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A Reforma Ortográfica da

Língua Portuguesa:
será que a casa vai virar do
avesso?

Palestra sobre o NOVO


ACORDO ORTOGRÁFICO
Proferida pelo Professor
Claudionor Aparecido Ritondale
A partir de 2009, deverá entrar em vigor a
reforma ortográfica, que torna a língua
portuguesa um idioma único
em todo o mundo.
Por que dizemos “idioma único”?
Porque, das dez línguas mais faladas no
mundo, está o Português, mas, delas,
é a única com duas ortografias oficiais:
uma de Portugal, outra do Brasil.
Até agora...
Reforma não é
sinônimo de Bagunça

Ou não deveria ser.


Em verdade, a Língua Portuguesa
não vai quebrar paredes ou trocar
pisos nem deixar ninguém
reclamando da bagunça.
As mudanças, para o Brasil,
mantendo a analogia com reformas de casa,
equivalem a uma simples troca de
maçaneta.
Por quê?
Apenas cerca de 600 palavras no português
como hoje é escrito no Brasil
serão modificadas.
Elas afetam menos de 0,6% do
português falado no Brasil.

Portanto, não é difícil conhecê-las


para estarmos preparados quando a
reforma for oficialmente aplicada
(a partir de 2009, nos documentos
públicos oficiais; e, a partir de 2012,
para os usuários comuns, que somos
todos nós).
Começando a retirar a
maçaneta...
Começando a retirar a maçaneta...

O TREMA deixará de existir, a não ser


em nomes próprios estrangeiros e seus
derivados.
conseqüência
consequência Mas:
Müller;
mülleriano
Começando a retirar a maçaneta...

o HÍFEN não se usará mais em alguns casos:


1. quando o segundo elemento de certos
prefixos começar com s ou r; ao invés do
hífen, essas letras serão duplicadas.

anti-semita contra-regra
antissemita contrarregra
Começando a retirar a maçaneta...

Exceção: só não muda quando os primeiros


elementos terminam com r e os segundos
igualmente começam por r.

hiper-requintado
inter-resistente
super-revista
Começando a retirar a maçaneta...

o HÍFEN não se usará mais:


2. quando o primeiro elemento de um
prefixo (*) termina em vogal e o segundo
elemento começa com uma vogal diferente.

extra-escolar auto-estrada
extraescolar autoestrada

(*) elaboramos lista com 80 prefixos notáveis, que


poderemos colocar à disposição dos interessados.
Começando a retirar a maçaneta...

o HÍFEN deverá ser utilizado:


3. quando o primeiro elemento de um
prefixo termina em vogal e o segundo
elemento começa com uma vogal idêntica.

microondas arquiinimigo
micro-ondas arqui-inimigo
Começando a retirar a maçaneta...

NOS DEMAIS CASOS,


O HÍFEN NÃO SE ALTERA.
Ou seja: palavras que mantêm unidade de
sentido, compostas, não se alteram. A
mudança é apenas para prefixos

maria-mole (o doce)
arco-íris (o arco-celeste)

Continuam com hífen


Começando a retirar a maçaneta...

NO CASO DO SEGUNDO ELEMENTO DE UM


PREFIXO COMEÇAR POR H,
O HÍFEN NÃO SE ALTERA.

ASSIM:
alfa-hemoglobina
anti-herói
Continuam com hífen (*)

(*) há exceções, que comentaremos ao final


Retirando a maçaneta...

o ACENTO CIRCUNFLEXO não se usará mais


apenas em alguns casos:
1. nas terceiras pessoas do plural do presente
do indicativo ou do subjuntivo dos verbos
"crer", "dar", "ler", "ver" e seus derivados.

crêem vêem
creem veem
dêem lêem
deem leem
Retirando a maçaneta...

o ACENTO CIRCUNFLEXO não se usará mais:


2. em palavras terminadas em hiato "oo".

enjôo vôo
enjoo voo

Exceções: palavras que se enquadrem em outra regra de


acentuação: heróon; herôon (ambas com significado de santuário em
homenagem a um herói, na Grécia Antiga).
Removendo a maçaneta...
O ACENTO AGUDO não se usará mais:
1. em palavras paroxítonas que contenham os
ditongos abertos EI e OI (antes ÉI e ÓI). Mas as
oxítonas permanecem, além das oxítonas e
paroxítonas com ditongo aberto éu.

assembléia idéia
assembleia ideia
jibóia heróica
jiboia heroica
Mas continuam acentuadas graficamente:
herói, céus, fiéis, araréua, jurandéua.
Quando paroxítonas, só se sobrevier outra regra –
terminadas em R, por exemplo: Méier,destróier
Removendo a maçaneta...

o ACENTO AGUDO não se usará mais:


2. nas palavras paroxítonas, com "i" e "u"
tônicos, quando precedidos de ditongo.

feiúra
feiura baiúca
baiuca
Removendo a maçaneta...

o ACENTO AGUDO não se usará mais:


3. nos poucos verbos em que há "u" tônico
depois de "g" ou "q"e antes de "e" ou "i".

averigúe argúem
(averiguar) (arguir)
averigue arguem
apazigúe
(apaziguar)
apazigue
Podemos já pensar em nova
maçaneta para a porta?
Nova maçaneta...

o ALFABETO passará a ter 26 letras.

k w y
abcdfghij lmnopqrstuv x z
Nessa reforma, só português
lusitano (aquele falado em
Portugal) trocou a porta...

