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Capítulo 3 - Uniões Parafusadas

Introdução
Apesar da existência de uma grande variedade de parafusos e porcas disponíveis
comercialmente, os conceitos aqui apresentados são focados para as uniões parafusadas
contemplando a condição de rosca unificada e rosca métrica.

Na prática, porém, o desenvolvimento aplicado para as uniões com esses tipos de roscas
também pode ser estendido aos outros tipos de parafusos sem perda de generalidade.

Elementos de Máquinas
J.C. Almeida, R. Barbieri, K. Fonseca
Capítulo 3 - Uniões Parafusadas
Parafusos com rosca métrica e rosca unificada

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Capítulo 3 - Uniões Parafusadas
Parafusos com rosca métrica e rosca unificada
Os parafusos com rosca unificada (sistema inglês) possuem ângulo da rosca igual a 60 o e são
especificados pelo seu diâmetro nominal e o número de filetes de rosca por polegada. Por
exemplo:

3/4”-10UNC

diâmetro nominal = 3/4”


filetes de rosca por polegada = 10
UNC = rosca unificada de passo grosso

Tem-se também a condição de:

UNF = rosca unificada com passo fino


UNR = rosca unificada com menor concentração de tensões

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Parafusos com rosca métrica e rosca unificada
Para especificação de parafusos com rosca métrica:

M16x1,5

diâmetro nominal = 16mm


passo da rosca = 1,5mm
M = rosca métrica

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Parafusos com rosca métrica e rosca unificada

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O comprimento do parafuso e o comprimento com rosca
rosca unificada:

2d  1 / 4 L  6"
LT  
2 d  1 / 2 L  6"

rosca métrica:
2d  6 L  125mm d  48mm

LT  2d  12 125mm  L  200mm
2d  25 L  200mm

sendo:
L  L1  L2  H  2 p

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Capítulo 3 - Uniões Parafusadas
O mecanismo de distribuição de carga nas uniões parafusadas

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Capítulo 3 - Uniões Parafusadas
O mecanismo de distribuição de carga nas uniões parafusadas

Após o aperto inicial o parafuso fica tracionado com uma força resultante denominada de
“Fi” e as chapas ficam, simultaneamente, comprimidas com força de igual magnitude.

O valor da carga “Fi” esta relacionado com o torque de aperto do parafuso e pode ser
definida através da seguinte expressão:

T  0,2 d Fi

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O mecanismo de distribuição de carga nas uniões parafusadas

Quando uma carga “P” externa é aplicada nesta união uma parcela desta carga será
transferida para os membros (Fm) e a outra para o parafuso (Fp), conforme indicado
esquematicamente pela figura:

Kp
Fp  Fi  P  Fi  C P
K p  Km

Km
Fm   Fi  P   Fi  (1  C ) P
K p  Km

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Análise de tensões e os critérios de projeto
O coeficiente de segurança para as uniões parafusadas deve ser entendido como sendo a
margem de segurança que pode ser aplicada ao carregamento externo para que não
ocorra a falha da união. Para utilizar este conceito admite-se, porém, que não ocorre a
falha do parafuso durante o aperto inicial. Assim:

Fm (max)   Fi  nm (1  C ) Pmax  0

F p (max) Fi n p CPmax
 max      adm
At At At

“nm” = coeficiente de segurança em relação ao aperto inicial do parafuso;


“smax” = falha estática ou falha no primeiro ciclo de carga no parafuso;
“sadm” = tensão admissível de projeto;
“np” = coeficiente de segurança do parafuso.

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Análise de tensões e os critérios de projeto
Para condição de cargas dinâmicas:

Fi n f C ( Pmax  Pmin )
m  
At 2 At

n f C ( Pmax  Pmin )
a 
2 At
“nf” = coeficiente de segurança com relação à falha do parafuso por fadiga

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Análise de tensões e os critérios de projeto

Notar que o valor de “Fi” é extremamente importante para as uniões parafusadas.


Pequenos valores para “Fi” podem provocar a perda da compressão nos membros durante
o carregamento externo da união parafusada, enquanto que valores muito elevados
aproximam as tensões no parafuso dos seus valores limites.
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Análise de tensões e os critérios de projeto
Para os carregamentos estáticos o valor sugerido por Budynas (2006) para “Fi” fica na faixa
de: “0,6 Fprova < Fi < 0,9 Fprova”.

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A constante de mola do parafuso

P  Ld Lt  P  Ld At  Lt Ad 
  d  t      
E  Ad At  E  Ad At 

Ad , Ld = área e comprimento do corpo do parafuso sem rosca;


At , Lt = área e comprimento do parafuso com rosca.

