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Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Programa de pós-graduação em economia - PPGE


Curso de Mestrado em Economia do Desenvolvimento
Disciplina: Macroeconomia I
Professor: Adelar Fochezatto

II - Contas agregadas e restrições


orçamentárias dos agentes econômicos

Resumo adaptado do capítulo 8 do livro:


Agénor, P.R. The Economics of Adjustment and Growth,
Academic Press, 2000.

Porto Alegre, agosto de 2002


1
Sumário

1. Relações entre produção, renda e dispêndio


2. Matriz de contabilidade social
3. Identidades da renda nacional e restrições
orçamentárias
4. Modelos macroeconômicos

2
Introdução
 A formulação de modelos de análise macroeconômica
prescinde da construção de uma estrutura consistente
e integrada das contas agregadas da economia
 Esta estrutura é propiciada pela matriz de
contabilidade social. Esta matriz:
- é consistente porque, para cada agente, as receitas
devem ser iguais às despesas
- captura a integração dos agentes e mercados porque ela
interliga as contas da produção, da renda e do dispêndio da
economia
 A construção de um modelo econômico consiste
basicamente em “dar vida” (atribuir comportamento)
aos agentes econômicos contemplados na matriz. 3
1. Relações entre produção, renda e dispêndio

 A análise macroeconômica estrutura-se em torno de três


conceitos contábeis básicos:

Produção: compreende os bens e serviços produzidos pelos
agentes produtivos domésticos (firmas, instituições
financeiras e governo).

Renda: compreende a remuneração do trabalho e o
excedente operacional bruto das empresas (lucros, juros,
aluguéis e impostos).

Dispêndio: compreende os gastos com consumo de bens
duráveis e não duráveis e investimento.

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 Essas contas estão interligadas por três relações
macroeconômicos que definem as restrições orçamentárias
dos agentes:


Produção e renda: o valor da produção deve ser igual
ao valor da renda, excluindo as transferências, gerada
domesticamente [Y=(TI-SUB)+(W+)].

Renda, dispêndio e poupança: para cada agente, a
remuneração, mais as transferências, deve ser igual aos
gastos mais poupança (Linhas: 2 a 5; Colunas: B, C, D e E).

Poupança e acumulação de ativos: para cada agente,
a poupança mais os empréstimos devem ser iguais à
aquisição de ativos (Linhas: 6 a 9; Colunas: F, G, H e I).

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2. Matriz de contabilidade social macroeconômica
(Anexo)

 A matriz apresenta dois tipos de transações:


- transações da conta corrente
- transações da conta capital

 A matriz é composta de cinco grupos de contas:


- contas nacionais (PIB, oferta, demanda, absorção)
- contas do setor privado não financeiro
- contas do governo
- balanço patrimonial do setor financeiro
- balanço de pagamentos com o exterior
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2.1. Transações de conta corrente

 Leitura da matriz: as linhas representam as fontes


de recursos e as colunas os usos dos recursos

 Ex Ante: o balanço contábil de cada agente


representa restrições orçamentárias a serem
satisfeitas.

 Ex Post: o déficit de cada agente deve ser


financiado de modo que a soma das linhas deve ser
igual à soma das colunas (capacidade e necessidade
de financiamento).
7
a) Contas Nacionais (Linha 1 x Coluna A)

 Linha 1: alocação dos bens e serviços produzidos


internamente (Y) ou importados (J) entre: consumo do
governo (Cg); consumo privado (Cp); exportações (X);
investimento do governo (Ig) e privado (Ip), com I = Ig + Ip.

Coluna A: o PIB a preços de mercado (Y), é
decomposto em tipos de renda gerada na venda do
produto doméstico e importações: tributos indiretos
líquidos (tributos indiretos (TI) menos subsídios (SUB));
remuneração do trabalho (W) e excedente operacional
bruto (); e importações (J).