Para o português escrito em


Portugal e nos países que seguem
a escrita de Portugal, serão
modificadas 10.000 palavras.
Só o português lusitano trocou as portas...

No português de Portugal houve mudança na grafia:


1. desaparecerão o "c" e o "p" de palavras em que essas
letras não são pronunciadas.

acção
ação acto
ato adopção
adoção
Só o português lusitano trocou as portas...

No português de Portugal houve mudança na grafia:


2. será eliminado o "h" de palavras como "herva" e
"húmido", que serão grafadas como no Brasil.

herva húmido
erva úmido
Acentos diferenciais
• Pôde (passado) mantém-se (diferente de
pode, no presente);
• Pôr mantém-se (diferente de por,
preposição);
• Fôrma, fôrmas podem ser acentuados
opcionalmente (para diferenciar de forma,
formas).
• Para (verbo) é agora sem acento, assim
como para (preposição).
• Pera, pela, pelas, pelo, pelos, polo, polos:
agora sem acento.
Para que a Reforma Ortográfica
não lhe pegue desprevenido,
mantenha uma ferramenta de
consulta confiável sempre à mão.

Qual?
E, para poder ter certeza do oficial, não deixe de
visitar o site da Academia Brasileira de Letras.

www.academia.org.br
O Vocabulário Oficial da Língua Portuguesa (VOLP)
consta ainda na edição de 2004 (em março de 2009,
sairá a edição que respeita o Novo Acordo).
A consulta deve ser feita assim:
Menu Nossa língua;
link Busca no Vocabulário;
Digitar a palavra desejada na caixa de texto;
Clicar em Pesquisar.
Problemas à vista?

Provavelmente, alguns.
Prefixo co-
Será exceção para o caso do hífen.
A justificativa é que as palavras já estão há muito
tempo “fixadas” sem hífen no idioma.
Então: Cooperar, coordenação, coobrigação,
coocorrência, cooptar não receberão hífen.
Resta saber se co-opositor, p. ex., que era com
hífen, ficará com ou sem hífen. Teremos que
aguardar o Vocabulário Oficial da Academia
Brasileira de Letras.
Problemas à vista?

Prefixo re-
Publicações importantes do Brasil registram ora
com hífen, ora sem hífen.
Então: Será re-escrever, a partir de agora?
Não. O prefixo é exceção: reescrever, reeditar, reeleito.
Teremos que aguardar o Vocabulário Oficial da
Academia Brasileira de Letras. O responsável pela
nova edição, garante que serão escritas sem hífen.
Problemas à vista?

Não há ainda regra para acentuação de paroxítonas


terminadas em ONS
Podemos escrever elétrons, prótons, íons?
Ou teremos que manter a forma mais aceita até
agora: elétrones, prótones, íones. Ou ambas serão
corretas?
Teremos que aguardar o Vocabulário Oficial da
Academia Brasileira de Letras. A Academia diz que
ambas serão válidas. Também existirão paroxítonas
terminadas em OM: iândom, rádom.
Problemas à vista?

Não há nenhuma regra que diga que paroxítonas


terminadas em IT ou simplesmente em T devam ser
acentuadas.
Como explicar o acento gráfico em superávit?
Esse termo consta acentuado na atual edição do
Vocabulário Oficial.
(no dicionário escolar, consta sem acento).
Teremos que aguardar o Vocabulário Oficial da
Academia Brasileira de Letras, na sua nova edição.
Mas também, um Formulário Ortográfico que
explique essa regra.
Problemas à vista?

Trema: Como um estrangeiro vai saber pronunciar


essa palavra: sagui?
O “u” será mudo como em “segui”, do verbo seguir?
Ou o “u” será pronunciado e átono, como em “argui”, 1a.
Pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo do
verbo arguir?
Ou o “u” será pronunciado e tônico, como em “argui”, 3a.
Pessoa do singular do presente do indicativo do verbo
arguir? Iremos ter que acentuá-lo (saguí?) No texto do
acordo, há um acento em delinquís, que especialistas
consideram indevido.
Teremos que aguardar uma nova gramática que esclareça
isso?
Problemas à vista?

Subumano ao lado de super-humano.


