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Nova Venécia/ES

Prof. Keydson Quaresma 02thday

Noções gerais: Desenvolvimento das leis


Agenda

1. Leis “estranhas”
2. Desenvolvimento das Leis;
3. Resumo da história do direito
brasileiro;
Leis “absurdas”?

Decreto Municipal 82/97 (Bocaiúva do Sul, PR)


Data: 19 de novembro de 1997
Preocupado com os baixos índices de natalidade
em sua cidadezinha de 9 mil habitantes, o prefeito
Élcio Berti proibiu a venda de camisinhas e
anticoncepcionais. Tudo porque a prefeitura
estava recebendo menos verbas do governo
federal com o encolhimento da população. A
maluquice gerou a maior gritaria e a lei teve de
ser revogada 24 horas depois
(http://livrespensadores.net/as-leis-mais-
estranhas-do-brasil/)
Leis “absurdas”?

Lei Municipal 1840/95 (Barra do


Garças, MT), de 5 de setembro de
1995.
O então prefeito dessa cidade de 55
mil habitantes criou uma reserva para
pouso de OVNIs com 5 hectares na
serra do Roncador, tradicional reduto
de ufólogos. Para azar dos ETs, o
“discoporto” ainda não saiu do papel
Lei “não absurdas”?

Lei municipal 3306/97 (Pouso Alegre,


MG)
Data: 2 de setembro de 1997
A lei aprovada pela Câmara Municipal
multa em 500 reais os donos de
outdoors com erros de ortografia,
regência e concordância. Para banners e
faixas, a multa é menor: 100 reais — e os
infratores têm 30 dias para corrigir os
deslizes. Em 1998, o prefeito do Guarujá
se inspirou na cidade mineira e reproduziu
a mesma lei na cidade do litoral paulista
Parece lenda... Será mesmo?
Revogação da Lei da Gravidade

O Prefeito de Palmeira dos Índios/AL, muito voluntarista, queria


revogar a lei da gravidade por uma decisão unânime da Câmara
Municipal, confundindo-a com uma lei jurídica: “Informado pelo
engenheiro da Municipalidade que a lei da gravidade impedia a
construção de uma caixa de água na praça central de Palmeira
dos Índios, devido a um forte declive,” o prefeito da cidade não
se conformou. Retornando ao gabinete, chamou o seu líder na
câmara, recomendando-lhe que conseguisse maioria “para
derrubar a lei da gravidade, pois era preciso construir uma caixa
de água na praça”.
Ao que retrucou o líder: “Senhor prefeito, não se sabe se esta lei
é municipal ou estadual. E, depois, pode ser federal. É melhor
não mexer no assunto, para não criar problemas. O negócio é
não desobedecer ao engenheiro, que é autoridade no assunto”.
(O Estado de S. Paulo, 9/6/1971).
Dragão do
Joaquim
mar
Nabuco André José do
Rebouças Patrocínio

Desenvolvimento das
leis
Reflexão I:
Porque a Lei produz a ira; mas onde não há Lei também não pode haver
transgressão. (Rom. 5:15)
Desenvolvimento das
leis
... todo esforço ou ação humana é governado
por leis...

as que não são da natureza, são então as leis


humanas, as que governam as relações entre as
pessoas.

o Direito se refere a um conjunto de regras e


princípios que restringem a conduta e protegem
os direitos das pessoas.
Desenvolvimento da leis

O conceito de Paulo Nader: Diz


que Direito é um "conjunto de
normas de conduta social,
imposto coercitivamente pelo
Estado, para realização de
segurança, segundo critérios de
justiça"
Princípio das leis
As leis começaram com os costumes
sociais.

Inicialmente, o chefe tribal, e mais


tarde líder religioso ou sacerdote, era
encarregado da preservação desses
costumes, incluindo punição pelas
infrações cometidas pelas pessoas.
Princípio das leis
A transgressão humana levou à
incorporação das leis divinas
(legislações mais antigas e
conhecidas).

Muitas das legislações de diversos


países, tem o texto e penalidades
semelhantes a estas antigas e
conhecidas legislações
Princípio das leis

“Juízes e guardas designarás para ti, em cada


uma de tuas tribos, em todas as tuas cidades
que o Eterno, teu Deus, te der, para que
julguem o povo com reto juízo.”
(Deuteronômio, 16:18 – Aprox. 1250 A.C.).
Princípio das leis
Dois códigos de leis divinas tiveram grandes
contribuições às leis da civilização ocidental.

