Você está na página 1de 38

Ambiência e nutrição

P R O F. R O N Y A N T O N I O F E R R E I R A
DZO - UFLA
Conteúdo:

Calor e metabolismo pós-absorção


Alterações intestinais
Evolução da nutrição
Partição da energia dietética
Ajustes da nutrição e alimentação em climas
adversos:
1) Forma de apresentação da ração

2) Ajuste da proteína e da energia da ração

3) Ajuste do Incremento Calórico (IC) da ração

4) Balanço eletrolítico das rações (BER)


Calor e metabolismo pós absortivo

 O calor altera o metabolismo e a hierarquia da


utilização de nutrientes.

 Para manutenção da vida e adaptação ao


estresse térmico, várias alterações fisiológicas e
metabólicas são orquestradas no período pós
absortivo.
A síntese do produto (leite, músculo, ovos...) não é limitada pela
capacidade de ingestão de energética, mas sim pela capacidade de
dissipação de calor (Speakman e Krol 2010).
Estresse térmico e metabolismo pós absortivo

 O estresse altera o metabolismo e a hierarquia da utilização de


nutrientes.

 Para manutenção da vida e adaptação ao estresse térmico,


várias alterações fisiológicas e metabólicas são orquestradas no
período pós absortivo.
Metabolismo de Carboidratos

Estresse por calor causa

Aumento da produção de glicose hepática (gliconeogênese e glicogenólise)


Aumento do lactato plasmático (oriundo do lactato muscular)

Apesar da baixa ingestão de nutrientes, os animais tendem a


apresentar aumento da síntese de HSP e hiperinsulinemia:
Metabolismo de Carboidratos

Causas para hiperinsulinemia:

• Desequilíbrio ácido-base: ↑ da FR causa alcalose e os rins


começam a reter H+ provocando acidose metabólica,
prejudicando a sensibilidade dos tecidos à insulina.

• Endotoxina circulante
Metabolismo de Proteínas

• Estresse por calor

Há menor ingestão de nutrientes.

Os AA’s musculares são mobilizados como substratos para o


metabolismo energético e para síntese de proteínas de fase
aguda, limitando a deposição de tecido magro.
Metabolismo de Proteínas

• Estresse por calor

O catabolismo é aumentado, em função da maior taxa de


catabolismo protéico ou resultado direto de dano muscular
induzido pelo calor

Há aumento da concentração plasmática de N uréico,


3 metil-histidina e creatina,
indicando catabolismo muscular e menor síntese proteica.
Metabolismo de Lipídeos

• Estresse por calor


Deposição de gordura abdominal em aves e suínos
(Yunianto et al. 1997 )

Redução nas taxas lipolíticas e na atividade enzimática


lipolítica in vitro (Torlinska et al. 1987).
Metabolismo de Lipídeos

– Alterações no metabolismo lipídico durante HS pode resultar


do aumento da concentração de insulina e/ou sensibilidade à
insulina, uma vez que a insulina é potente hormônio
antilipolítico e lipogênico (Vernon, 1992).

– Maior sensibilidade à insulina em resistência ao calor em


• Roedores (DeSouza e Meier, 1993),
• Suínos (Hall et al., 1980),
• Bezerros (O'Brien et al. 2010)
• Vacas em lactação (Wheelock et al. 2010).
Alterações intestinais

A vasodilatação periférica no calor:

Resulta em fluxo sanguíneo intestinal diminuído (Lambert, 2009).

Pode levar à hipóxia do epitélio intestinal, alterando a


morfologia intestinal.
Alterações intestinais

Vasodilatação periférica no calor:

comprometimento
da capacidade das
junções de oclusão
manterem uma
barreira efetiva.

 Aumenta a probabilidade de translocação


bacteriana.
Alterações intestinais

 Endotoxemia / septicemia / inflamações.

 Alterações na morfologia das vilosidades pode


diminuir a digestibilidade de nutrientes.

A própria restrição pode aumentar a


permeabilidade intestinal.
Evolução da nutrição

→ Antes: rações baseadas em parâmetros de


países temperados.

→ Hoje: tabelas de composição e exigências


nutricionais no Brasil.
 
Partição da energia dietética

Resumidamente:
 
EM = ED - Egc - EU
 
 

Ruminantes corresponde a ≈ 82% da ED


EM da dieta
Não ruminantes corresponde a ≈ 94%da ED
Incremento calórico

Calor produzido pela fermentação no trato digestório, no


processamento e utilização dos nutrientes.
 
 
 O IC permite economia de ELmantença (EL produção).
 Ruminantes têm maior IC que os não ruminantes.
 Não ruminantes: mais eficientes na conversão de alimentos com baixa
fibra.
Tabela 1: Incremento calórico de alguns alimentos

Espécie IC (kcal / 100 kcal de Energia Metab.)


  Gordura CHOs PTn Ração
Suíno 9 17 26 10 a 40
Bovino 35 37 52 35 a 70
Carneiro 32 32 54 35 a 70
Adaptado de CURTIS (1983).
O que afeta o IC?

