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|  

  
‡ Em 22 de abril de 1500, Pedro Álvares Cabral chegou
ao Brasil e tomou posse da terra, que pertencia a
Portugal pelo Tratado de Tordesilhas de 1494.
‡ O primeiro contato com os nativos brasileiros foi
extremamente amistoso
‡ Durante trinta anos (1500-1530), o Brasil foi relegado a
segundo plano, pois aqui não havia, de imediato,
produto que interessasse a Portugal, isto é,
principalmente ouro e prata.
‡ Sem se preocupar em colonizar esta terra, Portugal
enviou, durante esse período, algumas expedições.




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"
#
!
$
% 
‡ O pau-brasil encontrado no litoral, desde o Rio
de Janeiro até Pernambuco, foi o nosso primeiro
produto de exportação.
‡ O pau-brasil é uma madeira, da qual extraíam

  &
utilizado na tintura de
tecidos. O nome da madeira, brasil, devido à cor
de brasa, acabou se generalizando para esta
nova terra: | , e os comerciantes dessa
madeira eram conhecidos como ³brasileiros´.
Escambo
‡ O corte e o transporte do pau-brasil até o
navio eram realizados pelos índios que
recebiam em troca de quinquilharias:
espelho, pente, contas coloridas. Com o
tempo, os índios passaram a exigir peças
mais valiosas, como facões, machados,
anzóis, ou seja, instrumentos de metal. A
essa relação deu-se o nome de  %
.
ë
!


  '((

‡ A colonização do Brasil significou tomar a posse efetiva


da terra por parte de Portugal.
‡ )

: invasões francesas e o comércio de
especiarias orientais já não fornecia grandes lucros,
devido à concorrência de outros países europeus.
‡ Era, portanto, necessário colonizar esta terra. Dentro do

*
do período, que era o
)  
(baseado na circulação de mercadorias),
a colônia deveria se tornar uma fonte consumidora de
produtos metropolitanos e uma fonte fornecedora de
produtos de alta rentabilidade na Europa.
A cana-de-açúcar
‡ Dada a ausência de metal precioso, a solução
encontrada foi a +  $$ , pois a terra
parecia fértil. O 
!$
escolhido foi a cana-
de-açúcar, para aproveitar o clima brasileiro e
por apresentar mercado consumidor, pois o
#,  era, na época, raro e caro. Quanto à

!
% , pela experiência portuguesa na
extração de pau-brasil, os !
estavam à
disposição e em grande quantidade, e ainda
havia a alternativa de trazer +
das
colônias portuguesas da África. A venda desse
povo representava uma grande fonte de renda.
!#


-!
 
‡ Chefiada por Martim Afonso de Sousa em
1530, tinha por função expulsar os
franceses do litoral, descobrir riquezas,
explorar o litoral do Amazonas até a Foz
do Prata e fundar colônias.
‡ Em 1532, ele fundou a 1ª vila do Brasil,
São Vicente, e iniciou a cultura canavieira,
criando as bases da colonização
portuguesa no Brasil.
Como colonizar o Brasil?
‡ Para colonizar essa terra, seriam necessários
um investimento de capital muito grande e um
deslocamento enorme de pessoas. Portugal
inteiro cabia aqui e ainda sobrava espaço!
‡ Mas era preciso colonizar essa terra, antes que
os franceses o fizessem. Como? O Estado
português estava endividado, portanto sem
recursos para enfrentar o empreendimento. A
solução foi ³dividir para reinar´.
 & !. 
‡ O primeiro sistema político-administrativo implantado no Brasil foi o
de capitanias hereditárias, que foi a divisão do Brasil em grandes
faixas de terra (15 lotes) que mediam entre 200 e 650 km de largura
e cuja característica principal foi a descentralização política na
colônia.
‡ O governador estava subordinado diretamente ao rei e era
chamado de capitão, e a terra passava para o filho mais velho como
herança, daí o nome capitania hereditária.
‡ Com a adoção desse sistema político-administrativo, a Coroa
portuguesa transferia para os donatários a obrigação que era do
Estado: colonizar, defender, explorar e administrar sua região.
Portanto, os investimentos eram dos donatários, mas os lucros
eram divididos com o rei.
‡ Os documentos legais que os capitães donatários recebiam eram a
 !/
#
e o 0
.
(
1  ë %$
foram as duas
capitanias que se desenvolveram.
‡ (
1  , doada a Martim Afonso de Sousa, recebeu
ajuda do rei. Seu proprietário, além de amigo de infância
de D. João III, fora nomeado governador das Índias
Orientais. O sucesso foi relativo porque a lavoura
canavieira se desenvolvia numa estreita faixa de terra
entre o mar e a serra do Mar, e a distância entre S.
Vicente e Portugal era muito grande.
‡ ë %$
, doada a Duarte Coelho, desenvolveu-se
graças ao sucesso da lavoura canavieira, que, aqui,
encontrou clima e solo favoráveis e geograficamente
situava-se mais próxima de Portugal.
42  
!  
‡ São Vicente e Pernambuco foram as duas capitanias que se
desenvolveram.
‡ Vários fatores contribuíram para o fracasso das capitanias:
‡ a necessidade de um vultoso investimento para as instalações do
engenho;
‡ a necessidade de financiar a vinda de pessoas para povoar e
defender a terra;
‡ os ataques de corsários franceses e de índios que se defendiam da
invasão de suas terras queimando e atacando vilas e povoados;
‡ o isolamento dos donatários devido à grande distância entre uma
capitania e outra;
‡ e a ausência de um poder central, na colônia, para apoiar os
capitães-donatários.
.