• Código de Hammurab – 1750 AC;


• Dez Mandamentos, também conhecido como leis
Mosaicas – 1250 AC;

Estas leis regiam o casamento, o divórcio, heranças,


escravatura, propriedade e outros temas relevantes
para o estado teocrático de Israel e na Babilônia.

Em caso de violação destas leis, as pessoas eram


duramente penalizadas.

“A ignorância não é mais uma defesa para violar a lei”


Introdução da aplicação da lei: Código Penal
Da aplicação da lei penal
Do crime
Imputabilidade penal
Penas de multa
Reabilitação
Ação penal
Crimes contra a vida
Crimes contra a honra
Violação de domicílio
Violação de correspondência
Inviolabilidade de segredos
Segredo profissional
Crimes contra o patrimônio
Extorsão
Usurpação
Marca em animais
Resumo da história e do sistema penal
brasileiro
Semelhança entre as legislações e aplicações da
lei

art. 1º. Não há crime sem lei anterior que o


defina. Não há pena sem prévia cominação legal.
(CP e CF/88)

• nullum crimen nulla poena sine lege stricta


(Anselm Feuerbach – [1775-1833]

• Decreto de D. Afonso, rei Leão [1188]


Resumo da história e do sistema penal
brasileiro

• Carta Magna inglesa, 1215 – rei João-sem-


Terra - “Nenhum homem livre será detido,
preso ou desempossado ou proscrito
(exilado, banido, etc), ou morto de forma
alguma nem poderá ser condenado, nem
submetido à prisão, se não for pelo juízo de
seus iguais ou pela lei do país”
• Constituição de Carolina – [1532]
• Revolução Francesa com as Cartas de
Direitos
• No Brasil, Constituição de 1824 (art. 179, XI)
e com o Código Imperial de 1830 (art. 1º)
Resumo da história e do sistema penal
brasileiro
art. 2º. Ninguém pode ser punido por fato que lei
posterior deixa de considerar crime, cessando em
virtude dela a execução e os efeitos penais da
sentença condenatória.

• Na Roma antiga a retroatividade era regra; a


chegada do império surge o Direito penal não
retroativo;
• Princípio da irretroatividade da lei é uma
criação do direito canônico – não se considera
pecador aquele que não sabe que peca;
• Exceções – código penal nazista e o da URSS
admitiam a retroatividade in pejus como
também a aplicação de analogia para
incriminar condutas pretéritas.
Do crime
art. 14. Diz-se o crime:
I – consumado, quando nele se reúnem todos os
elementos de sua definição legal;
II – tentado , quando, iniciada a execução, não se
consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente
(...)
• Os penalistas italianos da Idade Moderna que
inauguraram a distinção e tentativa e consumo;
• Nos primórdios de Roma o delito privado
somente era punível se consumado.
• Primeira definição legal de “tentativa” –
Constituição de Carolina (1532)
Do crime
art. 18. Diz-se o crime:
I – doloso, quando o agente quis o resultado ou
assumiu o risco de produzi-lo;
II – culposo, quando o agente deu causa ao
resultado por imprudência, negligência ou
imperícia;

Notas & Julgados


1 – Dolo específico: Desacato – funcionário
público taxado de “burro” e “incompetente”,
intenção de ofender;
Ausência – Falsa identidade, objetivando a
obtenção de emprego.
Pena de multa

art. 49. A pena de multa consiste no pagamento


ao Fundo Penitenciário da quantia fixada na
sentença e calculada em dias-multa (...)
•Nos códigos de Hamurabi e Manu já
estabeleciam a pena de multa de um valor
preestabelecido que deveria ser entregue para o
ofendido ou para a sua família, como
ressarcimento;
•No Direito Bárbaro os crimes eram punidos com
a (1) vingança privada e (2) perda da paz, após
muitos anos este sistema criou a possibilidade de
pagamento chamado “preço da paz”.
Dos crimes contra a vida
art. 135. Deixar de prestar assistência, quando
possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança
abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou
ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo;
ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade
pública: Pena – detenção de 1 a 6 meses , ou multa.
•O registro mais antigo de omissão de socorro data
de 1300 a. C. no código de Manu.
•Ficou bem delineado o dever de amparo mutuo com
a chegada do Cristianismo e do Direito Canônico, cuja
omissão constituía pecado;
•Algumas revolução não deram muita importância a
isso.
•Somente em 1853 que o regulamento de Toscana de
Polizia Punitiva estipulou o dever geral de socorro a
quem estivesse me perigo; e se expandiu para o
Dos crimes contra a liberdade
individual
art. 149. Reduzir alguém à condição
análoga à de escravo, quer submetendo-
o a trabalhos forçados ou a jornada
exaustiva, quer sujeitando-o a condições
degradantes de trabalho, quer
restringindo, por qualquer meio, sua
locomoção em razão de dívida contraída
com o empregador ou preposto (...)
(A pena pode chegar a 8 anos e multa)
Dos crimes contra a liberdade
individual
• A curiosidade deste crime é que ele tinha
um nome antigo de plágio, ou plagium
(roubo de pessoas);
• Em Roma o plagio consistia em apropriar-se
de um cidadão livre, ou apropriar-se de
escravo alheio.
• As penalizações estabeleciam multas e
também a transformação do escravizador
em escravo.
• Mas, não era incomum a escravização do
filho como forma de pagamento da dívida do
pai.
Violação de correspondência

