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NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO

- resumo feito pelo professor Claudionor


Aparecido Ritondale
Discussões iniciadas em 1986, por iniciativa do presidente da República do
Brasil, na época, José Sarney.

Começa a viger em 2009, 23 anos depois.

Depois de tanto tempo, será que houve acordo?

Foram 21 bases (grupos de artigos) de um formulário, não apenas de um mero


acordo.

Novidade: nem todos os tremas desapareceram. O quê?

Que acordo é esse, afinal?


Breve histórico
 Foram muitas tentativas. No século XX, a primeira em 1911.
 Depois 1931: Pharmácia; Archivo; Therapia.
 Em 1945, outra tentativa, mas voltamos a 1931;
 Em 1971 e 1973, redução de acentos diferenciais de
paroxítonas como acordo (ô) e acordo (ó); deste (ê) e deste
(é).
 Em 1986, Sarney convoca representantes de Portugal e dos
PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa).
 Em 1990, texto que convenceu um pouco mais a resistente
crítica portuguesa.
 Em 2002, Timor-Leste adere ao acordo.
 Em 2008, últimos decretos; última redação do texto do
acordo em 30 de setembro de 2008.
 Em 2009, os textos oficiais devem já empregar as novas
escritas.
 Em 2012, todos os usuários já devem conhecê-la (desde
1986, serão 26 anos).
Países participantes
 Na Europa: Portugal;
 Na África: Angola; Cabo Verde; Guiné-Bissau,
Moçambique; e a República de São Tomé e
Príncipe;
 Na América: Brasil;
 Na Ásia: Timor-Leste (adesão à Comunidade
dos Países de Língua Portuguesa em 1º. de
agosto de 2002).
 Observação internacional: Galiza (região da
Espanha).
 Total estimado de usuários atingidos: 220
milhões de pessoas falantes do português.
Texto oficial
 Foram 21 bases (conjuntos de modificações).
 Vocabulário pesquisado: corpus de cerca de
110.000 palavras.
 Máxima modificação: palavras escritas em
Portugal (em torno de 10.000 palavras).
 No Brasil: apenas umas 600 palavras
modificadas.
 O texto não trata apenas de mudanças, mas é
um verdadeiro formulário ortográfico do
português, embora incompleto e com
problemas.
Base I:
Do alfabeto e dos nomes próprios estrangeiros
 Incluídas K, W e Y;
 Nomes das letras sugeridos (não excluem outras designações): K
(capa ou cá): W (dablio, dábliu); Y (ípilon.; ipsilone); G (gê ou guê), etc.
 USOS do K, W e Y:
 A) Nomes próprios estrangeiros e derivados:
 Franklin, frankliano
 Darwin, darwinismo
 Byron, byroniano
 B) Siglas, símbolos e unidades de medida internacionais:
 BMW
 KLM
 K (potássio),
 W (oeste),
 Kg (quilograma),
 Km (quilômetro), KW (kilowatt),
 yd (jarda),
 Watt.
Sinais diacríticos de estrangeirismos mantêm-se:
garrettiano (de Garrett – com dois tês);
jeffersônia (de Jefferson – com dois efes);
mülleriano (de Müller – com trema e dois eles);
shakespeariano (de Shakespeare, com sh, K e pear”);
 Serão divulgadas grafias alternativas: fúcsia ou fúchsia; buganvília, buganvílea ou bougainvillea.

CH, PH e TH hebraicos mantém-se ou simplificam-se:


 Baruch ou Baruc
 Loth ou Lot
 Ziph ou Zif
 Se mudos, eliminam-se: José (não Joseph), Nazaré (não Nazareth);
 Ou adaptados: Judite (te no lugar de th).

Finais B, C, D, G, T: mantêm-se ou não:


 Jacob ou Jacó, Job ou Jó, Moab, Isaac, David ou Davi, Gad, Gog, Magog, Bensabat, Josafat ou Josafá, Cid, Calecut,
Madrid ou Madri, Valladolid.
Nomes de lugares em língua estrangeira devem ser substituídos, tanto quanto possível, por palavras aportuguesadas:
Anvers (Antuérpia); Genève (Genebra); Milano (Milão); München (Munique); Torino (Turim); Zürich (Zurique).
Adendos à Base I

 A divulgação das novas escritas será feita


por dois livros da Academia Brasileira de
Letras: o Vocabulário Ortográfico da
Língua Portuguesa (VOLP) e o Dicionário
Onomástico.
Base II – Do H inicial e final
O h inicial é:
 a) etimológico: haver, hélice, hera, hoje,homem,
 b) convencional: hã?, hem?, hum!
 c) pertencente a segundo elemento de termo com
hífen: anti-higiênico, pré-história.

