VECTORES DE SUSTENTABILIDADE PARA O MUNICÍPIO DE ABRANTES

Estudo de Horta Solar Fotovoltaica para o Concelho de Abrantes
José Manuel Martins[I] e João Paulo Goulart[II]

RESUMO Este estudo pretende demonstrar a viabilidade de um aproveitamento energético de Minigeração proveniente de recursos energéticos endógenos como vector de sustentabilidade. É uma iniciativa de elevado interesse tecnológico que colocará o Município de Abrantes na vanguarda no domínio da engenharia e do ambiente, contribuindo para o desenvolvimento científico e económico da região.
Palavras-chave: Vector de sustentabilidade, energia solar fotovoltaica, horta solar, reconversão ambiental e Minigeração
I

jose.martins@cm-abrantes.pt

II

joao.goulart@cm-abrantes.pt

Folha 1

Nov-10

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Índice 1.
1.1 1.2 1.3 1.4

Introdução
sistema fotovoltaico Situação do solar fotovoltaico em Portugal Projectos do Município de Abrantes Regime remuneratório do aproveitamento energético Regime PRE

2.
2.1 2.2 2.3

Sugestão para o local de implantação da Horta Solar Fotovoltaica
Morfologia do terreno Orografia Impactes ambientais

3.
3.1 3.2 3.3 3.4

O aproveitamento fotovoltaico cálculos preliminares e solução conceptual
Potencial disponível Solução conceptual Dimensionamento Estimativa de produção

4.
4.1 4.2 4.3 4.4

Estudo técnico económico
Exploração da Central Expectativa de receitas Custos estimados Amortização e Lucros

5. 6. 7.

Processo de licenciamento Impacte sociocultural do projecto Conclusões Bibliografia
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1. Introdução Portugal é um dos países da Europa com maior disponibilidade de irradiação solar. A insolação em Portugal Continental (número de horas de sol descoberto acima do horizonte) é um elemento climático muito importante que varia entre as 1800 e as 3100 horas de Sol por ano. 1.1 O sistema fotovoltaico Os sistemas fotovoltaicos produzem energia eléctrica com elevada fiabilidade e a sua manutenção é baixa, limitando-se essencialmente ao sistema de acumulação de energia no caso dos sistemas autónomos (e.g. habitação isolada, telecomunicações, sinalização). 1.2 Situação do solar fotovoltaico em Portugal De 2002 a 2004, cerca de 128 MWp de capacidade fotovoltaica, foram alocados pelo governo via DGEG sob a regulamentação dos PIP (pedidos de informação prévia), recebendo autorizações de construção dos respectivos sistemas. Em 2009 foi instalado no Santuário de Fátima, uma central de 100 kWp constituída por 571 módulos, evitando a emissão de 77,2 TON CO2/ ano.
Central fotovoltaica 100 kWp no Santuário de Fátima

Folha 3

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1.3 Projectos do Município de Abrantes Em 2002, a CMA optou por recorrer às energias renováveis por meio de painéis solares fotovoltaicos e outras fontes endógenas (i.e. central de Cogeração da ETAR de Abrantes). No âmbito da energia solar fotovoltaica, garantiu-se a total autonomia das ETAR´s da Bemposta e Carvalhal. 1.4 Regime remuneratório do aproveitamento energético Regime PRE De acordo com a legislação em vigor que estabelece a fórmula de cálculo da remuneração da energia entregue à rede pública pelos PRE que usam recursos renováveis (chamado tarifário verde), pode estimar-se (2008) que cada unidade de energia injectada na rede pública com origem em parques fotovoltaicos é paga a um valor que se situará em torno de 380 /MWh durante de 15 anos.
Proposta de Central de Microgeração 3,68 kWp para a Escola do Carvalhal ETAR da Bemposta [2002] Sistema isolado constituído por PV´s, regulador de carga, baterias e inversor. Fornece energia à Iluminação interior, exterior, tomadas, medidor de caudal e grade mecânica.

