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Miguel Torga
(1907-1995)
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Escultura de Miguel Torga


no Parque dos Poetas, em Oeiras.
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«Torga é uma planta transmontana, urze


campestre, cor de vinho, com as raízes muito
agarradas e duras, metidas entre as rochas.
Assim como eu sou duro e tenho raízes em rochas
duras, rígidas, Miguel Torga é um nome ibérico,
característico da nossa península.»
Miguel Torga
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• Miguel Torga é o pseudónimo literário de Adolfo Correia


da Rocha.

• Nasceu em 1907, em São Martinho da Anta (Trás-os-Montes).

• Filho de camponeses, de origens humildes, começou


a trabalhar aos 10 anos.
• Frequentou o Seminário de Lamego, onde adquiriu
um profundo conhecimento dos textos bíblicos, mas
abandonou os estudos por falta de vocação para ser
sacerdote.

• Emigrou para o Brasil aos 13 anos.


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• Regressou a Portugal aos 18 anos, para estudar e se formar


em Medicina. Os seus estudos foram pagos por um tio
que se apercebera da sua inteligência.

• A sua vida repartiu-se entre a medicina e a escrita.

• Fez parte do grupo da revista Presença, mas acabou por


se tornar independente de escolas e grupos literários.

• Em 1936, começou a usar o pseudónimo literário Miguel


Torga, em homenagem a Miguel Cervantes e Miguel de
Unamuno, duas referências da cultura ibérica, e tomando
como apelido o nome de uma planta, abundante na sua
terra natal, com raízes fortes sob rochas áridas.
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• As críticas que fez à ditadura em Espanha levaram-no


à prisão em 1939.

• Em 1940, casou-se e fixou residência em Coimbra, participando


frequentemente em tertúlias literárias.

• Devido à sua oposição à ditadura de Salazar, foi vigiado


pela PIDE e teve alguns dos seus livros apreendidos.

• Recebeu várias distinções, como o Prémio Camões (1989),


o mais importante galardão literário em língua portuguesa.
Foi proposto várias vezes para Prémio Nobel.

• Faleceu em Coimbra, em 1995.


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• É autor de uma obra muito volumosa e multifacetada,


que abrange a poesia, a ficção narrativa (conto, novela
e romance), o teatro, o memorialismo e o ensaio.
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• É autor de uma obra muito volumosa e multifacetada,


que abrange a poesia, a ficção narrativa (conto, novela
e romance), o teatro, o memorialismo e o ensaio.

• A sua poesia está reunida na obra Poesia completa


(Dom Quixote, 2000).
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Temas da poesia de Miguel Torga

• Exaltação da liberdade absoluta do Homem e valorização do sonho


e da luta para o alcançar;

• Descrença e a revolta contra Deus;

• Humanismo e consciência das injustiças;

• Sentimento telúrico — o apego à terra-mãe (terra natal, Portugal


e Península Ibérica), sacralização da terra e das raízes;

• Reflexão sobre o poeta e a poesia — o poeta como crítico da realidade


e a poesia como forma de encantar o mundo e de manter viva a capacidade
de sonhar da humanidade.
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Características formais da poesia de Miguel Torga

• Formalmente, assinala-se:
— a irregularidade estrófica e métrica;
— o uso frequente do verso branco.