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Proposição (Canto I – est.

1 a 3)
• Proposição?

• [Retórica]  Parte de um discurso na qual se expõe o


assunto que se pretende provar, estabelecer, discutir, etc.
(Dic. Priberam)

• Camões propõe-se fazer algo

• O quê? Vamos ler!

• Glorificar os Portugueses
Proposição (Canto I – est.1 a 3)
• Expressões do texto que o demonstram:

• “as armas e os barões assinalados” (est.1, v.1)

• “as memórias gloriosas/daqueles reis” (est.2, v.1-2)

• “aqueles que se vão da lei da Morte libertando” (est.2, v.5-


6)

• “o peito ilustre lusitano” (est.3, v.5)


Proposição (Canto I – análise da est.1)
As armas e os barões assinalados
Os guerreiros e os navegadores /ilustres e famosos
Que da Ocidental praia Lusitana, Perífrase
Portugal Sinédoque: todo/parte

Por mares nunca de antes navegados,


Passaram ainda além da Taprobana,
Ilha de Ceilão = Sri Lanka Diapositivo 23

Em perigos e guerras esforçados,


Mais do que prometia a força humana, Hipérbole

Entre gente remota edificaram


Novo Reino, que tanto sublimaram;
O Império do Oriente, a Índia / engrandeceram
1. “As armas e os barões assinalados”
(v.1, est.1)

…porque….
:
a) Viajaram por mares nunca antes navegados;
b) Pelos perigos e guerras enfrentados;
c) Edificaram um novo império.
Proposição (Canto I – análise da est.2)
E também as memórias gloriosas
Daqueles reis que foram dilatando espalhando/ expandindo
A Fé, o Império e as terras viciosas gentios
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles que por obras valerosas os que pela sua ação
meritória individual
Se vão da lei da morte libertando, merecem ser recordados Hipérbole
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e a arte. engenho = talento, habilidade
arte = eloquência, “arte de
dizer”
2.“E também as memórias gloriosas
Daqueles reis…”
(v. 1 e 2, est.2)

…porque….
a) Aumentaram a fé e o império pela África e Ásia.
E aqueles que por obras valerosas
3. “

Se vão da lei da morte libertando:”


(vv. 5 e 6, est.2)

Os que por terem realizado grandes


obras se tornam imortais, ou seja,
conhecidos para sempre.

…porque….
a) Fizeram obras grandiosas.
Proposição (Canto I – análise da est.3)
Cessem do sábio Grego e do Troiano Grego = Ulisses em Odisseia/Homero
Troiano = Eneias em Eneida/ Virgílio
as navegações grandes que fizeram;
Alexandre Magno = Rei da Macedónia
Cale-se de Alexandro e de Trajano que conquistou a Grécia, o Egito, o
Próximo e o Médio Oriente
A fama das vitórias que tiveram; Trajano = Imperador romano
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
Neptuno = Deus do Mar
A quem Neptuno e Marte obedeceram. Marte= Deus da Guerra
Cesse tudo o que a Musa antiga canta, Musa antiga = poesia
Perífrase
Que outro valor mais alto se alevanta.
Esqueça-se
”“O
e “Trajano”
sábio grego
o e o troiano”.
grOOegoe o troi “Alexandre” e “Trajano”
NAVEGAÇÕES
“Alexandre” e “Trajano” ano” GUERRAS

PORQUE (“QUE”)

“eu canto o peito ilustre lusitano”


“A quem Neptuno e Marte obedeceram”

MAR GUERRA

NAVEGAÇÕES VITÓRIAS
NAS
GUERRAS
“CESSE TUDO QUANTO A MUSA ANTIGA CANTA”

Entidade mitológica que inspirava os poetas, escritores,


historiadores da Antiguidade

Logo, tudo o que foi escrito na Antiguidade


devia ser esquecido…

“QUE OUTRO VALOR MAIS ALTO SE ALEVANTA”


(Porque os feitos dos portugueses são superiores
a todos os cantados na Antiguidade.)
• Atenta nas seguintes formas verbais da 3ª
estrofe e indica o tempo verbal em que se
encontram.