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2. Sugestão para o local de implantação da Horta Solar Fotovoltaica A exposição solar é excelente e o local poderá proporcionar uma óptima reconversão ambiental tendo em conta a anterior natureza do terreno. 2.1 Morfologia do terreno Neste caso em particular, será necessário definir as características do terreno (e.g. topografia, morfologia, volume e altura das camadas de resíduos), tendo em conta a avaliação do local para fins específicos. 2.2 Orografia
Aterro sanitário da antiga lixeira de Abrantes - vista aérea

O relevo da área proposta caracteriza-se por uma área plana (cota média 65,3m), talude e crista onde se desenvolvem os acessos.

(39°27'17" Norte, 8°13'11" Oeste)

Aterro sanitário da Antiga lixeira de Abrantes - Vista de

2.3 Impacte ambiental Neste caso, para além do beneficio associado à reconversão ambiental, a ocupação do solo é mínima tendo em conta que as estruturas de suporte são elevadas do solo, o que permite a utilização para pastoreio. Em termos visuais, poderá proporcionar uma excelente integração no contexto tecnológico e ambiental pela proximidade do Açude Insuflável de Abrantes.

Sudoeste

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3. O aproveitamento fotovoltaico cálculos preliminares e solução conceptual O presente estudo considerou os aspectos fundamentais para a garantia de viabilidade do sistema. As condições geográficas e climatéricas de Abrantes encontram-se numa zona de média alta rentabilidade. 3.1 Potencial disponível A irradiação solar nalgumas regiões situadas no Sul da Europa pode atingir até 2000 kWh/m² por ano. A média da soma de irradiação global recebidas pelos módulos do sistema dado para Abrantes é cerca de 1820 kWh/m². O quadro permite comparar o potencial do aproveitamento ao longo do ano para a latitude de Abrantes.
Índice kWh/m² em território de Portugal Continental

Registo anual do potencial para a latitude de Abrantes Hh Irradiação no plano horizontal [Wh/m²]

Hopt Irradiação no plano óptimo [Wh/m²] H(34) Irradiação no plano com inclinação 34° [Wh/m²] Lopt Ângulo óptimo de inclinação [graus] D/G TD Rácio de irradiação difusa a nível mundial Temperatura média durante o dia [°C]

T24h Temperatura média diária [°C]

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3.2 Solução conceptual O presente estudo optimiza as soluções técnicas e económicas mais vantajosas, nomeadamente através de 2 soluções estruturais: · Suportes de 1 eixo (8 estruturas); · Suportes de 2 eixos (7 seguidores). A opção por sistemas fixos baseia-se essencialmente na economia. Por outro lado proporciona sombra às cabines dos inversores, assim como estacionamento conforme desenhos. A opção por sistemas seguidores baseia-se essencialmente na eficiência. Para além do incremento tecnológico, possibilita um ganho de 30% relativamente aos sistemas fixos. 3.3 Dimensionamento De acordo com a resolução do concelho de Ministros nº29/2010, foi introduzido o conceito de Minigeração. Para o presente estudo optou-se por uma potência de 150kW, alocando 53,4% para o sistema fixo e 46,6% para o sistema seguidor.
Torre com accionamento polar e azimutal Alçado lateral, Suportes fixos com accionamento polar Alçados laterais das estruturas tipo A e B e alçado posterior da estrutura tipo A

principal e posterior (vista de Nascente às 12h.00, Sul e Norte)

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3.4 Estimativa de produção Os painéis fotovoltaicos são ligados a rede eléctrica nacional, à qual entregam a energia que a irradiação solar lhes permite produzir. No presente caso, apurou-se a contribuição de um sistema híbrido - produção a partir de estruturas fixas com 81,6kWp e seguidores com 71,4kWp.
Estimativa de produção de energia anual para o sistema seguidor (7 torres, 71,4kWp)

