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Nasceu em 1926 na cidade de Potiers, França.

Em 1948, após tentar suicídio, iniciou um


tratamento psiquiátrico -Entrou em contato
com a psicologia, psiquiatria e a psicanálise

Diplomou-se em filosofia e psicologia

Morreu em junho de 1984, devido a


complicações oriundas da AIDS.
Michel Foucault (1926-1982) 

Filósofo francês. Professor no Colège de France


Impacto enorme nas humanidades e ciências sociais

Conhecido pelos seus estudos críticos sobre várias


instituições e processos sociais - psiquiatria, medicina,
sistema prisional –, sobre a história da sexualidade,
sobre o poder e sua relação com o conhecimento no
pensamento ocidental. Durante os anos 60, foi
associado ao estruturalismo, que analisa sistemas em
grande escala examinando as relações e as funções
dos elementos que constituem tais sistemas. Partiu da
Linguística e da Psicologia do principio do sec. XX, mas
alcançou o seu apogeu com a Antropologia Estrutural,
nos anos de 1960, de Claude Lévi-Strauss. Mais tarde,
Principais obras
 Doença Mental e Psicologia, que data de 1954.
 História da Loucura (1961), sua tese de doutorado
 Doença Mental e Psicologia (1962)
 O Nascimento da Clínica (1963)
 As Palavras e as Coisas (1966)
 A Arqueologia do Saber (1969)
 Isto não é um Cachimbo (1973)
 Vigiar e Punir (1975)
 História da Sexualidade é o livro cujo projeto compreendia a
publicação de 6 volumes que, entretanto, não conseguiu acabar.
 Publicou o primeiro volume, A Vontade de Saber, em 1976. Em
1984, ano da sua morte, publicou O Uso dos Prazeres e O
Cuidado de Si.
O Poder era visto de outra forma antes do Foucault, era associado
com mais frequência ao Estado ou a Igreja.

Maquiavel e os outros contratualistas tinham em pauta a discussão


de como legitimar o poder de poucos sobre muitos, para manter a
ordem social

Para Foucault o poder é uma prática social, que se manifesta por um


conjunto de relações

Poder Disciplinar- Foucault, Vigiar e Punir . Em vigiar e punir,


Foucault aborda o tema " Sociedade Disciplinar "que consistia em
um sistema de controle que se ramificava pela sociedade, a partir
de um poder central e se multiplicava em uma rede de poderes
interligados
“Objetivo deste livro: uma história correlativa da
alma moderna e de um novo poder de julgar;
uma genealogia do atual complexo científico-
judiciário onde o poder de punir se apóia, recebe
suas justificações e suas regras, estende seus
efeitos e mascara sua exorbitante singularidade”

Em suma, tentar estudar a metamorfose dos


métodos punitivos a partir de uma tecnologia do
corpo onde se poderia ler uma história comum
das relações de poder e das relações de objeto.
O livro abre com a descrição de um suplício sangrento,
com o forma de punição, para depois referir o que mais
tarde sucedeu através do desenvolvimento da prisão.
O autor interroga-se sobre o sentido desta mudança,
passados apenas 80 anos.

Trata-se pois de apresentar dois tipos de ‘tecnologias


de emprisonamento’, em que no primeiro o povo é
punido através da tortura e morte sob horrível
sofrimento, presenciado por multidões. A “punição
disciplinar”, o segundo, é exercido por profissionais
que têm o poder sobre a pessoa prisioneira.
"É dócil um corpo que pode ser submetido, que
pode ser utilizado, que pode ser transformado e
aperfeiçoado "

O Panoption (de Jeremy Bentham) é usado por


Foucault, como significando o modelo moderno nas
prisões, e como metáfora de como as sociedades
modernas são organizadas: um guarda colocado
numa posição central pode vigiar os prisioneiros,
enquanto não é visto por estes - sistemas de
controle das sociedades modernas de poder e
conhecimento.
O controle social gera o nivelamento dos indivíduos, calando
a singularidade. Quanto mais medíocre, melhor para a " paz "
pública.A fiscalização social que se dá nos presídios, nas
fábricas, nos espaços religiosos, nas escolas, etc –

Refere-se ao fato que a submissão incondicional do indivíduo


às regras, gera os corpos dóceis.

A educação disciplinar do corpo individual é o meio que


favorece a transformação da vida humana em força
produtiva canalizada para objetivos práticos que
proporcionam resultados concretos e úteis para a sua
sociedade ou para o grupo que controla a sociedade.
As sociedades modernas apresentam uma nova
organização do poder: “o poder está em toda parte, não
porque englobe tudo” e sim “porque provém de todos os
lugares”.

Nessa nova organização, o poder não se concentra apenas


no setor político (macropoder) e nas suas formas de
repressão, pois está disseminado pelos vários âmbitos da
vida social.

Para Foucault, o poder se fragmentou em micropoderes e


se tornou muito mais eficaz, uma vez que se espalham
pelas mais diversas instituições da vida social

Poderes exercidos por uma rede imensa de pessoas que


interiorizam e cumprem as normas estabelecidas pela
disciplina social.
Exemplo: os pais, os porteiros, os enfermeiros, os
professores, as secretárias, os guardas, os fiscais etc.
Genealogia do poder

Assim como o filósofo alemão Friedirich Nietzsche,


Foucault também desenvolveu a sua genealogia.
O ponto de partida é a noção de que os valores – o
bem e o mal, o verdadeiro e o falso, o certo e o
errado, o sadio e o doente etc. – são consagrados
historicamente em função de interesses relativos ao
poder dentro da sociedade. Ou seja, a definição do
que é bom, do que é verdade, do que é sadio
depende das instâncias nas quais o poder se
encontra.
Esse poder não seria essencialmente um poder de repressão ou de
censura, mas sim um poder criador, no sentido de que produz a
realidade e seus conceitos.
“É preciso cessar de sempre descrever os efeitos do poder em termos
negativos: ele ‘exclui’, ‘reprime’, ‘recalca’, ‘censura’, ‘discrimina’,
‘mascara’, ‘esconde’. Na verdade, o poder produz: produz o real;
produz os domínios de objetos e os rituais de verdade”. (Vigiar e
punir)

Foucault, em Vigiar e punir, descreveu a evolução dos mecanismos


de controle social e punição, que se tornaram cada vez menos
visíveis e mais racionalizados. Ele caracteriza a sociedade
contemporânea como uma sociedade disciplinar, na qual prevalece a
produção de práticas disciplinares de vigilância e controles
constantes, que se estendem a todos os âmbitos da vida dos
indivíduos.
Uma das formas mais eficientes dessa vigilância e
disciplina se dá através dos discursos e práticas
científicas, aparentemente neutras e racionais, que
procuram normalizar o comportamento dos indivíduos -
Regimes de verdade.
Um exemplo disso seria o tratamento científico dado à
sexualidade, no qual o comportamento sexual é
normatizado por meio do convencimento racional dos
indivíduos sobre os cuidados necessários à sua vida
nesse âmbito. Desse modo, assumindo a face do saber,
o poder, segundo Foucault, atinge os indivíduos em seu
corpo, em seu comportamento e em seus sentimentos.
História da sexualidade I
A vontade de saber