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Não sei quantas almas

tenho
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa, Almada Negreiros, 1964, Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian
O menino de sua mãe

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Teoria do fingimento poético
Teoria do fingimento poético
Inteletualização do sentir
Inteletualização do sentir
Dor de pensar
Dor de pensar
Fragmentação do eu
Fragmentação do eu
Angústia existencial
Angústia existencial
Solidão
Solidão
Sonho
Sonho
Nostalgia da infância perdida
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Frustração
Frustração
Tédio
Tédio

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Alberto Caeiro- o Mestre

Sensorialista radical
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Grau zero da interpretação da
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realidade
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Captação da realidade através
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dos sentidos
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Privilégio da visão
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Rejeição do pensamento
Rejeição do pensamento
Valorização das sensações
Valorização das sensações
Antimisticismo
Antimisticismo
Deambulismo
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O meu olhar é nítido como um girassol 
Ricardo Reis – o Disciplinado

Epicurismo
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Estoicismo
Estoicismo
Carpe diem
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Fugacidade do tempo
Fugacidade do tempo
Fado
Fado
Antilirismo
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Valorização do presente
Valorização do presente
Paganismo decadente
Paganismo decadente

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Mestre, são plácidas 
Álvaro Campos – o Sensacionista

Fase decadente
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Inadaptação Evasão Tédio
Inadaptação Evasão Tédio
Fase futurista-sensacionista
Fase futurista-sensacionista
Elogio da máquina
Elogio da máquina
Rutura com o subjetivismo da lírica
Rutura com o subjetivismo da lírica
tradicional
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Excesso de sensações
Excesso de sensações
Fase intimista
Fase intimista
Angústia existencial
Angústia existencial
Fragmentação do eu
Fragmentação do eu
Nostalgia da infância perdida
Nostalgia da infância perdida
Solidão
Solidão
Cansaço
Cansaço

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Bernardo Soares– o Semi-heterónimo

Quando vim primeiro para Lisboa, havia, no andar lá de cima de


onde morávamos, um som de piano tocado em escalas,
aprendizagem monótona da menina que nunca vi. Descubro hoje
que, por processos de infiltração que desconheço, tenho ainda nas
caves da alma, audíveis se abrem a porta lá de baixo, as escalas
repetidas, tecladas, da menina hoje senhora outra, ou morta e
fechada num lugar branco onde verdejam negros os ciprestes.
Eu era criança, e hoje não o sou; o som, porém, é igual na
recordação ao que era na verdade, e tem, perenemente presente,
se se ergue de onde finge que dorme, a mesma lenta teclagem, a
mesma rítmica monotonia. Invade-me, de o considerar ou sentir,
uma tristeza difusa, angustiosa, minha.

Livro do Desassossego, Fernando Pessoa

 
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Casa Fernando Pessoa

Máquina de escrever de Fernando Pessoa

Escritório de Fernando Pessoa Cómoda de Fernando Pessoa

Biblioteca de Fernando Pessoa

Paredes decoradas com textos de Fernando Pessoa


Quarto de Fernando Pessoa

Inaugurada em novembro de 1993, a Casa Fernando Pessoa foi concebida pela Câmara Municipal
Inaugurada em novembro de 1993, a Casa Fernando Pessoa foi concebida pela Câmara Municipal
de Lisboa como um centro cultural destinado a homenagear Fernando Pessoa e a sua memória na
de Lisboa como um centro cultural destinado a homenagear Fernando Pessoa e a sua memória na
cidade onde viveu e no bairro onde passou os seus últimos quinze anos de vida, Campo de Ourique.
cidade onde viveu e no bairro onde passou os seus últimos quinze anos de vida, Campo de Ourique.
Possui um auditório, jardim, salas de exposição, objetos de arte, uma biblioteca exclusivamente
Possui um auditório, jardim, salas de exposição, objetos de arte, uma biblioteca exclusivamente
dedicada à poesia, além de uma parte do espólio do poeta (…)
dedicada à poesia, além de uma parte do espólio do poeta (…)
Nos seus três pisos principais, realizam-se colóquios, sessões de leitura de poesia, encontros de
Nos seus três pisos principais, realizam-se colóquios, sessões de leitura de poesia, encontros de
escritores, espetáculos musicais e de teatro, conferências temáticas, workshops, exposições de artes
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plásticas, sessões de apresentação de livros.
plásticas, sessões de apresentação casafernandopessoa.cm-lisboa.pt
de livros. (texto com supressões)
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Entrada da Casa Fernando Pessoa


 
A revista - Tabacaria
Revista Tabacaria – publicação da
Revista Tabacaria – publicação da
Tabacaria Casa Fernando Pessoa, revista de
Casa Fernando Pessoa, revista de
Poesia e de Artes Plásticas
Poesia e de Artes Plásticas
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,


Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente (…)
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu. Estou hoje
dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro (…)
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou á janela. (…)

0 homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).


Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(0 Dono da Tabacaria chegou á porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e
viu-me. Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da tabacaria sorriu.

1928
Álvaro de Campos

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