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A partir das contas nacionais pode-se calcular:

 o PIB a custo de fatores,Yfc: é a soma das


remunerações do trabalho (salários, contribuições
sociais) e do capital (excedente operacional bruto
das empresas). Por convenção, ele reverte para as
famílias e governo (Yfc = W + ).
 o PIB a preços de mercado, Y: é o valor adicionado
a custos de fatores mais os tributos indiretos líquidos
(Y = W +  + TI - SUB).
 a quantidade total de bens e serviços disponíveis
para uso final: soma do PIB a preços de mercado e
importações (Y + J = Cp + Cg + I + X).
9
b) Governo (Linha 2 x Coluna B)
 Linha 2: mostra as fontes de recursos do governo, Tg:
tributos indiretos líquidos (TI - SUB); tributos diretos sobre o
setor privado não financeiro (TD); transferências líquidas do
setor externo destinadas ao governo (NTgf).
 Coluna B: mostra os gastos do governo (G): consumo de
bens e serviços (Cg); as transferências líquidas para o setor
privado não financeiro (NTpg); o pagamento de juros ao setor
privado doméstico por conta da dívida pública interna (INTpg);
o pagamento de juros ao setor externo por conta da dívida
pública externa (INTfg); e a poupança do governo (Sg).
 A poupança do governo é dada por:
Sg = Tg - G
Tg = TI - SUB + OSg + TD + NTgf
G = Cg + NTpg + INTpg + INTfg 10
c) Setor Financeiro (Linha 3 x Coluna C)

Sistema financeiro: intermediário puro.
d) Setor privado não financeiro (Linha 4 x Coluna D)

Linha 4: mostra as fontes de receita do setor privado (Yp):
renda dos fatores, incluindo a remuneração do trabalho (W) e
excedente operacional bruto das empresas (); transferências
líquidas recebidas do governo (NTpg); pagamento de juros
recebidos do governo por conta da dívida pública interna
(INTpg); transferências líquidas (NTpf) mais pagamentos a
fatores por parte do exterior (NFPpf).

Coluna D: mostra os gastos do setor privado (CCp): consumo
privado (Cp); pagamento de tributos diretos (TD); pagamento
de juros sobre a dívida externa privada (INTfp); poupança
privada (Sp).

A poupança privada é definida como: Sp = Yp - CCp
onde: Yp = W +  + NTpg + INTpg + NTpf + NFPpf
CCp = Cp + TD + INTfp 11
e) Setor Externo (Linha 5 x Coluna E)
 Linha 5: mostra as fontes da renda destinada ao setor
externo: valor das importações de bens e serviços (J);
pagamentos de juros por parte do governo e do setor
privado por conta de suas respectivas dívidas, (INTfg) e
(INTfp).
 Coluna E: mostra as fontes de renda proveniente do
exterior: valor das exportações de bens e serviços (X);
transferências correntes líquidas para o governo e setor
privado, (NTgf) e (NTpf); pagamento líquido a fatores para o
setor privado (NFPpf); poupança do setor externo ou déficit
da conta corrente (CA).
 Saldo da conta corrente: um déficit na conta corrente
significa uma poupança positiva para o setor externo e vice-
versa.
CA = X + (NTgf + NTpf) + NFPpf - J - INTfg - INTfp 12
2.2. Transações da conta capital
 A conta capital registra as fontes de recursos usadas no
financiamento da aquisição de ativos por parte do governo,
setor privado não financeiro e setor externo.

a) Governo (Linha 6 x Coluna F)


 Linha 6: registra as fontes de financiamento da acumulação
de ativos do governo: poupança do governo (Sg);
empréstimos líquidos do sistema financeiro (Lgb);
empréstimos líquidos do setor privado não financeiro (Bp);
empréstimos líquidos do setor externo (FBg).
 Coluna F: registra os ativos acumulados pelo governo:
investimento do governo ou formação bruta de capital mais
variação de estoques (Ig).