+ 
‡O sistema de governo-geral foi criado em 1548 com o objetivo de
centralizar a política e a economia, exercer o efetivo controle da
colônia, por parte da metrópole, auxiliando os donatários e diminuindo
os poderes de outros.
‡O governo-geral tinha por obrigação:auxiliar as capitanias em
dificuldades; defender o litoral combatendo os franceses e desbravar
o interior combatendo os indígenas; coordenar a administração
política, econômica e a defesa
‡Para auxiliá-lo nessas tarefas, foram criados os cargos de
$!


, que cuidava da justiça, 
!

, que cuidava da
arrecadação dos impostos, e 

, que cuidava da defesa.
Dessa forma, o governador-geral se tornava a autoridade máxima na
colônia, representando o rei, e a ele os donatários deviam obediência
e subordinação, e não mais diretamente ao rei, como antes.
câmaras municipais
Enquanto o governador-geral representava o
poder central na colônia e os capitães-
donatários o poder regional, na prática o
poder de fato ficava nas mãos dos
&
 %
, que compunham as
câmaras municipais. Os ³homens-bons´
eram grandes proprietários escravocratas
que dominavam o poder local, governando,
e administravam as vilas e cidades.
æ 
3%  /
 
 &

 ' 45
‡ Em 1580, o controle administrativo do Brasil passou
para a Espanha, inaugurando um período conhecido
como domínio filipino ou domínio espanhol. Quando a
Espanha se apossou do trono português, levou também
as possessões lusitanas na África, Ásia e América,
suspendendo o limite estabelecido pelo Tratado de
Tordesilhas Esse período, também chamado de União
Ibérica ou União Dinástica, vigorou até 1640. Durante
esse tempo, Portugal perdeu sua esquadra na derrota
espanhola ante a Inglaterra, que destruiu a Invencível
Armada de Filipe II. Seus territórios coloniais foram
invadidos pelos inimigos da Espanha, e Portugal perdeu
o mercado de açúcar devido à concorrência antilhana.