“cessem”
“cale-se”
“cesse”
• Apesar de estarem no Presente do Conjuntivo, as três formas
transmitem a ideia de ordem (Imperativo). Para o poeta, os feitos dos
outros heróis até agora venerados não têm comparação com os dos
portugueses que merecem, por isso, ser dignificados –
• “Que outro valor mais alto se alevanta”.
Consolidando a análise da Proposição
• Faz o levantamento dos adjetivos que nestas 3 estâncias
conotam positivamente os Portugueses:

“barões assinalados” (est.1, v.1)


“memórias gloriosas/daqueles reis” (est.2, v.1-2)
“aqueles que por obras valerosas” (est.2, v.5)
“o peito ilustre lusitano” (est.3, v.5)

A utilização de adjetivos valorativos ajuda a enaltecer


condignamente os Portugueses
CARACTERÍSTICA DAS EPOPEIAS
Consolidando a análise da Proposição
“Cessem do sábio Grego e do Troiano”
Porque se faz referência a Ulisses e a Eneias, os melhores dos
melhores?
Camões manda calar/deixar de falar das suas viagens, das
vitórias de Alexandre e de Trajano e da poesia da antiguidade:
Cessem/Cale-se/ Cesse
Porquê?

Porque nós somos ainda melhores que os melhores, as nossas


viagens são mais épicas e as nossas vitórias mais notáveis.
“Que outro valor mais alto se alevanta”
Consolidando a análise da Proposição
“Canto o peito ilustre dos Lusitanos”
Porque não cantar um mão ou um pé? Porquê o coração?

Coração = parte do corpo considerada como tendo a capacidade


de iniciativa e o ânimo/ o mesmo que coragem e valor

“A quem Neptuno e Marte obedeceram”


Dois deuses que pertencem à “nobreza” do Olimpo.
Porquê obedeceriam aos Portugueses?
Para enaltecer a grandeza dos Portugueses = característica da
EPOPEIA
Resumindo…
Consolidando a análise da Proposição

da Ocidental praia Lusitana saíram


Plano da viagem os navegadores

os reis que dilataram a fé e o


Plano da História Império
Os Lusíadas
Marte e Neptuno vergam-se face
Plano do ao valor dos portugueses
Maravilhoso

eu canto o peito ilustre dos ...


Plano do Poeta cantando eu espalharei...
Perífrase
• Utilizar várias palavras podendo dizer apenas uma:

• “Ocidental praia Lusitana” / “Musa antiga”

Portugal poesia

Expressividade: Sublinhar o facto de terem sido os


Portugueses a iniciar os Descobrimentos/ reforçar a
superioridade dos Portugueses
Sinédoque
• Transferência do significado de uma palavra para outra, baseada
numa relação entre a parte e o todo ou entre o todo e a parte, o
que permite referir o todo por uma das suas partes ou vice versa:

• “praia”

refere Portugal inteiro, não apenas a praia do Restelo,


ou seja,
refere a parte (praia) pelo todo (Portugal)

Expressividade: dar ênfase ao facto de terem sido os Portugueses


a iniciar as viagens dos Descobrimentos
Hipérbole
• Consiste no exagero da realidade:

• “Mais do que permitia a força humana”


• se a força humana não o permitisse, não teria sido feito
• Expressividade: realçar o valor dos portugueses

• Se vão da lei da morte libertando


• Ninguém escapa à morte
• Expressividade: reforçar a ideia de que nunca serão esquecidos
Metonímia
• Consiste em designar uma realidade por um termo cujo
significado aponta para outra realidade próxima:

“as terras viciosas/De África e de Ásia andaram devastando”

os povos pagãos (designam-se os povos pelos


lugares)

Expressividade: destacar a ação dos reis que propagaram a


religião cristã pelo mundo
Proposição - análise
• Análise externa

• Estes versos decassílabos, com acentos rítmicos na 6.ª e 10.ª sílabas,


denominados versos heróicos, dão ao poema esse som alto e sublimado, de
tuba canora e belicosa, isto é, assinalam, no seu ritmo, um compasso de
marcha guerreira.
• A rima é cruzada e emparelhada, conforme o esquema rimático ABABABCC,
esquema este que se repete invariavelmente em todas as estrofes do poema.