Você está na página 1de 34

A CRIMINOLOGIA COMO

CIÊNCIA DO DELITO
CONCEITO
Criminologia do latim crimen (crime) e do grego logos
( tratado ou estudo). Garófalo apresenta o termo
criminologia com a constituição seguinte: latina crimino
(de crimen – criminis) + grega log(o) + ia.

“ É o conjunto de conhecimentos que estudam o


fenômeno e as causas da criminalidade, a personalidade
do delinquente, sua conduta delitiva e a maneira de
ressocializá-lo”

(SUTHERLAND, 1934)
CONCEITO

“É o estudo experimental do


fenômeno do crime, para
pesquisar-lhe a etiologia e
tentar a sua debelação por
meios preventivos ou
curativos”.

( Nelson Hungria)
Uma ciência pré-jurídica; a sua matéria de
estudo é o homem, o seu viver social, as suas ações,
toda a sua evolução, como espécie e como
indivíduo. Ela pretende ser uma ciência de
informação, manifestando-se sobre as causas
(conhecidas ou a pesquisar) e os efeitos ( próximos
ou remotos) das ações antissociais; e pretende
chegar lá através das ciências do homem, da
Antropologia lato sensu, em sua maior amplitude,
que se dilatará como o próprio desenvolvimento
dos acervos científicos acumulados”.
(Hilário Veiga de Carvalho)
CRIMINOLOGIA
Criminalidade é um “fato normal” da vida em
sociedade??????
Por que a figura do criminoso é considerada um “fenômeno
anormal” ??????

OU

Seria a ação criminosa do indivíduo que indica uma


anormalidade de conduta??????
CRIME, CRIMINOSO E VÍTIMA= estão intrinsecamente
ligados.
Então, a norma basilar da Criminologia é o estudo do
Comportamento Humano, sendo este o agente do ato delituoso.
CRIMINOLOGIA
Durkheim : defendendo sua teoria da ANOMIA , diz que o DELITO
não é apenas normal mas desempenha uma importante função na
sociedade no sentido de ser FUNCIONAL, como por ex.

Impõe grupos coesos;


Cria empregos;
Formula novas ciências para que haja compreensão, explicação e
tratamento dos fatos sociais;
Oferece benefícios aos que cometem (quando ganham e gastam
muito dinheiro com o tráfico, roubo, estelionato, etc.);
Em algumas ocasiões o delito reduz o delito, por ex.: nas favelas
onde há a vigília e o controle para que não haja entrada do CRACK.
MAS.........
CRIMINOLOGIA
“Paradoxalmente não anula seus efeitos devastadores”
Custo para a sociedade e para o Estado:
DIRETO: Em termos econômicos
INDIRETO: Provocando tanto o sofrimento para as vítimas quanto
o medo do delito pelos cidadãos em geral.
O medo do delito por si só já se torna suficiente para diminuir a
qualidade de vida das pessoas, o qual costuma-se calcular sobre a
base de três representações:
1. O Medo Cognitivo: é a percepção de alguém sobre a possibilidade
de ser vítima de um delito;
2. O Medo Emocional: é a sensação de temor;
3. O Medo Operativo das condutas que se tomam a respeito ( o
descaso da justiça)
CRIMINOLOGIA
Numa Perspectiva Etiológica a Criminologia
possui alguns segmentos:
Antropologia Criminal (Biologia Criminal,
Endocrinologia Criminal)
Sociologia Criminal (mesológico, contexto)
Psicologia Criminal (Transtornos de Humor,
Transtornos de Personalidade, Transtornos
Mentais)
Estatística Criminal (números de casos)
Política Criminal (Prevenção e Tratamento)
História da Criminologia
Caráter Científico da
Criminologia
CRIMINOLOGIA
Toda ciência deve ter um OBJETO, um MÉTODO e
uma FINALIDADE.
A Criminologia como Ciência estuda o Delito que
também pertence ao Direito Penal.

