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FIGURAS DE LINGUAGEM

PROF. Laudemiro Botelho.


Figuras de som - SONORAS
a) aliteração: consiste na repetição ordenada de mesmos sons consonantais.

Vozes veladas, veludosas vozes


volúpias dos violões, vozes veladas
vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas. (Cruz e Sousa)

Da rosa de Hiroxima, rosa hereditária


A rosa radioativa estúpida e inválida
A rosa com cirrose a anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume sem rosa, sem nada (V. de Moraes)

b) assonância: consiste na repetição ordenada de sons vocálicos idênticos.


Ah! Um urubu pousou na minha sorte! (Augusto dos Anjos)
c) paronomásia/trocadilho: consiste na aproximação de palavras de sons
parecidos, mas de significados distintos.

Eu que passo, penso e peço.


Ah, pregadores! Os de cá, os achareis com mais paço. Os de lá, com mais
passos. (Pe. Vieira)

d) Onomatopéia: consiste na reprodução de um som com um fonema ou


palavra.
Ergue a voz o tique-taque estalado das máquinas de escrever. (Fernando
Pessoa)
E o sino geme em lúgubres responsos
Pobre Alphonsus, pobre Alphonsus!” (Alphonsus de Guimaraens)
Figuras de construção – disposição
das palavras/sintaxe)
a) anáfora: repetição sistemática de uma palavra ou expressão NO INÍCIO de
versos ou períodos.

Amor é um fogo que arde sem se ver


É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

b) anacoluto: consiste em deixar um termo solto na frase. Normalmente, isso


ocorre porque se inicia uma determinada construção sintática e depois se opta por
outra.
A vida, não sei realmente se ela vale alguma coisa.

Eles, o seu único desejo é exterminar-nos.


c) Polissíndeto: uso reiterado de conectivos.

Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua! (Olavo Bilac)

d) pleonasmo: consiste numa redundância cuja finalidade é reforçar a


mensagem.

E rir meu riso e derramar meu pranto. (V. de Moraes)

e) elipse ou zeugma: consiste na omissão de um termo facilmente identificável


pelo contexto.

Na sala, apenas quatro ou cinco convidados. (omissão de havia)

Ele prefere cinema; eu, teatro. (omissão de prefiro


f) Hipérbato/inversão: alteração da ordem direta (sujeito, verbo, complementos) da frase.

Odisseu senescente da glória recusou a pompa fúnebre.” ( Haroldo de Campos)

g) Hipálage: deslocamento da qualidade de uma coisa para outra.

Fumei um pensativo cigarro. (Eça de Queirós)

A moça dormia transparente. (Chico Buarque)

h) Quiasmo: cruzamento simétrico de palavras ou expressões, formando um X (Ki em grego).

Onde nasci, morri.

Onde morri, existo. (Carlos Drummond de Andrade)


i) silepse: consiste na concordância não com o que vem expresso, mas com o que se
subentende, com o que está implícito. A silepse pode ser:

• De gênero
Vossa Excelência está preocupado.

• De número
Os Lusíadas glorificou nossa literatura.

• De pessoa
O que me parece inexplicável é que os brasileiros persistamos em cometer os mesmos
erros.
Figuras de pensamento -
também(raciocínio/sentido)
a) Comparação: aproximação de dois termos, por semelhança, como na
metáfora. A comparação, porém, é feita por meio de um conectivo (com,como, tal
qual, assim, quanto etc.)
De sua formosura
deixai-me que diga:
é tão belo como um sino
numa sala negativa.

Ver minh'alma adejar pelo infinito


Qual branca vela n'amplidão dos mares. (Castro Alves)

b) antítese: consiste na aproximação de termos contrários, de palavras que se


opõem pelo sentido.

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia;


Depois da Luz se segue a noite escura;
c) Oxímoro/paradoxo: absurdo conceitual/imagético – reunião de expressões
antagônicas. O oximoro contém um paradoxo.
Foi sem querer querendo...
É proibido proibir!
É um contentamento descontente. (Camões)

d) ironia: é a figura que apresenta um termo em sentido oposto ao usual,


obtendo-se, com isso, efeito crítico ou humorístico.
A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças. (Negrinha -
Monteiro Lobato)

e) eufemismo: consiste em substituir uma expressão por outra menos brusca; em


síntese, procura-se suavizar alguma afirmação desagradável.
Ele enriqueceu por meios ilícitos.
f) Apóstrofe: invocação/chamamento de pessoa, ser sobrenatural, Deus, entidades,
natureza. Gramaticalmente, a apóstrofe se expressa pelo vocativo. Confere
dramaticidade e força ao texto.
Olha, Marília, as flautas dos pastores, que bem que soam... (Bocage)

Senhor Deus dos desgraçados!


Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus...
Ó mar! Por que não apagas
Co’a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! Noite! Tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!...
(O navio negreiro - Castro Alves)
f) hipérbole: trata-se de exagerar uma idéia com finalidade enfática.
Estou morrendo de sede.

g) gradação: é a apresentação de idéias em progressão ascendente ou descendente.


