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Ensaio de tração:

1. Objetivos:

Entender o ensaio de tração e suas principais


características, além de interpretar os
resultados.
2. Pré-requisitos necessários para
a aula:
• Para melhor aproveitamento da aula, o aluno
precisará ter noção dos seguintes temas:

a) Tratamentos térmicos e termoquímicos;


b) Processos de fabricação;
c) Propriedades mecânicas dos materiais.
4. Ensaio de Tração:

O ensaio mecânico mais importante para a

determinação da resistência dos materiais

é o ensaio de tração.
• Vantagem:
• Fornece dados quantitativos das
características dos materiais e é o mais
utilizado.
• Principais características: limite de resistência
à tração, limite de escoamento, módulo de
elasticidade, módulo de resiliência, módulo de
tenacidade, ductilidade, coeficiente de
encruamento e coeficiente de resistência.
• Máquina de ensaio:
• Pode ser mecânica ou hidráulica, dotada
de uma parte fixa e outra móvel,
responsável pela aplicação de carga de
tração uniaxial nas extremidades do CP.
Durante o ensaio registra-se  (tensão) em
função de  (deformação).
Nesta aula você terá oportunidade de
conhecer as unidades de medida usadas
nos ensaios mecânicos de tração. Ficará
sabendo o que se entende por tensão e
deformação. E aprenderá a fórmula para
calcular a tensão a que estão submetidos
os materiais durante o uso.
Para que servem os ensaios de tração
As propriedades mecânicas constituem uma
das características mais importantes dos
metais em suas várias aplicações na
engenharia, visto que o projeto e a fabricação
de produtos se baseiam principalmente no
comportamento destas propriedades.
A determinação das propriedades mecânicas
dos materiais é obtida por meio de ensaios
mecânicos, realizados no próprio produto ou
em corpos de prova de dimensões e formas
especificadas, segundo procedimentos
padronizados por normas brasileiras e
estrangeiras.
3. Ensaio de Tração:

• Definição:
• Consiste na aplicação de carga de tração
uniaxial crescente em um corpo-de-prova
específico.
• Mede-se a variação no comprimento (l) como
função da carga (F).
No ensaio de tração o corpo é deformado
por alongamento, até o momento em que se
rompe.
Os ensaios de tração permitem conhecer
como os materiais reagem aos esforços de
tração, quais os limites de tração que
suportam e a partir de que momento se
rompem.
Antes da ruptura, a deformação
Imagine um corpo preso numa das extremidades, submetido

a uma força, como na ilustração. Quando esta força é aplicada

na direção do eixo longitudinal, dizemos que se trata de uma

força axial. Ao mesmo tempo, a força axial é perpendicular à

seção transversal do corpo.


A aplicação de uma força axial de tração num corpo

preso produz uma deformação no corpo, isto é, um

aumento no seu comprimento com diminuição da

área da seção transversal.


Este aumento de comprimento recebe o nome de

alongamento. Veja o efeito do alongamento num

corpo submetido a um ensaio de tração.


Na norma brasileira, o alongamento é representado

pela letra A e é calculado subtraindo-se o

comprimento inicial do comprimento final e

dividindo-se o resultado pelo comprimento inicial.

Lo representa o comprimento inicial antes do


ensaio e Lf representa o comprimento final após
o ensaio.
Pode-se também indicar a deformação de maneira

percentual. Para obter a deformação expressa em

porcentagem, basta multiplicar o resultado por 100.


Há dois tipos de deformação, que se sucedem quando

o material é submetido a uma força de tração:

a elástica e a plástica
Deformação elástica: não é permanente.

Uma vez cessados os esforços, o material volta à

sua forma original.


Deformação plástica: é permanente.

Uma vez cessados os esforços, o material recupera a

deformação elástica, mas fica com uma deformação

residual plástica, não voltando mais à sua forma

original.
Tensão de tração: o que é e como é medida

Tensão (T) é a relação entre uma força (F) e uma


unidade de área (S):

A unidade de medida de força adotada pelo Sistema


Internacional de Unidades (SI) é o newton (N).
A unidade quilograma-força (kgf) ainda é usada no

Brasil porque a maioria das máquinas disponíveis

possui escalas nesta unidade. Porém, após a realiza-

ção dos ensaios, os valores de força devem ser

convertidos para newton (N).


