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Maputo, 14 de Abril 2020

1. CONTEXTUALIZAÇÃO
2. OBJECTIVOS
3. FERRAMENTAS DE ANÁLISE
4. CONSTATAÇÕES
5. PRESSUPOSTOS MACROECONÓMICOS
6. ALOCAÇÃO DE RECURSOS POR ÂMBITO
(desconcentração e descentralização)
7. ANÁLISE DAS RECEITAS
8. ANÁLISE DA DESPESA: Sectores Sociais
(Educação, Saúde, Agricultura, Protecção Social)
 Analisar a coerência das previsões orçamentais face
ao cenário macroeconómico;
 Alocação de recursos por âmbito (desconcentração e
descentralização);
 Analisar a evolução do orçamento alocado aos
sectores sociais (educação, saúde, agricultura,
protecção social) em comparação com outros
sectores;
 Avaliar o grau de cumprimento dos compromissos de
alocação do orçamento assumidos a nível nacional,
regional e internacional;
 Reflectir sobre o impacto do Covid-19 nos sectores
sociais e no orçamento;
 Identificar questões críticas para debate sobre OE
2020
 Classificadores Orçamentais (Económica,
Funcional, Territorial, Programática e
Orgânica);
 Taxas de Crescimento (nominal e real);
 Peso do Orçamento vs Compromissos

Internacionais;
 Orçamento per capita;
 Gráficos e Tabelas (Excel);
 Crescimento Económico de
2,2% em 2020 igual ao
observado em 2019.
 Discrepância entre o
crescimento económico
previsto e o observado nos
últimos 3 anos;
 Crescimento económico de
2020 parece ignorar os efeitos
do Covid-19 e ataques
armados em Cabo Delgado
sobre a Economia; Fonte: Cálculo dos autores com base no CGE (2017, 2018), REO (2019), Proposta do OE (2020).

 Crescimento económico dos últimos anos afectado pelo preço de


commodities, dívida pública, suspensão da ajuda externa, desastres
naturais e ataques militares no centro e no norte do país
 Crescimento económico (2,2%) inferior ao crescimento populacional
(2,7%), sugerindo redução do rendimento per capita e aumento das
desigualdades sociais;
 Aumento das Importações;
 Redução das Exportações;
 Aumento do Défice da Balança
Comercial
 Baixo aumento do Investimento
Directo Estrangeiro;
 Redução das Reservas
Intenacionais Líquidas;

Impacto do Covid-19:
 Vulnerabilidade da Economia

Fonte: Cálculo dos autores com base no CGE (2017, 2018), REO (2019), Proposta do OE (2020).

 Redução do preço de commodities->redução das exportações ->


redução das reservas
 Reduçao da actividade Económica ->aumento do desemprego e
diminuição de receitas;
 Aumento da inflação para acima do previstos (precif
 Diante disso, podem ser levantadas as seguintes questões ao
governo:
1. Como é que o governo pretende fazer face ao risco de agravamento
das desigualdades sociais estimuladas pela queda da actividade
económica e inflação num contexto da covid-19?
2. Que estratégia está em curso para reduzir a dependência do país da
poupança externa, das importações e da vulnerabilidade associada
as incertezas da indústria extractiva que afectam as exportações?O
conflito de Cabo Delgado tem a sua contraparte na desaceleração da
actividade económica. Que estratégias específicas se vislumbram
para resolver o conflito e minimizar os seus efeitos sobre a
economia? Qual é o esforço financeiro necessário para o efeito?
 4. Quais são as medidas para minimizar o efeito da perda do
poder de compra das classes vulneráveis?
 Crescimento Económico de 2,2% igual ao observado em 2019.
 Discrepância entre o crescimento económico previsto e o observado nos últimos 3
anos;
 Crescimento económico parece ignorar os efeitos do Covid-19 e ataques em Cabo
Delgado sobre a Economia;
 Crescimento económico (2,2%) inferior ao crescimento populacional (2,7%),
sugerindo redução do rendimento per capita e aumento das desigualdades sociais
 Desemprego;
 Redução das Exportações (preço de commodities) e das reservas internacionais;
 Redução do fluxo de Importações
 Precipitação da inflação importada;
 Redistribuição dos rendimentos;
 Gestão macroeconómica;  
 Regulamentação e promoção do sector privado;
 Protecção do Ambiente;
 Criação e manutenção de empresas
estratégicas;
 Promoção de um ambiente financeiro saudável;
 Provisão de infra-estruturas;
 Promoção do consumo de bens de mérito;
 Defesa, Segurança e Manutenção da Ordem
pública.
Redistribuição dos rendimentos;
Em Moçambique, o regime progressivo de impostos

sobre os rendimentos e a política de despesas públicas


desempenham um papel fundamental neste processo.
Gestão macroeconómica;  
O mercado por sí só não era capaz de resolver estes

problemas.
Desenvolver e implementar políticas públicas para

combater o desemprego, estabilizar o nível geral de


preços e corrigir os desequilíbrios da balança de
pagamentos.
Regulamentação e promoção do sector privado;
A concorrência saudável precisa ser promovida e protegida.