Supressão do H inicial:
 a) uso consagrado: erva, ervaçal, ervanário, ervoso
 b) desaparecimento em composições: desarmonia,
desumano, lobisomem, reaver.

O H final:
Uso em interjeições: ah! oh!
Adendos à base II
 Subumano ao lado de super-humano. Como saber a
diferença?
 Erva ao lado de herbívoro.

 Habitado, desabitado, super-habitado.

 Útil a consulta a dicionários e tabelas de prefixos com


hífen.
Base III – Consoantes de mesmo som
Palavras com S, SS, C, Ç, X, CH, Z, J, G.
CH e X: archote, bucho, buxo, bruxa, xadrez;
 G e J: adágio, Álgebra, canjica, Jericó;
 S, SS, C, Ç e X sibilantes surdas (som SÊ): ânsia, pêssego, cebola, berço,
sintaxe;

S e Z:
 Misto (não mixto), Capela Sistina (não Sixtina);
 advérbios em –mente, com o Z: felizmente (outros casos, sempre S:
Biscaia);

S final, X e Z: aliás, cálix, Queluz.


Z não é final em palavra não oxítona: Cádis (não Cádiz);

S, X e Z, com som sibilante sonoro (som ZÊ): analisar, Matosinhos, Sousa,


inexato, exame, buzina, Veneza.
Adendos à base III
 Para nomes, a consulta será ao Vocabulário
Onomástico: Singapura ou Cingapura;
Sintra ou Cintra?

 Também há a escrita de X com som de KS,


em duas situações:
 A) meio de palavra: axioma, táxi, anorexia;
 B) fim de palavra: ônix, Fênix, Félix; flux.
Base IV: sequências consonânticas
com C e P mudos
 C (som QUÊ) nas seqüências CC, CÇ e CT
 P nas seqüências PC, PÇ e PT.
POSSIBILIDADES:
 A) PRONUNCIOU, ESCREVEU: friccionar, convicção, compacto, núpcias,
erupção, rapto;
 B) NÃO PRONUNCIOU MAIS, NÃO ESCREVE MAIS: acionar, ação,
afetivo, adotar, adoção, batizar (em Portugal);
 C) NA OSCILAÇÃO, ESCRITA FACULTATIVA (duas formas possíveis):
dicção e dição; aspecto e aspeto; concepção e conceção; corrupto e
corruto (altera vocabulário do Brasil).

PARTICULARIDADES: MPC, MPÇ e MPT trocam M por N, ao eliminar o P:


Assumpção e Assunção; peremptório e perentório; assumpcionista e
assuncionista.
OSCILAÇÕES (escrita apenas se pronunciados):
B oscilante: súbdito, súdito; subtil, sutil;
G oscilante: amígdala e amídala;
M oscilante: amnistia e anistia;
T oscilante: aritmética e arimética.
Adendos à base IV
 C mudo extinto afeta muito Portugal.

 Para oscilações, o dicionário deverá ser


fonte necessária.
Base V – uso de vogais átonas (E ou I; O ou U)
 E (não I) vêm de -eia: aldeão (aldeia);
 E (não I) – vêm de É (vogal aberta): guineense (Guiné);
coreano (Coreia);

 I (não E) – analogia a palavras com sufixo –iano e –iense:


acriano (Acre), camoniano (Camões), torriense (de Torres) –
analogia com italiano, horaciano, etc.;
 I (não E) – final –ia em derivados de termos com final em
vogal: hástia (haste); réstia (reste);

 Verbos em EAR (de –eio e –eia): cear (ceia); alhear ( alheio);


 Verbos em IAR (de –io) em oscilações (eio e io) negoceio ou
negocio (de negócio); premeio ou premio (de prêmio);

 O (jamais U): termos de origem latina: moto, tribo;


 Verbos em –OAR (abençoar: abençoo, abençoas) e –UAR
(acentuar: acentuo, acentuas).
Adendos à base V
 Note bem: verbos em OAR (mudança em
abençoo).

