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O dia em que eu nasci,

moura e pereça
De Luís Vaz de Camões
Maria Nunes Nº19
Francisco Nunes Nº7
Rafael Pinto Nº23
«O dia em que eu nasci, moura e pereça»
O dia em que eu nasci, moura e pereça,
não o queira jamais o tempo dar,
não torne mais ao mundo, e se tornar,
eclipse nesse passo o sol padeça.

A luz lhe falte, o sol se lhe escureça,


mostre o mundo sinais de se acabar,
nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar
a mãe ao próprio filho não conheça.

As pessoas pasmadas, de ignorantes,


as lágrimas no rosto, a cor perdida,
cuidem que o mundo já se destruiu.

Ó gente temerosa, não te espantes,


que este dia deitou ao mundo a vida
mais desgraçada que jamais se viu!
«O dia em que eu nasci, moura e pereça»
O dia em que eu nasci, moura e pereça,
não o queira jamais o tempo dar,
não torne mais ao mundo, e se tornar, 1ª Parte (1ª quadra)
eclipse nesse passo o sol padeça. Maldição do mundo

A luz lhe falte, o sol se lhe escureça, 1º momento


mostre o mundo sinais de se acabar, Apresentação e descrição da
nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar
Maldição
2ª Parte (2ª quadra e 1º terceto)
a mãe ao próprio filho não conheça. Recriação de um cenário
monstruoso para uma eventual
As pessoas pasmadas, de ignorantes, repetição do dia em que nasceu
as lágrimas no rosto, a cor perdida,
cuidem que o mundo já se destruiu. 2º momento
Justificação perante a
Ó gente temerosa, não te espantes,
«gente temerosa» da razão 3ª Parte (2º terceto)
da recusa do dia em que Recusa do dia em que
que este dia deitou ao mundo a vida
nasceu , da violência de um nasceu
mais desgraçada que jamais se viu!
cenário desejado para a sua
eventual repetição
Será este «eu Poético» Camões?

• Ligação do nascimento e da morte;


• Relações ambíguas com a mãe;
• Visão de si próprio como um ser desmesurado, mesmo
monstruoso;
• Sensação de desgraça maior.
Imagem
A tempestade
• Paisagem:
o Relâmpagos;
o Céu;
o Cegonhas telhado;
• Colunas Quebradas;
• Mulher e bebé;
Imagem
A tempestade

O brilho de um relâmpago rasga as nuvens. A paisagem azul-esverdeada (cores


frias) e a luz dourada transmitem ao espectador uma aura de perigo. As nuvens
escuras do céu iluminado por um clarão de relâmpago, anunciando a
tempestade iminente.
Há algumas cegonhas no telhado da direita. Cegonhas, por vezes, representam
o amor entre pais e filhos.
As colunas quebradas entre a mulher e o homem são a representação da
esperança e dos sonhos arruinados, provavelmente expressando a transição
entre o primeiro plano iluminado para a intimidadora imagem de fundo,
ambiente no qual se forma uma tempestade ameaçadora. As colunas
quebradas também podem simbolizar a morte.
O bebé não se encontra em cima da perna da mãe mas sim após dela o que
revela a despreocupação e falta de amor da mãe para com a criança. Esta não
mostra ternura e enquanto o amamenta não olha para ele.
Imagem
A tempestade

A tempestade iminente pode ser comparada ao apocalipse


referenciado no poema , tal como as colunas quebradas podem
ser comparadas às mortes causadas pelo apocalipse. O bebé
pode simbolizar o sujeito poético pois não lhe dá afeto e
atenção.