art. 151. Devassar indevidamente o


conteúdo de correspondência fechada
dirigida a outrem (...)
(A pena pode chegar a 6 meses detenção,
ou multa)

•Foi com a revolução francesa é que


começou o entendimento do sigilo de
correspondência como “um interesse
pessoal digno de ser garantido pelo
Estado”
Correspondência
Comercial

art. 152. Abusar da condição de sócio ou


empregado de estabelecimento comercial
ou industrial para, no todo ou em parte,
desviar, sonegar, subtrair ou suprimir
correspondência, ou revelar a estranho o
seu conteúdo.
(A pena pode chegar a 2 anos detenção)
Divulgação de segredo
art. 153. Divulgar alguém, sem justa causa,
conteúdo de documento particular ou de
correspondência confidencial, de que é
destinatário ou detentor, e cuja divulgação
possa produzir dano a outrem (...)
(A pena pode chegar a 4 anos detenção, e
multa – principalmente se for informações
sigilosas de banco de dados da Administração
Pública).
•Há registros históricos de punição a crimes
semelhantes, quando, entre os romanos
antigos, um indivíduo divulgava o teor de
testamento.
Violação de segredo
profissional
art. 154. Revelar alguém, sem justa causa,
segredo, de que tem ciência em razão de
função, ministério, ofício ou profissão, e cuja
revelação possa produzir dano a outrem ou de
correspondência confidencial, de que é
destinatário ou detentor, e cuja divulgação
possa produzir dano a outrem (...)
(A pena pode chegar a 1 ano detenção, ou
multa)
•Foi o código Napoleônico o primeiro a tipificar
a infidelidade dos sacerdotes de forma
autônoma.
Violação de segredo
profissional
Art. 154-A. Invadir dispositivo informático
alheio, conectado ou não à rede de
computadores, mediante violação indevida de
mecanismo de segurança e com o fim de
obter, adulterar ou destruir dados ou
informações sem autorização expressa ou
tácita do titular do dispositivo ou instalar
vulnerabilidades para obter vantagem ilícita:
(Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012) Vigência
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um)
ano, e multa. (Incluído pela Lei nº 12.737, de
2012) Vigência
QUESTÕES PARA DISCUSSÃO

1 – Sobre violação segredo profissional,


quem figura como vítima?

A pessoa que sofre o dano com a divulgação


1. Qual das afirmações abaixo define corretamente
o conceito do princípio das leis?

a) Não há crime sem lei que o defina; não há pena sem


cominação legal.
b) A pena só pode ser imposta a quem, agindo com dolo
ou culpa, e merecendo juízo de reprovação, cometeu um
fato típico e antijurídico.
c) A criminalização de uma conduta só se legitima se
constituir meio necessário para a proteção de determinado
bem jurídico.
d) Nenhuma pena passará da pessoa do condenado.
e) A pena deve estar proporcionada ou adequada à
magnitude da lesão ao bem jurídico representada pelo
delito e a medida de segurança à periculosidade criminal
do agente.
2. As informações sigilosas representam um delito
para a pessoa que as detém, caso essas informações
sejam obtidas através da função, do cargo ou do
ofício que ela possua. O art. 154 do Código Penal
prevê, se forem reveladas as informações sigilosas:
 