 Também há os verbos em –IAR que usam


formas como se fossem em –EAR, verbos do
grupo do MÁRIO:
 Mediar, Ansiar, Remediar, incendiar, odiar , que
não são oscilantes:
anseio, anseias, medeio, intermedeio, odeia,
remedeia (não admitem: ansio, medias, etc.).

 A consulta a gramáticas e dicionários é sempre


importante.
Base VI – Das vogais nasais
 Ã: afã, lã, órfã, Grã-Bretanha;
 Vogal + M; vogal + N: clarim, tom, vacum;
flautins, semitons, zunzuns.

 Vocábulos terminados em –ã mantém o til


nos advérbios em – mente ou com sufixos
iniciados por –z:
cristãmente, irmãmente,
maçãzita, manhãzinha, romãzeira.
Adendos à base VI
 Também há o til sobre o O (põe,
compõem, dispões).

 A parte sobre manter til após sufixos


repisa texto do acordo ortográfico de 1971
/ 1973.
Base VII – Dos ditongos
DITONGOS ORAIS

Ditongos orais com final I ou E; U ou O: caixote; Caetano, ilhéu;


ao, aos.

Particularidades:
 a) UI (não –UE) em verbos em –UIR: constituis, influi, retribui
(como em azuis, Rui ); e AI (não –AE) em verbos em –air e –
oer: atrais, cai, móis, sói;

 b) ditongos UI de origem latina podem virar hiatos em


derivados: fluido (fluídico, fluidez), gratuito (gratuidade);

 c) Ao lado dos ditongos orais decrescentes, há os crescentes.


O texto diz que os ditongos orais propriamente ditos são todos
decrescentes.
 Os crescentes são ea, eo, ia, ie, io, ao, ua, eu, uo: áurea,
áureo, calúnia, espécie, exímio, mágoa, míngua, tênue, tríduo.
Ditongos nasais (ainda base VII)
Dois tipos gráficos:

 a) vogal com til e semivogal: ãe, ãi, ão e õe: cães,


Guimarães, cãibas, cãibra, zãibo, mão, não,
Camões, orações, põe;
podendo-se acrescentar a forma gráfica ui: muito,
mui, assim grafados por tradição.

 b) vogal seguida de consoante nasal M: am e em:


 - am: amam, deviam, escreveram, puseram
(sempre em formas átonas);

 - em, en: bem, cem, nem, devem, virgem, benfeitor,


benquisto, Benfica, bens, ninguém, armazéns,
mantêm, têm, convêm (as duas últimas, formas
plurais de verbos).
Adendos à base VII

 Para quem for consultar o texto original do


acordo, repare no lapso num dos
exemplos de ditongo nasal: quão é
tritongo, não ditongo.
 A menção à pronúncia popular de ruim
(com a tônica no U e possível escrita “rui”
é profundamente infeliz!).
Base VIII – Acentos em oxítonas
 Finais A, AS, E, ES, O, OS: está, estás, até, pés, dominó,
paletós, lê, português, avô, pôs; com as formas verbais
conjugadas com pronomes lo, la, los, las, com assimilação de
R, S e Z: adorá-lo, fá-los, vê-la-ia, trá-las, compô-las;
 Finais EM, ENS para palavras de mais de uma sílaba
armazém, parabéns, provém, provêm, retém, retêm (nos
derivados de ter e vir, nas 3as. pessoas do plural, o acento é
circunflexo e também diferencial do agudo das 3as. pessoas
do singular);
 Oxítonas com ditongos abertos –éis, -éu, –ói, -éus e –óis:
anéis, fiéis, papéis, céu, chapéus, véus, corrói, heróis, remóis,
sóis;
 Diferenciais que não usam mais acentos: colher (ê) e colher
(é); cor (ô) e de cor (ó).
 Mantido: pôr (verbo) diferenciado de por (preposição).
Adendos à base VIII
 Atenção: mantidos nos ditongos abertos
ÉI, ÉU e ÓI os acentos agudos APENAS
em palavras oxítonas.
 Vejam:
Herói continua acentuado,
mas heróico passa a heroico.
Base IX – acento em paroxítonas
(início)
 1o. Artigo: poucas são as paroxítonas acentuadas;

 2o. Artigo: terminações (acentos agudos):


L, N, R, X, PS, Ã, ÃS, ÃO, ÃOS, EI, EIS, I, IS, UM, UNS, US.
Oscilação de timbre em alguns casos (pónei, pônei): órfã,
órfão, fênix, álbum, bônus, júri, júris.

