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UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLANE

Escola Superior de Desenvolvimento Rural (ESUDER)

Transferência de Massa

Docente: Prof. Dr. Catine Chimene


INTRODUÇÃO
• Transferência de massa é definido como sendo um fenômeno ocasionado pela diferença de concentração (maior
para menor) de um determinado soluto em um certo meio físico.
• Transferência de massa é o processo de transporte onde existe a migração de uma ou mais espécies químicas em um
dado meio, podendo esse ser sólido, líquido ou gasoso.
• Transferência de massa é o transporte de um componente de uma região de alta concentração para outra de baixa
concentração.
O estudo da transferência de massa é efectuado com o objectivo de
quantificar o fluxo de matéria de uma determinada espécie química
numa mistura.
A transferência de massa ocorre por mecanismos de difusão e
advecção (convecção) devido ao movimento do meio quando existe.

Soluto é a espécie transferida no processo de fluxo da matéria (massa


ou mols) em uma espécie química com propriedades definidas.

Solventes são regiões que contêm o soluto podendo abrigar


população de uma ou mais espécies químicas distintas do soluto.
Tipos de Transferência de Massa

Nota: O mecanismo da transferência de massa depende da dinâmica


da mistura no qual ocorre.
• O conjunto soluto–solvente, por sua vez, é conhecido como mistura
(para gases) ou solução (para líquidos). Tanto uma quanto a outra
constituem o meio em que ocorrerá o fenômeno de transferência de
massa.
• A diferença de concentração do soluto, enquanto causa, traduz-se
em “força motriz”, necessária ao movimento da espécie considerada
de uma região a outra, levando-nos a:

Interação soluto–meio (difusão);


Interação soluto–meio + ação externa (convecção).
Classificação da transferência de massa
Difusão molecular (ordinária), resultante de um gradiente de concentração.
Difusão térmica, resultante de um gradiente de temperatura;
Difusão devido à pressão, que ocorre em virtude de um gradiente de pressão;
Difusão forçada, que resulta de outras forças externas além das
gravitacionais;
Transferência de massa por convecção forçada;
Transferência de massa por convecção natural;
Transferência de massa turbulenta, resultante das correntes de redemoinho
existente num fluido;
Transferência de massa entre as fases que ocorre em virtude do não equilíbrio
através da interface.
Difusão molecular
Corresponde ao movimento aleatório que leva uma determinada mistura
completa observada no microscópico.
O fluxo de massa ocorre no sentido das regiões de alta para os de baixa
concentração
A difusão deve-se à diferença de potenciais químicos das espécies, ou seja, á
diferença de concentrações entre dois locais num dado sistema.
• A difusão está associada ao transporte de massa que ocorre
em um Sistema quando nele existe um gradiente de
concentração química. Ela ocorre no interior de sólidos,
líquidos e gases com uma manifestação distinta e magnitude.
Ex: uma gota de tinta que se dilui na água, odor de um
perfume que se alastra em uma sala, etc.
Difusão Molecular
Causa do Fenómeno
 Para temperaturas acima do zero absoluto, moléculas individuais estão no estado
do movimento contínuo ainda aleatório.
 Dentro de misturas gasosas diluídas, cada molécula comporta-se
independentemente das outras moléculas de soluto.
 Colisões entre moléculas de soluto e solvente estão continuamente ocorrendo.
 Como resultado das colisões, as moléculas de soluto movem-se ao longo de um
caminho em zig-zag, ora através de uma região de alta concentração, ora através
de baixas concentrações.
Lei de Difusividade de Fick

As leis de Transferência de Massa mostram uma relação entre:


1. Fluxo de uma substância difusiva
2. Gradiente de concentração

Desde que a T.M. ou difusão ocorre somente para misturas, deve-se


avaliar os efeitos de cada componente
A lei de Fick é uma lei quantitativa na forma de equação diferencial que
descreve diversos casos de difusão de matéria ou energia em um meio no qual
inicialmente não existe equilíbrio químico ou térmico. Recebe seu nome de
Adolf Fick, que as derivou em 1855.
Difusão dos Gases
Considera-se moléculas gasosas de baixa densidade, monoatómica,
esféricas e mesma diapasão química e diâmetro d igual. Em caso de
ter um choque elástico, as moléculas terão movimentos aleatórios
provocando inúmeros choques como se ilustra na figura.

As moléculas se deslocam
para qualquer sentido e
direcção com tendências de
ocupar novos espaços onde
tiver menor população.
Usando as expressões matemáticas e admitindo
a linearidade da função pode-se afirmar:

Pegar a equação 2 e submeter na equação 1, teremos:

Como se trata de população molecular da mesma espécie, a velocidade


média molecular será igual a Ω e o fluxo sera dado pela eq. 4
Atendendo a equação 4, pode-se dizer que o fluxo
será dado por:
4

Fluxo líquido = fluxo líquido que entra – fluxo líquido que sai.

