrito na correia é proporcional à pressão normal ao longo do
arco de contato.

• Antes de apresentarmos as equações, temos que ter em mente que para uma
transmissão por correia plana ou redonda, temos um lado em que a correia tem tração,
chamado de lado tenso, e o outro lado chamamos de bambo, em que temos uma
tensão menor do que a do lado tenso.

Lado tenso e lado bambo de uma correia plana ou redonda


Equações do conjunto polias - correias
Apresentando as equações, temos que a velocidade é dada por:

V = velocidade periférica da correia em (m/s),


d = diâmetro da polia menor em metros (m),
rpm = rotações da polia por minuto,
60 fator de conversão.

w = peso da correia por metro (N/m),


γ = peso específico em (N/m3),
b = largura da correia em (m)
t = espessura da correia em (m).
TORQUE
Podemos definir o torque com a equação:

T = torque em (N.m),
g = aceleração da gravidade em (m/s2),
Hnom = potência nominal em (W),
Ks = fator de serviço,
Nd = fator de projeto,
n = rotações por minuto (rpm).
FORÇAS ENVOLVIDAS NO FUNCIONAMENTO DAS CORREIAS

No projeto de uma correia, temos algumas forças envolvidas,

F1= sendo a carga de tração do lado tenso em (N) ,


F2 = carga de tração do lado bambo em (N),
Fc = carga de tração circunferencial causada pela força centrifuga em (N),
Fi = carga de tração inicial em (N).
ω1>ω2

Torque2> Torque1