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Lisbon

revisited(1923)
Realizado por:
Francisco Alves Nº5
Nuno Andrade e Sousa
Nº17
Paulo Sousa Nº18
Rui Pinto Nº20
Quem é Álvaro de Campos
• Álvaro nasceu em Tavira- 1890;
• Era alto e magro;
• Entre o branco e o moreno, tinha cabelo liso e usava monóculo;
• Formado em engenharia Naval-Glasgow (nunca exerceu a sua
profissão);
• Viajou pelo oriente, fixou-se sobretudo em Lisboa;
• Em 1914, faz a sua aparição literária publicando primeiramente o
“Opinário” e depois a “ode triunfal”, que Sá-Carneiro considerava a
obra-prima do futurismo;
Quem é Álvaro de Campos
• Ele era um poeta sensacionista e escandaloso, era homem da
indústria e da técnica. Ele era uma válvula de escape dos
momentos difíceis e de irritação de pessoa, transmitindo o seu
histerismo, a sua euforia, a sua carga dinâmica, a sua torrente
nervosa. Era dos heterónimos o mais megalómano e
intervencionista.
LISBON REVISITED (1923)
Não: não quero nada
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!


A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas1!


Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!


LISBON REVISITED (1923)
Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.


Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!


Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável2?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
LISBON REVISITED (1923)
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —


Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...


E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
Vocabulário
• estéticas1- Ciência que trata do belo
em geral e do sentimento que ele
desperta em nós; beleza.
• tributável2- algo cobrável.
Análise á estrutura do poema
A estrutura do poema é dividida em 3º partes:
• 1º Classificação dos versos quanto a sua medida é irregular
pois a classificação métrica não é igual em todos;
• 2ºA classificação das estrofes quanto ao número dos versos
é irregular;
• 3ºNeste poema não existe esquema rimático.
Análise e interpretação do poema:

Primeira estrofe:
●(V.1-2): O sujeito poético mostra o desejo de se afastar

das outras pessoas, e indica também que não necessita


de algo das outras pessoas;
Segunda estrofe;
●(V.3-4): O sujeito poético expressa-se de forma

imperativa, e reforça o que disse na primeira estrofe;


Terceira estrofe:
• (V.5-6): Existe o uso de um recurso expressivo, anáfora. Para reforçar a sua
negatividade relativamente ás outras pessoas;
• (V.7-8): A referência da metafísica no verso 7, “tiram-me daqui a
metafísica”, isso quer dizer que ele não acredita na existência de deus, e
está cansado das pessoas á volta dele referirem-no, e também porque ele
acredita que o deus tira o mérito ás conquistas das “verdadeiras” mentes
que inventaram/descobriram;
• (V.9-10): Novamente, o uso da anáfora. Neste caso a anáfora serve para
reforçar, o que acredita ser, o verdadeiro motivo pela evolução da ciência,
que é causada pelo esforço das pessoas e não deus;
Quarta estrofe:
• (V.11): O sujeito poético refere que não acredita em Deus, mas para o caso da
existência dessa identidade sobre-humana o que lhe terá feito para a sua vida ser
infeliz;
Quinta estrofe:
• (V.12): O sujeito poético , diz para o caso da existência de Deus, para manterem a
sua existência em segredo;
Sexta estrofe:
• (V.13): O sujeito poético indica que o seu conhecimento é grande, porém
centralizado numa área em específico;
• (V.14-15): o sujeito poético acredita que o mundo é um lugar caótico e doido, tanto
que, é normal uma pessoa seja doida nele, logo ele tem todo o direito de o ser;
Sétima estrofe:
• (V.16): Refere que a opinião dos outros seres é insignificante,
perante a dele;
Oitava estrofe:
• (V.17-18): O sujeito poético demonstra-se ainda revoltado com
o facto de não aceitar situações banais no nosso quotidiano
como, por exemplo, o casamento;
• (V.19-20): Afirma que ele quer ser o contrário que as pessoas
querem que ele seja;
• (V.21-23): O sujeito poético reforça a ideia de querer estar
sozinho;
Nona estrofe:
• (V.24-25): O sujeito poético mostra querer distanciar-se das pessoas, sendo
que discorda com alguns costumes que elas têm;
•(V.26-27): O sujeito poético, revoltado, implora que quer estar sozinho pois
só assim terá paz;
Décima estrofe:
• (V.28-29): O sujeito poético recorda-se agora da sua infância, símbolo de
alegria e felicidade do passado;
• (V.30-33): O “eu” lírico declara que a cidade de Lisboa em nada o altera, daí a
cidade se parece, para o “eu”, como perfeita pois respeita o seu desejo à
solidão;
Décima primeira estrofe:
• (V.34-35): O sujeito poético depois de mais um apelo para que o
deixem sozinho ele usa duas vezes o verbo “tardar” na forma
negativa, remetendo para a ideia de proximidade de morte.
O Coração – II de Orlando Loureiro Neves
• A solidão é perfeita como um rasgo de ilusões, engrenagem de
entre poentes roxos.
as nuvens, ao último sonho. A solidão E, agora, frouxo, já nada
que se cala em teu fundo e vai designas ou
envelhecendo desenhas. És, apenas,
na terra perdida do som testemunha efémera
descompassado.
e longínqua, trovão engolido
Te guardas na intimidade dos armários,
de Deus,
onde a paz é negra e se desagrega a luz.
fingidor ferido de doces
Nunca foste mais do que uma ficção, cantos, mentira
matriz precária nas cordas de uma
de riso e sombra, um poço verde, harpa febril.
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Comentário global
• Em suma percebemos que Álvaro de Campos, neste poema, assume
a sua forma intimista, pois como relacionamos o sujeito poético
como a "ovelha negra" da sociedade, sente-se aparte de todos os
outros.