Ig = Sg + Lgb + Bp + FBg 13


b) Setor financeiro (Linha 7 x Coluna G)
 Linha 7: mostra o passivo do sistema financeiro (M):
novas emissões de moeda doméstica; depósitos à vista;
depósitos a prazo.
 Coluna G: mostra os ativos do sistema financeiro:
empréstimos concedidos ao governo (Lgb); empréstimos
concedidos ao setor privado (Lpb); ativos externos líquidos
ou variação das reservas internacionais (R*).

Lgb + Lpb + R* = M

14
c) Setor privado não financeiro (Linha 8 x Coluna H)
 Linha 8: registra as fontes de financiamento da acumulação
de ativos do setor privado não financeiro: poupança do
setor privado (Sp); empréstimos líquidos do sistema
financeiro (Lpb); empréstimos líquidos do exterior (FBp).
 Coluna H: registra a aquisição de ativos do setor privado
não financeiro: investimento privado (ativos físicos, variação
de estoques, ativos não financeiros intangíveis) (I p);
empréstimos líquidos concedidos ao governo (Bp);
variação de ativos monetários (M), que representam o
passivo do setor financeiro.

Sp + Lpb + FBp = I p + Bp + M


15
d) Setor externo (Linha 9 x Coluna I)
 Linha 9: mostra a poupança externa, CA (déficit), e
variação de reservas externas no sistema financeiro, R*.
 Coluna I: as fontes de financiamento externo da linha 9
cobrem os empréstimos externos líquidos do governo,
FBg, e do setor privado, FBp.
 Um aumento (diminuição) do déficit em conta corrente e/ou
das reservas sempre é acompanhado por um aumento
(diminuição) da poupança externa (ingresso de recursos
compensatórios na forma de empréstimos).

CA + R* = FBg + FBp

16
e) Balanço Poupança-Investimento (Linha 10 x
Coluna J):

 A poupança total financia o investimento total:



Linha 10: a poupança total é a soma da poupança do
governo, Sg, do setor privado, Sp, e externa (CA).

Coluna J: o investimento total compreende o
investimento público, Ig, e o privado, I p.

Sp + Sg + CA = Ig + I p = I

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3. Identidades da renda nacional e restrições
orçamentárias

3.1. Produto interno bruto e absorção


3.2. A restrição orçamentária do governo
3.3. A restrição orçamentária do setor privado
3.4. A restrição orçamentária do setor externo
3.5. O balanço patrimonial do sistema financeiro
3.6. A igualdade entre poupança e investimento

18
3.1. Produto interno bruto e absorção

a) Linha 1 = Coluna A: a partir da matriz vista anteriormente,


pode-se definir o PIB de acordo com duas abordagens: do
dispêndio e do valor adicionado

Cg + Cp + X + Ig + Ip = W +  + (TI - SUB) + J (1)



PIB a preços de mercado, Y:

Y = C + I + X - J (2)
onde: C = Cg + Cp e I = I g + Ip

PIB a custo de fatores, Yfc:

Yfc = W +  (3) 19
 O PIB a preços de mercado, Y, é igual ao PIB a custo de
fatores, Yfc, mais tributos indiretos líquidos de subsídios.
Y = Yfc + (TI - SUB)
 A expressão (2) pode ser redefinida como:
Y + J - X = C + I = A (4)
 A importação líquida, J - X, é igual ao excesso de absorção
doméstica sobre o PIB, A-Y, que é igual ao excesso de
investimento sobre a poupança doméstica, I-S.

J - X = A - Y = I - (Y - C) = I - S (5)
 Uma redução do déficit comercial é alcançada via: diminuição
da absorção ou um aumento da poupança doméstica.
20
3.2. Restrição orçamentária do governo

a) Linha 2 = Coluna B: A receita corrente do governo é


igual ao gasto corrente mais poupança.