Proposta de implantação do sistema

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4. Estudo técnico económico 4.1 Exploração da Central A exploração deste tipo de aproveitamentos não carece de um modelo de gestão exigente em termos de exploração e manutenção. 4.2 Expectativa de receitas O presente estudo estabelece uma vida útil de 25 anos para a plena exploração. De acordo com o ponto 1.4, para os primeiros 15 anos espera-se uma remuneração bonificada na ordem dos 380 / MWh. Restantes 10 anos, 130 / MWh: ‡ 15 Anos: 380 /MWh x 241MWh 91.700 / ano ‡ 10 Anos: 130 /MWh x 241MWh 31.330 / ano 4.3 Custos estimados Os dados conhecidos actualmente (2006) permitem situar o investimento total em cerca de 4,50 a 6,00 / Wp instalado. Desta forma o investimento será aproximadamente de: 6,00 x 150000 Wp = 900.000 4.4 Amortização e Lucros A expectativa do estudo quanto à amortização e lucros teve em conta a perda de eficiência das células ao longo dos anos e os encargos com manutenção do sistema. Conforme se observa no gráfico, é possível amortizar o investimento em 10 anos.
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Gráfico de amortização e lucros a 25 anos

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5. Processo de licenciamento Ainda não foi publicada a lei que define o processo de licenciamento para as unidade de Minigeração. A expectativa prevê um procedimento idêntico ao da microgeração com as devidas adaptações.

6. Impacte sociocultural do projecto A execução de um projecto desta natureza beneficiará o concelho de Abrantes de forma directa e indirecta, nomeadamente: ‡ Colocação do município na vanguarda no domínio da engenharia e do ambiente; ‡ Pólo de desenvolvimento científico para a região; ‡ Angariação de receitas para o Município; ‡ Continuidade do Município na aposta das energias renováveis; ‡ Criação de emprego durante a construção do sistema; ‡ Atracção turística, sob a forma de turismo científico; ‡ Emissões poluentes evitadas, tais como CO2(i.e. 115 TON/ano), SO2 e Nox; ‡ Envolvimento das entidades académicas (i.e. IPT-ESTA, IEFP, Escola Profissional e Ensino Secundário); ‡ Possibilidade de criação de um cluster na área da energia (i.e. sinergias com Vieira Alves Metalomecânica, Lda., RPP Solar, MedioTejo 21, etc.).
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7. Conclusões Em resumo, o sistema terá as seguintes características: ‡ 900 Módulos 170Wp de silício policristalino; ‡ 15 inversores de 10kW; ‡ Potência total instalada: 150kWp; ‡ População equivalente: 150 habitações; ‡ Emissões de CO2 evitadas: 115TON/ ano; ‡ Ocupação de solo: 14200m² (62% da área disponível); ‡ Tecnologia de seguimento: 1 eixo horizontal e 2 eixos; ‡ Receita anual: 15A: 91.700 e 10A: 31.300 ; ‡ Investimento: 900.000 ; ‡ Produção anual: 241GWh. A Minigeração terá um papel importante no novo paradigma dos sistemas energéticos, assim como promoção da eficiência energética e da
Gráfico de capacidade solar instalada e expectativa [MW]. Fonte: DGEG e ADENE

O Município de Abrantes tem uma oportunidade de excelência para se posicionar na linha da frente no paradigma renováveis.
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emergente

das

energias

sustentabilidade ambiental.

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Bibliografia: ‡ Estratégia Nacional para a Energia (ENE 2020) - Plano Novas Energias, Ministério da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento (2010). ‡ Resolução do concelho de Ministros nº29/2010 ‡ Meid (Ministério da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento) http://www.renewable.pt ‡ IEA Agência Internacional de Energia

http://www.iea.org ‡ EC, Set-Plan (The European Strategic Energy Technology Plan) http://ec.europa.eu ‡ EC, Join Research Center http://re.jrc.ec.europa.eu ‡ Castro, Rui, Introdução à Energia Fotovoltaica , Energias Renováveis e Produção Descentralizada, DEEC/ Secção de Energia, Instituto Superior Técnico, Universidade Técnica de Lisboa, 2002. ‡ Collivignarelli, C.; Baldi, M.; Bertanza, G.; Bina, S.; Conti, F. (1997). Characterisation of waste from landfill mining: case studies.

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