Mais mercados devem ser criados. A inovação e um


empresariado forte não são um resultado natural e estável do
funcionamento do mercado livre. Tem que ser promovidos e
protegidos; removendo obstáculos desnecessários para o seu
desenvolvimento e investindo recursos no seu crescimento.
Protecção do Ambiente;
Para garantir sustentabilidade no uso dos recursos

ambientais através de leis ambientais, regulamentos, licenças,


taxas e os impostos são frequentemente utilizados com este
fim.
 
Criação e manutenção de empresas estratégicas;
Monopólios naturais nos sectores das águas, electricidade e

comunicação. Necessidade do Estado investir em projectos que


pela sua natureza são muito importante para a estabilidade
política e social; afirmação da soberania e desenvolvimento
económico definido no seu sentido mais amplo.
Promoção de um ambiente financeiro saudável;

Num ambiente financeiro estável e menos distorcido o risco

para as poupanças e investimentos é menor, traduzindo-se em


preços financeiros que reflectem o custo de oportunidade real
do capital. Por isso, os recursos por sí gerados fluirão para as
actividades com maior rentabilidade.

 
Promoção do consumo de bens de mérito;
A saúde; educação e segurança social são por excelência

parte deste grupo de bens. O consumo de bens de mérito


tem efeitos externos positivos. Por isso o Estado deve
garantir o consumo em quantidades e qualidade suficiente de
educação e de saúde, tendo em conta os benefícios privados
e sociais.
Defesa, Segurança e Manutenção da Ordem pública.
Sem intervenção pública, nenhuma economia era capaz de

providenciar estes bens em quantidades desejáveis por se


tratarem de bens públicos puros. A provisão dos mesmo gera
uma atmosfera de previsibilidade no sistema económico,
elemento necessário para que as pessoas acumulem recursos
para investimentos, crescimento e desenvolvimento da nação.
 Informação Imperfeita (o E não tem conhecimento
imperfeito sobre os problemas que enfermam a
sociedade e o seu desdobramento)
 Incapacidade de Prever Todas as Reacções dos
Mercados  
 Desfasamento Temporal entre a Origem do
Problema e a Decisão
 Limite no Controlo Sobre a Administração Pública
(conflito de interesse)
 Limitações Resultantes de Processos Políticos
(despesismo)
Informação Imperfeita
O Estado não tem conhecimento perfeito sobre os
problemas que enfermam a sociedade e o seu
desdobramento. E como se sabe quando a informação é
limitada, torna-se difícil tomar decisões correctas e
implementar programas e políticas adequadas.
Incapacidade de Prever Todas as Reacções dos Mercados  
O Estado não tem um controlo absoluto das
consequências ou impacto das suas políticas. Por
exemplo, o estabelecimento de preços mínimos ao
produtor a fim de aumentar os rendimentos dos
camponeses pode desencorajar a agro-indústria e a longo
prazo conduzir a desinvestimento.
Limite no Controlo Sobre a Administração Pública (conflito
de interesse)
Os detalhes técnicos de implementação de políticas e
acções podem ser minadas por défice frequentemente de
capacidade financeira, humana e material para uma
implementação eficiente.
Além disso, as agências do governo são dirigidas por
pessoas com interesses próprios. Não recebem e
simplesmente implementam as decisões ministeriais.
Preocupam-se frequentemente com o seu prestígio
pessoal; status; o seu salário; e a maximização do número
de subordinados. Em resultado disso, terão tendência de
maximizar os orçamentos; optando por critérios de
visibilidade e aprovando um grande número de
programas ou projectos com grande dimensão
Limitações Resultantes de Processos Políticos
(despesismo)
Muitas vezes o político não é um indivíduo cuja função
de utilidade ou o nível de satisfação coincide com o da
sociedade. Tem objectivos próprios que passam por
garantir que seja eleito nas próximas eleições e responder
às necessidades do grupo que sustentou a sua campanha
eleitoral. Por isso que tal como os burocratas tem também
incentivo para criar ineficiência e maximizar os
orçamentos, optando por critérios de visibilidade.
Os ciclos político-económicos, caracterizados por
políticas orçamentais expansionistas nos períodos pre-
eleitorais e por políticas restritivas depois das eleições
constituem de facto um exemplo típico de como a política
pode trazer resultados não desejáveis.
RECEITA DESPESA

