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FARMACOLOGIA CLÍNICA

AINES

MEDICINA 2016 - UFSB

PROF. HERMÍNIO ASEVEDO NETO


FARMACOLOGIA
CLÍNICA
AINES
ANALGÉSICOS
CORTICÓIDES
MECANISMOS DA INFLAMAÇÃO
• ESTÍMULOS FÍSICOS
• ESTÍMULOS QUÍMICOS
• LIBERAÇÃO DE ÁCIDO ARAQUIDÔNICO (AA)
• METABOLIZAÇÃO DE AA ATRAVÉS DA AÇÃO DE
CICLOOXIGENASES, LIPOXIGENASES E OUTROS
PROSTANÓIDES
• PROSTAGLANDINAS
• têm sua síntese desencadeada por estÍmulos nas membranas celulares
(natureza fisiológica, farmacológica ou patológica)
• participam de diversas ações metabólicas, processos fisiológicos e
patológicos, vasodilatação ou vasoconstrição
• hiperalgesia
• contração ou relaxamanto da musculatura brônquica e uterina hipotensão
• ovulação
• aumento do fluxo sanguíneo renal
• proteção da muscosa gástrica e inibição da secreção ácida também no
estômago
• resposta imunológica (p. ex: inibição da agregação plaquetária)
• regulação de atividade quimiotáxica;
• progressão metastática
• função endócrina
PROSTANÓIDES
• PROSTACICLINAS
• Prostaglandina PGI2