 3o. Artigo: retiram-se acentos dos ditongos abertos EI e OI


em paroxítonas (apenas): ideia, assembleia, heroico;

 4o. Artigo: acento em louvámos (pretérito) distinto de


louvamos (presente) é facultativo;

 5o. Artigo: mesmas terminações do 2o., só que apenas


para acentos circunflexos.
Acento em paroxítonas (final)
 6o. Artigo: diferenciais: pôde para pode (mantido); dêmos
para demos (facultado); fôrma para forma (facultado);

 7o. Artigo: retirados acentos de EE (credelevê): creem,


deem, leem, veem, desdeem, reveem.

 8o. Artigo: retirados acentos de OO, OOS: entoo, voos;

 9o. Artigo: abolidos diferenciais: para; pela; pelo; polo, etc.;

 10o. Artigo: reafirma-se a abolição dos diferenciais em


palavras como deste (ê) e deste (é), presente no acordo de
1971 / 1973.
Adendos à base IX
 Acrescentem-se exemplos de paroxítonas em U (não US), como: jiu-jítsu;
Acrescentem-se exemplos de paroxítonas em U (não US), como: jiu-jítsu;
câmu-câmu, meinácu, Ábu Dábi, dábliu (letra W);
 Oficializou-se a terminação PS, antes só em dicionários. Plural de bíceps é
bíceps (não bicípites – constante no acordo);
 Exceções: Prefixos paroxítonos com finais I e R mais hífen não levam acento:
semi-histórico; super-habitado.
 Não consta no acordo o plural elétrons-volt, constante no VOLP de 2009,
único exemplo de paroxítona terminada em “ns” acentuada. O plural regular
de elétron, oficialmente, é elétrones; cátion faz plural oficialmente como
catíones. Ou seja: exceto elétrons-volt, que consta oficialmente no VOLP, os
plurais de palavras com final “-ons” são feitos com “-ones” e, por
transformarem-se em proparoxítonas, levam acento gráfico na vogal anterior.
A Academia Brasileira de Letras justifica que podemos acentuar elétrons,
cátions, prótons, mas no texto do Acordo isto não é explicitado.
 Retirados acentos de éi, ói. Não há menção a éu, porque raras são as
ocorrências abertas em paroxítonos: Neusa, teuto, Ceuta, Pentateuco (todos
fechados); araréua, jurandéua (dois exemplos raros com “éu” aberto);
 As oxítonas continuarão acentuadas (herói, lençóis, fiéis, chapéu, véus);
 Na atual edição do VOLP, não consta superavit (nem com acento, nem sem
acento), mas apenas “superavitário”. Com ou sem acento, é uma paroxítona.
Se for acentuada, a terminação “it” ou o simples “t” não consta entre as
terminações das paroxítonas. Como fica tal omissão? O Dicvionário do Sr.
Evanildo Bechara, traz o termo em latim (sem acento gráfico): superavit.
Deficit também está sem acento gráfico (considerada latinismo).
Mais adendos à base IX
 Curiosidade: têm e vêm são tidos como originalmente
paroxítonos (pronúncia teem e veem, embora na
escrita é vedado o duplo E). Já os compostos são
tidos como oxítonos (retêm, provêm);
 Delínquem e delínquam são paroxítonas terminadas
em tritongos acentuadas, mas sem uma regra
explícita. Também não se mencionam paroxítonas
terminadas em ditongos diferentes de ei(s).
 Dêmos e louvámos: uso apenas em Portugal;
 Acrescente-se a diferença de fôrmas para formas
(ambos no plural);
 O “etc.”, ao final do artigo sobre diferenciais, pede que
consultemos o dicionário, para casos como pêra, por
exemplo, não mais acentuada.
Base X – acentos no I e U de oxítonas e
paroxítonas (2a. Vogal do hiato e grupos
GUE, GUI, QUE, QUI)
HIATOS:
 Acentuam-se I e U com acento agudo quando segunda vogal tônica
do hiato, sozinha na pronúncia de sílaba, ou apenas seguidos de S:
saída, saúde, faísca, balaústre; e nos verbos, o I com lo, la, los, las:
atraí-lo, possuí-las-ia;
Exceções: não se acentuam:
A) Na sílaba com L, M, N, NH, R ou Z (nh, apenas na pronúncia): Adail,
Raul, ruim, tainha, cairdes, juiz;
B) Se em paroxítonas precedidas de ditongos: baiuca, boiuno. Mas
acentuam-se: tuiuiú, Piauí; Taií (oxítonas após ditongos, exceto se
com M: cauim).

