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SUBJETIVIDADE E

ENVELHECIMENTO
PROF.ª. ME. WAL ARAUJO
EGO – EU PARA SUJEITO PSÍQUICO É UM FEIXE DE REPRESENTAÇÕES...

ASPECTOS CONSCIENTES PODEM SER ACESSADOS, MAS SEMPRE


PERMANECERÁ INVARIAVELMENTE FALTANTE DEVIDO ASPECTOS
INCONSCIENTES, INTERDITADOS.

EU É SUBMETIDO POR ATRAVESSAMENTOS, PESSOAIS, SOCIAIS,


FAMILIARES...

ASSIM O DISCURSO É TRANSITÓRIO AO EXPRESSAR MOMENTO DE


ENCONTRO ENTRE AS DIVERSAS REPRESENTAÇÕES E SUAS
RETENÇÕES.
FALAR DE ENVELHECIMENTO CAUSA ESTRANHEZA POR ESTAR NO
CAMPO DO INTERDITO... COISAS SOBRE AS QUAIS É MELHOR NÃO
DIZER!

A ESTRANHEZA É APENAS SUPOSTA, POIS TRATA-SE DE ASSUNTO,


PROCESSO, CONHECIDO, MAS SEMPRE VISTO DE FORA... QUANDO HÁ
SUBJETIVAÇÃO O DESCONFORTO SURGE DEVIDO IDEOLOGIA E
REPRESENTAÇÕES SOCIAIS
EXEMPLOS DA VIDA COTIDIANA: VELHOS QUE PARTICAM ATOS CRIMINOSOS OU
ILEGAIS... O QUE CHOCA MAIS?

VELHICE CONSTA DA AGENDA POLÍTICA, SOCIAL, ESTÉTICA DA


CONTEMPORANEIDADE, ENTRATANTO A “CONCRETUDE” DAS PERDAS DIVERSAS
LEVAM A SOCIEDADE, NA PRÁTICA, A EFETUAR UMA SEPARAÇÃO SOCIAL DESTES
INDIVÍDUOS.

PROCESSO ENVELHECIMENTO É UMA FASE DO DESENVOLVIMENTO HUMANO, NÃO


REDUTÍVEL À UM PERÍODO DE PERDAS E INCAPACIDADES.

ENTRETANTO QUAL O IMPACTO DESTAS CRENÇAS NA


SUBJETIVIDADE DO IDOSO?
PRECONCEITOS

• EXCLUSÃO SOCIAL
• APAGAMENTO SUBJETIVO
• DESINTERESSE PELA HISTÓRIA DE VIDA
• MEDO DO CONTATO COM VELHICE DEVIDO PROXIMIDADE COM A
MORTE
• DESATUALIZAÇÃO DOS CONHECIMENTOS
• NÃO INOVADORES, VIVEM DE PASSADO

TIPOLOGIA HOMOGENEIZADORA DA POPULAÇÃO IDOSA QUE NEGA


AS SINGULARIDADES DO PROCESSO E A HISTORICIDADE SUBJETIVA
DO CORPO E DA VIDA PSIQUICA DO INDIVÍDUO
OS DISCURSOS NORMATIZAM OS CORPOS E
TOMAM CONTA DA VIDA SIMBÓLICO-SUBJETIVA DO
SUJEITO NÃO DEIXANDO ESPAÇO PARA A
CONSTRUÇÃO DE UMA NARRATIVA INDIVIDUAL
Elias (1982) , em tempo algum as pessoas morreram tão silenciosamente
como hoje. Morre-se higienicamente, sem odores, em hospitais que
apresentam uma estruturação social para tal fato, tornando o
acontecimento amorfo: uma área vazia no mapa social (pag.36)

Lacan – discurso representam laços sociais tecidos e estruturados pela


linguagem. O discurso excede a palavra, vai além dos enunciados
pronunciados, e assim palavras criam ou modelam contextos. Criação de
palavras para designar o fenômeno do envelhecimento (melhor idade,
terceira idade) só mascaram a verdadeira relação do sujeito com seu corpo
e seu pathos.
Simone de Beauvoir ao questionar se a vida é uma marcha inexorável para a
morte, responde com a afirmativa: “vida é um sistema instável no qual se
perde e se reconquista o equilíbrio a cada instante; a inércia é que é o
sinônimo de morte. A lei da vida é mudar” (Beauvoir, 1990).

Associação da velhice à vida e não a morte...

Mudança do entendimento “fenômenos da velhice”

• Cuidado do idoso (privado para público e responsabilização pessoal)


• Padrões estéticos
• Lógica de consumo (ideal de vida com marcas da insígnia do Outro)
• Relação com o corpo
• Sexualidade
• Trabalho
Trabalho vinculado à saúde mental – vivência da aposentadoria acompanhada à
vivências depressivas e autodepreciativas .

Para o homem a perda do papel de provedor está vinculada a perda da insígnia


da masculinidade, além da perda da identidade atrelada ao papel profissional.

Lacan (1969) – discurso representação dos laços sociais e a consequente


produção das mesmas. O discurso capitalista prega a adaptação do indivíduo a
uma realidade dada, assim privilegia o consumidor e não o sujeito, o objeto de
consumo e não o sofrimento na elaboração psíquica.

Ao formar a representação de objeto, o sujeito, o constitui, o reconstrói em seu


sistema cognitivo, de modo a adequá-lo ao sistema de valores, o qual depende e
sua história, contexto social, ideológico (Moscovici, 2004)
Que tipo de alteridade a sociedade está representado hoje com relação aos
velhos? Descaso com os velhos pobres, afastamento dos mais jovens, maus
tratos no âmbito familiar, não cumprimento das questões legais, despreparo dos
profissionais, desprezo dos serviços ???

E a pergunta: como esta alteridade afeta a subjetividade dos idosos da nossa


sociedade?