‡ A cultura canavieira desenvolveu-se ao longo do litoral brasileiro. O grande centro
produtor foi o Nordeste brasileiro, graças ao solo favorável (massapê) e ao clima
sempre quente e úmido. No século XVII, o Brasil tornou-se o maior produtor mundial
de açúcar, popularizando um produto, até então raro, que era vendido em farmácias,
como remédio, e entrava na partilha de herança.
‡ A montagem das instalações, a importação das mudas e a mão-de-obra exigiam um
investimento muito alto e, para levar esse empreendimento adiante, os colonos
recorreram aos flamengos, que acabaram ficando com a maior parte dos lucros
(cerca de 70%).
‡ Os holandeses financiavam a plantação e as instalações do engenho, transportavam
a carga para a Europa, refinavam o produto em Antuérpia e Amsterdã e
comercializavam o açúcar, distribuindo-o por toda a Europa.
‡ Em razão das dificuldades para a utilização da mão-de-obra indígena ± por causa de
fugas e revoltas ±, os colonos acabaram recorrendo à mão-de-obra africana. O
comércio de escravos africanos revelou-se altamente lucrativo para a burguesia
européia.
‡ Além dos escravos ± negros e índios ±, havia trabalhadores livres, assalariados,
como o mestre-de-açúcar, responsável pelo controle de qualidade, o feitor-de-
escravo, que era o capataz da fazenda, e alguns técnicos responsáveis pela
manutenção das instalações.
( 



‡ A plantação canavieira desenvolveu-se no
sistema de 
, isto é,
fundamentou-se na grande propriedade ±
o latifúndio ±, produzindo um só produto
(monocultura), assentado na exploração
da mão-de-obra escrava (escravidão) e
visando ao mercado externo (exportação).
As áreas para cultivo de alimentos eram
aquelas que já não serviam para mais
nada.
PACTO COLONIAL
‡ Para exercer um efetivo controle sobre a
produção açucareira, Portugal instituiu o
regime de monopólio colonial, isto é, o
Brasil era obrigado a vender os produtos
para Portugal, representado pelas
Companhias de Comércio, e dele comprar
os artigos europeus de que necessitava.
Como o preço era estabelecido pelos
comerciantes metropolitanos, o Brasil
perdia na compra e na venda.

!!


p Fundamentada na grande propriedade, a sociedade colonial adaptou-se ao
Novo Mundo organizando-se sobre dois pólos antagônicos: o senhor e o
escravo.
p O branco europeu era o proprietário de terras e de escravos, o senhor
absoluto. O escravo, que podia ser índio ou negro, era submetido à vontade
dos senhores e produzia a riqueza do Brasil Colônia.
p A sociedade açucareira era patriarcal, isto é, o senhor de engenho detinha
todos os poderes sobre a terra, os escravos, a família e sobre a vila, pois,
sendo um ³homem-bom´, ele compunha a Câmara Municipal. Seu poder
sobre a família decidia o futuro e o casamento dos filhos.
p Os dois primeiros séculos de nossa formação foram períodos de grandes
adaptações: do branco adaptando-se à terra virgem e imensa, dos índios
adaptando-se às influências européias, dos negros adaptando-se às novas
formas de organização social e a economia adaptando-se à terra brasileira,
desenvolvendo-se a cana no litoral nordestino, a pecuária no sertão e a
coleta de ³drogas do sertão´ pelo interior.
p Nem sempre essas adaptações decorreram pacificamente: índios e negros
reagiram violentamente contra a escravidão; colonos reagiram contra o
poder dos jesuítas e franceses e holandeses reagiram contra Portugal e
Espanha e disputaram o Novo Mundo.
p Em virtude das reações e adaptações, a sociedade colonial foi se
estabelecendo e lançando as bases da atual sociedade brasileira.
4 ! + 
6$ 
p A partir de 1530, as relações entre brancos e índios se modificaram. Ao
colonizarem a terra implantando a lavoura canavieira, os portugueses
ocuparam grandes porções de terra, invadindo as terras indígenas.
p Ao mesmo tempo, para dar continuidade à ocupação e ao sucesso
canavieiro, os colonos necessitaram de muita mão-de-obra, passando a
escravizar tribos inteiras.
p A perda da terra e da liberdade foi responsável por grandes conflitos e
massacres envolvendo colonos e indígenas.
p Os jesuítas formaram as missões jesuíticas para o aldeamento indígena
sob a sua supervisão. Em troca da catequese, os nativos caçavam animais
exóticos, colhiam plantas e ervas e pescavam peixes, que eram exportados
para a Europa e enriqueciam os cofres da Igreja. O trabalho dos padres
destruía o mundo religioso dos nativos, a sua organização socioeconômica,
seus hábitos, seus usos e costumes, impondo-lhes valores cristãos e
costumes ocidentais, incentivando-os a respeitar o homem branco,
³civilizado´ e ³superior´. Dentre os costumes indígenas, o mais combatido
foi o da antropofagia.
p Os índios missionados acabaram por se tornar o alvo preferido de
traficantes de escravos, em razão da sua docilidade e obediência, gerando
inúmeros conflitos entre colonos e jesuítas.
p Além da catequese indígena, os jesuítas cuidavam da educação dos
colonos, em colégios ± para preparar os filhos dos ³homens-bons´ para as
universidades européias.
 7  + 
p Os negros resistiam como podiam à escravidão.
p As mulheres, muitas vezes, provocavam abortos para livrarem seus filhos do cativeiro;
envenenavam a comida de seus senhores; homens e mulheres se suicidavam;
quebravam os maquinários do engenho; ateavam fogo nas plantações e na casa-
grande; fugiam para a mata; deixavam-se morrer de ³banzo´ (o nome que os africanos
deram ao estado depressivo em que alguns deles ficavam, devido à situação).
p Para capturar os negros fugitivos, os senhores empregavam profissionais
especializados, chamados capitães-do-mato, que recebiam por ³peça´ recuperada. Para
enfrentar os !