GRUPOS GUE, GUI, QUE, QUI:


 Argui, arguis não mais têm acento, bem como delinqui, delinquis.
 Oscilação entre águo e aguo; águes e agues; enxáguem e
enxaguem; enxáguam e enxaguam; delínquo e delinquo.
Adendos à base X
 Também é bom constar que há hiatos com vogais I e U
Também é bom constar que há hiatos com vogais I e U
dobradas, sem fazerem parte de ditongos e que não levam
acento, nas paroxítonas: xiita, paracuuba.

 Há a menção de NH entre as consoantes ao final de sílaba,


mas NH não é consoante (é dígrafo), nem termina sílaba.
Também o M e o N, junto a vogais, são sinais de nasal, não
são consoantes. Mais simples é considerar M, N e NH como
sinais de nasalização.

 Delínquam, delínquem, enxáguem e enxáguam são


paroxítonas terminadas em tritongos, regra não explicitada.

 Cuidado: não se coloque trema em distinguem, porque o U


não é pronunciado. Não há mais marca de pronúncia. O
dicionário traz apenas o U pronunciado, depois entre
parênteses “wi”, como forma de registrar a pronúncia; o U não
pronunciado não aparece com nenhuma indicação entre
parênteses.
Base XI – acentos em
proparoxítonas
 Todas as proparoxítonas (aparentes ou
não) são acentuadas. Aparentes são as
que terminam em ditongos crescentes:
côdea, mágoa, etc.

 Há oscilação de timbre (aberto ou


fechado) em várias palavras: sinônimo ou
sinónimo é um exemplo. As duas formas
são permitidas.
Adendos à base XI
 Polêmica quanto às proparoxítonas aparentes.
Ditongos não levariam a proparoxítonas,
porque só teríamos duas sílabas em côdea e
mágoa; para serem proparoxítonas, as
seqüências vocálicas -ea e -oa teriam que ser
hiatos.
 Também há ditongos nasais crescentes
(cátion, ânion, cânion);
 Latinismos não aportuguesados não foram
mencionados: in honoris causa, por exemplo
(sem acento gráfico).
 Dicionários darão conta das dúvidas?
Base XII – acento grave
Regra do acento grave indicador da crase:
 sobre preposição mais artigo feminino: Vou à
feira;
 sobre preposição mais pronomes
demonstrativos: Refiro-me àquele livro.

Adendos:
Também com pronome relativo há o acento
grave indicador da crase, em frases como “A
garota à qual se referia era alta”.
Base XIII – supressão de acentos em palavras derivadas

Advérbios terminados em –mente


ou em palavras derivadas que contêm sufixos iniciados por z

Não mais recebem acentos graves se derivados de adjetivos


acentuados.

Exemplos: unicamente, heroizinho.

Mantidos os tis: orfãozinho, chãmente.

 Adendo: É bom sempre lembrar-se de que o til tonifica e


nasaliza uma vogal, se um acento gráfico não comparecer.
Ele cumpriria, nesse caso, dupla função: sinal de nasalização
e de tonicidade: irmão; anã.
Base XIV – Do trema
 Foi extinto nos grupos GUE, GUI, QUE, QUI, em que
o U é pronunciado e átono: aguento, tranquilo,
linguiça, frequente;

 Já tinha sido extinto no acordo de 1971 / 1973 o trema


opcional nos chamados hiatos átonos, como vaïdade,
saüdade, especialmente no uso poético;

 Conserva-se, no entanto, o trema, de acordo com a


base I, 3.º, em palavras derivadas de nomes próprios
estrangeiros: hübneriano, de Hübner, mülleriano, de
Müller, etc.
Adendos à Base XIV

O trema não desapareceu, por completo, pois ainda é


mantido em termos derivados de palavras
estrangeiras.

