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Faculdade de Ciências Politicas

Curso: Contabilidade e Auditoria

Disciplina de: Auditoria Financeira I

Palestra Risco em Auditoria

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Risco em auditoria
A auditoria muitas vezes não abrange a verificação de
todas as operações e recursos utilizados pela entidade
auditada.

O risco de auditoria é o risco de o auditor expressar


uma opinião inapropriada quando as DF’s apresentam
distorções materialmente relevantes

Segundo Baptistista da Costa- risco de auditoria é a


possibilidade de o auditor vir a emitir uma opinião
tecnicamente inadequada sobre demonstrações
contábeis significativamente incorretas”.
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Analise do Risco
 No processo de uma auditoria, a análise do risco é feita com base

na informação recolhida sobre a entidade.


 O auditor deve:

1. Identificar os processos/áreas de risco;

2. Medir os riscos em termos de probabilidade e relevância;

3. Avaliar a gestão do risco da organização;

4. Direccionar a auditoria para as áreas de maior risco e dar


prioridade a actividades nessas áreas.
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Cont.
Deve-se salientar também, que em virtude da
complexidade que envolve o processo de auditoria,
alguns problemas ocorridos na contabilidade da
empresa podem não ser percebidos pelo auditor,
caracterizando assim o risco de auditoria.

Para reduzir o risco de auditoria é necessario que


o auditor escolha criteriosamente os seus métodos
de exame e recolha de evidência suficiente, de
forma a que obtenha uma base razoavel para a
emissão da sua opinião.

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Cont.
 Vamos considerer neste capitulo 3 tipos de riscos
1. Risco Inerente;
2. Risco de controlo; e
3. Risco de deteccao
 Risco inerente- é definido como sendo a susceptibilidade do
saldo de uma conta ou tipo de operação, á erros importantes
independentemente dos efeitos dos controles internos
correspondentes.

 O risco inerente é, portanto, influenciado pela natureza da


conta, pelo tipo de transações e por outros fatores, podendo
ser citados os exemplos a seguir:
Cálculos complexos têm mais probabilidade de conter erros
que cálculos simples;

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Cont.
O caixa é mais suscetível ao roubo que o estoque de
carvão; As contas derivadas de estimativas contábeis
têm maior risco que as rotineiras; Mudanças nas
condições gerais de negócios, podem influenciar a
gerência para que, deliberadamente, distorça as
contas anuais.

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Cont.
Risco de Controle - é o risco de que uma distorção
não tenha sido prevenida, tempestivamente pelo
controle interno da entidade

De acordo com Perez Junior (1998, p. 39), “risco de


controle – é o risco de não haver um bom sistema de
controles internos que previna ou detecte em tempo
utel erros ou irregularidades relevantes”.

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Cont.
Risco de detecção: - é o risco de que os procedimentos
executados pelo auditor não detectem uma distorção
potencialmente relevante, individualmente ou em conjunto,

Neste contexto, os procedimentos adotados pelo


auditor podem induzi-lo à conclusão de não existencia
de erros ou situações de problemas quando na verdade
eles existem de fato,fazendo com que o auditor tenha
uma opinião inadequado

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Risco de auditoria – cont.
Existe uma relação inversa entre a materialidade e o
nivel do risco de auditoria; assim quanto maior for o
nivel de materialidade menor será o risco de
auditoria e vice versa.

Isto é, quanto maior a necessidade de realização de


testes e recolha de evidencias devido ao nivel de
materialidade alto, menor o respectivo risco de
auditoria;
Inversamente, quanto menores a quantidade de
testes e recolha de evidencias maior é o risco de
auditoria.
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Cont.
Deve-se ressaltar que quanto maior for o risco de
detecção, maior deverá ser a aplicação dos testes
substantivos ;

Podemos caracterizar risco de detecção como um risco


exclusivo da auditoria, pelo fato de decorrer em sua
totalidade por falhas cometidas em função de
procedimentos inadequados de auditoria,

Pela aplicação de sistemas de testes ineficazes, ou pelo


facto de serem auditores inaptos e com dificuldades
de interpretação dos resultados dos testes efetuados.

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FRAUDES E ERROS
O termo fraude -em auditoria refere-se a um acto
tencional ,

De manipulação, omissão de transações, adulteração


de documentos, de registos contábeis por parte de
uma ou mais pessoas entre os gerentes, empregados
ou terceiros, com vista a desvirtuar as demonstrações
financeiras.

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A fraude pode ser caracterizada por
Manipulação, falsificação ou alteração de registos
ou documentos;
b) Apropriação indevida de activos;
c) Omissão dos efeitos de transacções constantes
dos registos ou documentos;
d) Registo de transacções sem substância;
e) Incorrecta aplicação de políticas contabilísticas.
apropriação indébita de ativos;
c) supressão ou omissão de transações nos
registros contábeis;
e) aplicação de práticas contábeis indevidas.
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Erro em Auditoria
O termo "erro" aplica-se a actos involuntários de
omissão, desatenção, desconhecimento ou má
interpretação de factos na elaboração de registros e
demonstrações contábeis, bem como em transações e
operações da Entidade, tanto em termos físicos
quanto monetários.

a)Erros matemáticos ou de escrituração nos registos e


dados contabilísticos

b) Incorrecta aplicação de políticas contabilísticas.