Direito Penal: sendo uma ciência normativa, tem por


OBJETO O CRIME, como regra anormal de conduta,
contra o qual estabelece o gravame, o castigo, a
punição, atua então, como a CIÊNCIA da repressão
social, através de regras punitivas que ele mesmo
elabora e sanciona.
CRIMINOLOGIA
Criminologia: é uma CIÊNCIA causal explicativa,
dada a sua natureza tem por OBJETO a incumbência
de não só se preocupar com o CRIME, mas também de
conhecer o criminoso, montando esquemas de
combate a criminalidade, desenvolvendo meios
preventivos e formulando empenhos terapêuticos para
cuidar dos delinquentes a fim de que eles não venham
a reincidir.
Em suma: Direito Penal e Criminologia trabalham
em cima da mesma matéria prima, mas a forma de
operação, de elaboração do trabalho, é bem
diferenciada, onde uma completa a outra.
CRIMINOLOGIA
“Em geral, MÉTODO é o meio empregado pelo qual o
pensamento humano procura encontrar a explicação
de um fato, seja referente a natureza, ou ao homem ou
à sociedade. Só o MÉTODO CIENTÍFICO, isto é,
sistematizado, por observações e experiências,
comparadas e repetidas, pode alcançar a realidade
procurada pelos pesquisadores. O campo das
pesquisas será, na CRIMINOLOGIA, o fenômeno do
CRIME como ação humana, abrangendo as forças
Biológicas, Sociológicas e Psicológicas que induzem
ao comportamento reprovável”.
Vitorino Prata Castelo Branco
CRIMINOLOGIA

EM TERMOS DE PESQUISAS
CRIMINOLÓGICAS DOIS SERIAM OS
MÉTODOS UTILIZADOS:

O BIOLÓGICO

O SOCIOLÓGICO
CARÁTER CIENTÍFICO DA
CRIMINOLOGIA
O Objeto do DIREITO PENAL é a CULPABILIDADE latu sensu.

O Objeto da CRIMINOLOGIA é o estudo da PERICULOSIDADE,


tendo por mete a pesquisa teórica da etiologia do crime.

A concepção de S. Cuche é que a Criminologia deveria ser


distribuída em dois grupos:
Ciências Puras: Antropologia Criminal, Sociologia Criminal e
Psicologia Criminal.
Ciências Aplicadas: Política Criminal, Profilaxia Criminal e
Penologia.
HISTÓRIA DA CRIMINOLOGIA
1. Escola Clássica: O homem é um ser livre e racional (princípio da
culpabilidade)
Beccaria= dizia então, “o homem é um ser que vive em sociedade,
portanto a existência do delito é uma procupação, pois vai ocorrer”.
( Dos Delitos e das Penas)
Códigos Penais - Segurança Jurídica

2. O Nascimento da Criminologia Positiva: utilização do método


científico no estudo do delito.
3. A Escola Positiva Italiana: Lombroso, Ferri e Garófalo
4. A Escola de Chicago: Promoveu de maneira decisiva o Método
Científico.
Início dos estudos de Edwin Sutherland com sua Teoria da Associação
Diferencial.
A teoria da associação diferencial
Sutherland constrói sua teoria com alicerce
em alguns pilares, princípios que dizem
respeito ao processo pelo qual uma
determinada pessoa mergulha no
comportamento criminoso:
a) o comportamento criminoso é aprendido, o
que implica a dedução de que este não é
herdado e de que a pessoa não treinada no crime
não inventa tal comportamento, da mesma
maneira que o indivíduo sem treinamento em
Mecânica não cria invenções mecânicas;
b) o comportamento em questão é aprendido em
interação com outras pessoas, em um processo de
comunicação, que é, em muitos aspectos, verbal, o
que não exclui a gestual;