 Hübneriano é flexionado conforme as regras do


Português, enquadra-se, portanto, no nosso idioma
(faz flexão de gênero, número e grau, conforme fazem
nossos adjetivos, não de acordo com a língua de
origem, daí ser incorporado ao nosso léxico).
Base XV – hífen em compostos, locuções e
encadeamentos vocabulares
Justapõem-se: girassol, paraquedista, paraquedas;

Hífen em:
 topônimos com grã e grão e com artigo na composição: Grã-Bretanha, Grão-Pará,
Trás-os-Montes;

 Nomes de plantas e animais : abóbora-menina, bem-te-vi;

 Bem e mal diante de VOGAL e H: bem-estar, mal-humorado; mas: malditoso,


malfalante;

 Bem com algumas consoantes: bem-ditoso, bem-falante, mas benfeitor,


benquerença;

 Além, aquém, recém e sem (sempre): além-mar, aquém-Atlântico, recém-casado,


sem-vergonha;

 Locuções apenas excepcionalmente: água-de-colônia; mais-que-perfeito; pé-de-


meia (mas fim de semana, sala de jantar, sala de aula, etc.);

 Encadeamentos vocabulares (não propriamente palavras, ocasionalmente


formados por ligações): ligação Angola-Moçambique; Áustria-Hungria, etc.
Adendos à base XV
 Paraquedas, paraquedista (antes: pára-quedas, pára-quedista) perdem acento
e hífen;

 Outras reduções com hífen: ítalo-brasileiro, psico-histórico, luso-brasileiro;

 Exemplo de redução sem hífen: socioeconômico;

 Para bem e mal deve-se consultar sempre um dicionário (juntos ou


separados?; com ou sem hífen?);

 Não apenas para plantas e animais há hífen;

 Regra geral do hífen: havendo mudança de sentido, justifica-se o hífen: água


marinha difere de água-marinha (pedra); a frase Maria vai com as outras difere
da expressão Maria-vai-com-as-outras;

 Hífen continua nas outras regras: pega-pega, reco-reco, etc. .

 Além do nome Guiné-Bissau, um dos países signatários do acordo que


contém hífen no nome, há também o de Timor-Leste.
Base XVI – hifens em prefixos, recomposição e sufixos
1o. Artigo:
Prefixos: ante-, anti-, circum-, co-, contra-, entre-, extra-, hiper-, infra-, intra-,
pós, pré-, pró-, sobre-, sub-, super-, supra-, ultra-, etc.
e falsos prefixos, de origem grega e latina: aero-, agro-, arqui-, auto-, bio-,
eletro-, geo-, hidro-, inter-, macro-, maxi-, micro-, mini-, multi-, neo-, pan-,
pluri-, proto-, pseudo-, retro-, semi-, tele-, etc..

Uso obrigatório do hífen:


 A) segundo elemento começa com H: anti-higiênico, extra-humano;
 B) última vogal do 1o. elemento idêntica à primeira do 2o.: anti-ibérico,
contra-almirante, micro-ondas;
 C) circum- e pan- antes de vogal, M, N e H: circum-escolar, pan-helenista,
pan-africano, circum-navegação, circum-murado;
 D) hiper-, inter- e super- antes de R: hiper-requintado, super-resistente,
inter-racial;
 E) Sempre hífen com ex- (estado anterior ou cessamento), sota-, soto-,
vice- e vizo-: ex-namorado; vice-rei; soto-mestre;
 F) pós-, pré- e pró- diante de elementos com vida à parte: pós-graduação
(mas pospor); pré-natal (mas prever); pró-europeu (mas promover).
Base XVI – hifens em prefixos, recomposição e sufixos
 2o. Artigo:
 Vedação ao emprego do hífen:

A) primeiro elemento termina em vogal e segundo inicia-


se por R ou S (dobra-se o R ou o S): cosseno,
contrassenha, contrarregra, biorritmo,
microrradiografia;

B) primeiro termina em vogal, segundo inicia com vogal


diferente: antiaéreo, coeducação, agroindustrial,
hidroelétrico.
 3o. Artigo:
 Sufixos de origem tupi-guarani -açu, -guaçu e -mirim:
hífen se o primeiro elemento for acentuado
graficamente ou se a pronúncia exigir distinção
gráfica: amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu;
Pariquera-Açu (mas Moji Mirim, Moji Guaçu).
Comentários à base XVI
 Atentar para exceções como subumano e
sotopor;
 Ver construções novas: corréu (antes co-
réu), coautoria, antissemita;
 Há exceções para vogais idênticas: cooperar
sem hífen, embora micro-ondas agora tenha
hífen;
 Omissões: sub, ob, ad (finais b e d) diante
de B, L e R: sub-biblioteca, sublinhar, ad-
rogar, ob-rogar.
Base XVII – hífen com ênclise e
mesóclise e com o verbo haver
 Amá-lo, deixá-la-ei prosseguem com hífen;

 Proibido hífen com verbo haver mais “de”: hei de


vencer; hão de aprender ortografia;

 Hífen usado com eis mais lo, la, los, las: ei-lo;

 Hífen também entre pronomes combinados:


esperamos que no-lo comprem.