a) detenção de três meses a um ano, ou multa.
b) detenção de três meses a dois anos e multa.
c) detenção de três meses a um ano e multa.
d) detenção de seis meses a um ano ou multa.
e) detenção de seis meses a um ano e multa.
3. De uma maneira geral e com base nas
afirmativas abaixo, em qual delas você encontra
definido o conceito de “Direito”.
(a) Se define apenas como um resultado das mudanças
históricas que criaram um determinado conjunto de
valores.
(b) Atrela-se a Agrupamentos humanos (1) Parâmetros
morais (oriundos de valores religiosos, místicos, convívio
familiar, etc.)(2);
(c) Conjunto de Normas de conduta social (1) imposto
coercitivamente pelo Estado (2) para a realização da
segurança, segundo os critérios de justiça(3)
(d) É a Particularização do saber jurídico, que toma por
objeto de estudo o teor normativo de um determinado
sistema jurídico.
4. Sobre os delitos por/em equipamentos de
informática segundo a Lei nº 12.737/2012 e art.
154-A do CP, assinale a afirmativa correta.
a)Pratica crime de invasão de dispositivo informático
aquele que, com autorização expressa do titular do
dispositivo, instala vulnerabilidades para obter vantagem
ilícita.
b)Pratica crime de invasão de dispositivo informático
aquele que adultera ou destrói dados ou informações sem
autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo.
c)Pratica o crime de perturbação de serviço telemático,
telefônico ou informático aquele que interrompe o serviço
telemático, telefônico ou informático, salvo se cometido
por ocasião de calamidade pública.
d)Pratica o crime de falsificação de documento público
aquele que falsifica, no todo ou em parte, cartão de
crédito ou de débito, obtendo ou não vantagem ilícita.
5. Edgar Souza é funcionário do cartório
administrativo de processamento tributário, em
Nazaré das Merendeiras, e frequenta um clube de
futebol. Após a recreação esportiva, ele participa
das confraternizações semanais. Em um desses
encontros o funcionário conta ao seu colega de
clube João, empresário da cidade, que um
comerciante está devendo uma quantidade de
imposto superior ao patrimônio da empresa. João,
por ser fornecedor do empresário, não mais
efetivou negócios com o empresário, causando-lhe
a falência. A conduta praticada pelo funcionário do
cartório caracteriza o crime de
 
a)sonegação de correspondência.
b)divulgação de segredo.
c)violação de correspondência.
d)invasão de dispositivo informático.
6. Com relação ao princípio da anterioridade da lei,
marque a alternativa correta.
a) O direito penal intervém somente nos casos de maior
gravidade, protegendo uma parte dos interesses jurídicos.
b) Para que haja crime e seja imposta pena é preciso que o
fato tenha sido cometido depois de a lei entrar em vigor.
c) A lei posterior mais severa tem efeito "ex nunc".
d) Apesar de uma conduta se subsumir ao modelo legal,
não será considerada típica se for socialmente adequada
ou reconhecida, isto é, se estiver de acordo com a ordem
social da vida historicamente condicionada.
7. Suponha que o agente, por vingança, quer matar sua
esposa adúltera. Acometido de forte emoção, o agente
dispara sua arma de fogo. No entanto, para sua surpresa,
a arma está descarregada. O agente:
a) responderá pelo crime de homicídio, pois realmente queria
matar sua esposa.
b) responderá pelo crime de homicídio em sua forma tentada.
C) não responderá por crime algum, por se tratar de crime
impossível.
d) responderá por homicídio, mas pelo crime na sua modalidade
privilegiada, por estar acometido de forte emoção.

Hint: (Quando a tentativa é inadequada, ou seja, é usado um meio de


ineficácia absoluta para a prática do crime, não há punição para o
agente (art. 17 do Código Penal).)
8. Rodrigo pretende roubar transeuntes no centro da
cidade, mas como não tem coragem para isso, embriaga-
se dolosamente, com o intuito de praticar tais atos
criminosos. Diante desta situação, a doutrina penal
reconhece que:
a) Rodrigo não responderá pelos crimes cometidos, ante sua
semi-imputabilidade.
b) A embriaguez voluntária é causa de diminuição de pena. (sua
resposta)
c) Rodrigo responderá pelo crime na forma dolosa, por ingerir
bebida alcoólica dolosamente almejando a prática de conduta
criminosa.
d) A consciência de Rodrigo viu-se abalada pela embriaguez,
respondendo ele parcialmente por seus atos.
9. Assinale a alternativa INCORRETA:
a) Dolo implica na vontade consciente do agente em
produzir o resultado obtido ou assumir o risco de produzi-
lo.
b) Nos crimes culposos, o agente obtém resultado diverso
do pretendido, embora ainda satisfatório ao objetivo final
intencionado, qual seja, a conduta ilícita.
c) Apenas poderá ser punido aquele que pratica crime
doloso, excetuando-se os casos expressos em lei.
d) Dolo e culpa constituem-se como espécies de relação
psicológica que tem, por pressuposto, a imputabilidade
do réu.