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A RESPONSABILIDADE DA ADMINISTRAÇÃO
É responsabilidade primaria da Adminestraçao
prevenir e identificar fraudes e/ou erros que possam
ser cometidos na entidade,

 é também da responsabilidade da adminestração


efectuar a manutenção adequada dos sistemas de
controle interno,

que por algum motivo , não eliminam os riscos que


por algum motivo ocorrem.

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A RESPONSABILIDADE DO AUDITOR
O auditor não é responsável nem pode ser
responsabilizado pela prevenção de fraudes ou erros.
 Entretanto, ele deve planear o seu trabalho avaliando
o risco de sua ocorrência, de forma a ter grande
probabilidade de detectar-los.
O auditor ao detectar erros ou fraudes tem a obrigação
de comunicá-los à administração da entidade e sugerir
medidas corretivas, informando sobre os possíveis
efeitos no seu parecer.
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Cont.
 O auditor deverá avaliar criticamente os sistemas

contábiles, incluindo o controle interno, tanto em


termos de concepção quanto ao funcionamento
efetivo, concedendo especial atenção às condições ou
eventos que representem aumento de risco de fraude
ou erro, que incluem:
a) estrutura ou atuação inadequada da administração

da entidade auditada ou de alguns dos seus membros;

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Cont.
b) transações que pareçam anormais; 

c) problemas internos no cumprimento dos prazos das


recomendações de auditoria;

d) fatores específicos no ambiente de sistemas de


informação computadorizados.

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Fórmula para cálculo do risco de auditoria
RA = RI*RC*RD

Onde;
RA = Risco de auditoria
RI = Risco Inerente;
RC = Risco de controlo;
RD = Risco de Deteccao

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Curso: Contabilidade e Auditoria

Disciplina de: Auditoria Financeira

Palestra Controlo interno

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Controlo Interno
 Controlo interno – definiçao: É aquele que
Compreende o plano da organização e todos os metodos e
procedimentos adoptados pela administracao de uma entidade
para auxiliar e antigir os objectivos da gestao tanto quanto for
praticavel. (IFAC)

O sistema de controlo interno tambem é definido por Peleias,


como uma combinacao de politicas, procedimentos, sistemas
operacionais, de informacao e outros instrumentos, mantidos
pelas organizacoes.

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Controlo Interno
O controlo interno pode classificar-se em:
a)Controlo interno administrativo
Inclui o plano de organizacao e os procedimentos e registos que

se relacionam com os processos de decisao e que conduzem à


autorizacao das transaccoes pelo orgao de gestao; serve de ponto
de partida para um controlo interno contabilistico sobre as
transaccoes.

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Controlo Interno
b) Controlo interno Contabilistico
 Compreende o plano de organizacao e os registos e
procedimentos que se relacionam com a salvaguarda dos
activos e com a confianca que inspiram os registos
contabilisticos de modo que proporcionem certeza razoavel de
que:

I. As transaccoes sao executadas de acordo com uma autorizacao


geral ou especifica do orgao de gestao;

II. O registo das operacoes mantenha um controlo sobre activos e


permitam a preparacao das DF’s em conformidade com os
PCGA ou outros criterios aceites;
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Cont.

Os objectivos do controlo interno visam assegurar:

a)A confianca e a integridade da informacao;

b)O cumprimento das politicas, planos, procedimentos,


leis e regulamentos aplicaveis;

c)Salvaguarda de activos;

d)Utilizacao eficiente e economica de recursos;

e)Realizacao de objectivos e metas fixados para as


operacoes ou programas
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Cont.
O controlo interno compreende:
a) O plano da organizaçao que proporciona uma apropriada
segregaçao de responsabilidades funcionais;

b)Um sistema de autorizaçao e procedimentos de registos a fim


de proporcionar um controlo contabilistico razoavel sobre os
activos, passivos, reditos e gastos;

c) praticas a serem seguidas no desempenho dos deveres e das


funçoes de cada um dos departamentos de uma empresa;

d)Um pessoal de qualidade compativel com as respectivas


responsabilidades

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Cont.
O sistema de controlo interno integra cinco componentes
interligados a saber :

 Ambiente de controlo,
 Avaliação do risco,
 Procedimentos de controlo,
 Informação e Comunicação e a
 Monitorização do controlo,

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Cont.
a)Ambiente de Controlo: O ambiente de controlo reflecte a
postura e consciencialização dos órgãos de gestão face ao
sistema de controlo interno, e que por sua vez, se irá espelhar
em todos os colaboradores da entidade.