 Adendo: Quere-o e requere-o são preferíveis a


qué-lo e requé-lo..
Base XVIII – do apóstrofo
Usos:
 Conjunto vocabular distinto, cindindo possível combinação de
preposição e artigo com inicial maiúscula:
De Os Lusíadas; ou d’Os Lusíadas;
pel’Os Sertões ou por Os Sertões;
n’ A Relíquia, ou em A Relíquia

 Referências especiais a Deus, Jesus, Maria, a Providência,


mãe de Jesus: d’Ele ou de Ele (mesmo caso com crase
cindida: a Aquele, etc.);

 Santo e santa e alguns nomes, em elisão de vogais: Sant’Ana,


Sant’Iago; Nun’Álvares, Pedr’Eanes (também Santana e
Santiago, Nuno Álvares e Pedro Eanes);

 Elisão do “e” da preposição “de” em certos compostos: copo-


d’água, estrela-d’alva, etc.
Base XVII – do apóstrofo
Vedações:
 Combinações das preposições “de” e
“em”: do, da, deste, daqui, donde; neles,
nuns, nalguma;

 Usos separados de “de” e “em”: de algum;


em alguma;

 Formas do infinitivo, sem a fusão das


vogais: a fim de ele compreender, apesar
de o ter visto.
Adendos à base XVIII

 Importante mencionar que plurais de siglas não


são feitos com apóstrofo: CSOs (plural de uma
sigla como CSO, não CSO’s, como se vê no
Brasil); CDs (não CD’s).

 Importante relembrar que em português é


vedado uso do apóstrofo no genitivo inglês
(exemplo: Leonardo’s), embora usado
comercialmente.
Base XIX – Minúsculas e maiúsculas
 Minúsculas iniciais:
 A) ordinariamente, em todos os vocábulos;
 B) em meses, dias e estações: primavera, segunda-feira,
outubro;
 C) opcionalmente nos nomes de obras, a partir da segunda
palavra – exceto nomes próprios: Menino de Engenho, ou
Menino de engenho; mas Madame Bovary;
 Para fulano, sicrano e beltrano;
 Pontos cardeais (mas não suas abreviaturas): norte, sul (mas
N, abreviatura);
 Títulos ou designativos de pessoas importantes ou
antecedendo nomes de religiosos: cardeal Bembo, bacharel
Abrantes, senhor doutor Joaquim, santa Filomena (para
santos, pode haver maiúscula, opcionalmente: Santa
Filomena);
 Opcionalmente, para domínios do saber, cursos e disciplinas:
conhecimento do Português ou conhecimento do português.
Base XIX – Minúsculas e maiúsculas
Maiúsculas iniciais:
 A) Antropônimos e topônimos, reais ou fictícios, antropomórficos e mitológicos: Pedro Marques;
Branca de Neve, Atlântida, Lisboa, Adamastor, Netuno ;
 B) Nomes de instituições: Instituto de Pensões e Aposentadorias da Previdência Social ;
 C) Nomes de festas e festividades: Natal, Todos os Santos;
 D) Títulos de periódicos, que retêm o itálico: O Primeiro de Janeiro, O Estado de São Paulo;
 E) Pontos cardeais e equivalentes, quando empregados absolutamente: Nordeste, por nordeste
do Brasil, Meio-Dia, pelo sul da França; Oriente, por oriente asiático;
 F) Siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais ou nacionalmente reguladas com maiúsculas,
iniciais ou mediais ou finais ou o todo em maiúsculas: FAO, NATO, ONU; H2O; Sr., V. Ex.ª;

Opcionalmente:
 - Em palavras usadas reverencialmente, aulicamente ou hierarquicamente: Vossa Excelência;
Dignissimo senhor;
 - Em início de versos;
 - Em categorizações de logradouros públicos ( rua ou Rua da Liberdade, largo ou Largo dos
Leões);
 Em nomes de templos (igreja ou Igreja do Bonfim, templo ou Templo do Apostolado Positivista )
 Nomes de edifícios (palácio ou Palácio da Cultura, edifício ou Edifício Azevedo Cunha).

