Você está na página 1de 31

CASO CLÍNICO

RAILSON FREITAS
ESQUIZOFRENIA - CONCEITOS BÁSICOS
PSICOSE: Síndrome clínica que incluem vivências patológicas de alheiamente e distorção da
realidade, principalmente na forma de alterações das crenças e julgamentos e da
sensopercepção. Costitui os quadros que mais se aproximam do conceito coloquial de
"Loucura".

A esquizofrenia constitui um dos mais graves e debilitantes transtornos mentais. Geralmente


inicia na fase da adolescência/ adulto jovem de modo crônico e em seu desfecho clínico
modifica de sobremaneira o funcionamento psicossocial do indivíduo acometido.

Mescla de sintomas de sintomas que envolvem alterações na sensopercepção e no


pensamento: delírios, Na cognição, nas emoções, no comportamento global e no
funcionamento psicossocial.
HISTÓRICO

 Emil Kraepelin definiu em 1893, uma entidade denominada dementia praecox, que definiu
como processo de deterioração intelectual, após inicio dos sintomas em pacientes jovens.
Emil aponta os sintomas psicoticos mas destaca o processo deteriorante como essencial
para o diagnóstico.

 Emil Kraepelin diferenciou a dementia praecox dos pacientes quadro de episódios de


doença mental com  períodos de normalidade que denominou insanidade maníaco-
depressiva.
EVOLUÇÃO CONCEITUAL – AUTORES CLÁSSICOS

Kraepelin Bleuler Schneider


Síndrome avolicional: Sintomas fundamentais: Sintomas de 1ª Ordem:
Enfraquecimento das -Afrouxamento das -Percepção delirante;
atividades emocionais que associações ideativas; -Vozes que dialogam entre si
formam as molas propulsoras -Autismo; ou comentam as ações;
da volição. -Ambivalência; -Eco ou sonorização do
-Afeto embotado; pensamento;
-Difusão do pensamento;
-Roubo ou inserção do
pensamento;
-Vivências de influência;
Perda da unidade: A perda Sintomas acessórios: Sintomas de 2ª Ordem:
da unidade interna das -Delírios; -Perplexidade;
atividades do intelecto, da -Alucinações; -Outras alterações
emoção e da volição. -Sintomas do humor; sensoperceptivas;
-Sintomas catatônicos; -Intuição delirante;
EPIDEMIOLOGIA

 Prevalência ao longa da vida de aproximadamente 1%;


 Taxa de incidência ao ano Homens: 15/100.000 Mulheres 10/100.000;
 A faixa etária de acometimento inicial situa-se entre 15-25 anos, sendo de inicio um pouco
mais tardio nas mulheres.
 Raramente encontramos surgimento na infância.
 Pacientes com esquizofrenia tem uma expectativa de vida menor e media de mortalidade
superior há duas vezes superior a população em geral.
ETIOPATOGENIA

 Fatores ambientais:
 Estresse e infecções maternas, deficiências nutricionais, restrição do crescimento intrauterino e
complicações na gestação e no parto.
 Uso de substâncias psicoativas;

 Fatores genéticos:
 Taxa de concordância entre gêmeos monozigóticos é de cerca de 50% e entre dizigóticos de 15%;
 O risco relativo para um familiar de primeiro grau é de aproximadamente 10%;
 A chance de filhos de pais esquizofrênicos de também terem a doença é de quase 50%;
MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS

 Teoria dopaminérgica: Os primeiros antipsicóticos tinham como principal mecanismo de


ação o antagonismo dopaminérgico, evidenciado pelos frequentes efeitos colaterais
extrapiramidais. Previu-se portanto que os sintomas psicóticos eram provocados por
excesso de atividade dopaminérgica em regiões subcorticais, vinculadas sobretudo ao
sistema límbico.

 Achados de neuroimagem: Um achado clássico é o alargamento dos ventrículos,


associados a quadros crônicos, com predomínio de sintomas negativos e com piores
prognósticos.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS

 A esquizofrenia é uma doença mental que se manifesta com vários sinais e sintomas
envolvendo o pensamento, a percepção, a emoção, o movimento e o comportamento.