, os escravos desenvolveram uma modalidade de arte
marcial ± a 
 ± uma tática de luta em que se usam as pernas como armas. Nas
senzalas, eles praticavam e aperfeiçoavam a técnica ao som de música e cantoria
enquanto os senhores achavam que era uma dança de negros.Quando os negros
obtinham sucesso nas fugas, eles organizavam aldeias em locais de difícil acesso,
denominados 8$
%
, atraindo e acolhendo todos os escravos fugitivos da região.
Seus habitantes são chamados, até hoje, de 8$
%
.
p Durante o período colonial, organizaram-se centenas de quilombos, o que prova a
resistência negra à escravidão.
p O mais famoso e o mais estudado foi o 8$
%
!
ë 9organizado na serra
da Barriga, em Alagoas, por Ganga Zumba e imortalizado por Zumbi.
p Os quilombolas praticavam a agricultura e o excedente era comercializado com vilas e
povoados vizinhos em troca de armas, munições e outros produtos. O quilombo dos
Palmares não abrigava somente negros. Índios, mulatos e brancos pobres também
eram acolhidos, chegando o quilombo a possuir cerca de 30 mil habitantes.
 :&
 !
‡Durante o governo de Filipe II, da Espanha,
o Brasil passou a fazer parte do império
espanhol, em virtude da inexistência de
herdeiro português ao trono depois da morte
de D. Sebastião. Nesse período, de 1580 a
1640, Portugal sofreu ataques dos inimigos
da Espanha: os franceses invadiram o
Maranhão; os holandeses se apossaram do
comércio de escravos, tomando as fontes
fornecedoras na África; e ingleses e
holandeses se apossaram do comércio
oriental.
‡Para enfraquecer economicamente os
holandeses, a Espanha proibiu suas colônias
de fazer comércio com os flamengos. Entre
essas colônias espanholas se encontrava o
Brasil
Reação holandesa
‡ Contra o bloqueio econômico, os holandeses criaram a Companhia
das Índias Ocidentais com o objetivo de invadir a América e
recuperar os lucros do comércio açucareiro. Para invadir as
colônias da Ásia e da África, os holandeses criaram a Companhia
das Índias Orientais.
‡ Em 1624, os holandeses invadiram a Bahia, mas foram expulsos
por tropas luso- espanholas logo em seguida. Em 1630, invadiram e
ocuparam ë %$
, o maior centro produtor de açúcar. A
resistência interna foi organizada por Matias de Albuquerque, que
fundou o  !
|
;$, conseguindo conter os invasores.
Em 1635, invadiram novamente dominando a região até 1654,
quando forma expulsos pela Insurreição Pernambucana.
$
&
 !
‡ O movimento de reação aos holandeses e a sua
conseqüente expulsão deram início a uma
conscientização dos colonos portugueses de que o
Brasil não era um simples local para se enriquecer e
voltar para a ³terrinha´, Portugal.
‡ Negros, índios e brancos se uniram para expulsar os
invasores. Nascia, dessa forma, um sentimento de
brasilidade e de defesa da terra que lhes garantia o
sustento. Não de defesa da pátria, porque para os
colonos a pátria continuava sendo Portugal, mesmo que
eles já fossem filhos e netos de portugueses, nascidos
aqui, no Brasil.
3 $ #
ë %$  
45 45
‡ Entre 1645 e 1654, os holandeses foram
combatidos pela 3 $ #
ë %$  ,
formada por 
 . 
comandados por
João Fernandes Vieira e André Vidal de
Negreiros, por  
 +
comandados
por Henrique Dias e por !
comandados por
Felipe Camarão, o índio Poti. Essa união contra
o inimigo deu origem ao desenvolvimento do
sentimento nativista, que, mais tarde, foi
canalizado contra Portugal em nome dos
brasileiros.
Os holandeses se tornam nossos
concorrentes-  !
#, 
‡ Durante os vinte e quatro anos de permanência no Brasil, os
holandeses aproveitaram para tomar conhecimento de todo o
processo produtivo da lavoura canavieira e levaram a experiência
para as suas possessões nas Antilhas e na Guiana Holandesa
(Suriname).
‡ Adotando tecnologia moderna, os holandeses passaram a concorrer
com o açúcar brasileiro, que perdeu o mercado internacional devido
ao preço alto e à qualidade inferior do produto. Os holandeses
canalizaram seu capital para investir em suas próprias lavouras na
América Central e passaram, é claro, a dar preferência à
distribuição de seu açúcar nos centros europeus. Portugal não
possuía centros de refinação, não dominava o mercado europeu de
distribuição e também não possuía recursos para investir nos
engenhos brasileiros e modernizar os equipamentos.
‡ $#