P EAd At
Kp  
 Ld At  Lt Ad

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Capítulo 3 - Uniões Parafusadas
A constante de mola dos membros em compressão

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A constante de mola dos membros em compressão

P Ed tg
k 
  2 t  tg  Dw  d Dw  d 
ln   
 2 t  tg   D w  d D w  d 

Ainda existem muitos estudos com o método de elementos finitos para determinar o valor
adequado para o ângulo “a” de uniões parafusadas. Na maioria dos livros textos sobre o
assunto, recomenda-se um valor correspondente a a = 30º. Utilizando tal valor pode-se
chegar a:
0,57735 Ed
k
1,1547t  Dw  d Dw  d 
ln   
1,1547t  D w  d D w  d 

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A constante de mola dos membros em compressão

0,57735 Ed
k
1,1547t  Dw  d Dw  d 
ln   
1,1547 t  D w  d D w  d 

Equação válida para cada um dos cones que compõem as deformações nos membros,
sendo que “Dw” indica o menor diâmetro do cone e “E” denota o módulo de elasticidade
do material do cone em análise.

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Uniões com gaxetas

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Uniões com gaxetas
Para as gaxetas confinadas, a rigidez dos membros não é afetada pela presença da mesma.

Para gaxetas não-confinadas, entretanto, a gaxeta pode ser tratada como sendo um
membro da conexão e a sua rigidez é calculada normalmente empregando a equação de
rigidez correspondente.

Quando as gaxetas estão presentes na união deve-se tomar cuidado no sentido em se


garantir a pressão mínima de vedação, o que pode ser definido pela relação:

Fi  (1  C ) Pmax
pG   p min
Agaxeta
“Agaxeta” = área da gaxeta em contato com a união; e
“pmin” = pressão mínima para vedação.

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Falhas características em parafusos

A figura ao lado ilustra o percentual


das falhas que ocorrem nos
parafusos conhecidos como Tellep
(cabeça circular com sextavado
interno). Tal condição é válida, para
os demais parafusos em geral.

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O limite de fadiga de parafusos
Quando não fornecido pelos fabricantes, o limite de fadiga para parafusos pode ser calculado
empregando a metodologia convencional das análises de fadiga.

A Tabela 3.6 mostra os valores recomendados para o fator de concentração de tensões para
fadiga já corrigidos com relação ao fator de sensibilidade ao entalhe e acabamento superficial,
enquanto que a Tabela 3.7 indica os valores usuais para o limite de fadiga (incluindo todas as
correções) para parafusos com roscas laminadas.

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O limite de fadiga de parafusos

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União parafusada com carregamento excêntrico

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União parafusada com carregamento excêntrico
n
a) o centróide do grupo de “n” parafusos: A   Ai
i 1

n n
x   xi Ai / A y   y i Ai / A
i 1 i 1

b) força primária nos parafusos:

F
F '
n

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União parafusada com carregamento excêntrico
c) força secundária nos parafusos:

M  rj
F" j  n
j  1,2,..., n
i
r 2

i 1

d) tensão cisalhante média nos parafusos:

 j  FRj / A j j  1,2,..., n

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União parafusada com carregamento excêntrico

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Problema resolvido 12.1

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Problema resolvido 12.1 - continuação

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Problema resolvido 12.2

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Problema resolvido 12.2 - continuação

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Problema resolvido 12.3

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Problema resolvido 12.3 - continuação

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Referências bibliográficas

Budynas R, Nisbett JK. Shigleý s Mechanical Engineering Design. 8a Ed. McGraw-Hill


Companies, Inc; 2006.
Kephart, A.R. Fatigue acceptance Test Limit Criterion for Larger Diameter Rolled Thread
Fasteners .
Norton RL . Projeto de Máquinas: Uma Abordagem Integrada. 4a Ed. Bookman; 2013.
Peterson RE. Stress Concentration Factors. NY: Wiley; 1974 .
Rothbart HA. Mechanical Design and Systems Handbook. 2a Ed. New York: McGraw-Hill;
1985.
Schmid SR, Hamrock BJ, Jacobson BO. Fundamentals of Machine Elements. Third Edition
CRC Press - Taylor and Francis Group; 2013.
Shigley JE , Mitchell LD. Mechanical Engineering Design . 4 th Ed. McGraw-Hill International
Book Company; 1983.
Shigley JE , Mischke CR. Mechanical Engineering Design 6a Ed. McGraw-Hill International
Book Company; 2001.
Tellep – Catálogo geral de parafusos.
Zahavi E, Barlam D. Nonlinear problems in machine design . CRC Press LLC; 2001 .
www.metalac.com.br
www.stanleyengineeredfastening.com

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