Obs.: As disposições sobre os usos das minúsculas e maiúsculas não obstam a que obras
especializadas observem regras próprias, provindas de códigos ou normalizações
específicas (terminologias antropológica, geológica, bibliológica, botânica, zoológica,
etc.), promanadas de entidades científicas ou normalizadoras reconhecidas
internacionalmente.

ADENDO: A última observação submete o padrão ortográfico a regras internacionais.


Base XX – divisão silábica
 Em geral, por soletração, não atendendo razões etimológicas.

 Alguns compostos com prefixos com b e d, excepcionalmente, separam-se para trás:


ad-li-gar, sub-lu-nar.
 O regular é: a-blução, como nos grupos com L e R na segunda consoante: co-bra;
re-cla-ma; Vla-di-mir;

 Separam-se outros grupos consonantais (exceto L e R) e sinais de nasais (M e N), :


op-tar; am-bi-en-te;

 Grupos com mais de duas consoantes, são indivisíveis os grupos com L e R; a(s)
outras(s) consoantes separam-se desses grupos: cam-braia; ec-tlipse; ex-plicar; etc.
 Separam-se hiatos e ditongos crescentes: ala-úde; áre-a;

 Grupos GU e QU não permitem separar o U, mesmo pronunciado: quanto, quem,


aguentar, aguerrido;

 Repete-se, por clareza gráfica, o hífen, na translineação: exemplo: vice-


-almirante.
Adendos à base XX

 Necessário incluir a separação dos demais


dígrafos além de GU, QU e vocálicos (er-ro; is-
so; nas-ça; cres-ce; ex-ce-to; ex-su-dar).
Base XXI – das assinaturas e firmas

 Para ressalva de direitos, cada qual poderá


manter a escrita que, por costume ou registro
legal, adote na assinatura do seu nome.

 Com o mesmo fim, pode manter-se a grafia


original de quaisquer firmas comerciais, nomes
de sociedades, marcas e títulos que estejam
inscritos em registro público.
Adendos à base XXI
A uniformização cede a interesses pessoais e comerciais, como se houvesse o
oficial e, ao mesmo tempo, o não oficial que se sobrepõe ao oficial. Vejam
as situações reais abaixo descritas!

A) Um nome de um jogador de futebol é assim escrito: Hgamenon; jornalistas


não sabiam pronunciá-lo, perguntaram ao dono do nome, ele respondeu:
AGÁ-GAMENON. Mas, se o H inicial é mudo, em português, a única
pronúncia seria GAMENON;

B) Uma escola adotou seu nome como Ítalo Brasileira, sem o hífen, porque
quem participou da outorga do nome dizia não gostar do hífen. E trata-se de
uma escola!

 Hoje, os jornalistas chamam o jogador de Agamenon (também num diploma


que lhe deram estava lá o A inicial) – o apelido dele é Agá (será que por
causa do H inicial?).
 Quem escreve para a tal escola, usa o hífen.

 Conclusão: o oficial deve ser respeitado, exceto em situações de direito


pessoal ou comercial (nomes e marcas).
Comentários finais
 Apesar de conter 22 erros de digitação, sem
contar erros conceituais, o acordo foi assinado
por 8 autoridades políticas e está vigorando (os
erros de digitação foram sanados, mas os
conceituais, infelizmente, não).

 Há um texto explicativo para tentar justificar o


acordo. Foi chamado Nota Explicativa do
Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e
publicado em 1990. Apenas justifica a tentativa
de uniformização.
Conclusões
 A difícil questão do hífen não foi muito amenizada.
 A descrição do idioma ainda tem precariedades porque até em
textos oficiais há erros de português (de digitação e
conceituais).
 A escrita ainda tem incoerências e exceções (no H e nos
prefixos, por exemplo).
 A acentuação é explicada por regras múltiplas e complexas,
quando poderia ser explicada por uma única regra essencial
(desvio de tonicidade).
 Não precisaríamos de conceitos como oxítonas, paroxítonas,
proparoxítonas, hiatos, ditongos, tritongos, monossílabas,
dissílabas, se conhecêssemos a pronúncia de palavras sem
acento gráfico, depois aplicássemos a regra única de
acentuação gráfica.
 Seriam apenas umas 4 regrinhas de pronúncia, nada mais.
Hoje, há 16 regras oficiais, com 15 observações, apesar de
não serem regras completas (faltam descrever ao menos 3
situações) e haver facultatividade em alguns casos.
 A melhoria na descrição do idioma pode demandar outros