• TROMBOXANOS
CICLOOXIGENASES
• COX 1 – expressa na maioria das células e envolvida nas
funções celulares de manutenção
• COX 2 – hiper-regulada pelas citocinas, poe estresse de
cisalhamento e por fatores de crescimento, é a fonte
principal da síntese dos prostanóides na inflamação e no
câncer
LIPOXIGENASES
• LEUCOTRIENOS
• Resultante da ativação de eosinófilos, mastócitos, LPMN ou
monócitos
• LIPOXINAS
DOR
• Mecanismos da Dor Aguda
• Doentes que sofrem traumatismos acidentais ou deliberados
(incluindo os cirúrgicos e do parto), experimentam a sensação de
dor aguda causada por danos teciduais variados.
• Tecidos lesados incluem pele, músculos, ossos, tendões,
ligamentos e órgãos viscerais.
• Os sintomas variam dependendo do tipo de tecido lesado e a
extensão da lesão.
• Vias sensitivas relacionadas com a dor transmitem a informação a
partir do tecido danificado para o sistema nervoso central (SNC).
DOR
• Ativação do nociceptor, sensibilização e hiperalgesia em
dor aguda
• Os nociceptores são receptores sensitivos que respondem a
danos teciduais.
• Os nociceptores possuem propriedades de resposta única que
dependem do órgão que eles inervam.
• Estas propriedades únicas, em parte, fornecem a base para as
diferenças de estados clínicos de dor aguda depois de lesões em
órgãos diferentes.
• Sensibilização é uma característica dos nociceptores em que as
respostas aos estímulos são incrementadas no local da lesão
• Sensibilização do nociceptor produz hiperalgesia primária no
local da lesão
DOR
• Mediadores da ativação do nociceptor e sensibilização
em lesão aguda do tecido
• As substâncias que são liberadas durante a lesão aguda e causam
a dor não são totalmente conhecidas.
• Prostaglandinas liberadas pelo traumatismo do tecido sensibilizam
os nociceptores.
• Outros mediadores de ativação de nociceptores e sensibilização
incluem o fator de crescimento neural, que é aumentado em
incisões e também sensibiliza os nociceptores.
• Outros fatores que poderão contribuir para a dor aguda são o meio
ácido, interleucinas e citocinas
• Em alguns casos, os nervos podem ser diretamente atingidos e
ativados.
CONCEITOS
• AINES – agentes capazes de suprimir os sinais e
sintomas da inflamação, incluindo a dor. Também tem
efeito antipirético. Exercem efeito atuando na interrupção
ou minimizando o metabolismo bioquímico do ácido
araquidônico
• Eicosanóides – grupo de mediadores produzidos a partir
de ácidos graxos com importante papel no controle de
muitos processos fisiológicos e estão entre os
mediadores e moduladores mais importantes na reaçao
inflamatória
CONCEITOS
• EICOSANÓIDES
• Prostaglandinas – causa vasodilatação, inibição da agregação
plaquetária, relaxamento do músculo liso gastrointestinal,
contração uterina, liberação de renina. A PGE2 é a prostaglandina
inflamatória predominante
• Tromboxanos - vasoconstricção, agregação plaquetária e
broncoconstricção
• Leucotrienos – adesão , quimiotaxia e ativação de
polimorfonucleares; estimula a proliferação e produção de
citocinas; vasodilatação e broncoconstricção
• Fator ativador de plaquetas – vasodilatação, quimiotaxia e
ativação de leucócitos e hiperreatividade brônquica
AINES
• São fármacos com boa biodisponibilidade, metabolização
hepática, eliminação renal e , em menor quantidade
excretados com a bile
• Atuam basicamente inibindo a biossínstese dos
eicosanóides e outros mecanismos adicionais (inibição da
quimiotaxia leucocitária, inibição na produção de radicais
livres e superóxido )
• Relação de seletividade COX1/COX2 (inibidores seletivos
da COX2 causam menos efeitos colaterais, em especial
no TGI)
ÁCIDO ACETILSALICÍLICO
• Inibe, de forma não específica, a formação de metabólitos do
ácido araquidônico
• Atualmente raramente usado como antiinflamatório
• Atua inibindo a COX plaquetária de forma irreversível (8 a 10
dias)
• Largamente utilizado como agente antiplaquetário na dose de
81 a 325mg/dia
• Contra-indicado em hemofílicos, não recomendado na
gravidez, pode ser valioso na DHEG
• Pode causar desde sangramento TGI em doses terapêuticas
até tonturas, surdez e tinido em doses maiores. Doses tóxicas
podem causar acidose respiratória e , em casos raros, estar
vinculada à Sindrome de Reye em crianças
INIBIDORES NÃO SELETIVOS DA COX
• DICLOFENACO – doses terapêuticas de 50 a 75mg
3x/dia pode comprometer o FSR e TFG e elevação dos
níveis de aminotransferases. Muito usado como colírio a
0,1%
• IBUPROFENO – possui também efeitos analgésicos em
doses menores que a dose terapêutica antiinflamatória
que é de 600mg 4x/dia
• INDOMETACINA – muito utilizada em doenças
reumáticas por ser um potente inibidor da COX, por isso
seus efeitos colaterais sao mais pronunciados. Doses de
50 a 70mg 3x/dia
INIBIDORES NAO SELETIVOS DA COX
• CETOPROFENO – inibe tanto a COX como a
lipoxigenase. Doses de 100 a 300mg/dia
• NAPROXENO – efetivo para indicações reumatológicas
habituais e disponível para formulações de liberação
lenta. Dose de 375mg 2x/dia
• PIROXICAM – um oxicam que em altas concentrações
também inibe a migração de polimorfonucleares. Dose de
20mg/dia
• TENOXICAM – utilizado em larga escala principalmente
por via intravenosa no controle da dor e inflamação pós-
operatória. Dose de 20mg 2x/dia ou 40mg em dose única
diária
INIBIDORES NÃO SELETIVOS DA COX
• ÁCIDO MEFENÂMICO – muito utilizado como AINES e
também como analgésico, especialmente na