A tensão é expressa matematicamente como:
Veja no quadro de conversões a seguir a
correspondência entre essas unidades de medida.
Ensaio de tração: propriedades mecânicas
avaliadas

Os dados relativos às forças aplicadas e deformações

sofridas pelo corpo de prova até a ruptura permitem

traçar o gráfico conhecido como diagrama tensão-

deformação.
Nesta aula você aprenderá a interpretar o diagrama

tensão-deformação e ficará sabendo quais as

propriedades determinadas no ensaio de tração:

limite elástico ou de proporcionalidade,

limite de escoamento,

limite de resistência,

limite de ruptura e estricção.


Diagrama tensão-deformação

Quando um corpo de prova é submetido a um

ensaio de tração, a máquina de ensaio fornece um

gráfico que mostra as relações entre a força

aplicada e as deformações ocorridas durante o

ensaio.
Diagrama tensão-deformação
Os valores de deformação, representados pela letra grega
minúscula (epsílon), são indicados no eixo das
abscissas (x) e os valores de tensão são indicados no eixo
das ordenadas (y).
Limite elástico
Observe o diagrama a seguir. Note que foi marcado
um ponto A no final da parte reta do gráfico. Este
ponto representa o limite elástico.
O limite elástico recebe este nome porque, se o

ensaio for interrompido antes deste ponto e a força

de tração for retirada, o corpo volta à sua forma

original, como faz um elástico.

Na fase elástica os metais obedecem à lei de Hooke.

Suas deformações são diretamente proporcionais às

tensões aplicadas.
Módulo de elasticidade

Na fase elástica, se dividirmos a tensão pela

deformação, em qualquer ponto, obteremos

sempre um valor constante.

Este valor constante é chamado módulo de

elasticidade.
A expressão matemática dessa relação é:

onde E é a constante que representa o módulo de


elasticidade.

.
Limite de proporcionalidade
A lei de Hooke só vale até um determinado valor de

tensão, denominado limite de proporcionalidade, que é

o ponto representado no gráfico a seguir por A’ a partir

do qual a deformação deixa de ser proporcional à carga

aplicada.
Na prática, considera-se que o limite de

proporcionalidade e o limite de elasticidade são

coincidentes.
Escoamento
Terminada a fase elástica, tem início a fase plástica,

na qual ocorre uma deformação permanente no

material, mesmo que se retire a força de tração.

No início da fase plástica ocorre um fenômeno

chamado escoamento.
O escoamento caracteriza-se por uma deformação

permanente do material sem que haja aumento de

carga, mas com aumento da velocidade de

deformação. Durante o escoamento a carga oscila

entre valores muito próximos uns dos outros.


• Região de escoamento:
• Limite de escoamento (e): Pode ser nítido ou
não no gráfico. Quando não for nítido, utiliza-
se da convenção de uma deformação padrão.

e
B
n=0,2 %

0,002 
• Metais e ligas em geral:
• n = 0,2 % ( = 0,002)
• Cobre e suas ligas:
• n = 0,5 % ( = 0,005)
• Ligas metálicas muito duras:
• n = 0,1 % ( = 0,001)
Limite de resistência (u):
Após o escoamento ocorre o encruamento, que é um

endurecimento causado pela quebra dos grãos que

compõem o material quando deformados a frio. O

material resiste cada vez mais à tração externa, exigindo

uma tensão cada vez maior para se deformar.


Nessa fase, a tensão recomeça a subir, até atingir um

valor máximo num ponto chamado de limite de

resistência (B).
Limite de ruptura (p)

Continuando a tração, chega-se à ruptura do material,

que ocorre num ponto chamado limite de ruptura (C).


Limite de ruptura

Note que a tensão no limite de ruptura é menor que no limite

de resistência, devido à diminuição da área que ocorre no

corpo de prova depois que se atinge a carga máxima.


• Módulo de tenacidade (UTt): Comportamento

do material dentro dos campos elástico e

plástico (área total do gráfico).