c) a principal parte da aprendizagem do


comportamento criminoso se verifica no interior de
grupos pessoais privados, significando, em termos
negativos, o papel relativamente desimportante
desempenhado pelas agências impessoais de
comunicação, do tipo dos filmes e jornais, na
gênese do comportamento
criminoso;
d) a aprendizagem de um comportamento criminoso compreende
as técnicas de cometimento do crime, que são ora muito
complexas, ora muito simples, bem como a orientação específica
de motivos, impulsos, racionalizações e atitudes;

e) a orientação específica de motivos e impulsos é aprendida a


partir de definições favoráveis ou desfavoráveis aos códigos
legais, de feição que, em algumas sociedades, o indivíduo está
cercado por pessoas que invariavelmente concebem os códigos
legais como normas de observância necessária, ao passo que, em
outras, acontece o inverso, o mesmo se encontra cercado por
pessoas cujas definições apóiam a violação dos códigos legais,
sendo que, na sociedade americana, quase sempre, tais definições
se apresentam mescladas, resultando na ocorrência de conflito
normativo no respeitante aos códigos legais;
f) o fato de a pessoa se tornar delinquente se deve
ao excesso de definições em favor da violação da
lei sobre aquelas em oposição à infringência desta,
constituindo este o princípio definidor da
associação diferencial e referindo-se tanto a
associações criminosas quanto a anticriminosas,
sem deixar de incluir forças contrárias;
g) as associações diferenciais podem variar em
freqüência, duração, prioridade e intensidade, o
que quer dizer que as associações com o
comportamento criminoso e igualmente aquelas
com o comportamento anticriminoso sofrem
variações nesses aspectos;
h) o processo de aprendizagem do comportamento criminoso por
associação com padrões criminosos e anticriminosos envolve
todos os mecanismos peculiares a qualquer outro processo de
aprendizagem, o que implica, no plano negativo, a constatação
de que a aprendizagem do comportamento criminoso não está
limitada ao processo de imitação, de sorte que a pessoa seduzida,
a título de exemplificação, aprende o comportamento criminoso
mediante associação, não sendo tal processo ordinariamente
caracterizado como imitação;

i) o comportamento criminoso, embora constitua uma expressão


de necessidades e valores gerais, não é explicado por essas
necessidades gerais e valores, uma vez que não criminoso o
comportamento é uma expressão das mesmas necessidades e
valores.
A teoria da associação diferencial
Sutherland considera não ser necessário explicar porque as
pessoas possuem determinadas associações, em virtude da
complexidade dos fatores em causa. Como exemplo, ele cita
que um garoto sociável, expansivo e ativo, vivendo em uma
área de elevada taxa de delinquência, apresenta grande
probabilidade de vir a travar contato com outros garotos do
bairro, aprender padrões de comportamento criminoso com
eles e, por derradeiro, se tornar, ele próprio, um delinquente.
Na outra face da moeda, um garoto emocionalmente
perturbado, no mesmo dado bairro, que seja sozinho,
introvertido e inativo, pode permanecer mais em casa,
deixando de conhecer outros garotos do bairro e de se
envolver em comportamento criminoso.
As Tipologias na
Criminologia
AS TIPOLOGIAS NA CRIMINOLOGIA
Tipologias e Teorias Gerais: ao estudar algo tão amplo,
heterogêneo e complexo como o DELITO ou o
DELINQUENTE, algumas hipóteses seguintes podem ser
aceitáveis:
1. Que podem existir grandes diferenças entre as características
dos delinquentes ou dos delitos entre si, e tais diferenças
prevalecem sobre as potenciais semelhanças;
2. Que uma só e única explicação etiológica pode não ser
suficiente para englobar todas as diferentes formas de
aparecimento do fenômeno;
3. Que os mesmos programas de prevenção, tratamento e
controle do delito podem não ser úteis para todas as
hipóteses, e que se determinem políticas especializadas.
AS TIPOLOGIAS NA CRIMINOLOGIA
“Por TIPOLOGIA pode-se entender simplesmente
qualquer teoria ou enfoque em seja essencialmente
uma classificação (distinção) de delitos ou de
delinquentes, se feita com uma finalidade etiológica ou
política-criminal”
A importância das TIPOLOGIAS parece depender de
sua “realidade empírica”, seguindo duas modalidades
genéricas na proposta de tipologias:
1. Por um lado podem se distinguir TIPOS DE
DELINQUENTE,
2. E entre DISTINTOS DELITOS.
AS TIPOLOGIAS NA CRIMINOLOGIA
“TEORIA GERAL é quando se aspira encontrar
uma única explicação etiológica para o delito e
para os criminosos”
Porém para ambos enfoques, GERAL OU
TIPOLÓGICO, não são radicalmente e
incompatíveis, onde as distintas posturas não
se situam distantes de uma mesma linha
hipotética, o que se deve levar em
consideração como forma de eliminação são
os DETERMINISMOS (reais - relativos)
AS TIPOLOGIAS NA CRIMINOLOGIA
Alguns exemplos de TIPOLOGIAS:
1. Classificam-se os delinquentes de acordo com suas
características físicas; fala-se de delitos comuns e
delitos de colarinho branco; de delinquência juvenil
e criminalidade adulta; de delinquentes
profissionais, comuns, políticos, etc.
2. CEREZO DOMINGUEZ defende uma
classificação de homicídios composta por
homicídios de disputa, entre membros de uma
família, como forma de resolver conflitos, e
perpetrados durante a prática de outro delito.
AS TIPOLOGIAS NA CRIMINOLOGIA