$27 !
 &
! + &

$ 


*
! +

! <
A busca por uma nova fonte de
riqueza para sustentar Portugal
‡ A essa altura, o Brasil passou a ser visto como ³a vaca
de leite portuguesa´, ou seja, a colônia arruinada se viu
na obrigação de sustentar a metrópole decadente. Para
tanto, ë
$+$ 
$ ! 
sobre
os colonos, cortando-lhes qualquer liberdade
econômica. Para exercer uma fiscalização mais eficaz, a
metrópole criou
 &!
 
para
exploração de determinadas regiões, diminuiu o poder
das = $  (os vereadores passaram a
ser nomeados diretamente pelo rei), incentivou a cultura
de %
utilizada para o tráfico de escravos e a

$ !  

pelo interior, motivando
as   !e fazendo vista grossa para as % ! .
 
 

‡ Os principais responsáveis pela expansão territorial foram as
  !, as % ! , o +!
e os 6$ .
‡ Partindo da costa, as bandeiras paulistas se embrenharam pelo
interior, invadindo e anexando terras espanholas, triplicando,
praticamente, o tamanho do Brasil e obrigando os países ibéricos a
anularem o Tratado de Tordesilhas e delimitarem novas fronteiras
luso-hispânicas.
‡ Essa penetração pelo interior brasileiro transformou radicalmente a
vida colonial, que, até então, resumia-se à faixa litorânea,
explorando a produção açucareira e a extração de pau-brasil.
  !
‡ As entradas foram expedições militares
financiadas pela Coroa portuguesa cujo objetivo
era explorar as terras coloniais em busca de
metal precioso.
‡ Dado seu caráter oficial, normalmente elas não
ultrapassavam a demarcação ibérica
estabelecida pelo tratado de Tordesilhas.
| ! 