7 8
Frequência das colisões entre as moléculas

9 10

11

12

13
14

15

Simplificando a equação 14 e 15, teremos o seguinte:

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Exemplo1: Calcule o valor da frequência de colisão para o Árgon (raio atómico =


0.86 Aº). A massa molar é de 40 g/gmol em um sistema hipotético com uma pressão
de 760 mmHg (1.0133x106 (g/cm.s2)) e T = 27 ºC. Sabe-se que R = 8.3144x107
(g.cm2/gmol.s2.K)
Caminho livre médio
O caminho livre médio é definido como sendo a distância média entre
duas moléculas na iminência da colisão.
17
Exemplo 2: Calcule o caminho livre médio do exemplo anterior
considerando as mesmas condições
Coeficiente de difusão binária para gases
A difusividade ou coeficiente da difusão, substituindo as fórmulas 9 e
17 podemos ter:

18

19

Exemplo 3: Calcule o valor de coeficiente da difusão do exemplo


anterior e compare com o valor experimental dado que é 1.67 cm 2/s.
Coeficiente de difusão em gases para o par apolar A/B
Para a difusão de um soluto gasoso A em um meio também gasoso B, a
primeira lei de Fick é dada pela equação:

20 A velocidade molar será dada por:

22
21

O caminho livre médio é dado pela equação: 23


Com as equações 22 e 23 pode-se deduzir o seguinte:

24

25
R = 8.3144x107 (g.cm2/gmol.s2.K) e d = cm

Unidades de atm e Aº 26
Exemplo 4: Determinar o valor do coeficiente de difusão do H 2 em N2 a
15 ºC e 1 atm. Compare o resultado obtido com o valor experimental
tabelado ( 0.734 cm2.atm/s)
Potencial de Lennard-Jones: diâmetro de colisão
Os desvios acontecem por vezes a partir da forma esférica rígida dos
átomos em detrimento das colisões por contacto entre si.
Entretanto as moléculas detêm cargas eléctricas possuindo forças
atractivas e repulsivas entre o par solvente/soluto dando o fenómeno das
colisões moleculares.
As energias de repulsão e atracção são denominadas como funções das
distâncias entre as moléculas caracterizando uma energia potencial de
atracção/repulsão.
Na distância entre as moléculas A e B onde a energia se anula se
encontra o diâmetro de colisão.

27
28 σAB – diâmetro característico das
espécies químicas que diferem nos
29 diâmetros moleculares ou atómicos.
εAB – Energia máxima de atracção
entre duas moléculas
Grupos σi εi/k
Para Teb 1.18Veb
1
3 1.15Teb
Para Tcr 0.841Vcr
1
3 0.77Tcr
Factor acêntrico
 2.3551  0.087 w   Tcr Pcr 
1
3  0.7915  0.1693w  Tcr

Onde: σi – está em A˚;


Veb – é o volume molar à temperatura normal de ebulição
(cm3/gmol); Teb – Temperatura normal de ebulição (K);
Tcr – Temperatura crítica (K);
Pc – Pressão critica (atm);
w – Factor acêntrico;
Nota: todos valores são tabelados mas em conta de não existência dos
valores pode-se usar o cálculo de volume de Le Bas. Este volume é
obtido a partir dos valores dos volumes atómicos das espécies químicas
que compõe a molécula em estudo. O V eb é determinado através da soma
das contribuições dos átomos contidos na fórmula.

Exemplo 5: calcule o valor do volume de Le Bas para o etano e


determine o seu diâmetro de colisão.
Exemplo 6: Fazer uma nova correcção do coeficiente de difusividade
atendendo as características previamente tabeladas de Nitrogénio e
Hidrogénio conforme os exemplos anteriores e o desvio. Comente os
resultados
Equações da correção da difusividade

30

Equação da Chapman-Enskog

b = 1.858 31

32
Equação de Wilke-Lee

33

34

Onde: ΩD – denomina-se integral da colisão

35

T* - temperatura da colisão 36
As constantes da equação 35 são dados na seguinte tabela
A = 1.06036 C = 0.1930 E = 1.03587 G = 1.76474
B = 0.15610 D = 0.47635 F = 1.52996 H = 3.89411
Exemplo 7: refazer a questão 6 usando as formulas de CE e WL.
Que ilações obteve?
Equação de Fuller, Schetter e Giddings

37

38
Volume
molecula
r de
difusão

Volume
Atômico
de
difusão
Estimativa do DAB a partir de um DAB conhecido em outras condições
de temperatura e pressão

39

40

Exemplo 8: Estimar o valor do coeficiente de difusão do vapor de água


a 40 ºC e 1 atm em ar seco. Compare os resultados com o valor
experimental de 0.288 cm2/s.
Coeficiente de difusão em gases para o par polar A/B

41

42

43

*
44
45

46

47

48
Difusão em líquidos
O estudo e interpretação dos mecanismos de difusão em um meio
líquido (tanto de electrólitos bem como não electrólitos) é bem
complexo podendo se aproximar diversas teorias tais como
hidrodinâmica, salto energético, mecânica estatística e termodinâmica
dos processos irreversíveis. O maior empecilho é a definição das
estruturas moleculares do soluto e do solvente que se encontra mais
interligados com as forças intermoleculares do fenómeno difusivo.
Difusão de não-electrólito em solução liquida diluída
Um soluto não electrolítico é aquele que em contacto com uma solução
liquida, não se decompõe em iões de tal forma que a sua difusão será a
da molécula-soluto no meio em que se adequa. Ex: dissolução dos
gases ou hidrocarbonetos em soluções liquidas.
Concentrações, Velocidades E Fluxos
• Concentração
Em misturas multicomponentes, a concentração de uma espécie
molecular pode ser expressa de várias formas:
- Concentração ou densidade mássica total (ρ): massa total do
sistema contido em uma unidade de volume da mistura

49 Onde: massa da espécie i por unidade de volume da solução

Concentração molar

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Número de moles da espécie i por unidade de volume da solução
Fracção mássica
Concentração mássica da espécie i dividida pela
concentração mássica total.