TI - SUB + TD + NTgf =
Cg + NTpg + (INTpg + INTfg) + Sg (6)

ou
Tg - G = Sg (7)

21
b) Linha 6 = Coluna F (poupança e empréstimos do
governo): A poupança do governo mais empréstimos
internos e externos líquidos é igual aos ativos físicos
adquiridos
Sg + Lgb + Bp + FBg = Ig (8)

 Substituindo Sg por (Tg – G) em (8):

G + Ig - Tg = Lgb + Bp + FBg (9)


O lado esquerdo é o déficit fiscal e o lado direito
mostra as fontes de financiamento do déficit.
22
3.3. Restrição orçamentária do setor privado
a) Linha 4 = Coluna D:

W +  + NTpg + INTpg + NTpf + NFPpf =


Cp + TD + INTfp + Sp
ou
Yp = CCp + Sp (10)
com
CCp = Cp + TD + INTfp
Yp = W +  + NTpg + INTpg + NTpf + NFPpf
23
b) Linha 8 = Coluna H: poupança e empréstimos do
setor privado
Sp + Lpb + FBp = Ip + Bp + M (11)
 Substituindo Sp por (Yp – CCp) em (11) obtemos a
restrição orçamentária do setor privado:

Yp - CCp + Lpb + FBp = Ip + Bp + M (12)



A renda do setor privado, líquida de despesas,
mais empréstimos líquidos é igual à aquisição de
ativos (moeda, investimento físico, empréstimos
ao governo).
24
3.4. A restrição orçamentária do setor externo
a) Linha 5 = Coluna E:

J + INTfg + INTfp = X + NTgf + NTpf + NFPpf + CA (13)


b) Linha 9 = Coluna I: poupança e empréstimos do setor
externo
CA = FBg + FBp - R* (14)

 um déficit em conta corrente (poupança positiva do setor


externo), CA, pode ser financiado via:

aumento dos empréstimos externos líquidos (que
significa um aumento da dívida externa);

redução do nível de reservas.
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 Restrição orçamentária do setor externo:
J - X = F - R* (15)
em que F = FBg + FBp denota o ingresso total
de capital; J = J + INTfg + INTfp os pagamentos
feitos pela economia doméstica (soma das
importações e juros da dívida externa); X = X +
NTgf + NTpf + NFPpf as receitas da economia
doméstica (soma das exportações, transferências
líquidas e pagamentos líquidos a fatores vindos do
exterior).

O lado esquerdo da expressão (15) mostra o ingresso
líquido de capital em termos de bens e serviços e o lado
direito a aquisição de ativos externos ou empréstimos
externos líquidos.
26
3.5. Balanço patrimonial do sistema financeiro
a) Linha 7 = Coluna G: (considerado um intermediário puro)
L + R* = M (16) ou R* = M - L (16a)
onde: L = Lgb + Lpb

A variação de ativos do sistema financeiro, crédito
concedido ao governo e ao setor privado e ativos externos
líquidos, deve ser igual à variação do seu passivo, a
expansão monetária.

A expressão (16a) mostra que a variação das reservas
externas é igual a variação da demanda de moeda menos
a variação do crédito doméstico total.

Se a demanda de moeda é constante, então um aumento
do crédito doméstico será compensado por uma diminuição
das reservas na ordem de um-por-um (modelo de
programação financeira do FMI). 27
3.6. A igualdade entre a poupança e o investimento

Somando as restrições orçamentárias do governo (9) e do
setor privado (12), e usando as expressões (7) e (10)
obtemos:
S + L + F = I + M (17)

pela expressão (15), F = J - X + R*

então podemos definir (17) como:

S + L + (J - X) + R* = I + M
usando (16), obtemos a igualdade entre poupança e
investimento:
I = S + (J - X) (18)

O investimento doméstico é financiado pela poupança 28
doméstica mais a externa (déficit da conta corrente, CA)
Lista de exercícios n.2:
 Este exercício pode ser feito em grupo (os mesmos do
trabalho) e consiste em construir uma matriz de contabilidade
social macroeconômica para o Brasil. Cada grupo deve fazer
a matriz para um determinado ano.
- Grupo 1: 1998
- Grupo 2: 1997
- Grupo 3: 1996
- Grupo 4: 1995
- Grupo 5: 1994
 Boa parte dos dados necessários encontram-se nas Contas
Nacionais do IBGE. Endereço:
http://www2.ibge.gov.br/pub/Contas_Nacionais/Sistema_de_Contas_Nacionais/
 Outras fontes úteis são o BACEN e o IPEA.
 O exercício pode ser entregue até a data da prova. 29
4. Modelos macroeconômicos

São representações numéricas da teoria e
da intuição econômica.

