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LIBERDADE PROVISÓRIA

Caso simulado trabalhado em sala de aula


ENDEREÇAMENTO
EXMO. JUIZ DE DIREITO DA 4ª VARA CRIMINAL DA
COMARCA DESTA CAPITAL

Obs.1.: O caso simulado fez referência ao juízo para o qual


o Auto de prisão em flagrante foi encaminhado (4ª Vara
Criminal da Capital).
Obs.2.: Se o caso fez referência à 4ª Vara Criminal da
Capital, é assim que deve estar no encaminhamento, não
coloque a capital do Estado onde você se encontra. Em um
concurso o examinador poderá considerar identificação da
prova e anular a sua peça.
PREÂMBULO
ALBERTO DA SILVA, nacionalidade xxx, profissão xxx,
estado civil xxx, portador do RG nº XXX, residente e
domiciliado na Rua xxx, nº xxx, Bairro xxx, CEP xxx,
nesta Capital, vem, através de seu procurador infra-
assinado, com base no art. 321 do Código de Processo
Penal e demais normas aplicáveis à espécie, requerer
LIBERDADE PROVISÓRIA, pelas razões de fato e de
direito a seguir expostas:

Obs.1.: Como ainda não há um processo, a qualificação


do Requerente é necessária;
Obs.2.: Não invente dados. Qualifique o Requerente
com os dados que foram fornecidos.
PARTE FÁTICA
O Requerente foi preso em flagrante delito no dia xxx,
em virtude da suposta prática do crime previsto no artigo
155, §4º, IV, do Código Penal Brasileiro, sendo, após a
lavratura do APF, conduzido ao cárcere, local onde se
encontra recolhido até a presente data.

Obs.1.: Tratando-se de exame ou concurso, não dedique


muito tempo aos fatos, pois não são objeto de
pontuação. Apenas faça um breve resumo do problema.
Obs.: 2.: Se tratando de caso real, descreva os fatos de
forma clara e suficiente, para que haja o entendimento
pelo julgador.
Fundamentação legal
Todavia, razão não existe para a custódia cautelar do Requerente,
motivo pelo qual deve a ele ser concedida liberdade provisória, nos
exatos termos dos arts. 310 e 321 do Código de Processo Penal.

De fato, dispõe o art. 310 do Código de Processo Penal, que:


 
“Art. 310. Ao receber o auto de prisão em flagrante, o juiz
deverá fundamentadamente:
I - relaxar a prisão ilegal; ou
II - converter a prisão em flagrante em preventiva,
quando presentes os requisitos constantes do art. 312
deste Código, e se revelarem inadequadas ou
insuficientes as medidas cautelares diversas da prisão;
ou
III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança”.
 
Fundamentação legal
Por sua vez, dispõe o art. 321 do diploma processual penal que:
“Art. 321. Ausentes os requisitos que autorizam a
decretação da prisão preventiva, o juiz deverá conceder
liberdade provisória, impondo, se for o caso, as medidas
cautelares previstas no art. 319 deste Código e observados
os critérios constantes do art. 282 deste Código”. (Grifou-
se)

Assim, tem-se que a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva é


medida excepcional, somente se justificando quando presentes os motivos
autorizadores desta, que se encontram previstos no art. 312 do Código de Processo
Penal:
“Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como
garantia da ordem pública, da ordem econômica, por
conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a
aplicação da lei penal, quando houver prova da existência
do crime e indício suficiente de autoria”.
Fundamentação legal
Em primeiro lugar, refere-se o artigo acima transcrito à garantia da ordem
pública, sendo a prisão preventiva decretada, nos dizeres de Fernando
Capez:

“(...) com a finalidade de impedir que o agente, solto,


continue a delinqüir, ou de acautelar o meio social,
garantindo a credibilidade da justiça, em crimes que
provoquem grande clamor popular”. (Curso de Processo
Penal – 15. ed. rev.e atual. – São Paulo: Saraiva, 2008, p. 271).

Pois bem, não há indício nos autos de que o Requerente, posto em


liberdade, irá praticar novos delitos, mesmo porque este é primário, não
possuindo nenhuma condenação criminal, conforme, aliás, comprova a
documentação anexa.
Fundamentação legal
De fato, o Requerente é pessoa trabalhadora (conforme demonstra a
cópia da sua CTPS anexa), não tendo o costume de se envolver em
delitos, o que revela não possuir ele periculosidade.

Também é de bom alvitre salientar que o delito supostamente


cometido pelo Requerente não provocaram qualquer clamor popular,
sendo certo que, caso venha este a ser posto em liberdade, a
credibilidade da Justiça não sofrerá qualquer abalo perante os
cidadãos desta Comarca.

Ademais, ressalte-se que a pretensa gravidade do delito supostamente


cometido pelo Requerente não pode, por si só justificar a necessidade
de sua permanência no cárcere para a garantia da ordem pública,
sendo certo que os Tribunais Superiores vêm reconhecendo a
ilegalidade de prisões mantidas com base neste argumento.
Fundamentação legal
Em segundo lugar, trata a lei da garantia econômica, sendo que o delito
supostamente cometido pelo Requerente não é daqueles que a põe em
risco, como é óbvio.

Em seguida, refere-se a lei à garantia da instrução criminal, ou seja,


busca impedir que o agente faça desaparecer provas do crime, através
de destruição de documentos, ameaça de testemunhas etc.

Aqui, da mesma forma, não se vislumbra qualquer indício, ou a mais


remota possibilidade de que o Requerente, uma vez posto em
liberdade, irá praticar alguma das condutas acima descritas.

Realmente, não há qualquer notícia de que o Requerente tentou de


qualquer forma perturbar a colheita de provas, ou que viria a tomar tal
atitude, não se podendo fazer qualquer presunção neste sentido, sem
se ser, no mínimo, leviano.
Fundamentação legal
Por fim, menciona a lei que a custódia preventiva pode ser decretada para
garantir a aplicação da lei penal, no caso de iminente fuga do agente do
distrito da culpa.

Tem-se que, entretanto, possui o Requerente residência fixa no distrito de


formação de sua culpa, bem como ocupação lícita, o que demonstra, sem
sombra de dúvida, que este, se posto em liberdade, não irá se evadir, também
não se podendo fazer qualquer presunção em sentido contrário.

Assim, conforme demonstrado, não obstante a prisão em flagrante do


Requerente, motivos não existem para que esta seja convertida em prisão
preventiva, devendo, desta forma, ser a este concedida liberdade provisória,
conforme determinação constante no art. 321 do diploma processual penal.
Pedidos
Em vista do exposto, requer lhe seja concedida liberdade
provisória nos termos dos arts. 310 e 321 do Código de Processo
Penal, fazendo-se expedir o competente alvará de soltura. 

Termos em que,
Pede deferimento. 
Local, data.

ADVOGADO
OAB

Obs.: No pedido de liberdade provisória, sempre peça a


expedição de alvará de soltura.