Ah subumano agora virou sub-humano.
Erva ao lado de herbívoro.
Alfa-hemoglobina e alfaemoglobina são
aceitos.
Habitado, coabitado, desabitado,
super-habitado.
(ora com h, ora com hífen, ora sem).
A edição do Vocabulário Ortográfico da Língua
Portuguesa é bastante esperada por todos!
Problemas à vista?

Cintra ou Sintra?

Cingapura ou Singapura?

Além do Vocabulário Ortográfico,


necessitaremos de um Dicionário de
Nomes
Problemas à vista?

O texto do Novo Acordo prevê acentos


gráficos nos seguintes termos:

Delínquem
Delínquam

(ambos formas do verbo delinquir).


Mas:
Não há nenhuma regra formulada para
paroxítonas terminadas em tritongos (ueim, uãu).
Problemas à vista?

O acordo mantém o acento diferencial


em têm, vêm (plural), para distingui-los
de tem, vem (singular)
O texto do Acordo traz que, originalmente, têm e
vêm são paroxítonos, embora mais adiante traga
que os derivados deles, como retêm e provêm,
são oxítonos.
Como saberemos ensinar?
Problemas à vista?

O texto do Acordo traz, entre os


exemplos de palavras que contenham
ditongo nasal, a palavra quão.
Mas: quão traz um tritongo (uãu), que, pela teoria
gramatical, é inseparável.
Como saberemos ensinar?
Problemas à vista?
O texto do Acordo traz conjugados alguns verbos
que até hoje tivemos, no Brasil, como defectivos.
Então: delinquo (tônica no U) ou delínquo (tônica
no I). Também constam as formas delinqua,
delinquam (ao lado de delínqua, delínquam).
Mas, se o verbo não admite a primeira pessoa do
singular do presente do indicativo (delinquo,
nem delínquo), não pode admitir o presente do
subjuntivo (delinqua, delinquam, nem delínqua,
delínquam)
Como saberemos ensinar?
Problemas à vista?
Será que agora também poderemos conjugar
outros verbos defectivos?

Poderemos escrever, como muitos em


escritórios falam e escrevem, no Brasil: Adéque?
Ou seria adeqUe?
(verbo adequar)
Como saberemos ensinar?
Problemas à vista?
Há o acento em (vós) “delinquís”, presente do
indicativo do verbo delinquir, aparentemente
sem nenhuma justificativa plausível, no texto do
Acordo.

Então, temos que acentuar “saguí”, “saguís”?

Como saberemos ensinar?


Problemas à vista?
Palavras com o I ou U como segunda vogal do
hiato, repetidas, não constam do texto do Novo
Acordo.
Então, “xiita”, “vadiice”, “paracuuba”, “juuna”
são acentuadas ou não?
“Iídiche” e “duúnviro” são acentuadas
graficamente, porque são proparoxítonas.
As oxítonas poderiam também receber acento?
“Taií” (marca do Banco Itaú) leva acento gráfico
ainda? É semelhante a tuiuiú?
Como saberemos ensinar?
Problemas à vista?
“Deficit” (com ou sem acento gráfico) é palavra
que não consta do Vocabulário Ortográfico da
Academia Brasileira de Letras, como sendo
portuguesa.
Mas, “superávit” consta acentuado graficamente, mesmo não
havendo explicação para uma paroxítona terminada em IT, ou
T, ser acentuada graficamente.
“Superávit” é palavra já aportuguesada. Mas, por que não
está ainda aportuguesada “deficit”? No “site” da Academia,
consta como palavra estrangeira (sem acento gráfico). Qual a
lógica?
Na próxima edição do VOLP, as duas estarão sem acento
(não teriam sido aportuguesadas). Houiass as considera
aportuguesadas (com acento).
Problemas à vista?
Pensamos em estrangeirismos, como
“mülleriano”, derivado de “Müller”, para o qual
mantemos o trema, mas palavras muito mais
frequentes em português, provenientes do latim,
não foram ainda aportuguesadas. Outras já
foram.
Assim, “factótum” e “vade-mécum” já foram
aportuguesadas. Mas “honoris causa” não. O
“honoris” é um exemplo de proparoxítona não
acentuada. Mas, todas as proparoxítonas devem
ser acentuadas – é a regra, para a qual se diz que
não mantém exceção. Outro exemplo: “sui
generis” “Álibi” foi aportuguesado. Qual a lógica?
Problemas à vista?
Proparoxítonas aparentes – assim chamadas no
texto do acordo – são palavras proparoxítonas
terminadas em ditongos crescentes.
“Glória”, “lírio”, “série”, “mágoa”: se são
proparoxítonas, não poderiam terminar em
ditongos, ou teríamos somente duas sílabas.
Com duas sílabas, não teríamos a antepenúltima.
Sempre aprendemos que as proparoxítonas são
acentuadas na antepenúltima sílaba.
E agora? Se são apenas aparentes, deveriam
constar na regra das paroxítonas, não das
proparoxítonas. Ou não?
Problemas à vista?
Falta de carne para frigoríficos: Como distinguir o
que se quer dizer nesta manchete?.
O “para” não tem mais acento gráfico, seja ele verbo
ou preposição.
Na manchete acima: está-se dizendo que falta carne
para os frigoríficos?
Ou
está-se dizendo que a falta de carne está provocando
a parada dos frigoríficos?
Querem outro absurdo? Para-brisa, para-choques, para-lama
(todas com hífen). Mas: paraquedas, paraquedista,
paraquedistas (sem hífen). Qual é a lógica?
Problemas à vista?
Na parte de acentuação sobre o I e U, quando
segunda vogal do hiato, há exceções.