Mostram efeitos de mudanças políticas que
resultam de encadeamentos que a mera
intuição não consegue identificar.

Para entender a macroeconomia dos países
em desenvolvimento não é necessário
produzir novas teorias econômicas: basta
construir modelos teóricos e empíricos
adaptados às circunstâncias reais.
30
4.1. Porque formular modelos
macroeconômicos


Para analisar efeitos de políticas econômicas

Para prever o comportamento de variáveis
econômicas

A construção de modelos adaptados à
realidade do país é uma condição necessária
para a formulação de políticas econômicas
adequadas evitando, assim, que elas sejam
apenas exercícios de disputa teórica.
31
4.2. Tipos de modelos macroeconômicos

Em geral, os modelos econômicos são
construídos para fazer previsões ou
simulações.

Para fazer previsões, utiliza-se modelos
econométricos que, em geral, trabalham com
um menor número de variáveis.

Para fazer simulações, utiliza-se modelos de
Equilíbrio Geral Computável (CGE) que
procuram abranger todo o sistema econômico.

As diferenças entre os modelos podem
decorrer de seus objetivos ou de suas
perspectivas teóricas. 32
4.3. Estrutura dos modelos macroeconômicos

Os modelos macroeconômicos são
formados por equações de comportamento
e identidades contábeis

As equações de comportamento procuram
representar as ações e reações dos
agentes econômicos: consumidores,
produtores, governo, instituições
financeiras.

As identidades contábeis representam
condições de equilíbrio e restrições que, no
agregado, devem ser respeitadas. 33

As variáveis e parâmetros dos modelos
podem ser classificados em: variáveis
endógenas, variáveis exógenas e
parâmetros.

Variáveis endógenas: são explicadas pelo
modelo

Variáveis exógenas: seus valores são
fornecidos ao modelo. Estas variáveis
normalmente são utilizadas como instrumentos
de política econômica.

Parâmetros: seus valores são fornecidos ao
modelo e permanecem fixos. Estes podem ser
calibrados ou estimados econometricamente.
34

No modelo, cada variável endógena é
explicada por outras e explicativa de outras
variáveis endógenas:
VENDi,t = f(VENDj,t-n,t+n,VENDj,t, VEXOi,t, PARi)

A solução deve satisfazer todas as equações
simultaneamente. Isto é feito de forma
iterativa pelos algoritmos.

Os algoritmos se encarregam de ordenar as
equações para viabilizar a solução simultânea.
Normalmente eles separam as equações em
blocos em que primeiro resolvem algumas para
servir de recurso na solução de outras.
35

O passo mais difícil na elaboração do
modelo econômico é estabelecer as
interações entre os diferentes agentes
econômicos e suas relações no mercado.
Para isso é preciso:

ter uma visão geral da economia que está sendo
analisada (MCS).

ter um sólido conhecimento de teoria econômica
(comportamento, interdependências,
causalidades)

ter claro o enquadramento do modelo em termos
de filiação teórica (neoclássico, keynesiano,
marxista, estruturalista, misto, etc.)
36
4.4. Vantagens dos modelos de simulação

Podem ser usados para avaliar uma grande
variedade de políticas econômicas que podem
ser testadas isoladamente ou em “pacotes”.

Como são modelos de equilíbrio geral, são
adequados para a análise de políticas
econômicas pois elas produzem efeitos que se
distribuem em todo o sistema econômico.

Seus resultados providenciam um mapa
detalhado e abrangente dos ganhadores e
perdedores de uma determinada mudança de
política econômica.
37

Suas principais aplicações são na análise
de: reformas tributárias, políticas
comerciais, ajustes macroeconômicos,
mercados de trabalho, blocos econômicos,
economias regionais e políticas setoriais.

