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MINÉRIO DE FERRO – PROCESSOS DE OBTENÇÃO E SUA UTILIZAÇÃO NA SIDERURGIA

 
 
 
 
 
 
 
 
 
PRODUÇÃO DE GUSA:
INFLUÊNCIA DAS CARACTERÍSTICAS DA MATÉRIA-PRIMA
 
 
 Luiz Fernando Andrade de Castro

UFMG
 
 
 
 
PRODUÇÃO DE GUSA – INFLUÊNCIA DAS CARACTERÍSTICAS
DA MATÉRIA-PRIMA

 
. INTRODUÇÃO
 
. ALTO-FORNO
 
. AVALIAÇÃO DO MINÉRIO DE FERRO E DO SÍNTER
 
. AVALIAÇÃO DA PELOTA
 
. INFLUÊNCIA DAS CARACTERÍSTICAS DA CARGA METÁLICA
NO PROCESSO
PRODUÇÃO DE GUSA – INTRODUÇÃO
 PROCESSOS PARA A PRODUÇÃO DE FERRO-GUSA LÍQUIDO:
  . ALTO-FORNO
. COREX
. FORNO ELÉTRICO DE REDUÇÃO
 BRASIL: 100% ALTO-FORNO
Produção Total de Ferro-Gusa em 2001 = 27.391.000 t

6.278.000 t
(Altos-Fornos a Carvão Vegetal - Produtores 5% 1.491.000 t
Independentes) (Altos-Fornos a Carvão vegetal- Usinas
23%
Integradas)

72% 19.622.000 t (Altos-Fornos a


Coque)
ALTO-FORNO: DESCRIÇÃO DO PROCESSO
PRODUÇÃO DE GUSA – AVALIAÇÃO DO MINÉRIO DE
FERRO E DO SÍNTER
 
ANÁLISES: QUÍMICA
GRANULOMÉTRICA
  
ENSAIOS: TAMBORAMENTO
  CREPITAÇÃO
(SÓ MINÉRIO)
  REDUTIBILIDADE
  RDI (ÍNDICE DE DEGRADAÇÃO
SOB REDUÇÃO)
  PROPRIEDADES A QUENTE
AVALIAÇÃO DO MINÉRIO DE FERRO E DO SÍNTER
 ANÁLISE/ENSAIO OBJETIVO
Análise Química Balanço de massa Avaliação da escória

Análise granulométrica Avaliar a distribuição granulométrica

Tamboramento Avaliar a resistência mecânica durante o transporte e


manuseio

Crepitação Avaliar os finos gerados por choque térmico

Redutibilidade Avaliar a velocidade de remoção de oxigênio do óxido


de ferro

RDI Avaliar a degradação durante a redução

Propriedades a quente Avaliar o início de amolecimento e final de fusão


AVALIAÇÃO DO MINÉRIO DE FERRO E DO SÍNTER
 ENSAIOS DE TAMBORAMENTO 
Baseados na Norma ISSO – 3271 NBR 11295 
Uma amostra de 15 kg é colocada em um tambor cilíndrico de 1000mm de diâmetro e
500mm de comprimento e submetida a 200 rotações. 

Em seguida a amostra é retirada e peneirada em 4,76mm e 0,50mm. Os Índices de


Tamboramento (TI) e de Abrasão (AI) são dados pela % retida em 4,76mm e passante
em 0,50mm, respectivamente. 

CREPITAÇÃO 
Consiste em submeter a amostra a um choque térmico.
Baseado na ISSO – DP 8371
Massa da amostra: 500 g
Temperatura: 700ºC
Tempo: 30 minutos
Atmosfera: oxidante 
Após o resfriamento à temperatura ambiente, a amostra é peneirada e é determinado o
Índice de Crepitação, expresso pela % da massa passante na malha de 4,76mm.
CLASSIFICAÇÃO DOS MINÉRIOS QUANTO À CREPITAÇÃO

1) MINÉRIOS NOS QUAIS O FENÔMENO DE CREPITAÇÃO ESTÁ ESTREITAMENTE LIGADO À


QUANTIDADE DE ÁGUA DE HIDRATAÇÃO.
2) MINÉRIOS QUE, APESAR DE NÃO APRESENTAREM QUANTIDADES APRECIÁVEIS DE ÁGUA
DE HIDRATAÇÃO, SÃO FORTEMENTE SUSCEPTÍVEIS À CREPITAÇÃO.
3) MINÉRIOS COM TEORES ELEVADOS DE ÁGUA DE HIDRATAÇÃO MAS COM BAIXOS
ÍNDICES DE CREPITAÇÃO

PRIMEIRO TIPO: DEGRADAÇÃO DEVIDO À DECOMPOSIÇÃO DE COMPOSTOS HDRATADOS


(GOETITA).

SEGUNDO TIPO: PEQUENAS INCRUSTAÇÕES DE GOETITA GERAM TENSÕES SUFUCIENTES


PARA A DEGRADAÇÃO DO MINÉRIO.