 “A Pessoa pode ficar fechada em sí, com o olhar perdido, indiferente a tudo que se passa
ao redor, ou os exemplos mais clássicos com alucinações e delírios. Ela ouve vozes que
ninguém mais escuta e acredita que está sendo vitima de um complô diabólico tramado
com o firme proposito de destruí-la. Não há argumento e nem bom senso que lhe
convença do contrário.”
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS

 Sintomas positivos:
 Alucinações;
 Delírios;
 Alterações no pensamento e na linguagem;
 Comportamento bizarro;

 Sintomas negativos:
 Diminuição na fluência do discurso e pensamento;
 Na expressão emocional (Embotamento afetivo);
 No controle da volição e dos impulsos;
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS

Critérios diagnósticos para esquizofrenia – DSM V


A. Dois (ou mais) dos itens a seguir, cada um deles presente por uma quantidade significativa de tempo durante o
período de um mês (ou menos se tratado adequadamente) pelo menos um deles deve ser 1, II OU III;
1 - Delírios;
II – Alucinações;
III – Discurso desorganizado;
IV – Comportamento grosseiramente desorganizado ou catatônico;
V – Sintomas negativos;

B. Por um período significativo de tempo desde o aparecimento da perturbação, o nível de funcionamento em uma ou
mais áreas do funcionamento, como trabalho, relações interpessoais e autocuidado está acentuadamente abaixo do
nível alcançado antes do inicio.
C. Sintomas contínuos de perturbação devem persistir por pelo menos seis meses, estes seis meses devem incluir pelo
menos um mês de sintomas que precisam satisfazer o critério A.
D. Transtorno esquizoafetivo e transtornos depressivos ou bipolares com características psicóticas foram descartados.
Se ocorreram sintomas de humor seu período foi breve em relação aos períodos ativos e residuais da doença.
E. A perturbação não podem ser atribuídas aos efeitos fisiológicos de uma substância ou outra condição médica.
F. Se houver história de transtorno do espectro autista ou outro transtorno de comunicação iniciado na infância, realiza-
se um diagnóstico adicional de esquizofrenia apenas se o paciente apresentar delírios e alucinações proeminentes.
CRITÉRIOS
DIAGNÓSTICOS
 CID - 10
CRITÉRIOS
DIAGNÓSTICOS
 CID - 10
CRITÉRIOS
DIAGNÓSTICOS
 CID - 10
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO
SÍNDROME NEUROLÉPTICA MALIGNA
 A síndrome maligna dos neurolépticos (SNM) é causada por um efeito adverso severo dos
neurolépticos, antidepressivos e outras drogas antipsicóticas.

 Caracterizada por hipertermia, sinais extrapiramidais, alterações da consciência, pressão


arterial flutuante, incontinência esfincteriana, dispnéia, disfunção autonômica, elevação de
fosfocreatinoquinase (CPK) e leucocitose.

 Alta mortalidade: 25%;

 A medicação neuroléptica deverá ser suspensa imediatamente com suspeita da existência


de SNM. Esta é a mais crítica e decisiva intervenção médica. A descontinuação de lítio é
recomendada.
TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR

 O transtorno bipolar é uma doença de elevado impacto no individuo, na família e na


sociedade. Segundo a OMS é a sexta causa de incapacidade entre indivíduos entre 15-44
anos de idade ao redor do mundo.

 Caracteriza-se pela alternância de episódios depressivos ou maníacos(eufórico ou irritável),


com períodos de humor praticamente inalterados (eutimia).

 Além do humor estes episódios também podem afetar o sono, o nível de energia, a
atividade psicomotora, o apetite e o processamento de informações.

 A prevalência ao longo da vida é de aproximadamente 2.4%;


QUADRO CLÍNICO
 MANIA caracterizada por euforia (alegria patológica), a expansão, a elação,
grandiosidade, ou engrandecimento do eu, muitas vezes acompanhadas por
taquipsiquismo. O humor eufórico pode evoluir para irritabilidade e agressividade.
Apresenta agitação psicomotora, logorreia, taquilalia, pensamento acelerado ou fuga de
ideias.
 O comportamento apresenta-se com potencial risco, aumento da energia sexual e
desinibição social. Em geral com envolvimento de atividades perigosas. Sensação de
maior energia e menor necessidade de sono.
 Podem existir ideias fixas de grandeza, de poder, que muitas vezes acabam constituindo
delírios, chamados delírios de grandeza.