3. MORILLAS FERNADEZ propõe uma tipologia


de assassinos em série econômicos, missionários,
hedonistas, sexuais, etc., que buscam sensação de
poder e que necessitam matar para alcançar sua
finalidade.

4.Muitos falam de delinquentes sexuais, de


agressores domésticos, de pedófilos, etc.
AS TIPOLOGIAS NA CRIMINOLOGIA
5. HERRERO HERRERO, que fala de uma
Parte Especial da Criminologia, distingue
principalmente os seguintes tipos:
Delinquência juvenil;
Grupos de jovens violentos;
Delinquência organizada;
Consumo e tráfico de entorpecentes;
Delitos socioeconômicos;
Criminalidade violenta;
Terrorismo.
AS TIPOLOGIAS NA CRIMINOLOGIA
6. ALONSO PEREZ E NÜNES PAZ em seu
Manual de Criminologia, recorre também ao
termo Parte Especial:
Criminalidade violenta;
Delinquência contra o patrimônio;
Delinquência sexual;
Delinquência marginal;
Criminalidade do tráfico;
Delinquência terrorista.
AS TIPOLOGIAS NA CRIMINOLOGIA
A proposta de TIPOLOGIAS para a
prevenção e tratamento do delito também
se relaciona com alguns paradigmas da
CRIMINOLOGIA utilizando na
prevenção estratégias diferentes segundo
o tipo do delito ou a idade do
delinquente, por exemplo.
AS TIPOLOGIAS NA CRIMINOLOGIA

Para tanto é importante realizar algumas


reflexões:
1. A utilidade das tipologias no tratamento
ressocializador de detentos depende de que,
por meio delas os delinquentes se
ressocializam, no sentido de poder levar
uma vida normal sem ter de recorrer ao
delito (sem reincidir), ou seja, podendo
classificá-los corretamente. (ex.:mestrado)
AS TIPOLOGIAS NA CRIMINOLOGIA
2. Outro problema sério das tipologias no
tratamento penitenciário ressocializador, e
na prevenção, é que precisam de uma
adequada IDENTIFICAÇÃO dos sujeitos,
portanto a identificação e a classificação
dos delinquentes é uma tarefa complexa,
dificultando a INDIVIDUALIZAÇÃO da
pena.

Você também pode gostar