Uma das exceções é quando estiverem na


sílaba com L, M, N, NH, R ou Z: Adail, Raul,
ruim, tainha, cairdes, juiz – assim reza o
texto do Novo Acordo.
Ora, o NH nunca está na sílaba, porque jamais
termina sílaba (ra-i-nha).

E agora?
Problemas à vista?
Hábeas consta acentuado no VOLP. Mas corpus
consta como latinismo (não acentuado).
Habeas corpus, habeas-corpus, hábeas-corpus
ou hábeas-córpus?

O VOLP traz “datum” como latinismo. “Data”,


plural de “datum” também deveria ser. Em
português será habeas data, habeas-data ou
hábeas-data?
O Dicionário Houiass (não oficial) registra:
Habeas-corpus (sem nenhum acento) e
Hábeas-data (com acento em hábeas).
E agora? Qual é a lógica?
Problemas à vista?
Jiu-jítsu e jujitsu constam no VOLP.

Mas, o texto do Novo Acordo não apresenta


nenhum exemplo de palavras paroxítonas
terminadas em U, apenas reza que há
palavras paroxítonas terminadas em US
(bônus, Vênus, etc.).

E agora? Existem ou não? Como apareceu


uma no VOLP?
Por que sua variante (jujitsu) é oxítona?
Problemas à vista?
Antes do Acordo havia 16 regras de acentuação,
mais 22 observações sobre as regras (38 itens),
oficialmente. E tudo isso não dava conta de
explicar todos os casos de acentuação gráfica do
português.

Com o Acordo, são 30 itens, ao todo. Mas


ainda continuam os problemas, com
alguns casos explicados menos
suficientemente do que antes. Se
contarmos as terminações das
paroxítonas, passam de 40 os itens.

Qual foi a real simplificação?


Problemas à vista?
Trema, til e acento grave não são acentos
gráficos de tonicidade.
Por que são tratados na parte de
acentuação gráfica no Novo Acordo, já
que a questão mais importante da
acentuação gráfica é a marca de
tonicidade?

Apenas o til pode exercer a dupla função de


marcar tonicidade e nasalidade, em
alguns casos (quando um acento gráfico
indicador de tonicidade não comparecer).

Onde está a precisão?


Problemas à vista?
Herói mantém o acento gráfico.
Heroico, não mais.

Fiéis, réis, réu mantêm o acento gráfico.


Ideia, assembleia, joia, não mais.

Qual a lógica?
Problemas à vista?
Ele tem. Eles têm.
Ele vem. Eles vêm.
Ele mantém. Eles mantêm
Ele provém. Eles provêm.

A pronúncia é idêntica. A diferenciação é


feita pelo contexto. Por que manter os
circunflexos?
Uniformizar, sim
COMPLICAR AINDA MAIS, NÃO!

Você sabia que o texto do Acordo, o oficial,


continha 22 erros de português?! O mais
grave era um erro de... Ortografia!
“Insersão” (sic!) no lugar de “inserção”.
Esses 22 foram reconhecidos por um texto
de um revisor de Portugal.
Mas há erros conceituais graves, que nem
os revisores mais atentos detectaram.
Fora da Academia, a língua certamente
prosseguirá, apesar de acordos e
desacordos ortográficos.
E, por falar em confusão...
Registros de dicionários: (À) toa e à-toa. (Não mais> agora
apenas à toa. Mas há exceções como ao deus-dará.)
bem-aventurado, mal-aventurado;
bem-estar, mal-estar;
bem-humorado, mal-humorado;
bem-afortunado, mal-afortunado;
bem-criado, MAS malcriado;
bem-ditoso, MAS malditoso;
bem-falante, MAS malfalante,
bem-mandado, MAS malmandado,
bem-nascido, MAS malnascido,
bem-soante, MAS malsoante,
bem-visto, MAS malvisto.
benfazejo, benfeito, benfeitor, benquerença;
malfazejo, malfeito, malfeitor, malquerença.
Ora com hífen, ora sem. E agora? Dicionário

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