 Espécie
Qualidade da dieta
Consumo
Desempenho produtivo

Estresse
Atividade física
EL mantença EL produção

Sobrevivência Crescimento
ENERGIA INGERIDA Partição biológica da
ENERGIA DAS ENERGIA
FEZES

ENERGIA DIGESTÍVEL
E. Fecal aparente
Alimt°
Energia dos
E. Metab. gases
Fecal

Energia da urina

ENERGIA METABOLIZÁVEL
aparente
E. V. E.V.
Endógena Alimt°

ENERGIA METABOLIZÁVEL
ENERGIA LÍQUIDA
verdadeira

Incremento calórico
E. LÍQUIDA MANTENÇA E. LÍQUIDA PRODUÇÃO
Calor: fermentação •Metabolismo Basal •Crescimento
digestão •Calor de Atividade •Acréscimo de Gordura
absorção •Calor de Regulação Térmica •Armazenamento CHO’s
form. produto •Energia Metabólica Fecal •Ovos
form. excr. fezes •Energia Metabólica Urinária •Sêmen
ENERGIA INGERIDA Partição biológica da
4000 kcal
ENERGIA em
FEZES:
200 kcal função do ambiente
TÉRMICO
ENERGIA DIGESTÍVEL
3800 kcal
Gases: 200 kcal

Urina: 200 kcal

ENERGIA METABOLIZÁVEL
3400 kcal ENERGIA LÍQUIDA 3350 kcal

Incremento calórico E. LÍQUIDA MANTENÇA E. LÍQUIDA PRODUÇÃO


50 kcal Conf Calor Frio Conf Calor Frio
1675 1800 1750
1800 1675 1550 1600
kcal kcal kcal kcal kcal kcal

Frio Frio
1800 1550
kcal kcal
TAE e eficiência na utilização dos alimentos

  A eficiência é afetada no frio e no calor

FRIO: a EM é utilizada na mantença


CALOR:  CR provoca  EM destinada à produção
Evolução da nutrição

→ Climas diferentes: ≠ desempenho dos animais e


≠ alimentos.
 
→ Melhoramento genético: animais adaptados a
climas quentes ou frios, mas não adaptados às
grandes flutuações.
Necessário ajuste nutricional de acordo com:

→ Peso corporal
Determinam
→ Idade quanto da energia
da ração será para
→ Nível de alimentação demanda térmica e
o restante para
→ Instalações ganho de peso e
produção.
→ Adaptação dos animais
 
Formulação de rações em diferentes ambientes

Quadrado de Pearson
Equações
Programas
Máximo desempenho: manejo nutricional adequado
Estresse térmico: alteração no consumo de ração
Tabela 1. Efeito da temperatura sobre o consumo de ração em suínos
Temperatura Ambiente
20°C 24°C 28°C
Consumo de ração
(kg/dia) 2,40 2,24 1,99
Redução no
consumo (%) - 6,7 17,1
Adaptado de Dourmand e Noblet (1998)
Tabela 2. Efeito da temperatura sobre o consumo de ração de frangos de corte
Temperatura ambiente
17°C 22°C 28°C
Consumo de ração
(g/dia/ave) 2.711 2.545 2.272
Redução no consumo
(%) - 6,1 16,2
Adaptado de Bertechini (1991)
Tabela 3. Efeito da temperatura sobre o consumo de ração de bovinos leiteiros
Temperatura ambiente
18°C 30°C
Consumo de concentrado
(kg/dia) 9,7 9,2

Redução no consumo (%) - 5,1


Adaptado de MacDowell (1975)
Ajustes da nutrição e alimentação em climas adversos

1) Forma de apresentação da ração


2) Ajuste da proteína e da energia da ração
3) Ajuste do Incremento Calórico (IC) da ração
4) Balanço eletrolítico das rações (BER)
1) Forma de apresentação da ração:

 
→ Peletizada: Maior ingestão em menor volume.
 
→ Úmida ou líquida: Fácil ingestão e facilita a dissipação de calor.
 
→ Farelada: Mais econômica (pulverulência).
2) Ajuste da proteína e da energia da ração:

 
Rações de verão ou de inverno: rentabilidade econômica.
 
Objetivo: manter o mesmo valor de ingestão de
nutrientes/dia.
 
Ex: Ração de verão
Suíno em terminação com 60 kg p.v.
Ajustes da alimentação e das rações em climas adversos

CRD (g/dia) gPB/dia % PB fórmula


Conforto 1.800 297 16,5
Calor 1.600 297 ?
Frio 1.900 297 ?
Ajustes da alimentação e das rações em climas adversos

CRD (g/dia) gPB/dia % PB fórmula


Conforto 1.800 297 16,5
Calor 1.600 297 18,5
Frio 1.900 297 15,6
3) Ajuste do Incremento Calórico da ração:

 O IC aumenta de acordo com:


→ o teor de PB na fórmula.
→ o teor de Fibra na fórmula.
 
O IC diminui com:
→ Redução da PB e uso de AA’s industriais.
→ Menor Fibra.
→ Uso de óleos ou gorduras.
 
Adensar todos os nutrientes e a Energia a fórmula
Ajustes da alimentação e das rações em climas adversos

Tabela: Efeito do ajuste da energia da ração em frangos de corte


Níveis de energia metabolizável (kcal EM/kg)
2.850 3.000 3.150
23°C 34°C 23°C 34°C 23°C 34°C
CRD (g/ave) 850 786 848 797 842 793
Consumo de
energia (kcal/g)
2,42 2,24 2,54 2,40 2,65 2,50
Consumo de PB
(g/dia/ave)
189 183 188 185 187 184

Adaptado de Zanusso et al. (1998).


Ajustes da alimentação e das rações em climas adversos

Acréscimo de óleos e gorduras:


→ até 6% para suínos
→ até 4% para bovinos
4) Balanço eletrolítico das rações (BER)

 
→ O equilíbrio ácido-base regula o apetite dos animais.
 
→ Bovinos têm esse equilíbrio comprometido em temp.
elevadas, pois através da sudorese excretam grande
quantidade de cloreto, potássio e sódio.
 
→ Uso de bicarbonato de sódio e cloreto de potássio
ajudam no equilíbrio eletrolítico e aumentam o
consumo de água.