Fracção molar
Concentração molar da espécie i dividida pela concentração molar total da
solução.
A fracção molar nos gases pode ser dada pela expressão:

Onde: Pi é a pressão parcial do componente i na fase gasosa e R é a constante universal dos gases.
Para uma mistura gasosa ideal temos:
Onde: P é a pressão total da mistura gasosa
Definições básicas para uma mistura binária (A + B)
A fração molar para misturas de líquidos ou sólidos, x , e gasosas, y ,
A A

é definida como a razão entre a concentração molar da espécie química A


e a concentração molar total :
Exemplo I: Um sistema estável contem os seguintes gases
misturados: 15% Oxigênio, 51 % de Nitrogênio, 24 % de Agua e o
restante dióxido de carbono. Determinar a massa molecular no
sistema em causa e a fracção de massa da solução.

Exemplo II: Calcule a massa molecular do ar nas misturas seguintes:


a)21% de Oxigênio e 79% de Nitrogênio
b)0.93% de Ar (Argon), 0.33 de dióxido de carbono, 20.65% de
oxigênio e 78.09 % de Nitrogênio.
c)Compare os resultados obtidos
Exemplo III: Calcule a concentração mássica da mistura e de
cada componente nas CNTP, bem como as suas fracções
mássicas para cada espécie do exemplo II.

Exemplo IV: Calcular a massa molecular do ar húmido com y


H2O = 0.09. suponha que o ar puro seja uma mistura ideal das
espécies químicas contidas no exercício II. Determine a
fracção mássica do vapor de H2O.
Velocidade
Velocidade mássica média é definida em termos de densidade
mássica para todos os componentes em uma mistura
multicomponente.

Onde: - trata-se de uma velocidade absoluta das espécies químicas


i relativos ao eixo das coordenadas estacionarias.
Velocidade molar média: definida em termos das concentrações
molares de todos os componentes.

A velocidade pode estar acoplado a outros tipos de velocidades tais


que:

Velocidade de Difusão
Exemplo V: tomando como base no exemplo I, pode-se dizer que as
velocidades absolutas das espécies químicas são: Dióxido de carbono
= 16 cm/s, Agua = 10 cm/s, Nitrogênio = 17 cm/s, Oxigênio = 25
cm/s, calcule:
a)A velocidade media molar da mistura
b)A velocidade mássica da mistura
c)A velocidade de difusão do Oxigênio na mistura, tendo como base
fundamental a velocidade media molar da mistura
d)A velocidade de difusão de Oxigênio na mistura, tendo como base
central a velocidade media mássica da mistura
Fluxos
O fluxo mássico ou molar de uma dada espécie é uma quantidade
vectorial denominado através da quantidade desta espécie em
unidades mássicas ou molares, que se deslocam em um dado
incremento de tempo por uma unidade de área normal ao vector.

Trata-se da quantidade da matéria que atravessa uma superfície com


uma determinada área num intervalo de tempo, ou seja, trata-se do
produto da velocidade e concentração, tendo unidade de [massa/área
*tempo] tal que:
Fluxos em relação a uma velocidade de referência
A 1º Lei de difusividade de Fick (1855) define a difusão molecular
do componente A em uma mistura isobárica e isotérmica. Para uma
difusão somente na direção z, tem-se:

Onde: JA,z – fluxo molar na direcção z relativo a velocidade molar


media
DAB – factor de proporcionalidade, ou seja, coeficiente de difusão
(ou difusividade mássica) para o componente A difuso em B
(dCA/dz) – gradiente de concentração na direcção z
• Fluxo Mássico Médio

Para o fenômeno difusivo, o fluxo e dado em caso de contribuição


difusiva molar o seguinte:

vA,z : velocidade mássica média


Vz: velocidade molar média
cA : concentração molar da espécie A
(vA,z – Vz) : velocidade de difusão relativo a velocidade molar
média
Difusão mássica contribuição:
Para a contribuição convectiva ou advecção, o fluxo depende
exclusivamente da velocidade do meio em que se encontrar como a
formula:
Para casos de fluxo convectivo molar, a sua formula será dada por:

Onde: NA,z – fluxo convectivo


CA – concentração molar da espécie A
Vz – velocidade média da espécie A
Fluxo para misturas binarias

Onde: NA – fluxo convectivo


– velocidade absoluta da espécie A
– velocidade média local da solução

Para gases
Para gases

Para liquidos
Equação de Stefan-Maxwell