TERCEIRO TIPO: MINÉRIOS POROSOS ONDE O VAPOR D’ÁGUA GERADO NÃO ENCONTRA
RESITÊNCIA NA SAÍDA.
DIFRATOGRAMA
(a) MINÉRIO MOÍDO
(b) INCRUSTAÇÃO SOBRE A SUPERFÍCIE DE FRATURA DE UMA PEÇA DO MESMO
MINÉRIO
AVALIAÇÃO DO MINÉRIO DE FERRO E DO SÍNTER
REDUTIBILIDADE
O ensaio é realizado numa montagem própria
Temperatura de redução: 800 a 950ºC
Tempo de redução: 180 minutos
Relação CO/CO2: 1,5

Vazão dos gases: 15 NL/min


Massa da amostra: 500 g
Durante a redução faz-se o monitoramento da perda de peso da amostra e calcula-se a redução e a relação O/Fe.
Os índices são dados pela % redução, após 180 minutos e pelo tempo necessário para a relação O/Fe atingir 1,1.
  
RDI – ÍNDICE DE DEGRADAÇÃO SOB REDUÇÃO
 
O ensaio é baseado no procedimento JIS (RDI-JIS)
Temperatura de redução: 500ºC
Tempo de redução: 30 minutos
Composição dos gases: 30% CO e 70% N 2

Vazão dos gases: 15 NL/min


Massa da amostra: 500 g
Após a redução e resfriamento, a amostra é submetida ao tamboramento em um tambor cilíndrico de 130x200mm a
900 rotações. Em seguida, a amostra é peneirada em 2,83 mm.
O índice é expresso pela % passante em 2,83 mm.

 
MONTAGEM UTILIZADA NOS TESTES DE REDUTIBILIDADE E RDI
DETALHE DA RETORTA PARA OS TESTES DE REDUTIBILIDADE E RDI
PRODUÇÃO DE GUSA – AVALIAÇÃO DA PELOTA

 Além das análises e ensaios anteriores:


 . RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO
Mínimo de 200 kgf/pelota

 . INCHAMENTO
20 % Máximo (ISO)
 As pelotas são colocadas num forno tubular na temperatura de 1000ºC
 10ºC e atmosfera de 40% CO e 60% N2. num tempo de 120 minutos. O
volume das pelotas é medido antes e depois do teste.
  
. REDUÇÃO SOB PRESSÃO
 ISO: 1,2 kg de pelotas (10-12,5 mm de diâmetro) a 1050ºC numa
atmosfera de 40% CO e 60% N2 numa pressão de 0,5 bar.

É monitorada a perda de peso com o tempo (remoção de oxigênio).


INFLUÊNCIA DAS CARACTERÍSTICAS DA CARGA METÁLICA NO
ALTO-FORNO

COMPOSIÇÃO QUÍMICA
  . MENOR quantidade de ganga

. MENOR quantidade de escória

Consumo menor de carbono e maior produtividade

. Fósforo é todo incorporado ao ferro-gusa


 
. Álcalis (K2O + Na2O) são prejudiciais ao processo
INFLUÊNCIA DAS CARACTERÍSTICAS DA CARGA METÁLICA
NO ALTO-FORNO

DISTRIBUIÇÃO GRANULOMÉTRICA
. Quanto mais estreita melhor:

Figura 8 – Efeito da distribuição granulométrica na fração de vazios do leito


INFLUÊNCIA DAS CARACTERÍSTICAS DA CARGA METÁLICA NO
ALTO-FORNO

TAMANHO DAS PARTÍCULAS


. Quanto menor o tamanho das partículas, maior será a velocidade de redução:

Figura 9 – Velocidade de redução do minério de ferro “versus” diâmetro da partícula


INFLUÊNCIA DAS CARACTERÍSTICAS DA CARGA METÁLICA
NO ALTO-FORNO

. Quanto menor o tamanho das partículas, menor será a permeabilidade do leito:

Figura 10 – Permeabilidade do leito “versus” tamanho da partícula


INFLUÊNCIA DAS CARACTERÍSTICAS DA CARGA METÁLICA
NO ALTO-FORNO

RESISTÊNCIA MECÂNICA
 
Quanto maior for a resistência mecânica, menor será a geração de finos durante o
transporte e o manuseio.
 
Pelota: resistência à compressão (transporte)
 

CREPITAÇÃO (Minério de Ferro)


  
Quanto menor for a crepitação, menor será a quantidade de finos gerada na zona granular
do alto-forno e mais permeável será o leito.

Menor consumo de carbono


Maior produtividade
INFLUÊNCIA DAS CARACTERÍSTICAS DA CARGA METÁLICA
NO ALTO-FORNO

REDUTIBILIDADE
 
Quanto maior for a redutibilidade, maior será a eficiência de redução da carga
metálica na zona de preparação do alto-forno.

Menor consumo de carbono


Maior produtividade

RDI (ÍNDICE DE DEGRADAÇÃO SOB REDUÇÃO)


Quanto maior for o RDI, menor será a eficiência de redução da carga metálica na zona d
preparação do alto-forno.

Maior consumo de carbono


Menor produtividade
INFLUÊNCIA DAS CARACTERÍSTICAS DA CARGA METÁLICA
NO ALTO-FORNO

PROPRIEDADES A QUENTE
 
Quanto menor for a diferença entre as temperaturas de início de
amolecimento e final de fusão, mais permeável será a zona de
amolecimento e fusão

Menor consumo de carbono


Maior produtividade