1. Receitas fiscais 1. Correntes


1. 1. Impostos 1.1. Salários
1.2. Combustíveis
2. Receitas não fiscais
1.3. Materiais diversos( ex: papel, etc.)
1. Taxas
2. Licenças 1.4. Serviço da Dívida
Total (Ex: 186.3 mil 2. Investimentos
Milhões Mt)  
Défice (Ex: 81 mil 2.1.Infraestruturas económicas
milhões, 2016) (pontes, estradas, edifícios de
3. Donativos produção)
4. Dívida 2.2.Infraestruturas sociais (escolas
5. Emissão Monetária ,hospitais, etc.)
(Inflação)
Total (272.2 Mil Milhões de Mt)
 O cumprimento da missão do Estado passa
necessariamente pela planificação. É por via do
planificação que as políticas económicas e sociais do
Estado são agregados e harmonizados num documento
que se chama plano. Mas o que é planificação?

 Uma actividade conscientemente desenvolvida para a


materialização das políticas e objectivos do Estado, o
seu foco principal é a consideração objectiva do futuro e
sua antecipação explicita. É uma reacção contra a
mentalidade simplista de solução dos problemas à
medida que surgem. É uma técnica para minimizar o
improviso e permitir maior consistência na prossecução
dos objectivos políticos, económicos e sociais do
Estado.
Algumas Características
(i) Permanente, contínuo e iterativo;
A planificação é realizada continuamente dentro do
Estado e não se esgota na preparação e aprovação do
Plano quinquenal e dos Planos Económicos e sociais.
Pressupõe avanços e recuos, alterações e modificações.
(ii) orientado para o futuro;
A planificação lida intimamente com a previsão. A
planificação é uma relação entre coisas a fazer e o tempo
disponível para tanto.
O Plano quinquenal e os Planos Económicos e sociais
perspectivam o que o governo quer que o futuro seja na
área social, económica, até mesmo política. Quais são as
acções que serão desenvolvidasQuais são as perspectivas
na composição do produto da economia?
(iii) Racional;
Ao prever o futuro, a planificação serve como meio de

orientação do processo de decisão, dando-lhe maior


racionalidade e subtraindo a incerteza subjacente a qualquer
tomada de decisão. De alguma maneira a planificação limita as
alternativas de decisão e retira parte da liberdade para decidir,
mas em compensação, transmite segurança e consistência nas
escolhas feitas.
(iv) Sistémico;
Entendemos por planificação sistémica quando abrange todo o

Estado e subsistemas de planeamento público. Na verdade o


processo de planificação em Moçambique envolve todos
substratos relevantes do Estado.
(v) Inovativo

A planificação é uma técnica de mudança e inovação de forma

previamente definida, discutida e programada.


• Agenda 2025
• PQG
• Plano Estratégico do Sector
• Plano Estratégico de
Planificação Desenvolvimento
Estratégica Provincial.
• Plano Estratégico de
Desenvolvimento Distrital.
TIPOS DE
PLANIFICAÇÃO

Planificação • PESOE
Operacional • PESOP
• PESOD
O orçamento pode ser definido em três perspectivas ou
dimensões:
Económica, orçamento é uma previsão do que vai ser a
arrecadação e utilização dos dinheiros públicos e uma exposição
do significado financeiro dos planos do Estado.
Política, o orçamento uma vez aprovado é a legitimação política
do plano financeiro do governo. Os representantes do povo na
Assembleia da República conferem legitimidade ao plano
financeiro do governo, aprovando que realize despesas e a
cobre receitas em nome do Estado.  
Jurídico, o orçamento é um instrumento legal que limita os
poderes financeiros da administração pública. Os órgãos da
administração terão necessariamente que seguir as orientações
da lei orçamental na execução da gestão financeira do estado.
Não poderão gastar mais do que aquilo que vem especificado no
orçamento nem cobrar receitas que não estão inscritas neste
documento.
Em Moçambique as despesas públicas são
classificadas numa perspectiva:
Económica;
Na perspectiva económica as receitas e despesas são
individualizadas segundo os conceitos de
contabilidade nacional, distinguindo, por exemplo o
rendimento, o consumo, investimento e
transferências públicas
Económica;