O ambiente de controlo compreende alguns factores


determinantes e sobre os quais o auditor deve procurar ter
um correcto entendimento,

 Como a integridade e valores éticos, compromisso para a


competência, participação do órgão de gestão ou fiscalização,
filosofia e estilo operacional da gestão, estrutura
organizacional, atribuição de autoridade e responsabilidade e
politicas e práticas de recursos humanos.
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Cont.
b)Avaliação do Riscos : A avaliação dos riscos de uma
entidade, do ponto de vista do relato financeiro,consiste
na identificação, análise e gestão dos riscos relevantes na
preparação das demonstrações financeiras para que sejam
apresentadas de uma forma verdadeira e apropriada tendo
em conta os princípios contabilísticos geralmente aceites.

Estes riscos podem advir de circunstâncias tais como:


mudanças no ambiente operacional, novo pessoal,
mudanças nos sistemas de informação, rápido
crescimento, novas tecnologias, novas linhas de produtos
ou actividades, reestruturação de sociedades, operações
no estrangeiro, ou alterações nas normas contabilísticas .

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Cont.
O auditor deve procurar obter um correcto entendimento
acerca da forma como a gestão da entidade considera os
riscos relevantes para o relato financeiro e quais as acções
que leva a cabo para a mitigação desses mesmos riscos.
c)Procedimentos de Controlo
Os procedimentos de controlo são as políticas e
procedimentos que visam assegurar que as directivas da
gestão são executadas.
Os procedimentos de controlo podem ser divididos
em:
 análises de desempenho,
 processamento da informação,
 controlos físicos e segregação de funções.
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Cont.
d)Informação e Comunicação
O sistema de informação compreende as tarefas
estabelecidas para registar, processar, resumir e relatar as
transacções da entidade e a manter a informação credível
relativamente aos activos, passivos e capital proprio

e) Monitorização:
O processo de monitorização consiste na avaliação da
qualidade do desempenho do controlo interno ao longo
do tempo, com vista á tomada de acções correctivas
atempadamente se necessário.

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Cont.
Procedimentos para obter a Compreensão
do Controlo Interno:
Para obter um correcto entendimento dos controlos
relevantes para o planeamento da auditoria, o auditor deve
executar procedimentos que lhe proporcionem um
conhecimento suficiente do funcionamento e estrutura dos
controlos relevantes que digam respeito a cada um dos
cinco componentes do controlo interno e verificar se
foram, ou não, postos em execução.

Este conhecimento pode ser obtido através de experiência


anterior com a entidade e procedimentos, tais como,
inquéritos, observação dos procedimentos e inspecção á
documentação relevante
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Cont.

Testes aos controlos internos :


Os testes aos controlos internos da empresa servem para o
auditor compreender a forma como o controlo interno é
aplicado e se cumpre a sua função de forma efectiva.

De uma forma geral, os testes são realizados com base em


técnicas de amostragem que permitam retirar conclusões
aplicáveis a toda a população, com algum grau de
confiança.

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Cont.
Podemos distinguir dois tipos de amostragem:
 Estatística e
 não estatística.
 Relativamente á primeira (Estatistica), podemos salientar a
amostragem sobre valores acumulados e a amostragem
numérica.

Quanto á amostragem não estatística podemos destacar a


amostragem por blocos, a amostragem por números
aleatórios e a amostragem sobre valores estratificados.

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Cont.
Outra forma de selecção será através de julgamento
profissional, seleccionando por exemplo itens acima
de determinado valor,

Com a realização dos testes o auditor deve então


classificar o controlo como “Efectivo” ou “Não
Efectivo”, consoante os resultados obtidos.

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Limitações do CI
 Existem diversos factores que limitam o controlo interno
como por exemplo:
 Nao interesse por parte do orgão de gestão na manutencao
de um bom SCI (para que nao haja confianca e integridade
da informacao)

 A dimensão da empresa

 A relação custo/beneficio – deve-se verificar se os custos de


implementação do sistema não será superior ao beneficio
que se espera obter dele.

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Cont.

 Existencia de erros humanos, e fraudes - As pessoas que


trabalham numa empresa devem ser competentes e integras.
 A competencia e idoneidade professional do pessol pode ser
afectada pela negligencia, distracção e a não compreensão
das instruções e pela pratica de erros.

 A falta de integridade moral pode conduzir ao conluio e


consequentemente à pratica de actos fraudulentos.

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Cont.
 As transacções pouco usuais - as transaccoes pouco usuais,
como por exemplo a venda de sucatas, podem escapar a
qualquer tipo de controlo, pois um SCI é geralmente
implementado para prever transaccoes correntes;

 A utilização da informatica – a crescente utilizacao de


meios informaticos constitui importante factor a ter em
consideracao aquando da implementação de um SCI.

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Responsabilidades sobre o Controlo interno duma
empresa.
 Cabe ao orgão de gestão de qualquer entidade ou empresa a
implementação de adequados sistemas contabilistico e de
controlo interno.
 Para os auditores procederem ao levantamento do SCI
deverão começar por analisar:
 Os organigramas

 O manual de descrição de funções;

 Os manuais de politicas e procedimentos contabilisticos e


das medidas do CI
 quaisquer outras informações que se relacionem com o
controlo interno.
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FIM

OBRIGADO PELA ATENÇÃO

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