dismenorréia primária. Pacientes acima dos 14 anos, na
dose de 500mg 3x/dia
• NIMESULIDA – ações semelhantes aos AINES comuns,
também com potência e posologia adequada como os
oxicans e naproxeno. Dose de 50 a 100mg 2x/dia, não
devendo execeder 200mg. Relatos de casos de hepatite
fulminante. Dose para criança é de 2,5mg/kg 2x/dia
INIBIDORES SELETIVOS DA COX2
• Também conhecidos como COXIBES
• Desenvolvidos para não afetar a enzima COX2 específica
encontrada no TGI, rins e plaquetas
• Em contrapartida inibem a síntese de prostaciclina no
endotélio vascular e não apresentam os efeitos
cardioprotetores dos AINES tradicionais
• CELECOXIBE – 100 a 200mg 2x/dia
• MELOXICAM – 7,5 a 15mg ao dia
GLICOCORTICÓIDES
• Cortisol (hidrocortisona) – corticóide de ocorrência
natural, exerce várias funções fisiológicas, dentre elas:
regulação do metabolismo, função cardiovascular,
crescimento e imunidade. Síntese e secreção reguladas
pelo SNC.
• Mecanismo de ação antiinflamatória – atuam ativando
receptores intracelulares específicos de glicocorticóides
nucleares desencadeando a ativação mecanismos de
controle transcricional de proteínas
GLICOCORTICÓIDES
• Inflamação e imunidade – inibição da transcrição dos
genes da COX 2; síntese e liberação de fatores
antiinflamtórios como a anexina 1; nos quadros agudos
causam redução no recrutamento e atividade dos
leucócitos; nos crônicos provocam redução na atividade
de células mononucleares, redução na agiogênese e
fibrose; nos tecidos linfóides causam redução na
expansão clonal de células T e B
• Efeitos gerais – redução da atividade da resposta
imunológica inata e adquirida, provocando com isso
redução dos sinais protetores das resposta inflamatória
GLICOCORTICÓIDES
• USO CLÍNICO
• Terapia de reposição em pacientes com insuficiência
adrenal
• Tratamento antiiflamatório/ imunossupressor na asma,
rinite, conjuntivite, estados de hipersensibilidade,
doenças com componentes autoimunes, pós-
transplante e como agentes citotóxicos no tratamento
de algumas neoplasias
GLICOCORTICÓIDES
• Hidrocortisona – 500mg de 8/8h ; crianças – 10mg/kg de
8/8h
• Prednisona – 20mg de 12/12h
• Dexametasona – 10mg IM ou EV em dose única
• Betametasona
ANALGÉSICOS
• Substâncias usadas para o alívio da dor das mais
diversas origens, seja aguda ou crônica
• Podem ser de uso domiciliar e/ou hospitalar
• Na maioria das vezes os analgésicos comuns são
suficientes para melhora dos quadros dolorosos,
entretanto em alguns casos é necessário o uso de drogas
potentes, no que também advém efeitos colaterais
importantes
PARACETAMOL
• Analgésico doméstico de uso comum
• Baixa incidência de efeitos colaterais
• Overdose aguda pode causar lesão hepática grave
(especial cuidado em indivíduos com doença hepática
ativa ou potencial)
• Efeito analgésico e antipirético devido inibir COX2
periférica e central
• Dose de 325 a 650mg a cada 4 a 6h, não excedendo
4000mg/dia
• Crianças devem tomar doses de até 10mg/kg até 5x/dia
DIPIRONA
• Potente analgésico e antipirético com pouca atividade
antiinflamatória, segurança posológica e boa
biodisponibilidade
• Mecanismo de ação pouco elucidado e com boa
concentração cerebral
• Alto potencial alérgico em indivíduos sensíveis
• Sobredose podem causar sonolência e hipotensão
• Dose de 500mg a 1g 4x/dia
• Crianças: doses de 20mg/kg/dia 4x/dia, podendo
admnistrar até 30mg/kg em dose única
• Efeitos adversos semelhantes aos AINES
• Casos confirmados de aplasia de medula (motivo pelo
qual a droga é proscrita nos EUA
CETOROLACO
• Analgésico potente com limitação de 5 dias de uso devido
importantes efeitos colaterais
• Administrado por via oral (10 a 20mg), via IV (15 a 30mg)
ou IM (30 a 60mg), em dose única diária
• Necessário receita de controle especial por poder causar
reações adversas graves no TGI, renal e sangramento
TRAMADOL
• Analgésico sintético de ação central, estruturalmente
relacionado com os opóides
• Pode exercer seu efeito por meio do aumento da
liberação de 5-HT e inibição da recaptação de
norepinefrina e 5-HT
• Dose via oral ou IV de 50 a 100mg até 3x/dia
• Existe excelentes preparações transdérmicas
• Preparações VO associadas a paracetamol
• Principais efeitos colaterais são náuseas e vômitos, logo
paciente deve usar um antiemético para minimizar esses
efeitos
OPIÓIDES
OPIÓIDES
• Induzem analgesia através da inibição de neurônios na
medula espinhal e cérebro
• Se ligam à neurônios nociceptivos na medula espinhal
inibindo a transmissão de estímulo doloroso da medula
espinhal para o tálamo e córtex cerebral
TRATAMENTO DOS PRINCIPAIS EFEITOS
COLATERAIS DOS OPIÓIDES
• Oxigênio 100% via cateter nasal, em casos mais graves de
depressão respiratória fazer uso dos dispositivos auxiliares
para melhorar oxigenação ( máscara facial, dispositvos
supra-glóticos e entubação orotraqueal)
• Difenidramina, prometazina e corticóide na tentativa de
amenizar o prurido
• Ondasetrona ( 4 a 8mg VO ou IV ate de 8/8h) ou
metoclopramida (10mg de 8/8h VO ou IV) para tratar
náuseas e vômitos, o primeiro tem ação mais eficaz e sem
risco de síndrome extrapiramidal
• Estmular diurese e sondagem vesical em casosmais severos
de retenção urinária
• Infusão lenta para evitar rigidez torácica
CONDUTAS EM SITUAÇÕES PRÁTICAS
• ANALGÉSICOS E AINES EM CRIANÇAS
• ANALGÉSICOS E AINES EM ADULTOS
• USO RACIONAL DE OPIÓIDES
• CÁLCULO DE DOSES E FORMA DE
PRESCRIÇÃO INTRA E EXTRA-
HOSPITALAR