N Designacao Real 2015 Limites 2016 Limites 2017 % Cresc

Despesas
93,091.10 51,189.63 0.00
1 Correntes -100.0
Despesas de
69,728.28 55,443.59 63,120.76
2 Investimento 13.8
TOTAL 162,819.38 106,633.22 63,120.76 -40.8
Funcional
O classificador funcional obedece ao critério das

Nações Unidas. Identifica as despesas de acordo com


a natureza das funções exercidas pelo Estado:
defesa, saúde, segurança e ordem públicas. Este
classificador ajuda a julgar as prioridades dos
governos ao longo do tempo e fazer comparações
internacionais.
Funcional

N De signacao Re al 2015 Limite s 2016 Limite s 2017 % Cre sc

1 Educação 93,091.10 51,189.63 0.00 -100.0


2 Saude 69,728.28 55,443.59 63,120.76 13.8
3 Agricultura 21,922.22 15,358.44 29,968.02 95.1
4 Obras 60,828.57 29,692.93 10,236.21 -65.5
5 Outros 27,228.13 31,108.67 5,118.11 -83.5
6 Distritos 46,376.76 45,994.11 0.00 -100.0
TOTAL 319,175.06 228,787.37 108,443.10 -52.6
  Territorial -mostra a afectação das receitas e
despesas segundo a divisão territorial do país.
Permite analisar o alcance dos objectivos do
governo e o esforço orçamental realizado para o
desenvolvimento das várias regiões.
  Territorial
o Distritos Exec 2013 Real 2015 Limites 2016 Limite 2017 % Cresc.
N
1 Govuro 9,525.14 26,684.71 28,037.28 9,644.82 -65.6

2 Inhassoro 9,616.00 10,964.97 11,127.10 11,127.10 0.0

3 Vilankulo 12,255.01 14,582.57 15,154.88 16,031.48 5.8

4 Mabote 10,781.20 10,337.45 11,978.68 11,978.67 0.0

5 Funhalouro 9,374.00 8,555.42 11,014.70 9,913.23 -10.0

6 Massinga 9,109.00 12,797.65 14,980.47 14,979.57 0.0

7 Morrumbene 11,431.00 12,832.40 14,869.55 14,869.55 0.0

8 Panda 9,314.00 9,572.57 10,796.74 8,893.75 -17.6

9 Homoíne 8,508.00 7,632.99 10,927.43 9,834.69 -10.0

10 Jangamo 9,970.00 12,273.73 14,307.46 14,261.31 -0.3

11 Inharrime 10,012.00 9,519.50 11,030.72 11,030.73 0.0

12 Zavala 12,429.00 15,728.15 15,236.41 16,553.11 8.6

13 Inhambane 0.00 6,272.91 5,002.83 4,502.55 -10.0

14 Maxixe 9,576.38 13,531.87 14,933.92 14,933.92 0.0


Total 131,900.73 171,286.89 189,398.17 168,554.48 -11.0
 orgânica- Organiza o orçamento da despesa em
função dos órgãos que vão executar a despesa
N De signacao Re al 2015 Limite s 2016 Limite s 2017 % C re sc

MOPH 93,091.10 51,189.63 0.00 -100.0


Ministério da
69,728.28 55,443.59 63,120.76
2 Saúde 13.8
Ministério da
Agricultura e 21,922.22 15,358.44 29,968.02
Segurança
3 Alimentar 95.1
4 Obras Públicas 60,828.57 29,692.93 10,236.21 -65.5
5 Outros 27,228.13 31,108.67 5,118.11 -83.5
6 Distritos 46,376.76 45,994.11 0.00 -100.0
TOTAL 319,175.06 228,787.37 108,443.10 -52.6
 Classificação Mista
Ciclo de Planificação e Orçamentação - MZ
(Re) Planificação Estratégica

1. Programa do Governo, PARPA e


Estratégias Sectoriais Preparação Orçamental

Operacionalização Médio Prazo


7. Avaliação \ Auditoria
2. Cenário Fiscal de Médio Prazo
Avaliação

Operacionalização Anual
6. Relatório do PES, Relatórios de 3. PES | Orçamento de Estado
Execução e Conta Geral do
Ciclo
Estado

Prestação de Contas

5. Monitoria Regular e 4. Produção de Bens e Serviços


Contabilização Pagamento de Fornecedores

Acompanhamento Execução

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