Podem ser usados também para analisar as
conseqüências distributivas de escolhas
políticas.

Por isso, podem ajudar na formulação de
políticas pois permitem que se faça
comparações de políticas econômicas
alternativas em função dos objetivos
traçados.
38

São extremamente flexíveis:

nas opções de desagregação (setores,
famílias, regiões, fatores, etc.)

na especificação das equações de
comportamento

Demandam dados consistentes (oriundos
de uma matriz de contabilidade social) e,
por isso, os resultados obrigatoriamente
serão consistentes.

Demandam clareza na especificação das
equações facilitando o aprendizado e
ajudando na interpretação dos resultados.
39
4.5. Algumas desvantagens dos modelos de
simulação


São complexos e requerem habilidade na
sua construção e manutenção.

Demandam grande volume de dados e
não toleram inconsistências nos mesmos.

Não são modelos de previsão. Modelos de
previsão são “verticais” e modelos de
simulação são “horizontais”.

40
4.6. Matriz de contabilidade social: base para
a modelagem macroeconômica


A matriz de contabilidade social é a base
empírica de muitos modelos
macroeconômicos.

Pode ser construída para diferentes níveis
de abrangência: município, estado, país,
conjunto de países, economia global.

41

Cada célula da matriz, que representa uma
transação, pode ser pensada como sendo o
resultado de um processo de otimização
do(s) agente(s) envolvido(s).

Os valores das células da matriz podem ser
vistos como dependentes de outras
variáveis e parâmetros:
tij = f(P, Q, V, Z)
onde P e Q representam, respectivamente,
preços e quantidades de produtos e fatores,
V as variáveis e fatores exógenos e Z os
parâmetros das formas funcionais. 42

Um modelo de simulação é
simplesmente uma formalização desta
representação geral de cada
combinação da matriz, juntamente com
as identidades contábeis e restrições
macroeconômicas nela definidas.


Os modelos se diferenciam pela
maneira de definir o comportamento e o
fechamento macroeconômico.
43
4.7. Definição dos parâmetros dos modelos
de simulação (calibragem)


A matriz providencia uma fotografia da
economia em um determinado ponto do
tempo e cada célula registra o valor de
cada transação (i.e. o produto de preços e
quantidades).

Quando ocorre um choque sobre o sistema,
provocado, por exemplo, por uma mudança
na política econômica, normalmente
alteram-se os preços e as quantidades.
44

Como na matriz não há separação do valor
das transações em preços e quantidades,
deve-se adotar um critério para fazer esta
partição.

Uma forma muito usada é normalizar todos
os preços domésticos como sendo iguais à
unidade no ano base.

A primeira tarefa do modelo pronto é
calcular o valor das células da matriz. Isto
serve para verificar se o mesmo está apto
para a simulação de políticas alternativas e
análises contrafactuais. 45
4.8. Estratégia para a construção de modelos de simulação
Estrutura geral
do modelo Análise
Base de dados: econométrica
MCS Calibragem de parâmetros
de equilíbrio de comportam.

Políticas de
Simulação de referência
referência

Experimentos Simulação
de políticas contrafactual

Análise de Novas suposições


performance de comportamento
comparativa

Novos dados
Novos temas 46
4.9. Esquema simplificado de um modelo de simulação
(fluxos monetários)
Firmas
Y N D X Sf
I
Mercado Mercado
Mercado de
de M BC de
Fatores
produtos RM crédito
Y G
C Tm
Sg Sh
Famílias Governo
Td

Legenda:
Y renda dos fatores X Exportações Sh Poup. famílias
C Consumo M Importações Sf Poup. firmas
G Gastos governo BC (-)Bal. comercial (M-X) Sg Poup. governo
N Ins. intermediários Td Impostos diretos I Investimento
D Produção vendida Tm Tarifas importação
47
no mercado dom.