‡ As bandeiras foram expedições


particulares que promoveram uma grande
expansão territorial, anexando terras além
da linha de Tordesilhas.
‡ O maior centro irradiador das bandeiras
foi (
ë$
, na capitania de São
Vicente.
   #:
 
 

‡ A ação dos brasileiros contra o domínio estrangeiro, em especial o
dos holandeses, deu início à formação de uma consciência
nacional, de uma identidade própria, diferenciada em relação aos
³reinóis´, os portugueses do Reino, detentores de grandes
privilégios.
‡ Os colonos começaram a sentir que a . ë
$+fazia clara
distinção entre os portugueses nascidos em Portugal e os
portugueses nascidos no Brasil. Apesar de a riqueza colonial
sustentar a metrópole, os colonos começaram a perceber que, para
o Reino, eles constituíam uma espécie de cidadãos de segunda
classe.
‡ Aos poucos, essa percepção foi se tornando mais clara: quanto
mais os colonos produziam, mais a metrópole exigia. Em época de
crise, Portugal criava mecanismos cada vez mais rígidos para
controlar e fiscalizar de perto o pagamento dos impostos, criando
situações insustentáveis.
)
 
 
‡ As primeiras ações coloniais contra a metrópole foram
de  .  +
e de $ &

*
<São
chamadas de 
 
 (Beckman,
Mascates, Emboabas e Felipe dos Santos), nos quais
não se questionava a independência política mas se
exigia a % !!
* com o 2!
 



.
‡ São denominadas de nativistas porque foram
manifestações que envolveram portugueses e
brasileiros em lados opostos e os colonos defendiam a
terra que lhes garantia o sustento e a fortuna. Por

entende-se 
> .
R



‡ O segundo grupo, que representa o
amadurecimento dos movimentos
nativistas, é denominado de r



. Possuíam uma abrangência
maior e pregavam a  ! !7 

  . São eles: Inconfidência Mineira e
a Conjuração Baiana.
  #

‡ Ao final do séc. XVII, as bandeiras de prospecção organizadas


pelos paulistas obtiveram sucesso: encontraram ouro na região de
Minas Gerais. A notícia logo se espalhou e para lá correram gente
de todas as partes do Brasil e também de Portugal, gente que
sonhava ficar rico, rapidamente, promovendo uma verdadeira
³corrida do ouro´ao interior brasileiro, ocupando vastos territórios.
‡ Toda descoberta deveria ser, imediatamente, comunicada à Coroa
e a cada notícia de nova região aurífera mais aventureiros surgiam.
Estima-se em mais de 600 mil pessoas o número de pessoas que
chegaram à região mineira entre o final do séc. XVII e a metade do
séc. XVIII.
 !2$ !#

‡ Para diminuir o ³quinto´ a ser pago, o contrabando na região era intenso e


os mineradores inventaram o famoso ? 
!
$

@, que era uma
imagem de um santo, talhada em madeira, mas vazia (oca) por dentro e
preenchida com ouro em pó. Os mineradores levavam o ³santo´ para fora
da área mineira, esvaziavam o conteúdo e negociavam com os
contrabandistas.
‡ Para pôr um fim a esse contrabando, que a cada dia se tornava mais
intenso, o governo português instituiu as !2$ !#
.
‡ O objetivo das !2$ !#
era aumentar a arrecadação dos
impostos para a Coroa, e para isso os mineradores eram obrigados a
entregar todo o ouro extraído para a casa de fundição, onde o ouro era
fundido (derretido), transformado em barras, carimbado com o selo real e
³quintado´, isto é, retirado o quinto. Estabeleceu-se também a proibição de
circulação de ouro em pó ou em pepitas, pois o selo na barra de ouro era a
prova de que o imposto fora pago. O infrator podia perder seus bens e ser
degredado para a África.
Aumento da fiscalização e da
insatisfação
‡ Quanto maior a fiscalização,maior se tornava a insatisfação dos
colonos em relação à Coroa portuguesa, que sempre criava
impostos novos, dentre os quais a ³capitação´ ± imposto sobre cada
pessoa que trabalhava na extração aurífera ±, a obrigatoriedade da
colônia em contribuir com 100 arrobas de ouro por ano como
³imposto mínimo´. Havia também a ³derrama´: cobrança violenta
dos impostos atrasados através de prisões e confisco de bens do
devedor.
‡ O clima de insatisfação foi crescendo de tal forma que os colonos
passaram a sonhar com uma pátria livre e, em 1789, os mineiros se
levantaram para gritar ³liberdade ainda que tarde´, mas foram
traídos. Ainda assim, o sonho que parecia ter morrido, lançou
sementes em outros pontos da colônia, que passarão a lutar pela
independência do Brasil.