 HIPOMANIA Caracterizados pela presença dos sintomas de mania, porém em menor


intensidade, não provocam impacto social tão pronunciados e não apresentam sintomas
psicóticos.
QUADRO CLÍNICO

 Episódio depressivo  Muito similares aos episódios da depressão maior.

 Idade de inicio precoce, recorrência, inicio no pós-parto, duração breve dos sintomas
depressivos, depressão atípica, irritabilidade/ataques de raiva, personalidade hipertímida
são características mais associadas a depressões bipolares em relação as depressões
unipolares.
CRITÉRIOS
DIAGNÓSTICOS
 HIPOMANIA
MANIA
MANIA
MANIA COM SINTOMAS
PSICÓTICOS
TRATAMENTO
TRANSTORNOS MENTAIS INDUZIDOS POR SUBSTÂNCIAS

 O uso de substâncias pode causar ou aumentar praticamente todos os transtornos mentais


psiquiátricos.

 Substâncias são amplamente utilizadas e seu uso não costuma ser relatado com precisão.

 Sempre é essencial perguntar sobre uso de substâncias e considerar seu papel na


apresentação dos sintomas.

 Qualquer uso de substância no contexto de transtorno mental torna o diagnóstico mais


difícil, além de reduzir a possibilidade de sucesso terapêutico.
TRANSTORNO MENTAL INDUZIDO POR SUBSTÂNCIAS

 Frequentemente não está claro se o uso de substâncias está causando o problema


psiquiátrico.

 O uso de substâncias e o transtorno mental são independentes;

 É importante avaliar a cronologia do inicio dos sintomas, a proeminência do uso de


substâncias no quadro clínico e se os sintomas psiquiátricos são causados por aquela
substância especifica.
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DSM-V

A. O transtorno representa uma apresentação sintomática clinicamente significativa de um


transtorno mental pertinente.
B. Há evidências a partir da história, do exame físico ou dos achados laboratoriais de ambos:
1. O transtorno se desenvolveu durante, ou no prazo de um mês após, a intoxicação ou
abstinência de substância ou da administração do medicamento; e
2. A substância ou o medicamento envolvido é capaz de produzir o transtorno mental.
C. O transtorno não é mais bem explicado por um transtorno mental independente (i.e., que não seja induzido por
substância ou medicamento). Tais evidências de um transtorno mental independente podem incluir as seguintes:
1. O transtorno antecedeu o início de intoxicação ou de abstinência grave ou a exposição ao medicamento; ou

2. O transtorno mental completo persistiu durante um período considerável de tempo (p.ex., ao menos um mês) após
cessar a abstinência aguda ou a intoxicação grave ou a administração do medicamento. Este critério não se aplica a
transtornos neurocognitivos induzidos por substância nem ao transtorno persistente da percepção induzido por
alucinógenos, os quais persistem após cessar a intoxicação ou a abstinência agudas.
D. O transtorno não ocorre exclusivamente durante o curso de delirium.
E. O transtorno causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento so-
cial, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS
TRANSTORNO MENTAL ORGÂNICO

 Problemas médicos psiquiátricos de natureza orgânica são aqueles produzidos por alguma
disfunção cerebral, seja por traumatismos, infecção, anóxia, malformações e tumores.
 As doenças mentais orgânicas tem alguns marcadores, que são muito importantes no
trabalho clinico.
 A: Na anamnese pode-se identificar histórico de TCE, infecções do sistema nervoso central,
convulsões, anoxia neonatal, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, atrasos e
dificuldades escolares, regressão ou perdas de funções previas, dificuldades motoras.

 Padrão crônico de irritabilidade, viscosidade, dificuldades intelectuais, epilepsia e


alterações motoras.
TRANSTORNO MENTAL ORGÂNICO

 História ou semiologia de acidentes vasculares cerebrais, amnésia global transitória,


ataques isquêmicos passageiros.
 Indícios de tumor cerebral: Cefaleia intensa, resistente, vômitos, confusão mental,
inapetência, diplopia, alterações do campo visual.
 Distúrbios da memória;
 Distúrbios da orientação temporal-espacial.
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS