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DEFEITOS DOS NEGÓCIOS

JURÍDICOS - II
PROF. DENIS DE SOUZA LUIZ
www.denis-souza.blogspot.com.br
ESTADO DE PERIGO
Art. 156:"Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido
da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave
dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente
onerosa".

O estado de perigo ocorre no momento em que se declara


a vontade assumindo obrigação excessivamente onerosa,
por consta da necessidade de salvar a si ou alguém a
quem se liga por vínculo afetivo, de grave dano conhecido
pela outra parte. O agente somente assume obrigação
excessivamente onerosa, por conta do perigo atual e
iminente, que atua como fator de desequilíbrio, não
aniquilando a vontade por completo, mas limitando a
liberdade de manifestação
Um perigo corrido pela própria pessoa ou por alguém da
família (ou até mesmo por um não-parente, quando, pelas
circunstâncias, o risco puder afetar emocionalmente o
declarante, tal como se dissesse respeito a uma pessoa da
família), deve ser a causa determinante de um negócio
jurídico que se contrata em bases excessivamente
onerosas. É justamente para escapar ao risco de dano
pessoal grave que o negócio se consuma.
ELEMENTOS QUE CARACTERIZAM O
ESTADO DE PERIGO
a) Existência de grave dano.
a) Que o dano seja atual (ou iminente).
a) Que o perigo seja a causa determinante da declaração.
a) O conhecimento do perigo pela outra parte.
a) A existência de obrigação onerosa excessivamente.
a) Intenção do declarante de salvar-se a si ou a pessoa de
sua família ou a terceiro.

EX. depósito em dinheiro ou prestação de garantia exigidos


por hospitais e clínicas, a título de calção, para que o
paciente possa ser atendido em situação emergencial.
ESTADO DE PERIGO E ESTADO DE
NECESSIDADE
ESTADO DE NECESSIDADE ESTADO DE PERIGO

É mais amplo, mais abrangendo, É um tipo de estado de


tanto quanto no direito penal, a necessidade, porém constitui defeito
exclusão da responsabilidade por do negócio jurídico que afeta a
danos, como prevê o art. 188, II do CC, declaração de vontade do contratante,
que se refere à destruição de coisa diminuindo a sua liberdade por temor
alheia ou lesão à pessoa. Exige-se que o de dano à sua pessoa ou a pessoa de
perigo não tenha sido voluntariamente alguém de sua família. A necessidade
causado pelo autor do dano e que este do outro é desfrutada pelo outro, sem
não fosse evitável. O afastamento ou qualquer destruição. E, mesmo que o
eliminação da necessidade gera um perigo tenha sido voluntariamente
dano que deve ser regulado pelos causado pela pessoa que a ele esteja
casos de responsabilidade civil. expondo, e fosse evitável, caberá
anulação.
ESTADO DE PERIGO E LESÃO
ESTADO DE PERIGO LESÃO
A oferta se acha viciada em razão do Não há vício da própria oferta, mas usura real, isto
comprometimento da liberdade de manifestação é, lucro patrimonial exagerado..
da vontade, em conseqüência do extremo risco
existente no momento em que é formalizada.

O contratante se encontra em uma situação na O declarante participa de um negócio


qual deve optar entre dois males; sofrer as desvantajoso, premido por uma necessidade
conseqüências do perigo que o ameaça ou ameaça econômica.
a sua família ou pagar ao seu ‘salvador’ uma
quantia exorbitante

A inexperiência não constitui requisito para a sua Pode decorrer da inexperiência do contratante.
configuração.
Exige, além do elemento objetivo (prestação Admite suplementação da contraprestação
excessivamente onerosa), também o (art.157,§2º), indicando que só ocorre em
conhecimento pela outra parte que se aproveita contratos comutativos, em que a contraprestação
da situação(elemento subjetivo). é um dar.

Pode conduzir a negócios unilaterais em que a Exige desequilíbrio de prestações.


prestação assumida seja unicamente da vítima;
promessa de recompensa, obrigação de testar em
favor de alguém.
efeitos estado de perigo
Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a
anulação do negócio jurídico, contado:
II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão,
do dia em que se realizou o negócio jurídico;

O Enunciado n. 148 da III Jornada de Direito Civil, promovida


pelo Conselho da Justiça Federal, dispõe: “ Ao ‘estado de
perigo’ (art. 156,CC) aplica-se, por analogia, o dispositivo no §
2º do art. 157”. O referido dispositivo, visando à conservação
contratual, proclama que não se decretará a anulação do
negócio “se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte
favorecida concordar com a redução do proveito”
NEGÓCIOS USURÁRIOS

O estado de perigo e a lesão são aspectos da chamada


usura real em contraposição à usura financeira.
A usura real se caracteriza pela cobrança de juros a taxas
superiores ao que seria legal ou honestamente aceitável
nos empréstimos de dinheiro;
A usura financeira é a que se refere a qualquer prática não
equitativa que transforma o contrato bilateral em fonte de
prejuízos exagerados por uma das partes e de lucros
injustificáveis para a outra. É uma anomalia verificável nos
contratos bilaterais onde o normal seria um razoável
equilíbrio entre as prestações e contraprestações.
LESÃO
Art. 157 "ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente
necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação
manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta".

A lesão que o novo Código admite como vício de


consentimento para gerar a anulabilidade consiste na
hipótese em que a pactuação do negócio tenha sido fruto de
premente necessidade ou de inexperiência de uma das
partes, circunstâncias que foram determinantes das
prestações avençadas de maneira manifestamente
desproporcional.
CARACTERÍSTICAS DA LESÃO

 O desequilíbrio entre as prestações deverá decorrer do


estado de premência ou de inexperiência.
 O desequilíbrio deve ser congênito, ou seja, deve ter se
dado no momento da contratação e não ser fruto de
oscilações de mercado ulteriores ao negócio.
 O desequilíbrio deve persistir até o momento da
anulação porque é daqueles defeitos que a lei permite
sejam remediados a posteriori.
LESÃO
Para fins de anulabilidade, a lesão deve ocorrer no ato da
formação do ato. Se ocorrer por decorrência de fatos
supervenientes, é causa de revisão contratual com base na
teoria da onerosidade excessiva.

Lesão consumerista- fatos superveniente geram nulidade


apenas da cláusula usurária, devendo o juiz rever o contrato
para "restabelecer o equilíbrio da relação contratual",
ajustando-o ao "valor corrente" e, se for o caso, ordenando
"a restituição, em dobro, da quantia recebida em excesso,
com juros legais a contar do pagamento indevido" (Medida
Provisória 2.172-32, art. 1º, inc. II)
LESÃO

A lesão é a quebra da comutatividade do negócio jurídico


e o desequilíbrio entre as prestações deverá decorrer do
estado de premência ou de inexperiência.

Embora o CC disponha sobre a anulabilidade, admite-se


que o juiz(ou árbitro) efetue revisão do negócio jurídico
quando o lesionador se predispuser a reduzir o proveito
obtido ou oferecer suplemento suficiente. Em tal hipótese
a revisão do pacto permite a adequação.
LESÃO

• Extinta, pois, a disparidade de prestações, não mais


haverá razão para a ruptura da avença. Isto, porém,
pressupõe prestações ainda por satisfazer.

• Se a lesão já se consumou e o negócio se exauriu,


pouco importa que o bem tenha se valorizado ou
desvalorizado posteriormente ao contrato. A anulação
será possível em função do prejuízo que o lesado
efetivamente sofreu no momento do ajuste”.
efeitos da lesão

Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por
inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor
da prestação oposta.
§ 2o Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento
suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito.

Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação


do negócio jurídico, contado:
II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia
em que se realizou o negócio jurídico;

“Pode o lesionado optar por não pleitear a anulação do negócio,


deduzindo desde logo, pretensão com vistas à revisão judicial do
negócio por meio de redução do proveito do lesionador ou do
complemento do preço”. Enunciado 291, IV Jornada de Direito Civil CFJ
LESÃO X ESTADO DE PERIGO

No estado de perigo, o que determina a submissão da


vítima ao negócio iníquo é o risco pessoal (perigo de vida
ou de grave dano à saúde ou à integridade física de uma
pessoa).

Na lesão (ou estado de necessidade), o risco provém da


iminência de danos patrimoniais, como a urgência de
honrar compromissos, de evitar a falência ou a ruína dos
negócios.