Um coração chagado de desejos
Latejando, batendo, restrugindo.

h) prosopopéia ou personificação: consiste em atribuir a objetos inanimados ou


seres irracionais sentimentos ou ações próprias dos seres humanos.
A Bomba atômica é triste
Coisa mais triste não há
Quando cai, cai sem vontade. (Vinícius de Moraes)
i) Reificação/coisificação/animalização: o inverso da prosopopeia/personificação – de
res (coisa em latim), consiste em atribuir propriedades animais/vegetais ao homem.

Toda vez que ela chamava, seu namorado a seguia abanando o rabo.
Figuras de palavras – (o sentido
próprio é substituído por um sentido
figurado)
a) metáfora: consiste em empregar um termo com significado diferente do habitual,
com base numa relação de similaridade entre o sentido próprio e o sentido figurado. A
metáfora implica, pois, uma comparação em que o conectivo comparativo fica
subentendido. Da metáfora desenvolvida/narrada, forma-se uma ALEGORIA.

Meu pensamento é um rio subterrâneo.

Donde vem?.. Onde vai? Das naus errantes


Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste Saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.

(O navio negreiro – Castro Alves)


b) metonímia/sinédoque: como a metáfora, consiste numa transposição de
significado, ou seja, uma palavra que usualmente significa uma coisa passa a ser
usada com outro significado. Todavia, a transposição de significados não é mais feita
com base em traços de semelhança, como na metáfora. A metonímia explora sempre
alguma relação lógica entre os termos. Observe:

Não tinha teto em que se abrigasse. (teto em lugar de casa)

Autor pela obra: Devolva o Machado de Assis (livro) que você emprestou.

O gênero pela espécie: O pão (alimento) nosso de cada dia nos daí hoje.

O produto pela matéria-prima: “andando em bravo mar, perdido o lenho.” (navio)

O todo representado pela parte: “Vida, vento, vela, leva-me daqui” (barco)
c) catacrese: ocorre quando, por falta de um termo específico para designar um
conceito, torna-se outro por empréstimo. Entretanto, devido ao uso contínuo, não mais
se percebe que ele está sendo empregado em sentido figurado.

O pé da mesa estava quebrado.

d) antonomásia ou perífrase: consiste em substituir um nome por uma expressão que


o identifique com facilidade:
...os quatro rapazes de Liverpool (em vez de os Beatles)

e) sinestesia: trata-se de mesclar, numa expressão, sensações percebidas por


diferentes órgãos do sentido.
A luz crua da madrugada invadia meu quarto.
Incolores idéias verdes adormecem furiosamente. (N. Chomsky)
EXERCÍCIOS

01. (VUNESP) No trecho: "...dão um jeito


de mudar o mínimo para continuar
mandando o máximo", a figura de
linguagem presente é chamada:
a) metáfora
b) hipérbole
c) hipérbato
d) anáfora
e) antítese
 
02. (PUC - SP) Nos trechos: "O pavão é
um arco-íris de plumas" e "...de tudo que
ele suscita e esplende e estremece e
delira..." enquanto procedimento estilístico,
temos, respectivamente:

a) metáfora e polissíndeto;
b) comparação e repetição;
c) metonímia e aliteração;
d) hipérbole e metáfora;
e) anáfora e metáfora.
03. (VUNESP) Na frase: "O pessoal estão
exagerando, me disse ontem um camelô",
encontramos a
figura de linguagem chamada:

a) silepse de pessoa
b) elipse
c) anacoluto
d) hipérbole
e) silepse de número
04. (ITA) Em qual das opções há erro de
identificação das figuras?

a) "Um dia hei de ir embora / Adormecer


no derradeiro sono." (eufemismo)
b) "A neblina, roçando o chão, cicia, em
prece. (prosopopéia)
c) Já não são tão freqüentes os passeios
noturnos na violenta Rio de Janeiro.
(silepse de número)
d) "E fria, fluente, frouxa claridade /
Flutua..." (aliteração)
e) "Oh sonora audição colorida do aroma."
(sinestesia)
05. (Fuvest) “O único sentido oculto das
coisas é elas não terem sentido oculto
nenhum.” No verso destacado temos uma
figura de sentido recorrente na poesia de
Alberto Caeiro:
a)sinestesia;
b)Metáfora;
c)Metonímia;
d)Oxímoro;
e)Prosopopeia.
 
08. (FGV - SP) Assinale a alternativa em
que ocorre aliteração:
 
a) água de fonte
água de oceano
água de pranto. (Manuel Bandeira)
b) "A gente almoça e se coça e se roça e
só se vicia." (Chico Buarque)
c) "Ouço o tique-taque do relógio: apresso-
me então." (Clarice Lispector)
d) "Minha vida é uma colcha de retalhos,
todos da mesma cor." (Mário Quintana)
e) “O mito é o nada que é o tudo.”
(Fernando Pessoa)
OBRIGADO A TODOS, AGORA
ESTUDEM!

PROF. LAUDEMIRO BOTELHO.

Fim!