Material
e  u
Dúctil
Ut  f
2

0 f

(A)

2
Material
Frágil U t  u f
3

0 f 

(B)
• Coeficiente de Poisson ():
z
x y
 
z z

x
z
65
Estricção

É a redução percentual da área da seção transversal

do corpo de prova na região onde vai se localizar a

ruptura.

A estricção determina a ductilidade do material.

Quanto maior for a porcentagem de estricção, mais

dúctil será o material.


Equipamento para o ensaio de tração

O ensaio de tração geralmente é realizado na


máquina universal, que tem este nome
porque se presta à realização de diversos tipos
de ensaios.
A máquina de tração é hidráulica, movida pela

pressão de óleo, e está ligada a um dinamômetro

que mede a força aplicada ao corpo de prova.

A máquina de ensaio possui um registrador gráfico

que vai traçando o diagrama de força e deformação,

em papel milimetrado, à medida em que o ensaio é

realizado.
Corpos de prova

A parte útil do corpo de prova, identificada no desenho


anterior por Lo, é a região onde são feitas as medidas
das propriedades mecânicas do material.
Segundo a ABNT, o comprimento da parte útil dos

corpos de prova utilizados nos ensaios de tração

deve corresponder a 5 vezes o diâmetro da seção

da parte útil.
Por acordo internacional, sempre que possível um

corpo de prova deve ter 10 mm de diâmetro e 50

mm de comprimento inicial.

Não sendo possível a retirada de um corpo de

prova deste tipo, deve-se adotar um corpo com

dimensões proporcionais a essas.


Em materiais soldados, podem ser retirados corpos

de prova com a solda no meio ou no sentido

longitudinal da solda,
Preparação do corpo de prova para o ensaio
de tração

Deve-se medir o diâmetro do corpo de prova em


dois pontos no comprimento da parte útil,
utilizando um micrômetro, e calcular a média.
Por fim, deve-se riscar o corpo de prova, isto é, traçar
as divisões no comprimento útil. Num corpo de prova
de 50 mm de comprimento, as marcações devem ser
feitas de 5 em 5 milímetros.
• Procedimento do ensaio:
• Norma técnica ABNT 6152 ou ASTM E 8M
• Fixação do corpo de prova
• Comprimento útil
• Dados do relatório:
a)Identificação do CP
b)Dimensões do CP
c) Direção de laminação
d)Número de CP
e)Velocidade de aplicação de carga
f) Localização da fratura
g)Tipo da fratura
Exemplo de relatório de ensaio de tração
Informações adicionais:
5. Aprendendo a fazer o gráfico
tensão x deformação:
• Um corpo de prova cilíndrico feito em aço
inoxidável e que possui um diâmetro de 12,8
mm e um comprimento útil de 50,800 mm é
tracionado. Use as características carga-
alongamento que se seguem para completar
as partes (a) a (f) desse problema.
Carga (N) Comprimento Carga (N) Comprimento
(mm) (mm)
0 50,800 107.800 51,308
12.700 50,825 119.400 51,562
25.400 50,851 128.300 51,816
38.100 50,876 149.700 52,832
50.800 50,902 159.000 53,848
76.200 50,952 160.400 54,356
89.100 51,003 159.400 54,864
92.700 51,054 151.500 55,880
102.500 51,181 124.700 56,642
- - Fratura
a) Plote os dados como tensão de engenharia
em função da deformação de engenharia.
b) Calcule o módulo de elasticidade.
c) Determine a tensão de escoamento para uma
pré-deformação de 0,002.
d) Determine o limite de resistência à tração
para essa liga.
e) Qual é a ductilidade aproximada em termos
do alongamento percentual?
f) Calcule o módulo de resiliência.
6. Exercícios de fixação:

1. Uma liga de cobre possui módulo de


elasticidade de 11.000 kgf/mm2, um limite de
escoamento de 33,6 kgf/mm2 e um limite de
resistência à tração de 35,7 kgf/mm2.
(a) Qual a tensão necessária para aumentar de
0,15 cm o comprimento de 3 m desta liga?
(b) Que diâmetro deve ter uma barra desta liga
para que a mesma barra suporte uma carga
de 2300 kgf sem deformação permanente?
2. Uma barra de aço de seção retangular 0,6 x
1,25 cm e com 300 m de comprimento
suporta uma carga longitudinal máxima de
7600 kgf, sem deformação permanente.
(a) Qual o limite de elasticidade da barra?
(b) Determine o comprimento da barra solicitada
por esta carga, sabendo-se que o módulo de
elasticidade do aço é de 21000 kgf/mm2.
3. Uma liga de alumínio (AA 6151) possui um
módulo de elasticidade de 7000 kgf/mm2 e
um limite de escoamento de 28 kgf/mm2.
(a) Qual a carga máxima que pode ser suportada
por um fio de 0,275 cm de diâmetro sem
deformação permanente?
(b) Admitindo-se que um fio desse diâmetro, de
30 m de comprimento, esteja sendo
solicitado por uma carga de 44 kgf, qual o
aumento total no comprimento do mesmo?
4. Os seguintes dados foram obtidos durante o
ensaio de tração de uma barra metálica com
1,25 cm de diâmetro. Calcule:
(a) Limite de resistência à tração;
(b) Limite de escoamento convencional (0,2% da
deformação permanente);
(c) Ductilidade;
(d) Tensão de ruptura convencional.
Carga (kgf) Deformação (cm/cm)
1800 0,005
3580 0,010
4680 0,015
5260 0,020
5720 0,030
6000 0,040
5900 0,060
5000 0,080
4900 Rompe (diâmetro = 0,52 cm)
5. Um bastão cilíndrico com 500 mm de
comprimento e que possui um diâmetro de
12,7 mm deve ser submetido a uma carga de
tração. Se o bastão não deve apresentar
deformação plástica nem alongamento de
mais de 1,3 mm quando a carga aplicada for
de 29000 N, quais dos quatro metais ou ligas
adiantes são possíveis candidatos? Justifique
sua(s) escolha(s).
Limite de
Módulo de Limite de resistência
Material Elasticidade Escoamento à tração
(GPa) (MPa)
(MPa)
Liga de
alumínio 70 255 420

Liga de 100 345 420


latão
Cobre 110 210 275
Liga de 207 450 550
aço
6.Um ensaio de tração foi executado em um corpo-de-
prova com um diâmetro original de 13mm e um
comprimento nominal de 50mm. Os resultados do
ensaio até a ruptura estão listados na tabela ao lado.
Faça o gráfico do diagrama tensão x deformação e
determine aproximadamente o módulo de
elasticidade, a tensão de escoamento, a tensão última,
a tensão de ruptura, o módulo de resiliência e
tenacidade.
A coluna da carga (1 kN = 1000 N) deve ser dividida
pela área da seção transversal do corpo-deprova:

A coluna do alongamento deve ser dividida pelo


comprimento nominal do corpo-deprova: L0 = 50 mm
6.1. Exercícios propostos:

1) Qual é a importância de se utilizar normas


para ensaios dos materiais?
2) Quais são as vantagens de se fazer ensaios de
materiais?
3) Como podem ser classificados os ensaios de
materiais?
4) Quais são os principais resultados obtidos
num ensaio de tração?
5) Qual é a diferença, em termos de gráfico
tensão – deformação, entre um material
frágil e um material dúctil?
6) Para que serve a estricção?
7) De que forma o encruamento acontece na
região plástica de um gráfico tensão –
deformação?
8) Quais informações devem ser colocadas num
relatório de ensaio de tração?
9) De que forma a temperatura influencia no
módulo de elasticidade dos materiais?
10)De que forma a quantidade percentual de
elementos de liga afeta as propriedades
mecânicas dos materiais?
11)Quais são as formas de fratura dos materiais?
12)Como se deve calcular o limite de
escoamento para materiais onde esse limite
não está tão nítido no gráfico? Dê exemplos.
Referências:

• Garcia, A., Spim, J. A., dos Santos, C. A. Ensaios


dos Materiais. 1ª Edição. Rio de Janeiro: LTC,
2000, 264 p.

• SOUSA, S. A. Ensaios Mecânicos de Materiais


Metálicos, 5ª edição. Edgard Blucher, 2006.

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